{"id":2996,"date":"2007-06-15T08:56:17","date_gmt":"2007-06-15T08:56:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2996"},"modified":"2007-06-15T08:56:17","modified_gmt":"2007-06-15T08:56:17","slug":"g8-urgencia-da-ajuda-a-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/africa\/g8-urgencia-da-ajuda-a-africa\/","title":{"rendered":"G8:: Urg\u00eancia da ajuda a \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p>M\u00f3scovo, 15\/06\/2007 &ndash; O Grupo dos Oito (G-8) pa\u00edses mais poderosos n\u00e3o est\u00e3o a cumprir as promesas de ajudar ao desenvolvimento da \u00c1frica, \u00e1squais se comprometeram nas cimeiras passadas, segundo os expertos do Banco Mundial, as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e os pesquisadores. <!--more--> &#8220;\u00c9 \u00f3bvio que os pa\u00edses membros do G8 n\u00e3o est\u00e3o a cumprir estas promessas a \u00c1frica e n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m a responsabiliz\u00e1-los a isto. Os pa\u00edses africanos n\u00e3o t\u00eam o necess\u00e1rio para satisfazer as necessidades b\u00e1sicas deles&#8221;, disse a IPS o portavoz regional de ActionAid, o Eric Kilongi Mgendi, numa entrevista de Nairobi. <\/p>\n<p>&#8220;Os pa\u00edses africanos precisam da tecnologia e do investimento capital para ajud\u00e1-los a se adaptar a todo o tipo de perigo ambiental, incluindo o c\u00e2mbio clim\u00e1tico. Eles precisam do G-8 de melhorar o desenvolvimento at\u00e9 ele atinjir um n\u00edvel apreci\u00e1vel para a popula\u00e7\u00e3o crescente deles&#8221;, acrescentou o Mgendi. <\/p>\n<p>Embora a assist\u00eancia poder\u00e1 ajudar a desenvolver a boa parte da infraestrutura, aproveitar dos recursos energ\u00e9ticos e melhorar os servi\u00e7os sociais, os l\u00edderes africanos tamb\u00e9m devem tomar as medidas progressivas para fortalecer o com\u00e9rcio entre eles e os blocos econ\u00f3micos subregionais, disse ele. <\/p>\n<p>Segundo Mgendi, o problema com a \u00c1frica \u00e9 a falta de perspectivas futuristas sobre os processos de desenvolvimento e a lideran\u00e7a estrat\u00e9gica, e h\u00e1 tamb\u00e9m a quest\u00e3o de escapar da manipula\u00e7\u00e3o da sua economia pelos pa\u00edses ricos. <\/p>\n<p>\u201dSe todas as negocia\u00e7\u00f5es ou acordos internacionais fossem sujeitos a aprova\u00e7\u00e3o parlamentar, por exemplo, o governo seria obrigado a agir de acordo com os interesses da popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o os dos doadores ou de qualquer outra tenta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel,\u201d disse o Mgendi. <\/p>\n<p>Dois anos depois de declarar que iam duplicar a assist\u00eancia a \u00c1frica e dar as novas oportunidades \u00e1s exporta\u00e7\u00f5es africanas, as na\u00e7\u00f5es ricas est\u00e3o atrasadas no cumprimento das promessas que fizeram, diz o Banco Mundial. <\/p>\n<p>Com as perspectivas econ\u00f3micas de \u00c1frica tomando prioridade no agenda do G-8, o Banco Mundial observou que apesar do compromisso de aumentar a assist\u00eancia ao desenvolvimento da \u00c1frica a 50 bilh\u00f5es de d\u00f3lares pelo ano 2010, feito na cimeira de 2005 em Gleneagles, na Esc\u00f3cia, os programas que beneficiam aos pa\u00edses africanos s\u00e3o poucos. <\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 agora, os dados indicam que, para al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, os pa\u00edses africanos ainda n\u00e3o realizaram os benef\u00edcios prometidos em 2005, durante o Ano de \u00c1frica&#8221;, disse o John Page, o economista principal do Banco Mundial para a regi\u00e3o africana. <\/p>\n<p>&#8220;Muitos dos pa\u00edses doadores