{"id":30,"date":"2005-01-20T00:00:00","date_gmt":"2005-01-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=30"},"modified":"2005-01-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-20T00:00:00","slug":"o-segredo-do-modelo-nrdico-todas-as-esperanas-em-um-aqueduto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/o-segredo-do-modelo-nrdico-todas-as-esperanas-em-um-aqueduto\/","title":{"rendered":"O segredo do modelo n&oacute;rdico: Todas as esperan&ccedil;as em um aqueduto"},"content":{"rendered":"<p>HOLGUIN, 20\/01\/2005 &ndash; A tens&atilde;o &eacute; sentida no ar. Cerca de 300 mil pessoas vivem na regi&atilde;o oeste de Cuba na depend&ecirc;ncia da acelerada constru&ccedil;&atilde;o de um aqueduto que deve lhes levar &aacute;gua do Rio Cauto, o mais extenso dessa ilha do Caribe. A emerg&ecirc;ncia devido &agrave; forte seca j&aacute; dura mais de um ano e a cidade de Holguin, a cerca de 700 quil&ocirc;metros de Havana, conta as horas. Duas das tr&ecirc;s represas est&atilde;o secas, e a &uacute;ltima tem &aacute;gua para apenas cem dias. &quot;Antes, pedia para chover, agora, acompanho com a alma a constru&ccedil;&atilde;o do aqueduto. Essa parece ser nossa salva&ccedil;&atilde;o&quot;, disse Belkys G&oacute;mez, uma mulher de 37 anos que &quot;tinha um po&ccedil;o em seu quintal que secou&quot;.<br \/> <!--more--> <br \/> No entanto, a obra hidr&aacute;ulica, que implicou gastos para o Estado de US$ 6 milh&otilde;es, n&atilde;o supera a fase de testes. Uma parte das tubula&ccedil;&otilde;es instaladas, de proced&ecirc;ncia italiana, n&atilde;o suporta a press&atilde;o da &aacute;gua e est&aacute; sendo substitu&iacute;da por material cubano. &quot;Estamos trabalhando e procurando alternativas&quot;, confirmou ao Terram&eacute;rica o engenheiro Henry Parra, representante do Instituto Nacional de Recursos Hidr&aacute;ulicos na prov&iacute;ncia, para quem o mais importante &eacute; que &quot;a cidade n&atilde;o entre em colapso&quot;. <\/p>\n<p> O aqueduto, de 52,8 quil&ocirc;metros e constru&iacute;do em cerca de sete meses, passou pelo processo de obten&ccedil;&atilde;o da licen&ccedil;a ambiental que desde a d&eacute;cada passada &eacute; exigida em Cuba para qualquer novo investimento. &quot;Utilizamos uma esta&ccedil;&atilde;o de bombeamento instalada h&aacute; anos no Cauto. Ali o Minist&eacute;rio do A&ccedil;&uacute;car tinha oito bombas que extra&iacute;am 500 litros por segundo, e agora utiliza duas e n&oacute;s usaremos tr&ecirc;s de 250 litros por segundo&quot;, afirma Parra. No total, a cidade ter&aacute;, garantidos por essa via, 500 litros por segundo, muito abaixo da demanda e da capacidade das esta&ccedil;&otilde;es de tratamento, de 1,1 mil litros. Com o Cauto estabilizado e os 400 litros por segundo que a cidade recebe atualmente, o d&eacute;ficit ainda ser&aacute; alto. De acordo com o engenheiro, &quot;a &aacute;gua continuar&aacute; sendo entregue &agrave; popula&ccedil;&atilde;o em ciclos de cinco ou seis dias&quot;. <\/p>\n<p> Parra &eacute; um dos dirigentes governamentais que, h&aacute; mais de um ano, participa da &quot;reuni&atilde;o da &aacute;gua&quot;. O encontro operacional acontece cada dia em uma comunidade e, segundo observadores, funciona como se fosse um posto de comando da Defesa Civil em alerta permanente contra furac&otilde;es. A estrat&eacute;gia governamental inclui o traslado de &aacute;gua pot&aacute;vel por 138 caminh&otilde;es, a constru&ccedil;&atilde;o de cisternas p&uacute;blicas para armazenar o l&iacute;quido para outros usos, a abertura de mais de 170 po&ccedil;os e a fabrica&ccedil;&atilde;o de bombas manuais. <\/p>\n<p> Em qualquer &aacute;rea da cidade, e a qualquer hora