{"id":2962,"date":"2007-06-06T16:20:45","date_gmt":"2007-06-06T16:20:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2962"},"modified":"2007-06-06T16:20:45","modified_gmt":"2007-06-06T16:20:45","slug":"grupo-dos-oito-brasil-o-convidado-chega-com-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/america-latina\/grupo-dos-oito-brasil-o-convidado-chega-com-energia\/","title":{"rendered":"Grupo dos Oito-Brasil: O convidado chega com energia"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 06\/06\/2007 &ndash; Como convidado da C\u00fapula do Grupo dos Oito desta semana na Alemanha, o Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva apresentar\u00e1 argumentos suficientes para convencer seus pares da import\u00e2ncia dos biocombust\u00edveis na luta contra o aquecimento global. <!--more--> A possibilidade de o Brasil se converter num futuro pr\u00f3ximo em uma esp\u00e9cie de Ar\u00e1bia Saudita verde, como diz pr\u00f3prio Lula, traz tanto euforia quanto temores.<\/p>\n<p>Com os altos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e a press\u00e3o dos pa\u00edses ricos para reduzir a emiss\u00e3o de gases causadores do efeito estufa, o Brasil tem todas as condi\u00e7\u00f5es para se converter no maior produtor de combust\u00edveis renov\u00e1veis, extra\u00eddos de \u00f3leos vegetais ou a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar, afirmou Adriano Pires, especialista em energia do Centro Brasileiro de Infra-estrutura. O Pa\u00eds, que produz 17 bilh\u00f5es de litros de etanol por ano, junto com os Estados Unidos, responde por 70% deste combust\u00edvel usado no mundo.<\/p>\n<p>As planta\u00e7\u00f5es de cana se estendem atualmente a seis milh\u00f5es hectares no Brasil, o que representa crescimento de 13% nos \u00faltimos 13 anos. Mas para atender ao aumento da demanda interna e externa, segundo os usineiros, ser\u00e1 preciso duplicar a produ\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos seis ou sete anos e, portanto, expandir as planta\u00e7\u00f5es de tr\u00eas para quatro milh\u00f5es de hectares. O temor que esta pol\u00edtica gera, segundo a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Action Aid, \u00e9 que ocorra o mesmo que aconteceu com a soja, a monocultura que em cinco anos provocou o desmatamento de mais de sete milh\u00f5es de hectares da selva amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o compartilhada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, que luta pela reforma agr\u00e1ria. A expans\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar \u201cacelera a tend\u00eancia hist\u00f3rica da concentra\u00e7\u00e3o da terra\u201d e, uma vez mais, como aconteceu com a implanta\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool em 1975, renova uma pol\u00edtica agr\u00e1ria \u201cvoltada ao mercado mundial sem importar a produ\u00e7\u00e3o interna de alimentos\u201d, advertiu Alexandre Concei\u00e7\u00e3o, da dire\u00e7\u00e3o nacional do MST em Pernambuco. Este movimento tamb\u00e9m alerta para as tradicionais condi\u00e7\u00f5es trabalhistas \u201cescravagistas\u201d do setor a\u00e7ucareiro.<\/p>\n<p>\u201cO custo social dessa pol\u00edtica \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o do trabalho com um ex\u00e9rcito de trabalhadores bra\u00e7ais que cortam uma tonelada d cana por R$ 2,5, em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, numa situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 causou a morte de centenas de pessoas\u201d, afirmou o dirigente campon\u00eas. Entrevistada pela IPS, Camila Moreno, especialista em desenvolvimento agr\u00e1rio da Universidade Rural do Rio de Janeiro, afirmou que com o auge do etanol se reedita no Brasil \u201cuma moderna vis\u00e3o do passado colonial escravagista a\u00e7ucareiro\u201d, com um adendo que \u00e9 a expans\u00e3o de uma nova forma de \u201cimperialismo\u201d ecol\u00f3gico. Camila lembrou que muitas terras s\u00e3o compradas por fundos de investimento internacionais (norte-americanos e europeus), o que traz \u201cuma nova forma de capitalismo que n\u00e3o se conhecia no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia ficou evidente na primeira C\u00fapula do Etanol, organizada segunda e ter\u00e7a-feira em S\u00e3o Paulo pela Uni\u00e3o da Ind\u00fastria da Cana-de-a\u00e7\u00facar (\u00danica) e da qual participaram especialistas e pol\u00edticos de diferentes partes do mundo. Fontes do setor confirmaram que nesse contexto est\u00e3o sendo destinados mais de US$ 15 bilh\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o de novas usinas para produzir etanol, que estar\u00e3o prontas em 2012, cerca de 77 adicionais \u00e0s 300 j\u00e1 existentes no Brasil. Nesses investimntos aparecem capitais norte-americanos, japoneses e chineses.