{"id":3051,"date":"2007-07-02T18:50:16","date_gmt":"2007-07-02T18:50:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3051"},"modified":"2007-07-02T18:50:16","modified_gmt":"2007-07-02T18:50:16","slug":"india-metamorfose-de-uma-potencia-emergente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/economia\/india-metamorfose-de-uma-potencia-emergente\/","title":{"rendered":"\u00cdndia: Metamorfose de uma pot\u00eancia emergente"},"content":{"rendered":"<p>Nova D\u00e9lhi, 02\/07\/2007 &ndash; Antes de ser devorada pelo Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, a \u00cdndia era uma pot\u00eancia mundial. Agora possui armas nucleares, sua economia cresce 9% ao ano e seu papel internacional \u00e9 cada vez mais destacado. Mas \u00e9 reconhecida apenas como \u201cpot\u00eancia emergente\u201d. <!--more--> O que ainda est\u00e1 por ver-se \u00e9 a capacidade da \u00cdndia para manter este crescimento e evitar cair presa da instabilidade end\u00eamica da \u00c1sia meridional, bem como para manejar o equil\u00edbrio diplom\u00e1tico com China e Estados Unidos. Tampouco est\u00e1 claro o que far\u00e1 com seu poder se conseguir vencer estes desafios.<\/p>\n<p>\u201cA maior contribui\u00e7\u00e3o da \u00cdndia para os assuntos mundiais ser\u00e1 como exemplo, mais do que como grande pot\u00eancia\u201d, disse Pratap Bhanu Mehta, presidente do independente Centro de Pesquisas Pol\u00edticas de Nova D\u00e9lhi. \u201cUm dos experimentos mais magn\u00edficos da hist\u00f3ria est\u00e1 em curso. Com mais de um bilh\u00e3o de pessoas em um sistema democr\u00e1tico, a \u00cdndia tenta tirar milh\u00f5es delas da pobreza, de um modo paliativo, mais do que revolucion\u00e1rio\u201d, ressaltou. Mehta, que participou este m\u00eas em Washington do semin\u00e1rio \u201cVozes asi\u00e1ticas\u201d, com patroc\u00ednio da Funda\u00e7\u00e3o Sasakawa para a Paz, previu que a \u00cdndia seguir\u00e1 seu curso de \u201cmodera\u00e7\u00e3o\u201d em suas rela\u00e7\u00f5es com o mundo exterior.<\/p>\n<p>Apesar das disputas que surgem na fragmentada esfera pol\u00edtica interna, este modesto pragmatismo deu origem a um amplo consenso, segundo o especialista. \u201cA base do poder da \u00cdndia ser\u00e1 uma integra\u00e7\u00e3o maior e mais r\u00e1pida \u00e0 economia mundial. H\u00e1 10 anos, havia muita ansiedade sobre a abertura da economia da \u00cdndia, n\u00e3o apenas ao Ocidente, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China\u201d, explicou Mehtara, essas ansiedades se calaram. A \u00cdndia sente que pode fazer frente \u00e0 China\u201d, acrescentou. Por outro lado, Washington v\u00ea com cautela as rela\u00e7\u00f5es entre Pequim e Nova D\u00e9lhi, que formaram uma \u201cassocia\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica\u201d em 2005. H\u00e1 pouco acertaram realizar seu primeiro exerc\u00edcio militar conjunto para outubro deste ano.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o v\u00ednculo entre os Estados Unidos e a \u00cdndia experimenta um incremento particularmente em torno da negocia\u00e7\u00e3o do tratado bilateral de coopera\u00e7\u00e3o nuclear. \u201cMal interpretamos profundamente o interesse da \u00cdndia nos Estados Unidos como s\u00f3cio global. Algu\u00e9m ouve, no Pent\u00e1gono e em c\u00edrculos pol\u00edticos conservadores, que a \u00cdndia v\u00ea os EUA como uma crua salvaguarda contra a China. Mas nada poderia estar mais longe da verdade\u201d, afirmou Mehta. \u201cObviamente, Nova D\u00e9lhi gostaria de ter boas rela\u00e7\u00f5es com Washington. Mas o pa\u00eds com o qual a \u00cdndia mais procura estar bem \u00e9 com a China, mais do que com os Estados Unidos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da \u00cdndia no Movimento dos Pa\u00edses N\u00e3o-Alinhados a tornou al\u00e9rgica a aliar-se com grupos em pugna em grandes conflitos ideol\u00f3gicos. \u201cA \u00cdndia n\u00e3o aceitar\u00e1 ser eixo de conflitos definidos pelas principais pot\u00eancias. N\u00e3o est\u00e1 interessada em alinhar-se incondicionalmente com nenhuma pot\u00eancia individual, mas em atuar como for\u00e7a de descontru\u00e7\u00e3o dos termos em que esses conflitos se expressam\u201d, acrescentou Mehta. A \u00cdndia n\u00e3o apenas procurou manter um bom v\u00ednculo com Washington e Pequim. Ao mesmo tempo, se colocou a uma cuidadosa dist\u00e2ncia da divis\u00e3o entre o Ocidente e o Isl\u00e3 radical.