{"id":3009,"date":"2007-06-19T17:11:10","date_gmt":"2007-06-19T17:11:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3009"},"modified":"2007-06-19T17:11:10","modified_gmt":"2007-06-19T17:11:10","slug":"ambiente-portugal-avanca-na-energia-renovavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/economia\/ambiente-portugal-avanca-na-energia-renovavel\/","title":{"rendered":"Ambiente: Portugal avan\u00e7a na energia renov\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 19\/06\/2007 &ndash; Durante d\u00e9cadas Portugal olhou de rabo de olho as infinitas possibilidades que lhe proporciona sua geografia privilegiada para produzir energia limpa. Mas agora a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7a a mudar e este pa\u00eds se coloca entre os que mais apostam nas fontes alternativas. <!--more--> O sol mais abundante da Europa, os fortes ventos do oeste, os caudalosos rios e as imensas ondas do oceano Atl\u00e2ntico foram elementos tradicionalmente ignorados por um pa\u00eds que sempre optou por investir boa parte de sua renda no pagamento da conta do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Portugal j\u00e1 \u00e9 atualmente, com v\u00e1rios projetos em vias de execu\u00e7\u00e3o, uma das na\u00e7\u00f5es com a meta mais elevada entre os 27 membros da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia quanto \u00e0 inten\u00e7\u00e3o de ter, at\u00e9 2015, 45% da energia el\u00e9trica produzida a partir de fontes renov\u00e1veis. Desde que assumiu o poder em mar\u00e7o de 2005, o governo socialista fixou a ambiciosa meta de recuperar um atraso de d\u00e9cadas nesta \u00e1rea. As condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas eram notoriamente favor\u00e1veis, j\u00e1 que nessa data assumiu com chefe do poder Executivo Jos\u00e9 S\u00f3crates Carvalho Pinto de Sousa, um pol\u00edtico que em sua juventude se empenhou nas causas ambientais.<\/p>\n<p>Apesar de ser um ferrenho defensor da conten\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit do or\u00e7amento geral do Estado em \u00e1reas t\u00e3o sens\u00edveis como a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade, S\u00f3crates faz vista gorda quando se trata do meio ambiente, ao aprovar vultosos investimentos em energia e\u00f3lica, h\u00eddrica, solar e at\u00e9 das ondas do oceano, tecnologia na qual Portugal \u00e9 pioneiro no mundo. Estimativas do presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Empresas de Energia Renov\u00e1veis, Antonio S\u00e1 da Costa, divulgadas no \u00faltimo dia 6 pela revista mensal Economia, do jornal P\u00fablico de Lisboa, a meta de energia e\u00f3lica instalada at\u00e9 2012 ser\u00e1 de 5.700 megawatts (MW), a produzida pelas ondas de 250 MW, e a h\u00eddrica ficar\u00e1 em 6.200 MW em 2015.<\/p>\n<p>Costa prev\u00ea que em 2020, com os investimentos previstos em energia e\u00f3lica, h\u00eddrica e de ondas, Portugal poder\u00e1 alcan\u00e7ar a meta de 60% de uso de energia renov\u00e1vel. Tudo isto sem contar com a imensa obra do vale de Baldio das Ferrarias, nas proximidades da cidade de Moura, onde se constr\u00f3i a maior central de energia solar do mundo, aproveitando a disponibilidade de 2.550 horas de sol por ano, como disse \u00e0s IPS seu prefeito, Jos\u00e9 Maria Pos-de-Mina.<\/p>\n<p>Esta central custar\u00e1 US$ 338 milh\u00f5es e ocupar\u00e1 uma \u00e1rea de 114 hectares, onde est\u00e3o sendo instalados 350 mil pain\u00e9is solares. Em maio de 2008 come\u00e7ar\u00e1 a produzir 62 MW \u201ce, com isso, reduzir\u00e1 emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono em 87,5 mil toneladas\u201d, destaco Pos-de-Mina. \u201cCom 62 milh\u00f5es de watts, nossa central ter\u00e1 uma dimens\u00e3o 12 vezes superior \u00e0 da maior central solar do mundo atualmente, que fica na Alemanha e produz apenas cinco MW\u201d, acrescentou o prefeito desta comarca tradicionalmente pobre e com tend\u00eancia a ser despovoada e que agora v\u00ea sua oportunidade de reverter os dois fen\u00f4menos, porque, como explicou \u00e0 IPS, \u201cestamos diante de uma obra sem paralelo no mundo\u201d.