{"id":3014,"date":"2007-06-20T16:26:38","date_gmt":"2007-06-20T16:26:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3014"},"modified":"2007-06-20T16:26:38","modified_gmt":"2007-06-20T16:26:38","slug":"mulheres-o-poder-ainda-e-branco-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/america-latina\/mulheres-o-poder-ainda-e-branco-na-america-latina\/","title":{"rendered":"Mulheres: O poder ainda \u00e9 branco na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p>M\u00e9xico, 20\/06\/2007 &ndash; Na Am\u00e9rica Latina e no Caribe vivem 75 milh\u00f5es de mulheres negras, mas n\u00e3o chegam a 50 as que ocupam altos cargos na pol\u00edtica ou administra\u00e7\u00e3o publica. Ser afrodescendente \u00e9 estar nos degraus mais baixos da escala social regional. <!--more--> \u201cA desigualdade e iniq\u00fcidade est\u00e3o \u00e0 vista: temos pouco ou nenhum espa\u00e7o onde est\u00e3o os tomadores de decis\u00f5es. Nossa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das piores\u201d, disse \u00e0 IPS a nicarag\u00fcense Dorotea Wilson, coordenadora de Rede de Mulheres Afro-Latino-Americanas, Afro-Caribenhas e da Di\u00e1spora.<\/p>\n<p>Ser pobre, mulher e negra \u201cnos obriga a realizar um esfor\u00e7o gigante contra a discrimina\u00e7\u00e3o e a xenofobia\u201d, disse Wilson, ex-prefeita e legisladora na Nicar\u00e1gua, al\u00e9m de l\u00edder da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Vozes do Caribe. A coordenadora da rede, que re\u00fane grupos de 33 pa\u00edses, foi entrevistada por telefone desde o Panam\u00e1, onde participou na segunda e ter\u00e7a-feira, junto com outras 30 pessoas, do Encontro Intergera\u00e7\u00e3o de Mulheres Afrodescendentes da Am\u00e9rica Latina, com patroc\u00ednio do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef).<\/p>\n<p>Cerca de 150 milh\u00f5es de afrodescendentes da regi\u00e3o conseguiram vencer sua segrega\u00e7\u00e3o, conquistando alguns pap\u00e9is relevantes no poder pol\u00edtico ou na administra\u00e7\u00e3o publica, como ocorreu, por outro lado, com um punhado de representantes da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena latino-americana, estimada em aproximadamente 40 milh\u00f5es de pessoas. A Rede de Mulheres Afrodescendentes afirma que n\u00e3o chegam a 50 as mulheres nesses postos. Na reuni\u00e3o do Panam\u00e1 se buscou articular e definir agendas das organiza\u00e7\u00f5es de mulheres negras, \u201cque est\u00e3o dispersas\u201d, explicou Wilson.<\/p>\n<p>As participantes apresentar\u00e3o uma postura unit\u00e1ria na X Confer\u00eancia Regional sobre a Mulher da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, que acontecer\u00e1 em Quito, no Equador, entre 6 e 9 de agosto, por iniciativa da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal). \u201cTemos que nos articularmos com urg\u00eancia como mulheres afrodescendentes, pois estamos separadas e nem mesmo conseguimos que os governos fa\u00e7am o suficiente para saber quantos somos exatamente na regi\u00e3o\u201d, afirmou Wilson. Na capital equatoriana, um dos temas centrais ser\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico feminino.<\/p>\n<p>A metade das mulheres ocupadas nesse setor trabalha mais de 48 horas semanais, sem sal\u00e1rios adequados nem acesso ao seguro social, segundo a Cepal. Al\u00e9m disso, milh\u00f5es de domesticas n\u00e3o recebem nem mesmo um pagamento. Grande parte desta for\u00e7a trabalhista \u00e9 composta por mulheres ind\u00edgenas e afrodescendentes. Mais de 90% da popula\u00e7\u00e3o descendente de africanos escravizados na Am\u00e9rica na \u00e9poca colonial s\u00e3o pobres, t\u00eam acesso apenas aos empregos menos remunerados e conta com baixo n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o, conforme as estat\u00edsticas.<\/p>\n<p>Uma pesquisa da Cepal feita em 2001 afirma que \u201ca popula\u00e7\u00e3o afro-latina e afro-caribenha \u00e9 de alta densidade e pouca resson\u00e2ncia\u201d. As estat\u00edsticas dispon\u00edveis indicam que devido \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o a condi\u00e7\u00e3o de negritude funciona como uma ancora mantendo as pessoas na pobreza. No Brasil, por exemplo, 71% das mulheres negras trabalham no setor informal, uma propor\u00e7\u00e3o maior do que a de homens negros (65%), de mulheres brancas (61%) e de homens brancos (48%).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no Brasil a popula\u00e7\u00e3o branca \u00e9 2,5 vezes mais rica do que a negra. Na Col\u00f4mbia, 80% dos afrodescendentes vivem na pobreza extrema, e em Cuba, \u00fanico pa\u00eds da Am\u00e9rica com sistema econ\u00f4mico socialista, habitam as piores moradias e t\u00eam os trabalhos pior remunerados. \u201cSer negro \u00e9 muito dif\u00edcil nesta regi\u00e3o, e mais ainda se \u00e9 mulher, sei disso porque eu mesma tive de enfrentara situa\u00e7\u00f5es degradantes em muitos momentos\u201d, afirmou Wilson, origin\u00e1ria de Puerto Cabezas, regi\u00e3o aut\u00f4noma do Atl\u00e2ntico Norte nicarag\u00fcense. \u201cMeu pai foi oper\u00e1rio em mina por mais de 48 anos, minha m\u00e3e era dona de casa que criou nove filhos. Foi dif\u00edcil seis mulheres e tr\u00eas homens seguirem adiante nestas sociedades, mas lutamos e conseguimos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Em 1975, sendo uma religiosa mission\u00e1ria, Wilson entrou para a esquerdista Frente Sandinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (FSLN) e depois aderiu \u00e0s a\u00e7\u00f5es armadas contra a ditadura de Anast\u00e1sio Somoza. Em 1979, derrubado o ditador, se converteu na primeira prefeita de Puerto Cabezas e em seguida foi deputada na Assembl\u00e9ia Nacional Legislativa, pela Costa Caribe. Wilson continua sendo integrante da FSLN que, ap\u00f3s perder o governo nas elei\u00e7\u00f5es de 1990, o recuperou nas de 2006, quando Daniel Ortega foi eleito presidente. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9xico, 20\/06\/2007 &ndash; Na Am\u00e9rica Latina e no Caribe vivem 75 milh\u00f5es de mulheres negras, mas n\u00e3o chegam a 50 as que ocupam altos cargos na pol\u00edtica ou administra\u00e7\u00e3o publica. 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