<\/p>\n<p>Mas talvez o par\u00e2metro mais claro da euforia do etanol tenha sido o an\u00fancio nessa c\u00fapula do investidor h\u00fangaro-norte-americano George Soros de que investir\u00e1 US$ 900 milh\u00f5es em tr\u00eas usinas de produ\u00e7\u00e3o de etanol no Mato Grosso do Sul. Uma compra feita atrav\u00e9s da empresa Adeco, presente na Argentina e da qual Soros \u00e9 um dos principais acionistas, ele que j\u00e1 \u00e9 um propriet\u00e1rio no Brasil de 150 mil hectares para plantar cana.<\/p>\n<p>Celso Marcatto, coordenador de seguran\u00e7a alimentar da Action Aid, disse que para poder realmente chamar os biocombust\u00edveis de \u201cenergia limpa ou renov\u00e1vel\u201d \u00e9 preciso considerar os impactos sociais e ambientais da \u201cexpans\u00e3o desenfreada\u201d da soja ou da cana-de-a\u00e7\u00facar. O ativista entende que o Estado deve regular os setores de produ\u00e7\u00e3o, transporte e comercializa\u00e7\u00e3o dos biocombustivis para evitar que o Pa\u00eds se \u201ctransforme em uma grande monocultura\u201d ou \u201cem v\u00e1rias monoculturas (mais precisamente de eucalipto, soja e cana-de-a\u00e7\u00facar).<\/p>\n<p>A Action Aid prop\u00f5e garantir a prote\u00e7\u00e3o da agricultura familiar das comunidades camponesas e ind\u00edgenas \u201ccontra a voracidade de expans\u00e3o das grandes empresas produtoras de biocombust\u00edveis\u201d e incorpor\u00e1-las \u00e0 atividade agr\u00edcola sustent\u00e1vel como fonte de renda. Al\u00e9m disso, apresenta a necessidade de criar zonas de desenvolvimento para estes tipos de cultivos, que n\u00e3o afetem os sistemas ecol\u00f3gicos, e da defini\u00e7\u00e3o de r\u00edgidos controles governamentais para evitar que sua expans\u00e3o afete a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e contribua para a superexplora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra, principalmente no corte de cana.<\/p>\n<p>Mas os representantes da ind\u00fastria da cana e do governo diminuem a import\u00e2ncia desses temores. Geraldo Coutinho, vice-presidente dos produtores de cana-de-a\u00e7\u00facar do Rio de Janeiro, disse \u00e0 IPS que, embora seja importante determinar \u00e1reas priorit\u00e1rias e de restri\u00e7\u00e3o para esse cultivo, o Brasil ainda tem um \u201cpotencial fenomenal para ser explorado em terras ociosas ou subaproveitadas\u201d. Por sua vez, o Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva negou que seus planos para transformar o Brasil em um produtor mundial de etanol v\u00e1 contra a soberania alimentar ou contribua ainda mais para o desmatamento da selva amaz\u00f4nica, com a expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola em cultivos como a cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>De acordo com Lula, o Pa\u00eds destina 400 milh\u00f5es de hectares \u00e0 agricultura, dos quais apenas 1% para a cana-de-a\u00e7\u00facar. Por sua vez, o vice-presidente, Jos\u00e9 Alencar, destacou na C\u00fapula do Etanol que, em lugar de provocar danos ambientais, o investimento em biocombust\u00edveis pode contribuir para gerar um crescimento nos pa\u00edses pobres. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 06\/06\/2007 &ndash; Como convidado da C\u00fapula do Grupo dos Oito desta semana na Alemanha, o Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva apresentar\u00e1 argumentos suficientes para convencer seus pares da import\u00e2ncia dos biocombust\u00edveis na luta contra o aquecimento global. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/america-latina\/grupo-dos-oito-brasil-o-convidado-chega-com-energia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10,4,11],"tags":[],"class_list":["post-2962","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2962","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2962"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2962\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2962"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2962"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2962"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}