{"id":304,"date":"2005-02-14T00:00:00","date_gmt":"2005-02-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=304"},"modified":"2005-02-14T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-14T00:00:00","slug":"economia-liberalizao-comercial-traz-dficit-aos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/economia-liberalizao-comercial-traz-dficit-aos-eua\/","title":{"rendered":"Economia: Liberaliza&ccedil;&atilde;o comercial traz d&eacute;ficit aos EUA"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 14\/02\/2005 &ndash; A agressiva pol&iacute;tica de liberaliza&ccedil;&atilde;o comercial do presidente George W. Bush &eacute; respons&aacute;vel pelo d&eacute;ficit sem precedentes que os Estados Unidos tiveram no ano passado em seu interc&acirc;mbio, segundo analistas. O saldo negativo na balan&ccedil;a de importa&ccedil;&otilde;es e exporta&ccedil;&otilde;es atingiu em 2004 US$ 617 bilh&otilde;es, quase 25% a mais do que no ano anterior. Os dados divulgados na &uacute;ltima quinta-feira pelo Departamento de Com&eacute;rcio mostram que as compras no exterior cresceram quase o dobro do que as exporta&ccedil;&otilde;es. &quot;Isto demonstra os problemas da economia dos Estados Unidos para competir, inclusive com a vantagem da queda do d&oacute;lar frente ao euro&quot;, afirmou o economista Dean Baker, co-diretor do independente Centro para a Pesquisa der Pol&iacute;ticas Econ&ocirc;micas, com sede em Washington. O d&eacute;ficit comercial norte-americano em 2003 foi de US$ 496,5 bilh&otilde;es.<br \/> <!--more--> <br \/> As importa&ccedil;&otilde;es cresceram no ano passado em quase todos os itens. As compras de bens de capital aumentaram 12,5% as de bens de consumo 8,6% e as de autope&ccedil;as 11,8%. O d&eacute;ficit nos bens em geral chegou a US$ 666,2 bilh&otilde;es, 5,7% da renda do pa&iacute;s, um recorde desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Cerca de um quarto deste d&eacute;ficit se originou no com&eacute;rcio com a China, que cresceu 30% em 2004. o interc&acirc;mbio comercial dos Estados Unidos com Canad&aacute; e M&eacute;xico, seus dois s&oacute;cios no Tratado de Livre Com&eacute;rcio da Am&eacute;rica do Norte (Tlcan), aumentou 20% e representou quase 17% do d&eacute;ficit total no setor de bens.<\/p>\n<p> &quot;O crescimento do d&eacute;ficit reflete o repentino aumento das importa&ccedil;&otilde;es e a perda continuada e r&aacute;pida da competitividade das ind&uacute;strias norte-americanas&quot;, disse o economista Robert Scott, do Instituto de Pol&iacute;ticas Econ&ocirc;micas. Scott ressaltou que os Estados Unidos tiveram em 2004 um d&eacute;ficit de US$ 37 bilh&otilde;es d&oacute;lares nos chamados produtos de tecnologia avan&ccedil;ada, 38% mais do que em 2003. al&eacute;m do Tlcan, os Estados Unidos procuram chegar &agrave; cria&ccedil;&atilde;o do Acordo de Livre Com&eacute;rcio da Am&eacute;rica Central, com Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicar&aacute;gua e Republica Dominicana. Tamb&eacute;m est&aacute; sendo costurada a &Aacute;rea de Livre Com&eacute;rcio do Oriente M&eacute;dio, que complementaria conv&ecirc;nios bilaterais de Washington com Bahrein, Israel, Jord&acirc;nia e Marrocos.<\/p>\n<p> O governo Bush tamb&eacute;m negocia acordos de livre com&eacute;rcio com os Emirados &Aacute;rabes Unidos e Om&atilde;, e j&aacute; anunciou seu interesse de iniciar negocia&ccedil;&otilde;es com Bol&iacute;via, Col&ocirc;mbia, Equador, Panam&aacute;, Peru e Tail&acirc;ndia. Washington tamb&eacute;m incentiva a cria&ccedil;&atilde;o da &Aacute;rea de Livre Com&eacute;rcio das Am&eacute;ricas (Al&ccedil;a) com 34 pa&iacute;ses do hemisf&eacute;rio, mas o projeto est&aacute; paralisado desde final de 2003, entre outras coisas por causa da resist&ecirc;ncia do governo norte-americano em eliminar seus subs&iacute;dios agr&iacute;colas. &quot;Quando sua pol&iacute;tica comercial provoca um d&eacute;ficit t&atilde;o alto e insustent&aacute;vel, &eacute; imprudente expandir o Tlcan para seis pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Central, e &eacute; muito pouco prov&aacute;vel que consiga o favor do Congresso ou do povo norte-americano&quot;, afirmou Lori Wallach, diretora de assuntos comerciais na organiza&ccedil;&atilde;o de consumidores Public Citizen.