{"id":3038,"date":"2007-06-27T16:56:34","date_gmt":"2007-06-27T16:56:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3038"},"modified":"2007-06-27T16:56:34","modified_gmt":"2007-06-27T16:56:34","slug":"bolivia-cresce-a-producao-e-oferta-de-cocaina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/america-latina\/bolivia-cresce-a-producao-e-oferta-de-cocaina\/","title":{"rendered":"Bol\u00edvia: Cresce a produ\u00e7\u00e3o e oferta de coca\u00edna"},"content":{"rendered":"<p>La Paz, 27\/06\/2007 &ndash; O aumento dos cultivos bolivianos de coca em 8%, verificado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, e uma oferta anual de coca\u00edna de 94 toneladas podem derivar em tens\u00f5es com o Brasil e pa\u00edses da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia aos quais se destina o produto ilegal, afirmam observadores pol\u00edticos. <!--more--> Em seu Informe Mundial de Drogas 2007, divulgado nesta ter\u00e7a-feira, o Escrit\u00f3rio da ONU contra a Droga e o Delito (ONUDD) afirma que \u201ccontinua diminuindo o cultivo de coca na regi\u00e3o dos Andes\u201d, que compreende Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia e Peru.<\/p>\n<p>Mas no informe sobre a Bol\u00edvia, divulgado no \u00faltimo dia 14, a ONUDD afirma que as planta\u00e7\u00f5es bolivianas de coca, mat\u00e9ria-prima da coca\u00edna, passaram, em 2006, de 25.400 hectares para 27.500, com uma incid\u00eancia direta no aumento da produ\u00e7\u00e3o potencial de coca\u00edna de 80 para 94 toneladas, em rela\u00e7\u00e3o a 2005. As redu\u00e7\u00f5es andinas, de 2%, s\u00e3o atribu\u00eddas pela ONUDD \u00e0 Col\u00f4mbia, maior cultivador de coca e produtor de coca\u00edna do mundo, cujas planta\u00e7\u00f5es diminu\u00edram 9%, compensando os aumentos de Peru e Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o boliviana s\u00f3 autoriza o cultivo de 12 mil hectares para usos legais, consumo tradicional e ritos da coca, por isso o informe da ONUDD revela um excedente de 15.500 hectares considerados ilegais, especialmente na regi\u00e3o semi-tropical do Chapare, no departamento de Cochabamba, onde entre 2005 e 2006 as planta\u00e7\u00f5es se expandiram em 1.300 hectares.<\/p>\n<p>Este aumento \u201cprovavelmente seja um m\u00e1ximo fator de tens\u00e3o com Brasil e Europa, e n\u00e3o apenas com os Estados Unidos\u201d, disse \u00e0 IPS o ex-parlamentar e analista pol\u00edtico Hugo Carvajal. Fontes diplom\u00e1ticas brasileiras, citadas em La Paz pelo jornal La Raz\u00f3n, afirmam que 80% da droga produzida na Bol\u00edvia s\u00e3o enviados aos mercados do Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, nesta \u00faltima cidade controlados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Al\u00e9m disso, o Brasil se converteu em pa\u00eds de tr\u00e2nsito de droga boliviana e peruana destinada \u00e0 Europa, segundo dados da pol\u00edcia brasileira.<\/p>\n<p>Este aumento acontece quando o governo decide apoiar uma amplia\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie legal, de 12 mil para 20 mil hectares. Mas a maior apreens\u00e3o de drogas exigir\u00e1 uma a\u00e7\u00e3o decidida do governo para reduzir a mat\u00e9ria-prima, afirmou Carvajal. Em 2000, os cultivos de coca chegaram a 23.300 hectares, a menor superf\u00edcie desde que come\u00e7ou a luta contra o narcotr\u00e1fico na d\u00e9cada de 90, como resultado da erradica\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e dos programas de redu\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria em zonas n\u00e3o tradicionais, segundo dados do Centro Latino-americano de Pesquisa Cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Pouco depois de iniciado seu mandato, em janeiro do ano passado, o presidente Evo Morales, principal l\u00edder dos produtores, cedeu \u00e0 influ\u00eancia dos sindicatos camponeses do Chapare e autorizou ali o cultivo de 1.600 metros quadrados (cato) por filiado. Durante o governo de Carlos Mesa (2003-2005), a press\u00e3o dos sindicatos de produtores de coca j\u00e1 havia conseguido flexibilizar as normas, obtendo autoriza\u00e7\u00e3o para que cada familia cultivasse um cato. A ONUDD indica que os 27.500 hectares distribu\u00eddos entre o Chapare, a zona tradicional dos Yungas no departamento de La Paz, e, em menor extens\u00e3o, os parques nacionais protegidos, produzem 48 mil toneladas de folhas secas.