{"id":297,"date":"2005-02-11T00:00:00","date_gmt":"2005-02-11T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=297"},"modified":"2005-02-11T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-11T00:00:00","slug":"economia-argentina-pressiona-credores-a-trocar-seus-papis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/economia-argentina-pressiona-credores-a-trocar-seus-papis\/","title":{"rendered":"Economia: Argentina pressiona credores a trocar seus pap&eacute;is"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 11\/02\/2005 &ndash; O Congresso da Argentina acabou com a possibilidade de abrir um novo processo de troca de b&ocirc;nus n&atilde;o pagos para aqueles que os possuem e n&atilde;o aceitarem, at&eacute; o pr&oacute;ximo dia 25, a proposta apresentada pelo governo do presidente Nestor Kirchner. A nova norma, conhecida no jarg&atilde;o legislativo como &quot;lei tapa-olho&quot;, visa a pressionar os possuidores de t&iacute;tulos da d&iacute;vida p&uacute;blica argentina que ainda resistem em aceitar a proposta de troca apresentada pelo ministro da Economia, Roberto Lavagna. Depois de promulgada a lei, o Executivo n&atilde;o poder&aacute; abrir novo processo de troca dos t&iacute;tulos declarados sem pagamento, ou em &quot;default&quot;, em dezembro de 2001, e tampouco melhorar a oferta, nem chegar a acordos judiciais ou extrajudiciais com os donos desses b&ocirc;nus.<br \/> <!--more--> <br \/> Mais adiante, o governo dever&aacute; realizar uma estrat&eacute;gia administrativa diferente da troca para retirar esses pap&eacute;is do mercado e das bolsa de valores, tanto nacionais quanto estrangeiras, de modo que somente continuem sendo cotados os novos b&ocirc;nus. A C&acirc;mara dos Deputados aprovou por 146 votos contra e 30 absten&ccedil;&otilde;es, a norma que j&aacute; tinha meia san&ccedil;&atilde;o do Senado desde a sexta-feira passada. O intenso debate pr&eacute;vio se estendeu por quase 10 horas, terminando minutos antes da meia-noite e houve 73 representantes ausentes. A Argentina, nos acordos que assinou com o Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) e que lhe permitiram renegociar sua d&iacute;vida com os organismos multilaterais de cr&eacute;dito, se comprometeu a chegar a um acordo com os possuidores de b&ocirc;nus que haviam sido prejudicados quando o ef&ecirc;mero governo interino de Adolfo Rodr&iacute;geuz Sa&aacute; declarou o &quot;default&quot; no final de dezembro de 2001.<\/p>\n<p> A origem dessa d&iacute;vida, que come&ccedil;ou a crescer desmedidamente em 1976 com a irrup&ccedil;&atilde;o da &uacute;ltima ditadura militar de sete anos, bem como sua legitimidade e a forma como aumento atrav&eacute;s dos anos por renegocia&ccedil;&otilde;es com condi&ccedil;&otilde;es abertamente desfavor&aacute;veis para o pa&iacute;s, foram questionados permanentemente pelos setores progressistas e de esquerda. Por sua vez, Lavagna informou que j&aacute; se conseguiu a ades&atilde;o &agrave; troca de mais de 35% dos US$ 81,8 bilh&otilde;es de d&iacute;vida congelada e em processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o desde que foi lan&ccedil;ada no dia 9 de janeiro a oferta de maneira oficial. Mas, porta-vozes do Banco de Nova York, que atua como operador do processo de troca, informou na ter&ccedil;a-feira nos Estados Unidos que j&aacute; haviam sido trocados t&iacute;tulos da d&iacute;vida no valor de US$ 34,65 bilh&otilde;es, equivalente a 42,3% da d&iacute;vida em reprograma&ccedil;&atilde;o at&eacute; o dia 25.