{"id":3011,"date":"2007-06-19T17:15:02","date_gmt":"2007-06-19T17:15:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3011"},"modified":"2007-06-19T17:15:02","modified_gmt":"2007-06-19T17:15:02","slug":"china-etanol-nao-e-alimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/economia\/china-etanol-nao-e-alimento\/","title":{"rendered":"China: Etanol n\u00e3o \u00e9 alimento"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, 19\/06\/2007 &ndash; Uma express\u00e3o chinesa, t\u00edpica em \u00e9pocas de escassez de alimentos, \u201cainda n\u00e3o comeu?\u201d, renasce na popula\u00e7\u00e3o devido \u00e0 alta dos pre\u00e7os de v\u00e1rios produtos b\u00e1sicos, especialmente o porco. <!--more--> Os respons\u00e1veis pela economia chinesa n\u00e3o acham nenhuma gra\u00e7a. Preocupados porque a infla\u00e7\u00e3o pode causar instabilidade social, os funcion\u00e1rios vacilam em recorrer \u00e0s reservas estrat\u00e9gicas do Estado de centenas de milhares de porcos vivos criados em fazendas especiais para casos de emerg\u00eancia e com o objetivo de manter os pre\u00e7os est\u00e1veis.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a segunda vez em seis meses que as autoridades tiveram de recorrer a esse estoque regulador para evitar uma disparada nos pre\u00e7os dos alimentos, situa\u00e7\u00e3o que poderia ter conseq\u00fc\u00eancias pol\u00edticas perigosas. Em dezembro, Pequim ordenou que fossem rematadas algumas de suas reservas de trigo para frear a alta dos cereais e evitar o p\u00e2nico entre a popula\u00e7\u00e3o. \u201cQuase todas as crise inflacion\u00e1rias dos \u00faltimos 20 anos come\u00e7aram com um aumento dos pre\u00e7os dos alimentos\u201d, afirmou Xia Yeliang, professor de economia da Universidade de Pequim.<\/p>\n<p>\u201cAo longo da hist\u00f3ria, os alimentos sempre foram produto de primeira necessidade para o povo chin\u00eas. Na mente das pessoas de idade m\u00e9dia e dos idosos perduram lembran\u00e7as de escassez\u201d, contou Yeliang. A \u00faltima grande forme na China, talvez a maior j\u00e1 sofrida pela humanidade, ocorreu no desastroso plano para industrializar o pa\u00eds chamado de \u201cGrande Salto Adiante\u201d, no final dos anos 50, que causou a morte de aproximadamente 30 milh\u00f5es de pessoas. Desde ent\u00e3o, a disponibilidade de alimentos \u00e9 quest\u00e3o de seguran\u00e7a nacional para as autoridades que devem velar por 1,3 bilh\u00e3o de pessoas que habitam o vasto territ\u00f3rio chin\u00eas.<\/p>\n<p>A atual alta dos pre\u00e7os dos gr\u00e3os e do porco \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 ind\u00fastria do etanol, cujo crescimento explosivo engole uma por\u00e7\u00e3o cada vez maior das colheitas tradicionalmente destinadas ao consumo da popula\u00e7\u00e3o e \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o de animais. As autoridades temem que ao promoverem durante anos a produ\u00e7\u00e3o de aditivos limpos para a gasolina o setor tenha crescido em excesso e muito r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o cria ao governo o desagrad\u00e1vel dilema de precisar optar entre a agenda verde do pa\u00eds e a seguran\u00e7a alimentar. Os temores do governo ficaram evidentes no final de maio, quando o primeiro-ministro, Wen Jiabao, visitou um mercado de carne na cidade de Xian para controlar os pre\u00e7os do porco e pediu \u00e0s autoridades locais que subvencionassem os criadores para aumentarem a produ\u00e7\u00e3o. Em seguida, procurou tranq\u00fcilizar a popula\u00e7\u00e3o assegurando que tudo estava sob controle. Em meados de maio, o pre\u00e7o do porco aumentou 43% em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado, segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura.<\/p>\n<p>A alta do pre\u00e7o da carne su\u00edna \u00e9 atribu\u00edda, em parte, ao foco de uma doen\u00e7a contagiosa, caracter\u00edstica desse animal, que se estendeu por 22 prov\u00edncias e matou 18 mil animais nos primeiros cinco meses deste ano, afetando o setor alimentar. Entretanto, as autoridades afirmam que a doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 a raiz do problema. \u201cA principal raz\u00e3o \u00e9 o grande aumento do custo da alimenta\u00e7\u00e3o (de porco), que come\u00e7ou a ocorrer em junho do ano passado\u201d, disse em entrevista coletiva o diretor da ag\u00eancia veterin\u00e1ria do Minist\u00e9rio da Agricultura, Jia Youling. Os porcos se nutrem principalmente de milho, cujo pre\u00e7o acompanhou o aumento geral dos cereais.