aumentaram o apoio a assist\u00eancia humanit\u00e1ria especial e \u00e1 redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida ao longo de quatro d\u00e9cadas, mas infelizmente isto n\u00e3o se traduz na ajuda adicional para que os pa\u00edses africanos reconstroiem a sua infraestrutura, capacitam os professores e combatem o sida e o paludismo &#8220;, acrescentou o Page. <\/p>\n<p>O Page indicou que pela sua parte, os pa\u00edses africanos est\u00e3o a promover a melhor governan\u00e7a e, em muitos casos, est\u00e3o a virar num meio muito mais atraente ao investimento. &#8220;A pergunta n\u00e3o \u00e9 se os s\u00f3cios africanos est\u00e3o a cumprir as suas promessas, mas \u00e9 sim se as na\u00e7\u00f5es industriais est\u00e3o a cumprir as delas&#8221;, enfatizou ele. <\/p>\n<p>Enquanto que a asist\u00eancia dos doadores est\u00e1 a atrasar, o Banco Mundial disse que o progresso feito na redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida da \u00c1frica subsaariana foi muito mais r\u00e1pido. <\/p>\n<p>O programa do al\u00edvio da d\u00edvida assumido pelo Banco Mundial, pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional e o Banco Africano de Desenvolcimento terminar\u00e1 na plena cancela\u00e7\u00e3o de 50.000 milh\u00f5es da d\u00edvida contra\u00edda durante 40 anos. <\/p>\n<p>Desde julho de 2006, quando esta iniciativa entrou em vigor, 16 pa\u00edses africanos t\u00eam beneficiados. Mais 17 outros pa\u00edses ser\u00e3o eleg\u00edveis para o apoio uma vez que comletam o programa da redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida da Iniciativa dos Pa\u00edses Pobres Altamente Endividados (HIPC) do Banco Mundial. <\/p>\n<p>Se se excluui o al\u00edvio da d\u00edvida e a assist\u00eancia alimentar de emerg\u00eancia, a ajuda aos pa\u00edses de \u00c1frica subsaariana ca\u00edu 2,1 porcento em termos reais entre 2004 e 2005. <\/p>\n<p>Segundo os c\u00e1lculos do relat\u00f3rio do Banco Mundial, Finan\u00e7as Globais para o Desenvolvimento 2007, o fluxo oficial neto da assist\u00eancia ca\u00edu a 35.100 nilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2006, comparado com 35.8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares do ano anterior. <\/p>\n<p>Os pa\u00edses africanos que mostraram um crescimento econ\u00f3mico s\u00f3lido e que estabeleceram a estabilidade macroecon\u00f3mica nos anos de reformas viram um aumento menor ou nulo nos recursos dos doadores para financiar o desenvolvimento. <\/p>\n<p>Apesar da hist\u00f3ria recente de crescimento, muitos destes pa\u00edses precisam da ajuda externa para contribuir a reabilita\u00e7\u00e3o das estradas, para a expans\u00e3o do acseso a electricidade e ao melhoramento dos sistemas da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do Banco Mundial, que \u00e9 apenas um extracto de um documento mais extenso que ser\u00e1 publicado no fim deste ano, foi emitido durante a cimeira do G-8 na Alemanha. <\/p>\n<p>Ele indica algumas das tend\u00eancias mais positivas na \u00c1frica, incluindo um crescimento econ\u00f3mico de seis porcento para todo o continente, a diminui\u00e7\u00e3o nos confl\u00edtos civi\u00eds, um aumento nos lucros das exporta\u00e7\u00f5es, o crescimento comercial e governos mais democr\u00e1ticos. <\/p>\n<p>Mas se diz que este progresso \u00e9 fr\u00e1gil, porque ainda est\u00e1 guiado, principalmente, por um aumento no pre\u00e7o das mat\u00e9rias primas. <\/p>\n<p>Contudo, dois anos depois de prometer o apoio para financiar a luta contra a pandemia de sida e o tratamento para todos, o G-8 ainda deve desembolsar 10 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. <\/p>\n<p>Isto