{"id":2966,"date":"2007-06-06T16:35:06","date_gmt":"2007-06-06T16:35:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2966"},"modified":"2007-06-06T16:35:06","modified_gmt":"2007-06-06T16:35:06","slug":"dia-mundial-do-meio-ambiente-terra-pintada-em-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/mundo\/dia-mundial-do-meio-ambiente-terra-pintada-em-negro\/","title":{"rendered":"Dia Mundial do Meio Ambiente: Terra pintada em negro"},"content":{"rendered":"<p>Toronto, 06\/06\/2007 &ndash; A Terra est\u00e1 escurecendo. Desde o oceano \u00c1rtico at\u00e9 a tundra russa, passando pelas montanhas Himalaia, o gelo e a neve est\u00e3o em r\u00e1pido e permanente retrocesso por causa do aquecimento do planeta, alerta um informe divulgado ontem pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. <!--more--> Geleiras, calotas polares e gelos de rios e mares est\u00e3o derretendo. As zonas geladas do Hemisf\u00e9rio Norte diminu\u00edram 1,3% m cada uma das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas e espera-se que o ritmo aumente drasticamente nos pr\u00f3ximos anos. \u201cO negro substitui o branco em toda a Terra\u201d, disse Gunnar Sander do Instituto Polar Noruegu\u00eas, de Tromso.<\/p>\n<p>O branco da neve e do gelo reflete a luz do sol, enquanto o negro, do solo descoberto e as grandes extens\u00f5es de \u00e1gua, absorve o calor do astro e acelera o ritmo do aquecimento da Terra. \u201cEssa situa\u00e7\u00e3o afeta o equil\u00edbrio cal\u00f3rico do planeta\u201d, disse Sander \u00e0 IPS. Centenas de milh\u00f5es de pessoas, talvez milhares de milh\u00f5es, ser\u00e3o afetadas pela eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel e para irriga\u00e7\u00e3o e pelos crescentes riscos causados pelo afundamento das terras geladas, segundo um informe do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).<\/p>\n<p>O estudo \u201cPerspectiva mundial sobre o gelo e a neve\u201d foi divulgado ontem na localidade norueguesa de Tromso, por ocasi\u00e3o do Dia Mundial do Meio Ambiente, que neste ano tem o lema \u201cDegelo, um tema candente?\u201d. Especialistas calculam que 40% da popula\u00e7\u00e3o mundial ser\u00e3o afetados pela perda de neve e de geleiras nas zonas elevadas da \u00c1sia, segundo o documento de 260 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>O informe atualiza dados utilizados pelo Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC) e foi redigido de forma muito mais acess\u00edvel e compreens\u00edvel para quem n\u00e3o \u00e9 especialista no assunto, disse Sander. Esse grupo, que funciona na \u00f3rbita da ONU, estuda as causas e o impacto do aquecimento planet\u00e1rio causado, segundo a maioria dos cientistas, pela emiss\u00e3o de gases causadores do efeito estufa, com di\u00f3xido de carbono, metano e \u00f3xido nitroso, bem como mecanismos para minimiz\u00e1-los.<\/p>\n<p>Dois elementos do informe se destacam. O primeiro \u00e9 que existe uma enorme quantidade de gelo e neve no planeta. Quinze por cento da superf\u00edcie terrestre das \u00e1reas elevadas do Hemisf\u00e9rio Norte est\u00e3o cobertos por \u00e1gua em estado s\u00f3lido. O permafrost, ou terras permanentemente congeladas, existem nos dois p\u00f3los e em zonas alpinas e cobrem cerca de 20% das terras do planeta. Os cientistas denominam de criosfera essa regi\u00e3o gelada, e asseguram que desempenha um papel fundamental protegendo o planeta do aquecimento.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o segundo elemento: o papel essencial desempenhado pelo gelo e pela neve no clima. Determinar o que acontecer\u00e1 quando o aquecimento do planeta derreter a criosfera chama a aten\u00e7\u00e3o dos cientistas. \u00c9 o caso da Groenl\u00e2ndia. Os especialistas em geleiras passaram v\u00e1rios anos estudando esta grande ilha gelada. Muitos calculam que o n\u00edvel do mar aumentaria sete metros se ela derretesse completamente. Numerosas pesquisas alertaram nos \u00faltimos cinco anos que a Groenl\u00e2ndia derrete mais r\u00e1pido do que o previsto.