<\/p>\n<p>Os gr\u00e3os aumentaram 30% desde a segunda metade de 2006, segundo o minist\u00e9rio. Al\u00e9m disso, os produtores ignoraram o teto de produ\u00e7\u00e3o imposto pelo governo, de tr\u00eas milh\u00f5es de toneladas de cereais por ano para fabricar etanol, e utilizaram 16 milh\u00f5es no ano passado, informou o minist\u00e9rio. A China incentiva a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis como etanol e biodiesel para cobrir seu voraz apetite por energia e assim reduzir sua crescente depend\u00eancia do petr\u00f3leo importado. Os biocombust\u00edveis tamb\u00e9m s\u00e3o apresentados como a panac\u00e9ia ambiental para os problemas de contamina\u00e7\u00e3o que sup\u00f5e a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis como o petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>As autoridades chinesas priorizaram o desenvolvimento de energias limpas no plano econ\u00f4mico q\u00fcinq\u00fcenal. Um de seus objetivos \u00e9 que em 2020 as fontes renov\u00e1veis representem 15% do fornecimento de energia total do pa\u00eds. Apesar de sua tardia chegada ao mercado dos biocombust\u00edveis, a China passou a ser nos \u00faltimos dois anos o terceiro produtor mundial, atr\u00e1s de Brasil e Estado Unidos. A Comiss\u00e3o Nacional de Reforma e Desenvolvimento, m\u00e1ximo organismo de planejamento, informou que em dezembro a produ\u00e7\u00e3o de etanol chegou a 10 milh\u00f5es de toneladas, ou 10 vezes a quantia aprovada para as quatro fabricas que o governo tem nas prov\u00edncias de Jilin, Heilongjiang, Anhi e Henan.<\/p>\n<p>O excedente procede de um grupo de pequenos produtores sem licen\u00e7a que vendem para refinarias de petr\u00f3leo ou moinhos aprovados pelo governo. V\u00e1rios especialistas do setor assinalam que s\u00f3 em Jilin, uma das nove prov\u00edncias habilitadas a vender etanol, h\u00e1 400 moinhos, todos utilizando o milho como mat\u00e9ria-prima. Por medo de que o crescimento explosivo da ind\u00fastria de etanol diminua de forma significativa as reservas de gr\u00e3os, Pequim suspendeu em dezembro as autoriza\u00e7\u00f5es para instalar novas usinas. E este m\u00eas o governo anunciou que simplesmente proibiria a produ\u00e7\u00e3o desse biocombust\u00edvel a partir do milho.<\/p>\n<p>Xiog Bilin, da Comiss\u00e3o Nacional de Reforma e Desenvolvimento, informou que o conselho de Estado, gabinete chin\u00eas, decidiu que o etanol deve ser produzido sem utilizar terras cultiv\u00e1veis ou grandes quantidades de gr\u00e3os e sem prejudicar o meio ambiente. As autoridades chinesas est\u00e3o preocupadas com a possibilidade de o r\u00e1pido retrocesso das terras cultiv\u00e1veis afetar o fornecimento de gr\u00e3os num futuro pr\u00f3ximo, apesar de terem ocorrido tr\u00eas anos de boas colheitas. As terras cultiv\u00e1veis diminu\u00edram em oito milh\u00f5es de hectares entre 1999 e 2005. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, 19\/06\/2007 &ndash; Uma express\u00e3o chinesa, t\u00edpica em \u00e9pocas de escassez de alimentos, \u201cainda n\u00e3o comeu?\u201d, renasce na popula\u00e7\u00e3o devido \u00e0 alta dos pre\u00e7os de v\u00e1rios produtos b\u00e1sicos, especialmente o porco. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/economia\/china-etanol-nao-e-alimento\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":435,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,10],"tags":[17],"class_list":["post-3011","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3011","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/435"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3011"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3011\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3011"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3011"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3011"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}