{"id":3015,"date":"2007-06-20T16:29:20","date_gmt":"2007-06-20T16:29:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3015"},"modified":"2007-06-20T16:29:20","modified_gmt":"2007-06-20T16:29:20","slug":"china-criancas-escravizadas-que-desenvolvimento-e-este","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/direitos-humanos\/china-criancas-escravizadas-que-desenvolvimento-e-este\/","title":{"rendered":"China: Crian\u00e7as escravizadas, que desenvolvimento \u00e9 este?"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, 20\/06\/2007 &ndash; Perturbadores casos de escravid\u00e3o nos fornos de olarias na China, incluindo meninos e meninas, despertaram novas d\u00favidas sobre as leis trabalhistas deste pa\u00eds. <!--more--> O primeiro caso de explora\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser conhecido este m\u00eas, quando jornais locais publicaram foto de um grupo de pessoas libertadas ap\u00f3s mais de um ano de trabalhos for\u00e7ados em uma f\u00e1brica de tijolo no centro da China. A fotografia, mais impactante ainda porque a imprensa chinesa \u00e9 supervisionada pelo Estado, mostrava pessoas com ferimentos e queimaduras, claros sinais de m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o e express\u00f5es aturdidas de falta de f\u00e9 em sua repentina liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria que acompanhava a foto era ainda mais surpreendente em um pa\u00eds onde o governante Partido Comunista chegou ao poder por seu compromisso de criar um para\u00edso para os trabalhadores. As 32 pessoas foram enganadas com oferta de trabalho pago, mas uma vez dentro das olarias, na aldeia de Caosheng, prov\u00edncia central de Xhanxi, foram obrigadas a trabalhar sob controle de guardas e c\u00e3es durante 18 horas por dia. Nenhuma recebeu dinheiro durante todo esse tempo e sobreviveram apenas com p\u00e3o e \u00e1gua.<\/p>\n<p>Quando uma blitz policial as libertou no final do m\u00eas passado, descobriu-se que um homem havia sido morto a marteladas; oito pessoas estavam t\u00e3o traumatizadas que somente conseguiam lembrar seus nomes. Todas apresentavam queimaduras por terem carregado tijolo quente sem prote\u00e7\u00e3o. Suas roupas n\u00e3o passavam de farrapos e \u201ca sujeira em seus corpos era t\u00e3o grande que s\u00f3 saia raspando com uma faca\u201d, informou o Shanxi Evening News. A f\u00e1brica de tijolos era operada por um capataz identificado como Heng Tinghan, mas seu propriet\u00e1rio era o filho do presidente do Partido Comunista da regi\u00e3o. Segundo moradores da \u00e1rea, essas f\u00e1bricas ilegais operavam gra\u00e7as a um acordo t\u00e1cito com a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>A revela\u00e7\u00e3o deste caso foi seguida por uma carta aberta que circulou em v\u00e1rios f\u00f3runs chineses na Internet na qual se denunciava que pelo menos mil crian\u00e7as entre 8 e 16 anos foram escravizadas nas fabricas ilegais de tijolos na prov\u00edncia de Shanxi. A carta, assinada por 400 pais da prov\u00edncia central de Henan, pedia ajuda para uma campanha destinada a resgatar os menores. Os pa\u00eds afirmavam que os filhos foram for\u00e7ados a entrar em autom\u00f3veis em diferentes cidade de Henan, como a capital Zhengzhou, e depois foram vendidos a chefes de f\u00e1bricas por cerca de 500 yuans (US$ 65) cada um.<\/p>\n<p>No final dos anos 60, o escarpado territ\u00f3rio da prov\u00edncia de Henan foi usado pelos estrategistas de Mao Tse Tung para esconder milhares de f\u00e1bricas de armas e muni\u00e7\u00f5es. Muitas desses locais agora abrigam fornos ilegais de tijolos, segundo os pais de Henan, onde crian\u00e7as seq\u00fcestradas trabalham em condi\u00e7\u00f5es horr\u00edveis. \u201cOs lugares onde vivem essas crian\u00e7as eram piores do que casinhas de cachorro. N\u00e3o havia camas, dormiam sobre t\u00e1buas e as paredes estavam cobertas de excremento. Est\u00e1vamos mortos de medo pelo que vimos\u201d, contou ao jornal Xinjigbao Chai Wei, um pai de Henan que conseguiu entrar em v\u00e1rias f\u00e1bricas de tijolo em busca do filho desaparecido.