<\/p>\n<p>Os cientistas perceberam que o degelo produz mais degelo, porque a \u00e1gua derretida circula sob as geleiras e as lubrifica, acelerando seu deslizamento para o mar. Ningu\u00e9m, nem as centenas de especialistas do IPCC, conhece com que rapidez as duas for\u00e7as, de gravidade e lubrifica\u00e7\u00e3o, podem chegar a atuar. \u201cN\u00e3o sabemos como incluir isto em nossos modelos. H\u00e1 um grande risco ali\u201d, disse Sander. A eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar em um metro deixaria 145 milh\u00f5es de pessoas vulner\u00e1veis \u00e0s inunda\u00e7\u00f5es, especialmente na \u00c1sia e nas pequenas na\u00e7\u00f5es insulares. Os custos econ\u00f4micos dessa eventualidade superariam os US$ 950 bilh\u00f5es, segundo o informe.<\/p>\n<p>Previs\u00e3o do IPCC diz que essa eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar aconteceria dentro de aproximadamente cem anos. Mas Sander, como muitos outros especialistas, apresenta dados colhidos no ano passado para prever que isso acontecer\u00e1 antes. Estimativas mais afinadas a respeito depender\u00e3o da prioridade que a comunidade internacional der \u00e0s pesquisas, afirmou. \u201cN\u00e3o podemos prever o que acontecer\u00e1 nos pr\u00f3ximos 10 anos, menos ainda nos pr\u00f3ximos 50\u201d, afirmou Pal Prestud, do Centro de Pesquisa Internacional sobre Clima e Meio Ambiente, de Oslo.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 o que podemos dizer \u00e9 que a possibilidade de o derretimento dos gelos elevar o n\u00edvel do mar de forma dram\u00e1tica \u00e9 enorme e muito acima dos progn\u00f3sticos do IPCC\u201d, disse Prestud. \u201cH\u00e1 ind\u00edcios de que est\u00e3o se quebrando, e n\u00e3o apenas derretendo. No momento, n\u00e3o entendemos todo o processo por tr\u00e1s do fen\u00f4meno\u201d, acrescentou. Por outro lado, as temperaturas no oceano \u00c1rtico aumentaram mais r\u00e1pido do que em qualquer outro lugar, com uma redu\u00e7\u00e3o clara e vis\u00edvel do gelo mar\u00edtimo de 8,9% por d\u00e9cada.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o do primeiro ver\u00e3o com um oceano \u00c1rtico sem gelo caiu de 2100 para 2050 nos \u00faltimos anos. Depois passou para 2040 e a \u00faltima previs\u00e3o afirma que ser\u00e1 em 2027. \u201cOs \u00faltimos dados colhidos nos preocupam muito e n\u00e3o apenas pelas conseq\u00fc\u00eancias sobre o n\u00edvel do mar\u201d, disse Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma. \u201cOs seres humanos ser\u00e3o afetados. Devemos compreender como ir\u00e3o mudar suas vidas e seu sustento e, em alguns casos, como isto vai desaparecer\u201d, diz Steiner em sua declara\u00e7\u00e3o. O informe do Pnuma tamb\u00e9m detalha os variados impactos ecol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Em todo o mundo a ruptura de primavera do gelo de rios e lagos come\u00e7a cada vez mais cedo. Quando peda\u00e7os d \u00e1gua congelada derretem na montanha podem chegar a provocar avalanches e inunda\u00e7\u00f5es a uma velocidade pr\u00f3xima de um moderno m\u00edssil antitanque, alerta o documento. O gelo que se forma em rios e lagos tamb\u00e9m \u00e9 um fator-chave para a reprodu\u00e7\u00e3o de muitas esp\u00e9cies animais e suas altera\u00e7\u00f5es t\u00eam conseq\u00fc\u00eancias nos ecossistemas, embora ainda n\u00e3o sejam bem entendidos.<\/p>\n<p>\u201cA diminui\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica\u201d do caribu Peary, que vive nas ilhas norte-americanas do \u00c1rtico, obedece \u00e0s chuvas de inverno sem precedentes que congelam a terra. Agora, o caribu \u00e9 considerado em risco de extin\u00e7\u00e3o, diz o informe do Pnuma. Mas enquanto cientistas apontam as conseq\u00fc\u00eancias atuais e futuras da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, faltam iniciativas pol\u00edticas, afirmou Steiner. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toronto, 06\/06\/2007 &ndash; A Terra est\u00e1 escurecendo. 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