do dia, se pode ver pessoas carregando vasilhas de pl&aacute;stico, indo comprar &aacute;gua para beber ao pre&ccedil;o simb&oacute;lico de um centavo de peso o litro. O d&oacute;lar &eacute; cotado a 27 pesos cubanos. Para Belky G&oacute;mez, morador de Holguin, &quot;o pior de tudo &eacute; o tempo que essa agonia dura&quot;. Oferecer um copo de &aacute;gua, o gesto mais comum entre cubanos quando chega algu&eacute;m &agrave; sua casa, come&ccedil;a a ser esquecido em Holguin. &quot;N&atilde;o podemos mais cozinhar, limpar, lavar, tomar banho ou fazer caf&eacute; com tranq&uuml;ilidade&quot;, acrescenta.<\/p>\n<p> Nos &uacute;ltimos 20 anos, as chuvas conseguiram superar a m&eacute;dia hist&oacute;rica de 1.323 mil&iacute;metros anuais apenas em 1987 e 2001. A seca acumulada afeta a prov&iacute;ncia h&aacute; cerca de oito anos e em 2003 come&ccedil;ou a amea&ccedil;ar a cidade. Fontes especializadas indicam que 75% da chuva que cai no territ&oacute;rio se concentra na regi&atilde;o montanhosa, pouco povoada e com terrenos que n&atilde;o costumam apresentar uso agr&iacute;cola. Quando chove na cidade, a &aacute;gua escorre para uma prov&iacute;ncia vizinha. A sorte tem sido a caba&ccedil;a, um alimento de amplo consumo que cresce quase de maneira silvestre, disse ao Terram&eacute;rica Rafael Vecino, funcion&aacute;rio do escrit&oacute;rio do presidente do Poder Popular na prov&iacute;ncia (governo local). <\/p>\n<p> Conhecida como &quot;a terra do n&iacute;quel&quot; e por ter a mais importante ind&uacute;stria cervejeira da ilha, a prov&iacute;ncia est&aacute; entre os primeiros p&oacute;los tur&iacute;sticos do pa&iacute;s e &eacute; uma importante produtora de gr&atilde;os e outros produtos agr&iacute;colas. De acordo com Vecino, nos &uacute;ltimos 15 meses deixou-se de produzir no territ&oacute;rio mais de 40 mil toneladas de alimentos e mais de quatro milh&otilde;es de litros de leite. Cerca de cinco mil hectares n&atilde;o foram semeados em setembro por n&atilde;o ter como regar. <\/p>\n<p> As reses mortas devido &agrave; seca nos &uacute;ltimos oito anos chegam a 19,2 mil, segundo Rafael Vivar, subdelegado de servi&ccedil;os t&eacute;cnicos e desenvolvimento do Minist&eacute;rio da Agricultura em Holguin. Com a esperan&ccedil;a posta no aqueduto Cauto-Holgu&iacute;n, Vecino assegura que n&atilde;o faltam alternativas. &quot;Tudo est&aacute; preparado. Se a &uacute;ltima represa secar e o aqueduto ainda n&atilde;o estiver pronto, traremos &aacute;gua at&eacute; a cidade por via f&eacute;rrea&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> * A autora &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HOLGUIN, 20\/01\/2005 &ndash; A tens&atilde;o &eacute; sentida no ar. Cerca de 300 mil pessoas vivem na regi&atilde;o oeste de Cuba na depend&ecirc;ncia da acelerada constru&ccedil;&atilde;o de um aqueduto que deve lhes levar &aacute;gua do Rio Cauto, o mais extenso dessa ilha do Caribe. A emerg&ecirc;ncia devido &agrave; forte seca j&aacute; dura mais de um ano e a cidade de Holguin, a cerca de 700 quil&ocirc;metros de Havana, conta as horas. Duas das tr&ecirc;s represas est&atilde;o secas, e a &uacute;ltima tem &aacute;gua para apenas cem dias. &quot;Antes, pedia para chover, agora, acompanho com a alma a constru&ccedil;&atilde;o do aqueduto. Essa parece ser nossa salva&ccedil;&atilde;o&quot;, disse Belkys G&oacute;mez, uma mulher de 37 anos que &quot;tinha um po&ccedil;o em seu quintal que secou&quot;.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/o-segredo-do-modelo-nrdico-todas-as-esperanas-em-um-aqueduto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-30","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}