<\/p>\n<p>O mesmo estudo acrescenta que cerca de 33.200 toneladas s\u00e3o usadas na fabrica\u00e7\u00e3o de pasta b\u00e1sica de coca\u00edna sob o controle de narcotraficantes que deslocaram os laborat\u00f3rios das zonas tropicais de cultivo at\u00e9 o frio altiplano e bairros marginais de cidades empobrecidas com El Alto, um enorme sub\u00farbio de La Paz, a cerca de quatro mil metros de altitude. Com 370 quilos de folhas de coca do Chapare misturadas com v\u00e1rios produtos qu\u00edmicos, pode-se obter um quilo de clorhidrato de coca\u00edna, enquanto as variedade dos Yungas t\u00eam maior rendimento: 315 quilos para produzir um quilo da droga, diz o documento da ONUDD.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m se registra alta na produ\u00e7\u00e3o de outras subst\u00e2ncias proibidas, como a maconha, afirma a For\u00e7a Especial de Luta contra o Narcotr\u00e1fico. No ano passado foram apreendias 139 toneladas, contra 46 em 2005. Nos primeiros cinco meses deste ano, as apreens\u00f5es totais de entorpecentes chegaram a 266 toneladas. As apreens\u00f5es de pasta b\u00e1sica, entre 2005 e 2006, passaram de 10 para 12 toneladas, enquanto a apreens\u00e3o de clorhidrato subiu levemente, de 1.300 para 1.309 quilos, segundo a ONUDD.<\/p>\n<p>O ministro encarregado da seguran\u00e7a interna, Alfredo Rada, exigiu uma analise equilibrada com a incorpora\u00e7\u00e3o de outros fatores, como o resultado da erradica\u00e7\u00e3o de cinco mil hectares no \u00faltimo ano e o esfor\u00e7o policial para combater os grupos de traficantes. Desde a localidade semitropical de Coroico, em Yungas, 96 quil\u00f4metros ao norte de La Paz, o agricultor e dirigente cocalero Santiago Guti\u00e9rrez n\u00e3o se mostrou surpreso com o diagnostico da ONU, j\u00e1 que est\u00e1 vinculado \u00e0s \u201cpol\u00edticas da direita que v\u00eam dos Estados Unidos\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Os informes da \u00f3rg\u00e3os internacionais repetem o discurso de aumento dos cultivos, mas, deixam de lado a contribui\u00e7\u00e3o da coca ao desenvolvimento das comunidades, a gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda para a popula\u00e7\u00e3o dedicada a essa atividade, acrescentou Guti\u00e9rrez. O dirigente, que tamb\u00e9m \u00e9 funcion\u00e1rio da prefeitura de Coroico e membro do governante Movimento ao Socialismo, est\u00e1 convencido de que h\u00e1 mais consumo da folha de coca em usos tradicionais, mastiga\u00e7\u00e3o em regi\u00f5es andinas e dos vales e emprego na medicina ind\u00edgena. O pre\u00e7o de uma carga legal de coca de 23 quilos aumentou de US$ 50 para US$ 93 desde o ano passado, e a demanda de coca em Yungas \u00e9 maior do que a do Chapare, segundo Guti\u00e9rrez.<\/p>\n<p>O informe da ONDD diz que durante 2006 a comercializa\u00e7\u00e3o de coca em mercados autorizados e fora dele movimentou um total de US$ 108 milh\u00f5es e representa quase 2% do produto interno bruto anual, estimado nesse documento em US$ 8,7 bilh\u00f5es. \u201cEstes n\u00fameros sugerem que, para o pa\u00eds em seu conjunto, a produ\u00e7\u00e3o de folha de coca ainda tem impacto na economia e continua desempenhando um papel muito importante dentro das regi\u00f5es produtoras\u201d, reconhece esse organismo das Na\u00e7\u00f5es Unidas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La Paz, 27\/06\/2007 &ndash; O aumento dos cultivos bolivianos de coca em 8%, verificado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, e uma oferta anual de coca\u00edna de 94 toneladas podem derivar em tens\u00f5es com o Brasil e pa\u00edses da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia aos quais se destina o produto ilegal, afirmam observadores pol\u00edticos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/america-latina\/bolivia-cresce-a-producao-e-oferta-de-cocaina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[],"class_list":["post-3038","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3038","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3038"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3038\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3038"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3038"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3038"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}