{"id":301,"date":"2005-02-14T00:00:00","date_gmt":"2005-02-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=301"},"modified":"2005-02-14T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-14T00:00:00","slug":"amrica-latina-sozinha-diante-das-metas-do-milnio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/amrica-latina-sozinha-diante-das-metas-do-milnio\/","title":{"rendered":"Am&eacute;rica Latina: Sozinha diante das Metas do Mil&ecirc;nio"},"content":{"rendered":"<p>Havana, 14\/02\/2005 &ndash; A Am&eacute;rica Latina conta somente com seus recursos para alcan&ccedil;ar no prazo de 10 anos as Metas de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, mas n&atilde;o poder&aacute; atingi-las com puro crescimento econ&ocirc;mico: o abismo entre ricos e pobres continua sendo o maio obst&aacute;culo. O economista-chefe do escrit&oacute;rio regional do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Enrique Ganuza, afirmou que os pa&iacute;ses latino-americanos e caribenhos contam apenas com seus pr&oacute;prios recursos para responder ao desafio das Metas, pois &quot;ningu&eacute;m lhes dar&aacute; ajuda n&atilde;o reembols&aacute;vel&quot;. <br \/> <!--more--> <br \/> A Am&eacute;rica Latina e o Caribe continuam sendo a regi&atilde;o de maior desigualdade de renda entre ricos e pobres, um panorama que n&atilde;o mudou substancialmente nos &uacute;ltimos 20 anos, afirmou o especialista. As Metas de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio foram estabelecidas em 2000 por 189 pa&iacute;ses da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas com estrat&eacute;gia definitiva contra a pobreza, a desigualdade e a contamina&ccedil;&atilde;o do meio ambiente, com prazo at&eacute; 2015.<\/p>\n<p> Em setembro, a Assembl&eacute;ia Geral da ONU realizar&aacute; uma sess&atilde;o especial para avaliar o andamento dessas estrat&eacute;gias que incluem reduzir &agrave; metade a propor&ccedil;&atilde;o de pessoas que vivem em pobreza extrema e fome, e a popula&ccedil;&atilde;o sem &aacute;gua pot&aacute;vel. Entre os objetivos tamb&eacute;m figuram garantir a educa&ccedil;&atilde;o universal de meninas e meninos, promover a igualdade de g&ecirc;nero, reduzir a mortalidade infantil, melhorar a sa&uacute;de materna, combater o HIV\/aids, a mal&aacute;ria e outras doen&ccedil;as e, ainda, assegurar a sustentabilidade ambiental. &quot;Vamos ter de cumprir as metas do mil&ecirc;nio com o que temos&quot;, disse Ganuza. Se as na&ccedil;&otilde;es latino-americanas e caribenhas querem reduzir a pobreza e a desigualdade, devem fazer disse o centro de suas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, o que &quot;&eacute; um fen&ocirc;meno novo&quot; na regi&atilde;o.<\/p>\n<p> Embora &quot;ainda com muitas defici&ecirc;ncias&quot;, h&aacute; na regi&atilde;o 12 pa&iacute;ses com estrat&eacute;gias nacionais de redu&ccedil;&atilde;o da pobreza, algo que n&atilde;o existia em 1997, afirmou o economista durante o VII Encontro sobre Globaliza&ccedil;&atilde;o e Problemas do Desenvolvimento, realizado em havana durante a semana passada. Entretanto, existem na regi&atilde;o &quot;alt&iacute;ssimos n&iacute;veis de desigualdade&quot; que dificultam a redu&ccedil;&atilde;o da pobreza a partir do crescimento econ&ocirc;mico, advertiu. &quot;Se atacarmos os problemas de desigualdade, as taxas de crescimento necess&aacute;rias para conseguir muitas das Metas do Mil&ecirc;nio ser&atilde;o muito mais normais&quot;, destacou Ganuza. Se o Brasil quer reduzir pela metade o n&uacute;mero de pobres baseado apenas no crescimento da economia, esta deve aumentar 250%. Mas, se &quot;at&eacute; 2015 forem redistribu&iacute;dos 30%&quot; da renda, ser&aacute; necess&aacute;rio que cres&ccedil;a 50% para atingir a meta de pobreza, fen&ocirc;meno que se repete nos demais pa&iacute;ses da &aacute;rea, afirmou.