<\/p>\n<p> Lavagna atribuiu essa diferen&ccedil;a entre os n&uacute;meros dados pelo BNY e seu minist&eacute;rio a erros de interpreta&ccedil;&atilde;o que surgem das metodologias empregadas para estimar a porcentagem de ades&atilde;o &agrave; proposta de Buenos Aires. &quot;Somos prudentes e utilizamos uma metodologia mais r&iacute;gida, mas, os dados enviados &agrave; It&aacute;lia (que faziam refer&ecirc;ncia a uma ades&atilde;o de 42,3%) foram calculados com a metodologia que eles solicitaram&quot;, explicou o ministro. Para poder avan&ccedil;ar na recupera&ccedil;&atilde;o desses t&iacute;tulos atrav&eacute;s da troca,m as autoridades argentinas emitiram tr&ecirc;s tipos de b&ocirc;nus: os Quase Par, os Desconto e os Par, que substituem 178 produtos financeiros diferentes que haviam entrado em default. Os b&ocirc;nus Quase Par, que j&aacute; foram trocados em sua totalidade, foram emitidos em pesos, com prazo de pagamento de 42 anos e com taxa de juros anual de 3,31%.<\/p>\n<p> Estes b&ocirc;nus sofrer&atilde;o um desconto sobre seu valor nominal de 30,1%, segundo informou em janeiro a bolsa de valores de Buenos Aires. Os B&ocirc;nus Desconto implicam em um desconto de 66,3% sobre o valor nominal e foram emitidos em pesos, euros e ienes e ser&atilde;o pag&atilde;os em 30 anos. Os Desconto pagar&atilde;o juros de 8,28% ao ano, mas, durante a primeira d&eacute;cada esse rendimento ser&aacute; abonado com novos t&iacute;tulos e o restante ser&aacute; pago em dinheiro. Por sua vez, os B&ocirc;nus Par &#8211; que apesar de n&atilde;o incluir descontos do capital tiveram, at&eacute; agora, menos aceita&ccedil;&atilde;o do que os Descontos &#8211; foram emitidos em d&oacute;lares, pesos, euros e ienes, com prazo de pagamento de 35 anos. Os B&ocirc;nus Par pagar&atilde;o 1,33% de juros anuais nos primeiros cinco anos, 2,5% do sexto ao d&eacute;cimo-quinto ano a partir de sua emiss&atilde;o, 3,75% do d&eacute;cimo-sexto at&eacute; o vig&eacute;simo-quinto ano, e 5,25% da&iacute; em diante. <\/p>\n<p> Na It&aacute;lia h&aacute; cerca de 450 mil pequenos investidores que possuem b&ocirc;nus em &quot;default&quot;.a decis&atilde;o do governo Kirchner de por um fim legal ao processo de troca foi questionada duramente pelos donos de b&ocirc;nus locais e do exterior. O titular da associa&ccedil;&atilde;o que re&uacute;ne as maioria dos possuidores desses pap&eacute;is italianos, Nicola Stock, que tamb&eacute;m preside o Comit&ecirc; Global de Credores, formado por japoneses, norte-americanos e alem&atilde;es, entre outros, assegurou que os titulares dos b&ocirc;nus esperam que Buenos Aires duplique a quantia da proposta apresentada para troca, que ronda os 30%. Stock disse que os investidores tamb&eacute;m querem que a argentina pague os juros acumulados desde a declara&ccedil;&atilde;o de &quot;default&quot; que, atualmente, chegam a mais de US$ 27 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p> A maior porcentagem de b&ocirc;nus, 38%, est&aacute; em m&atilde;os de argentinos, enquanto na It&aacute;lia h&aacute; 15,6$, na Su&iacute;&ccedil;a 10,3% e nos Estados Unidos 9,1%. Os donos de t&iacute;tulos residentes na Alemanha possuem 5,1% dessa parte da d&iacute;vida argentina, os japoneses 3,1% e 5,4% est&atilde;o dispersos por outros pa&iacute;ses. O restante est&aacute; de posse de investidores n&atilde;o identificados. Um dos principais institutos de opini&atilde;o p&uacute;blica e comunica&ccedil;&atilde;o da Argentina, Graciela R&ouml;mer, que fez duas pesquisas sobre a quest&atilde;o da d&iacute;vida, lembrou, ao ser entrevistada pela IPS, que em novembro 45 dos 109 l&iacute;deres de opini&atilde;o questionados consideraram que o manejo desse assunto estava entre os principais acertos do governo Kirchner.