<\/p>\n<p>Chai havia dirigido os esfor\u00e7os de resgate de quase 100 pais que arrecadaram dinheiro para alugar um carro e percorrer as f\u00e1bricas de tijolos de Shanxi. Sua busca conseguiu resgatar cerca de cem crian\u00e7as, mas restavam centenas, disse Chai. Seu filho de 17 anos, que desapareceu de Zhengzhou em abril, ainda n\u00e3o foi encontrado. \u201cN\u00e3o conseguimos nenhuma ajuda da pol\u00edcia local. Muitos de seus funcion\u00e1rios s\u00e3o pessoas pr\u00f3ximas dos donos das f\u00e1bricas e poderiam alert\u00e1-los da chegada de um grupo de busca. Aprendemos a n\u00e3o confiar nos policiais e percorrer as f\u00e1bricas, uma a uma, por nossa pr\u00f3pria conta\u201d, disse Chai. A descoberta de redes provinciais de trabalhos for\u00e7ados veio a p\u00fablico quando a China se prepara para adotar uma nova lei de trabalho que foi debatida pelos legisladores durante muitos meses.<\/p>\n<p>A nova legisla\u00e7\u00e3o pretende tomar medias en\u00e9rgicas contra centros de explora\u00e7\u00e3o e os abusos de trabalhadores dando um poder real aos sindicatos controlados pelo Estado, pela primeira vez desde que Pequim introduziu reformas de mercado na d\u00e9cada de 80. Nos \u00faltimos 10 anos, a economia chinesa cresceu dois d\u00edgitos gra\u00e7as ao trabalho de milh\u00f5es de trabalhadores que produziam mercadorias para a exporta\u00e7\u00e3o em troca de baixos sal\u00e1rios. Mas com o florescer da economia, as disputas trabalhistas se multiplicaram. Cada vez mais trabalhadores se apresentam nos tribunais ou saem \u00e0s ruas para protestar contra as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es trabalhistas e atraso no pagamento.<\/p>\n<p>O governo descreveu a nova legisla\u00e7\u00e3o como uma tentativa de melhorar a prote\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e deter os abusos. Mas n\u00e3o est\u00e1 claro o quanto ser\u00e1 efetiva neste vasto pa\u00eds, onde muitos funcion\u00e1rios locais tendem a ignorar ou burlar as diretrizes do governo central. Os defensores dos trabalhadores alegam que os poderes de aplica\u00e7\u00e3o da lei ser\u00e3o melhorados somente se Pequim permitir sindicatos independentes. \u201cSem supervis\u00e3o ou defesa do poder coletivo da m\u00e3o-de-obra, as leis e resolu\u00e7\u00f5es do governo central n\u00e3o ser\u00e3o respeitadas ou administradas\u201d, afirmou Cai Chongguo, especialista em direitos trabalhistas do China Labour Bulletin, com sede em Hong Kong.<\/p>\n<p>A China j\u00e1 possui uma lei trabalhista e outra sobre prote\u00e7\u00e3o dos menores, mas nenhuma delas impediu o esc\u00e2ndalo de trabalho for\u00e7ado em Shanxi, dizia um coment\u00e1rio assinado e publicado domingo pela ag\u00eancia de not\u00edcias Sinhua. \u201cA raz\u00e3o para que fossem cometidos delitos t\u00e3o flagrantes nas f\u00e1bricas de tijolos de Shanxi \u00e9 que empres\u00e1rios e funcion\u00e1rios locais trabalhavam em equipe\u201d, acrescentou. O jornal China Youth Daily foi mais longe, qualificando os casos de escravid\u00e3o de \u201cdesgra\u00e7a vergonhosa\u201d, deixando exposta a neglig\u00eancia dos funcion\u00e1rios no cumprimento de seu dever. \u201cQuando uma lei \u00e9 debilitada maci\u00e7amente em sua implementa\u00e7\u00e3o a ponto de se converter em um peda\u00e7o de papel sem valor, ent\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio repens\u00e1-la\u201d, afirmou o jornal. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, 20\/06\/2007 &ndash; Perturbadores casos de escravid\u00e3o nos fornos de olarias na China, incluindo meninos e meninas, despertaram novas d\u00favidas sobre as leis trabalhistas deste pa\u00eds. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/direitos-humanos\/china-criancas-escravizadas-que-desenvolvimento-e-este\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":435,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[17],"class_list":["post-3015","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3015","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/435"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3015"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3015\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3015"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3015"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3015"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}