<\/p>\n<p>Pos-de-Mina, um prefeito comunista que reconhece mover-se com desenvoltura \u201cno mundo tentacular do mercado global\u201d, fundou a empresa Amper, controlada em 88% pelo munic\u00edpio de Moura, como autora do projeto, o qual depois vendeu por uma soma n\u00e3o revelada \u00e0 empresa espanhola Acciona, uma das l\u00edderes mundiais no campo das energias renov\u00e1veis. Na fase atual, j\u00e1 est\u00e1 em funcionamento a fabrica\u00e7\u00e3o e montagem de m\u00f3dulos de tecnologia fotovoltaica, baseada em materiais semi-condutores que permitem a transforma\u00e7\u00e3o direta da radia\u00e7\u00e3o solar em energia el\u00e9trica, um sistema que teve um auge na d\u00e9cada de 70 por causa da crise do petr\u00f3leo que marcou essa \u00e9poca.<\/p>\n<p>Mas at\u00e9 que a central de Moura comece a operar com os primeiros 240.240 pain\u00e9is em dezembro pr\u00f3ximo, como Portugal conta desde fevereiro com a maior central solar do mundo, com capacidade para abastecer com \u201cenergia limpa\u201d cerca de oito mil domic\u00edlios. Trata-se da (CSS), que fica na mesma zona ensolarada do sul do pa\u00eds. A CSS representa investimento de US$ 80 milh\u00f5es, correspondentes ao custo dos 32 hectares cobertos por 52 mil pain\u00e9is solares fotovoltaicos, com capacidade instalada de 11 MW.<\/p>\n<p>Segundo o engenheiro italiano Piero dal Maso, executivo da Catavento, a empresa portuguesa que desenvolveu o projeto, a central produzir\u00e1 20 gigawatts\/hora de energia por ano, o suficiente para economizar mais de 30 mil toneladas de emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa. Esta central produzir\u00e1 energia limpa para a rede el\u00e9trica nacional durante os pr\u00f3ximos 15 anos, em uma colabora\u00e7\u00e3o entre Catavento, que administrar\u00e1 a central, a firme norte-americana General Electric, financiadora e propriet\u00e1ria, e a Powerlight, principal empresa mundial abastecedora de energias alternativas.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 energia e\u00f3lica, ap\u00f3s v\u00e1rias d\u00e9cadas em que se fazia de conta que o vento n\u00e3o soprava, a situa\u00e7\u00e3o mudou radicalmente e no final de 2006 j\u00e1 havia 1.055 aerogeradores operando no pa\u00eds, equivalentes a 59% da meta tra\u00e7ada para 2010, e este ano a constru\u00e7\u00e3o segue num ritmo bom, estimando-se que ser\u00e3o acrescidas 536 novas unidades. At\u00e9 o final do ano passado a pot\u00eancia e\u00f3lica emanada das turbinas era fixada em 2.779 MW, isto \u00e9, mais da metade dos 5.100 MW imposta para 2012.<\/p>\n<p>Por outro lado, em Agu\u00e7adoura, na costa norte de Portugal, desde outubro passado 2,25 MW de energia produzida pelas ondas do oceano chegam \u00e0 terra por meio de um cabo submarino, ajudando a alimentar a rede nacional da distribui\u00e7\u00e3o da estatal Eletricidade de Portugal. Uma quantidade modesta de energia, mas sua import\u00e2ncia \u00e9 ser a primeira central energ\u00e9tica do mundo que usa as ondas do oceano como fonte de energia renov\u00e1vel, com um potencial de desenvolvimento futuro imprevis\u00edvel dentro do desenvolvimento das fontes alternativas, sejam estas hidr\u00e1ulicas, fotovoltaicas, e\u00f3licas, geot\u00e9rmicas e de biomassa.<\/p>\n<p>Dessa forma, Portugal assume o papel pioneiro no uso das ondas, que, de acordo com as previs\u00f5es dos especialistas, em todo o planeta pode chegar nos pr\u00f3ximos 40 anos a um volume de neg\u00f3cios anuais de US$ 50,5 bilh\u00f5es. Uma soma consider\u00e1vel se levando em conta que equivale a 30% do atual produto interno bruto de Portugal, US$ 166,450 bilh\u00f5es em 2006. E Lisboa estaria em condi\u00e7\u00f5es de conquistar 10% do mercado mundial desta tecnologia. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 19\/06\/2007 &ndash; Durante d\u00e9cadas Portugal olhou de rabo de olho as infinitas possibilidades que lhe proporciona sua geografia privilegiada para produzir energia limpa. 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