{"id":3045,"date":"2007-06-28T16:01:21","date_gmt":"2007-06-28T16:01:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3045"},"modified":"2007-06-28T16:01:21","modified_gmt":"2007-06-28T16:01:21","slug":"populacao-a-chave-esta-nas-cidades-pequenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/06\/mundo\/populacao-a-chave-esta-nas-cidades-pequenas\/","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00e3o: A chave est\u00e1 nas cidades pequenas"},"content":{"rendered":"<p>San Salvador, 28\/06\/2007 &ndash; Mais da metade da popula\u00e7\u00e3o mundial viver\u00e1 em cidades no pr\u00f3ximo ano. Os governos devem adequar agora suas estrat\u00e9gias para garantir que esse crescimento urbano tenha um impacto positivo, alerta o informe sobre o Estado da Popula\u00e7\u00e3o Mundial 2007. <!--more--> Ao contr\u00e1rio do que se poderia imaginar, as megacidades, de 10 milh\u00f5es de habitantes, ou mais, crescem mais lentamente, e inclusive algumas delas perdem mais popula\u00e7\u00e3o do que ganham. A explos\u00e3o demogr\u00e1fica nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas se registrara nas pequenas cidades, de at\u00e9 500 mil habitantes, onda j\u00e1 vive mais da metade da popula\u00e7\u00e3o urbana do mundo.<\/p>\n<p>Incentivar as atividades econ\u00f4micas dos pobres, utilizar sat\u00e9lites e dados demogr\u00e1ficos para incentivar ou desestimular futuros assentamentos, aplicar crit\u00e9rios ambientais para o tra\u00e7ado de ruas, sistemas de transportes e servi\u00e7os de saneamento s\u00e3o algumas recomenda\u00e7\u00f5es do informe divulgado nesta quarta-feira em v\u00e1rias capitais do planeta. Para o soci\u00f3logo George Martine, pesquisador e autor principal do informe do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA), a urbaniza\u00e7\u00e3o acelerada \u00e9 um fen\u00f4meno inevit\u00e1vel e n\u00e3o necessariamente negativo que oferece oportunidades que se deve saber aproveitar.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio redefinir e enfatizar a capacidade de prever e agir frente ao futuro\u201d, disse \u00e0 IPS este especialista canadense durante um painel para jornalistas organizado pelo UNFPA na capital de El Salvador, na qual foi divulgado o documento. O informe diz que em 2008 mais da metade da popula\u00e7\u00e3o mundial &#8211; 3,3 bilh\u00f5es de pessoas \u2013 viver\u00e1 em zonas urbanas. Essa quantidade aumentar\u00e1 para 4,9 bilh\u00f5es de seres humanos em 2030, dos quais 80% se concentrar\u00e3o em pa\u00edses em desenvolvimento e uma grande parte estar\u00e1 formada por pessoas pobres.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, a maior parte do crescimento urbano ser\u00e1 conseq\u00fc\u00eancia do aumento natural ou vegetativo e n\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o, o que torna inoperantes os controles adotados por alguns pa\u00edses para desestimular o \u00eaxodo do campo para as \u00e1reas urbanas. Para os especialistas, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar com ser\u00e1 a vida nas cidades pequenas com o dobro, ou mais, de habitantes, sem as previs\u00f5es em mat\u00e9ria de servi\u00e7os, habita\u00e7\u00e3o, espa\u00e7os p\u00fablicos e outros. \u201cA situa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 bastante parecida ao caos que j\u00e1 vivemos neste momento, onde o crescimento da popula\u00e7\u00e3o urbana est\u00e1 ultrapassando a capacidade da infra-estrutura existente\u201d, disse \u00e0 IPS Arie Hoekman, representante do UNFPA no M\u00e9xico e diretor para Cuba e Republica Dominicana.<\/p>\n<p>Por sua vez, Martine insistiu que \u00e9 imprescind\u00edvel agir para prever as necessidades, especialmente dos pobres que, do contr\u00e1rio, acabar\u00e3o vivendo \u201cnos piores lugares poss\u00edveis\u201d e sem acesso ao que a cidade pode oferecer, condicionado uma maior exclus\u00e3o social. \u201cA popula\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 crescendo, e a incapacidade dos pol\u00edticos em reconhecer isso e de atuar de uma forma mais apropriada e a longo prazo para fazer frente ao problema de maneira mais eficaz \u00e9 o que nos preocupa\u201d, afirmou o especialista.