<\/p>\n<p> &quot;A Am&eacute;rica Latina continua sendo a regi&atilde;o do planeta com piores indicadores de distribui&ccedil;&atilde;o da riqueza, o que se v&ecirc; agravado porque em alguns pa&iacute;ses se observa, inclusive, uma acentua&ccedil;&atilde;o da concentra&ccedil;&atilde;o da renda&quot;, afirma o &uacute;ltimo &quot;Panorama social da Am&eacute;rica Latina&quot;, publicado em novembro de 2004 pela Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe (Cepal). Segundo a Corpora&ccedil;&atilde;o Andina de Fomento, a pobreza medida pelas pessoas que vivem com menos de dois d&oacute;lares por dia inclui 37% da popula&ccedil;&atilde;o do Brasil, 62% dos bolivianos, 54% dos habitantes do peru, 50% dos colombianos, 45% da popula&ccedil;&atilde;o da Argentina, 48% dos habitantes da Venezuela e 39% dos mexicanos. Entretanto, &quot;em termos de pol&iacute;tica sabemos muito pouco sobre o que h&aacute; que se fazer para redistribuir a riqueza sem causar hecatombes sociais&quot;, disse Ganuza em uma das &uacute;ltimas sess&otilde;es da reuni&atilde;o de havana.<\/p>\n<p> A ONU estima que um bilh&atilde;o de pessoas vivam em extrema pobreza em todo o mundo, subsistindo com menos de um d&oacute;lar por dia. O secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Kofi Annan, considera que &quot;n&atilde;o &eacute; ut&oacute;pico, mas totalmente alcan&ccedil;&aacute;vel&quot;, o objetivo de reduzir &agrave; metade a propor&ccedil;&atilde;o de indigentes. Em um discurso de mais de quatro horas, o presidente de cuba, Fidel Castro, se queixou da alta concentra&ccedil;&atilde;o da riqueza no mundo, onde h&aacute; &quot;80% (da popula&ccedil;&atilde;o) que n&atilde;o t&ecirc;m quase nada e 20% que t&ecirc;m quase tudo&quot;, afirmou. Um relat&oacute;rio da ONU divulgado em janeiro em Nova York afirma que a extrema pobreza poderia ser reduzida pela metade se pusermos m&atilde;os &agrave; obra imediatamente e as na&ccedil;&otilde;es ricas contribu&iacute;rem com 0,5% de seu produto interno bruto para o desenvolvimento dos pa&iacute;ses pobres.<\/p>\n<p> At&eacute; hoje, as na&ccedil;&otilde;es industrializadas, comprometidas a entregar o equivalente a 0,7% de seu PIB ao desenvolvimento dos pa&iacute;ses mais atrasados, concederam apenas 0,25%, disse Ganuza. Entretanto, na Am&eacute;rica Latina e no Caribe isto n&atilde;o &eacute; decisivo (pois a regi&atilde;o &eacute; destino quase marginal da ajuda ao desenvolvimento) e existe consci&ecirc;ncia de que as Metas do Mil&ecirc;nio n&atilde;o est&atilde;o vinculadas &agrave; ajuda, mas &agrave; forma como s&atilde;o repartidos os recursos nacionais para atingir esses prop&oacute;sitos, ressaltou o especialista do PNUD. Do encontro me havana participaram mais de 1.400 delegados de 42 pa&iacute;ses que debateram em comiss&otilde;es e sess&otilde;es plen&aacute;ria.s (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havana, 14\/02\/2005 &ndash; A Am&eacute;rica Latina conta somente com seus recursos para alcan&ccedil;ar no prazo de 10 anos as Metas de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, mas n&atilde;o poder&aacute; atingi-las com puro crescimento econ&ocirc;mico: o abismo entre ricos e pobres continua sendo o maio obst&aacute;culo. O economista-chefe do escrit&oacute;rio regional do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Enrique Ganuza, afirmou que os pa&iacute;ses latino-americanos e caribenhos contam apenas com seus pr&oacute;prios recursos para responder ao desafio das Metas, pois &quot;ningu&eacute;m lhes dar&aacute; ajuda n&atilde;o reembols&aacute;vel&quot;. <br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/amrica-latina-sozinha-diante-das-metas-do-milnio\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":171,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-301","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/171"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=301"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}