<\/p>\n<p>A grande comunidade mu\u00e7ulmana da \u00cdndia a inibe de \u201cadotar diretamente o ponto de vista norte-americano sobre o Oriente M\u00e9dio. Nova D\u00e9lhi n\u00e3o aceita os termos nos quais est\u00e1 articulado o discurso (dos EUA) sobre o terrorismo internacional\u201d, continuou Mehta. A influ\u00eancia da integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica global e a hist\u00f3rica avers\u00e3o em alinhar-se em grandes disputas ideol\u00f3gicas e levou a \u00cdndia a uma certa forma de \u201cinterdepend\u00eancia liberal\u201d, acrescentou. A \u00cdndia se garantir\u00e1 mantendo o aumento do gasto militar e pressionando para integrar-se ao Conselho de Seguran\u00e7a da ONU e, segundo Metha, em qualquer organismo pol\u00edtico importante do mundo. Mas essencialmente se ater\u00e1 ao status quo e n\u00e3o pressionar\u00e1 para conseguir nenhuma mudan\u00e7a significativa na arquitetura das institui\u00e7\u00f5es mundiais, acrescentou.<\/p>\n<p>Por outro lado, a retic\u00eancia dos Estados Unidos em frear a mudan\u00e7a clim\u00e1tica deu permiss\u00e3o \u00e0 \u00cdndia para reduzir suas pr\u00f3prias emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa e acelerar seu processo industrial, afirmou o especialista. Ao mesmo tem, a sem sucesso desafiada legitima\u00e7\u00e3o internacional das armas at\u00f4micas abriu um vazio atrav\u00e9s do qual Nova D\u00e9lhi pode desenvolver seu pr\u00f3prio programa nuclear. Satu Limaye, diretor do Centro Oriente-Ocidente, analisou a \u201cinterdepend\u00eancia liberal\u201d da \u00cdndia por outro \u00e2ngulo. O cumprimento de qualquer aspira\u00e7\u00e3o indiana \u2013 seja uma cadeira no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, a legitima\u00e7\u00e3o de seu arsenal nuclear ou o crescimento econ\u00f4mico \u2013 depende dos acordos que concretize uma ampla variedade de pa\u00edses.<\/p>\n<p>A \u00cdndia recebe uma grande quantidade de remessas enviadas por seus cidad\u00e3os que emigraram, entre US$ 20 bilh\u00f5es e US$ 25 bilh\u00f5es por ano. Portanto, deve cultivar um bom v\u00ednculo com os pa\u00edses que os recebem. Al\u00e9m disso, deve ser benevolente com na\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias e africanas da mesma forma para estimular suas possibilidades de conseguir um lugar no Conselho de Seguran\u00e7a. Mas \u201cos Estados Unidos s\u00e3o o ator mais importante em todos estes assuntos\u201d, segundo Limaye. Das quatro vari\u00e1veis estruturais que determinam como a \u00cdndia se integra \u00e0 economia mundial \u2013 com\u00e9rcio, remessas, d\u00edvida externa, importa\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo \u2013 os norte-americanos s\u00e3o os atores cr\u00edticos para tudo, menos para o fornecimento de energia.<\/p>\n<p>Entretanto, em \u00faltima an\u00e1lise, a \u00cdndia pode converter-se em prisioneira de sua vizinhan\u00e7a, devido \u00e0s tens\u00f5es com o Paquist\u00e3o pela disputada Caxemira; \u00e0 guerra civil no Sri Lanka; \u00e0 pobreza end\u00eamica em Bangaldesh, e ao crescente caos no Afeganist\u00e3o. O manejo que a \u00cdndia fizer destes desafios em seu per\u00edmetro pode determinar a sustentabilidade de seu crescimento econ\u00f4mico. \u201cA maioria dos pa\u00edses que se elevaram ao status de grande pot\u00eancia se beneficiaram da inatividade em sua regi\u00e3o\u201d, explicou Kurt Campbell. \u00c9 responsabilidade da \u00cdndia conseguir \u201cuma l\u00f3gica mais profunda para tirar outros pa\u00edses do aperto\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para Mehta, a \u00cdndia poderia conseguir certa estabilidade na regi\u00e3o oferecendo integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, com base em acordos de livre com\u00e9rcio. Na\u00e7\u00f5es como Paquist\u00e3o e Bangladesh \u201cpodem unir-se ou ficar de fora\u201d, afirmou o especialista. \u201cSe estes pa\u00edses se convencerem de que o convite n\u00e3o \u00e9 para uma ordem centrada na \u00cdndia, mas para uma integra\u00e7\u00e3o maior da \u00c1sia austral, a ver\u00e3o como ben\u00e9fica\u201d, ressaltou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova D\u00e9lhi, 02\/07\/2007 &ndash; Antes de ser devorada pelo Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, a \u00cdndia era uma pot\u00eancia mundial. Agora possui armas nucleares, sua economia cresce 9% ao ano e seu papel internacional \u00e9 cada vez mais destacado. 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