<\/p>\n<p> Wallach assinalou que &quot;o pa&iacute;s mais rico do planeta se converteu em um n&iacute;tido importador de produtos de tecnologia avan&ccedil;ada, como computadores e ve&iacute;culos, enquanto se especializa em exportar sucata, soja e couro&quot;. Os Estados Unidos tiveram em 2004 saldo negativo de US$ 162 bilh&otilde;es em seu interc&acirc;mbio com a China, de US$ 75 bilh&otilde;es com o Jap&atilde;o e de US$ 114 bilh&otilde;es com a Europa ocidental. Economistas alertam que, se essa situa&ccedil;&atilde;o continuar, o d&eacute;ficit comercial norte-americano ser&aacute; ainda maior este ano. &quot;A menos que o d&oacute;lar caia drasticamente ou a economia entre em recess&atilde;o, o d&eacute;ficit ter&aacute; novo recorde em 2005&quot;, disse Baker.<\/p>\n<p> Analistas afirmam que se o governo conseguir reduzir o d&eacute;ficit de forma dr&aacute;stica num futuro pr&oacute;ximo, o d&oacute;lar cairia ainda mais, tornando mais atraentes os produtos norte-americanos. &quot;Este &eacute; o &uacute;nico mecanismo poss&iacute;vel para ajustar o d&eacute;ficit comercial. Um d&oacute;lar baixo faz com que as exporta&ccedil;&otilde;es norte-americanas sejam mais baratas e as importa&ccedil;&otilde;es mais caras&quot;, explicou Baker. Entretanto, outros tentam reduzir o dramatismo do d&eacute;ficit. &quot;O relat&oacute;rio (do Departamento do Com&eacute;rcio) tem boas not&iacute;cias para a economia dos Estados Unidos&quot;, afirmou o diretor do Centro para Estudos de Pol&iacute;ticas Comerciais do Instituto Cato, Daniel Griswold. O especialista indicou que os Estados Unidos atualmente comercializam com o restante do mundo mais do que nunca, e destacou que as exporta&ccedil;&otilde;es de 2004 superaram seu &uacute;ltimo pico, alcan&ccedil;ado em 2000. por outro lado, afirmou que &quot;o aumento das importa&ccedil;&otilde;es confirma a robusta demanda dos consumidores e empres&aacute;rios norte-americanos. Devemos lembrar que no ano passado tamb&eacute;m houve um forte crescimento do produto interno bruto, do emprego e da produ&ccedil;&atilde;o&quot;, ressaltou. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 14\/02\/2005 &ndash; A agressiva pol&iacute;tica de liberaliza&ccedil;&atilde;o comercial do presidente George W. Bush &eacute; respons&aacute;vel pelo d&eacute;ficit sem precedentes que os Estados Unidos tiveram no ano passado em seu interc&acirc;mbio, segundo analistas. O saldo negativo na balan&ccedil;a de importa&ccedil;&otilde;es e exporta&ccedil;&otilde;es atingiu em 2004 US$ 617 bilh&otilde;es, quase 25% a mais do que no ano anterior. Os dados divulgados na &uacute;ltima quinta-feira pelo Departamento de Com&eacute;rcio mostram que as compras no exterior cresceram quase o dobro do que as exporta&ccedil;&otilde;es. &quot;Isto demonstra os problemas da economia dos Estados Unidos para competir, inclusive com a vantagem da queda do d&oacute;lar frente ao euro&quot;, afirmou o economista Dean Baker, co-diretor do independente Centro para a Pesquisa der Pol&iacute;ticas Econ&ocirc;micas, com sede em Washington. O d&eacute;ficit comercial norte-americano em 2003 foi de US$ 496,5 bilh&otilde;es.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/economia-liberalizao-comercial-traz-dficit-aos-eua\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":64,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-304","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/304","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/64"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=304"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/304\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=304"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=304"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=304"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}