<\/p>\n<p> Nessa oportunidade, 63% dos entrevistados disseram que o governo tinha uma alta probabilidade de concluir com sucesso o processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida em default, outros 32% estimaram que essas probabilidades eram medianas e somente 5% afirmaram que eram baixas. J&aacute; em dezembro, em novo trabalho de R&ouml;mer, que incluiu 581 entrevistas domiciliares na &aacute;rea metropolitana de Buenos Aires, as negocia&ccedil;&otilde;es pela d&iacute;vida n&atilde;o paga n&atilde;o figuraram entre o que foi considerado pelos entrevistados como os principais problemas do pa&iacute;s. Foram mencionados desemprego, pobreza, corrup&ccedil;&atilde;o, recess&atilde;o, situa&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria dos aposentados, infla&ccedil;&atilde;o, seguran&ccedil;a do cidad&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, sal&aacute;rios, conflitividade social e o Poder Judicial.<\/p>\n<p> Ao serem perguntados se a Argentina devia pagar de uma vez e para sempre sua d&iacute;vida, 57% responderam que sim, 32% que n&atilde;o e 11% n&atilde;o responderam. &Agrave; pergunta se pagar a d&iacute;vida com o FMI permitiria ao pa&iacute;s ter uma pol&iacute;tica econ&ocirc;mica mais independente e aut&ocirc;noma em rela&ccedil;&atilde;o a esse organismo, 51% disseram que sim e 22% responderam que n&atilde;o, porque se perderia investimentos e a Argentina ficaria ainda mais isolada. O restante n&atilde;o respondeu. R&ouml;mer tamb&eacute;m perguntou se, para ter credibilidade, a Argentina deveria pagar seus compromissos financeiros e sua d&iacute;vida. Com isso concordaram 57% dos entrevistados e 32% foram contra. Sobre com avaliavam a gest&atilde;o do governo nas negocia&ccedil;&otilde;es com o FMI, relacionadas &agrave; troca a d&iacute;vida, 37% a qualificaram de regular e 18% de negativa. Mas, 30% consideraram que o manejo era positivo.<\/p>\n<p> A pol&iacute;tica do governo centro-esquerdista de Kirchner em mat&eacute;ria de compromissos financeiros extremos parece n&atilde;o coincidir com a maioria da opini&atilde;o p&uacute;blica, se for considerado que o indicador de confian&ccedil;a elaborado pela Universidade Torcuato Di Tella caiu 3% em janeiro, na compara&ccedil;&atilde;o com dezembro. O chamado &Iacute;ndice de Confian&ccedil;a no Governo (ICG), que mede em uma escala de 0 a 5, atingiu 2,35 pontos em janeiro passado, sendo que em fevereiro de 2004 era de 3,4 pontos. Segundo esse estudo, a qualidade mais valorizada da atual administra&ccedil;&atilde;o &eacute; sua capacidade para resolver problemas. A esse respeito, 67% dos entrevistados consideraram que o governo &eacute; capaz, enquanto 40% responderam que os funcion&aacute;rios s&atilde;o honestos, embora esse item tenha atingido 58% em dezembro passado. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 11\/02\/2005 &ndash; O Congresso da Argentina acabou com a possibilidade de abrir um novo processo de troca de b&ocirc;nus n&atilde;o pagos para aqueles que os possuem e n&atilde;o aceitarem, at&eacute; o pr&oacute;ximo dia 25, a proposta apresentada pelo governo do presidente Nestor Kirchner. A nova norma, conhecida no jarg&atilde;o legislativo como &quot;lei tapa-olho&quot;, visa a pressionar os possuidores de t&iacute;tulos da d&iacute;vida p&uacute;blica argentina que ainda resistem em aceitar a proposta de troca apresentada pelo ministro da Economia, Roberto Lavagna. Depois de promulgada a lei, o Executivo n&atilde;o poder&aacute; abrir novo processo de troca dos t&iacute;tulos declarados sem pagamento, ou em &quot;default&quot;, em dezembro de 2001, e tampouco melhorar a oferta, nem chegar a acordos judiciais ou extrajudiciais com os donos desses b&ocirc;nus.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/economia-argentina-pressiona-credores-a-trocar-seus-papis\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1862,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-297","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/297","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1862"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=297"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/297\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}