{"id":3017,"date":"2007-06-21T15:33:18","date_gmt":"2007-06-21T15:33:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3017"},"modified":"2007-06-21T15:33:18","modified_gmt":"2007-06-21T15:33:18","slug":"desenvolvimento-botswana-cada-vez-mais-criancas-estao-a-morrer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/africa\/desenvolvimento-botswana-cada-vez-mais-criancas-estao-a-morrer\/","title":{"rendered":"DESENVOLVIMENTO-BOTSWANA:: Cada vez mais crian\u00e7as est\u00e3o a morrer"},"content":{"rendered":"<p>GABORONE, 21\/06\/2007 &ndash; Enquanto que a Botswana conseguiu reduzir a sua pobreza, \u00e9 improv\u00e1vel que cumprir\u00e1 o quarto Objetivo de Desenvolvimento da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para o Mil\u00e9nio: reduzir a mortalidade infantil de dois ter\u00e7os pelo ano 2015. As cifras de desde os anos 1990s aos anos 2000s mostram um aumento na mortalidade infantil. <!--more--> Segundo um relat\u00f3rio de 2001 do Escrit\u00f3rio Central das Estat\u00edsticas do governo, sobre a popula\u00e7\u00e3o e o alojamento, em 1991 48 de cada 1.000 crian\u00e7as nascidas morreram na Botswana. Esta cifra aumentou a 56 mortes por cada 1.000 nascimentos com vida em 2001. Durante o mesmo peri\u00f3do, a mortalidade de crian\u00e7as com menos de cinco anos aumentou de 63 a 74 mortes de cada 1.000 nascimentos. Mas os dados do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (UNICEF) sobre a mortalidade de crian\u00e7as com menos de cinco anos na Botswana s\u00e3o piores de que as cifras oficiais do governo, aumentando de 58 mortes por cada 1.000 nascimentos em 1990 a 116 em 2004. A alta preval\u00eancia do VIH\/sida \u00e9 um dos fatores que explica este fen\u00f3meno. <\/p>\n<p>H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre a mortalidade infantil e a condi\u00e7\u00e3o das mulheres na sociedade. A maior parte da responsabilidade de cuidar das crian\u00e7as cai nelas, mas s\u00f3 podem aliment\u00e1-las como \u00e9 necess\u00e1rio se t\u00eam os rendimentos bastante bons e est\u00e1veis. A Malebogo Keataretse, a m\u00e3e de uma crian\u00e7a de cinco anos, compra &#8220;os alimentos nutritivos como as verduras, a fruta e os cereais que s\u00e3o preparados muito antes da hora de alimentar a crian\u00e7a&#8221;. &#8220;Para o pequeno almo\u00e7oo meu filho come flocos de aveia e fruta, com um copo de sumo. Para o almo\u00e7o e o jantar, ele come o que o restante da fam\u00edlia come, que vai de arroz com frango a sesawaa (uma comida elaborada feita de farinha de milho e carne). Ele gosta muito desta comida e raramente ignora o prato dele&#8221;, disse ela. <\/p>\n<p>A Oarabile Matongo relatou que a sua filha a Thato, de quatro anos, gosta muito de petiscos e os leva ao jardim de infantes. <\/p>\n<p>&#8220;Mas ela gosta tanto dos petiscos que j\u00e1 n\u00e3o come mais nada. A noite eu fa\u00e7o comida com as  verduras e carne, mas ela prefire comer s\u00f3 a carne&#8221;, explicou ela. <\/p>\n<p>O estatuto socio-econ\u00f3mico determina a variedade das op\u00e7\u00f5es no dieta das crian\u00e7as. As fam\u00edlias com os rendimentos baixos s\u00e3o as vezs obrigadas a deixar de tomar o pequeno almo\u00e7o precisamente porque n\u00e3o h\u00e1 comida suficiente na casa. <\/p>\n<p>A Magdeline Khamandisi disse a IPS que o seu filho o Kenneth, de quatro anos, parece estar contento apesar dele as vezes s\u00f3 comer flocos de aveia durante o dia inteiro. &#8220;Ele come quase tudo, assim n\u00e3o tenho que comprar nada extravagante&#8221;, indicou ela. <\/p>\n<p>O Narain Sinha, um economista para a sa\u00fade da Universidade de Botswana, creia que este pa\u00eds africano pode atinjir o objetivo de reduzir a mortalidade infantil de dois ter\u00e7os pelo ano 2015. <\/p>\n<p>&#8220;Reparou se que a propor\u00e7\u00e3o da mortalidade infantil n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 influenciada pelos fatores como os gastos do governo e a disponibilidade dos centros e professionais de sa\u00fade, mas tamb\u00e9m pelos indicadores do desenvolvimento social como a pobreza, a malnutri\u00e7\u00e3o e o analfabetismo femenino&#8221;, disse ele, sublinhando a necessidade de abordar estes assuntos rigorosamente. <\/p>\n<p>Segundo o Sinha, o fato das muilheres n\u00e3o ter acesso a tomada de decis\u00f5es, ao emprego, as finan\u00e7as e a educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 nas ra\u00edzes da mortalidade infantil. A malnutri\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, a atividade sexual premadura e a gravidez dos adolescentes t\u00eam consequ\u00eancias sobre estas m\u00e3es jovens. \u00c9 mais prov\u00e1vel que as mulheres educadas e as bem capacitadas casam quando s\u00e3o mais velhas e buscam a aten\u00e7\u00e3o neonatal e postnatal, todo o que \u00e9 crucial para reduzir a mortalidade infantil e materna. <\/p>\n<p>Muitas mulheres n\u00e3o podem pagar os custos da aten\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, disse o Sinha. Por isso, num continente onde um grande n\u00famero de mulheres sempre vive nas zonas rurais e tem um acesso limitado \u00e1s cl\u00ednicas ou aos hospitais, as associa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias podem constituir o meio mais imedi\u00e1to para a sa\u00fade melhor. <\/p>\n<p>Por exemplo, as comunidades deveriam aproveitar do estatuto social importante das assistentes tradicionais no parto ou das parteiras, disse o Sinha. A forma\u00e7\u00e3o destes professionais pelas autoridades da sa\u00fade p\u00fablica pode assegurar as gravidezes e os partos seguros para as mulheres rurais na \u00c1frica, assim como o acesso a informa\u00e7\u00e3o e aos servi\u00e7os da planifica\u00e7\u00e3o familiar. <\/p>\n<p>O Boitumelo Malomo, do Minist\u00e9rio de Sa\u00fade, exprimiu o optimismo de que a Botswana pudesse cumprir o objetivo de reduzir a mortalidade infantil. O governo est\u00e1 a concentrar se nos programas da sa\u00fade infantil e materna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GABORONE, 21\/06\/2007 &ndash; Enquanto que a Botswana conseguiu reduzir a sua pobreza, \u00e9 improv\u00e1vel que cumprir\u00e1 o quarto Objetivo de Desenvolvimento da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para o Mil\u00e9nio: reduzir a mortalidade infantil de dois ter\u00e7os pelo ano 2015. 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