est\u00e1 a alargar a brecha do desenvolvimento deixando a \u00c1frica muito relegada, indicou os relat\u00f3rios da ONU. &#8220;\u00c9 escandaloso que, num mundo de abund\u00e2ncia, 800 milh\u00f5es de pessoas morrem de fome por dia, e que com a disponibilidade actual de medicamentos contra o sida 8.000 pessoas morrem diariamente desta condi\u00e7\u00e3o&#8221;, disse a IPS a Sarah Gilliam, portavoz de ActionAid, de L\u00f3ndres. <\/p>\n<p>&#8220;A \u00c1frica \u00e9 a \u00fanica regi\u00e3o noqual o n\u00famero de pessoas que vivem na pobreza vai aumentando e a expectativa de vida vai diminuindo. Se o G-8 estivesse a cumprir os seus compromissos, estes desaf\u00edos n\u00e3o se evaporariam, mas seriam menos massivos,\u201d continuou ela. <\/p>\n<p>A Gilliam alegou que alguns l\u00edderes africanos tamb\u00e9m falharam no que os corresponde: a m\u00e1 governan\u00e7a, a corrup\u00e7\u00e3o profundamente assentada e as prioridades de desenvolvimento mal focadas. <\/p>\n<p>Alguns l\u00edderes africanos assinaram os acordos com as institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais que deixaram a \u00c1frica mais pobre. <\/p>\n<p>Mas as coisas est\u00e3o a come\u00e7ar a mudar na regi\u00e3o, indicou a Gilliam, acrescentando que os africanos responsabilizam cada vez mais aos l\u00edderes deles e que estes usam o Mecanismo da Avalia\u00e7\u00e3o de Pares na \u00c1frica para o mesmo fim. <\/p>\n<p>&#8220;Estes procesos s\u00e3o longe de serem perfeitos, mas marcam um ponto de partida. Agora os l\u00edderes do G-8 t\u00eam que cumprir a parte deles do contrato&#8221;, disse ela. <\/p>\n<p>A Gilliam tamb\u00e9m disse que o G-8 deve aproveitar da cimeira deste ano para confirmar o compromisso dele de p\u00f4r fim a pobreza no mundo. <\/p>\n<p>Entre as medidas a ser tomadas, ela indicou um plano de financiamento ao longo prazo para revertir a pandemia do sida, o estabelecimento de objetivos anuais para cumprir a promessa de uma assist\u00eancia extra de 50 bilh\u00f5es de d\u00f3lares pelo ano 2010 e o foco na abordagem do c\u00e2mbio clim\u00e1tico que se baseia na evid\u00eancia cient\u00edfica. <\/p>\n<p>&#8220;Com todas as resolu\u00e7\u00f5es da cimeira que foram apresentadas percebe se claramente que haja uma dire\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento global incluindo o da \u00c1frica. Eu penso que os pa\u00edses do G-8 far\u00e3o os esfor\u00e7os consistentes para seguir a variedade de et\u00e1pas da sua implementa\u00e7\u00e3o para ajudar \u00e1 humanidade&#8221;, disse a IPS o Dmitry Rogozin, um deputado e membro do Comit\u00e9 de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Russia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00f3scovo, 15\/06\/2007 &ndash; O Grupo dos Oito (G-8) pa\u00edses mais poderosos n\u00e3o est\u00e3o a cumprir as promesas de ajudar ao desenvolvimento da \u00c1frica, \u00e1squais se comprometeram nas cimeiras passadas, segundo os expertos do Banco Mundial, as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e os pesquisadores. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/africa\/g8-urgencia-da-ajuda-a-africa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":114,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-2996","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2996","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/114"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2996"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2996\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2996"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2996"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}