<\/p>\n<p>O informe destaca que as decis\u00f5es que foram adotadas hoje nas cidades de todo o mundo em desenvolvimento formar\u00e3o n\u00e3o apenas seus pr\u00f3prios destinos, mas tamb\u00e9m o futuro social e ambiental da humanidade. \u201cO pr\u00f3ximo mil\u00eanio urbano pode tornar mais manej\u00e1vel a pobreza, a desigualdade e a degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente, ou pode agrav\u00e1-las exponencialmente. Deste ponto de vista, todas as medidas que forem adotadas para abordar os desafios e as oportunidades de transi\u00e7\u00e3o urbana devem estar imbu\u00eddos de um sentido de urg\u00eancia\u201d, acrescenta o documento.<\/p>\n<p>Esses enfoques \u201cdeveriam aproveitar, em lugar de ignorar, as atividades dos pobres, tanto as iniciativas individuais quanto as de suas organiza\u00e7\u00f5es, para obter moradias e meios de vida mais seguros, saud\u00e1veis e ben\u00e9ficos nos centros urbanos\u201d, diz o informe. Al\u00e9m disso, as institui\u00e7\u00f5es internacionais podem indicar uma maneira melhor para reduzir as taxas de crescimento urbano, que d\u00ea aos encarregados de formular pol\u00edticas mais tempo para abordar os problemas urbanos. Atualmente, nos pa\u00edses em desenvolvimento o crescimento natural da popula\u00e7\u00e3o \u201cpode ser abordado melhor por meio da redu\u00e7\u00e3o da pobreza, da promo\u00e7\u00e3o dos direitos da mulher e com melhores servi\u00e7os de sa\u00fade reprodutiva\u201d, afirma o documento.<\/p>\n<p>O UNFPA considera que os respons\u00e1veis por pol\u00edticas p\u00fablicas necessitam aceitar o crescimento urbano como um poss\u00edvel aliado nas tarefas de desenvolvimento, e assinala que as cidades est\u00e3o em melhores condi\u00e7\u00f5es de oferecer educa\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os de sa\u00fade, entre outros, devido \u00e0s economias de escala e proximidade. Mas essas op\u00e7\u00f5es nem sempre se materializam devido \u00e0 deficiente governabilidade e \u00e0s decis\u00f5es impulsionadas por atitudes negativas diante da urbaniza\u00e7\u00e3o e do crescimento urbano.<\/p>\n<p>\u201cA competi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica est\u00e1 cada vez mais globalizada e as cidades est\u00e3o em melhores condi\u00e7\u00f5es de aproveitar as oportunidades da globaliza\u00e7\u00e3o e de gerar empregos e renda para um n\u00famero maior de pessoas\u201d, afirma o informe ao enumerar as vantagens que oferecem as zonas urbanas. O crescimento urbano, em sua maior parte, ocorre em cidades de tamanho m\u00e9dio e pequeno, que t\u00eam maior flexibilidade para enfrentar o r\u00e1pido crescimento, mas possuem menos recursos. \u201cAssim, \u00e9 necess\u00e1rio insistir mais em ajudar essas cidades a crescerem de forma sustent\u00e1vel\u201d, recomenda o documento.<\/p>\n<p>Entre as medidas de pol\u00edtica para reduzir o custo social e ambiental da expans\u00e3o urbana o informe diz que dados demogr\u00e1ficos e imagens obtidas via sat\u00e9lite podem ajudar os encarregados de formular pol\u00edticas a determinar quais s\u00e3o as zonas onde se deve promover ou evitar os futuros assentamentos. Al\u00e9m disso, deve-se orientar com crit\u00e9rios ambientais e demogr\u00e1ficos o tra\u00e7ado das ruas, transporte p\u00fablico, abastecimento de energia e \u00e1gua, j\u00e1 que isso contribui para determinar a dire\u00e7\u00e3o em que crescem as cidades.<\/p>\n<p>O documento tamb\u00e9m estima que a informa\u00e7\u00e3o sobre localiza\u00e7\u00e3o, gravidade e freq\u00fc\u00eancia dos riscos ambientais \u00e9 um instrumento b\u00e1sico de planejamento para qualquer cidade e recorda que os assentamentos urbanos informais s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis diante de eventos como inunda\u00e7\u00f5es, terremotos e deslizamentos de terra. O informe aconselha, ainda, planejamento para criar parques e vias para pedestres, porque s\u00e3o espa\u00e7os abertos que contribuem para o bem-estar individual e o bom estado f\u00edsico das pessoas, al\u00e9m de \u201cpoderem promover a igualdade em importantes aspectos da vida urbana\u201d. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>San Salvador, 28\/06\/2007 &ndash; Mais da metade da popula\u00e7\u00e3o mundial viver\u00e1 em cidades no pr\u00f3ximo ano. 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