{"id":3063,"date":"2007-07-04T16:47:49","date_gmt":"2007-07-04T16:47:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3063"},"modified":"2007-07-04T16:47:49","modified_gmt":"2007-07-04T16:47:49","slug":"metas-do-milenio-a-pobreza-diminui-na-america-latina-mas-so-um-pouco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/america-latina\/metas-do-milenio-a-pobreza-diminui-na-america-latina-mas-so-um-pouco\/","title":{"rendered":"Metas do Mil\u00eanio: A pobreza diminui na Am\u00e9rica Latina, mas s\u00f3 um pouco"},"content":{"rendered":"<p>Mexico, 04\/07\/2007 &ndash; Na m\u00e9dia estat\u00edstica sobre o avan\u00e7o rumo aos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio, a Am\u00e9rica Latina est\u00e1 na dianteira no Sul. Mas, \u00e9 reprovada na meta central: redu\u00e7\u00e3o da pobreza. <!--more--> A porcentagem de popula\u00e7\u00e3o vivendo com menos de um d\u00f3lar por dia na regi\u00e3o baixou de 10,3% para 8,7%, entre 1990 e 2004, o que \u00e9 considerando uma redu\u00e7\u00e3o insuficiente. Quanto \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o da renda, as not\u00edcias n\u00e3o s\u00e3o melhores, pois a participa\u00e7\u00e3o da quinta parte mais pobre da popula\u00e7\u00e3o no consumo nacional caiu de 2,8% para 2,7%.<\/p>\n<p>\u00c9 o que indica o informe sobre os ODMs apresentado na segunda-feira pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, e que inclui, em sua maioria, dados at\u00e9 2004 compilados por mais de 20 organiza\u00e7\u00f5es dentro e fora da ONU. Correspondentes da IPS coletaram em alguns pa\u00edses dados atualizados at\u00e9 2006 e a conclus\u00e3o \u00e9 que o atraso latino-americano continua em mat\u00e9ria de pobreza. Al\u00e9m disso, especialistas consultados colocam em d\u00favida dados oficiais que d\u00e3o conta de leves melhorias, e, ainda, questionam os programas oficiais de combate \u00e0 pobreza.<\/p>\n<p>De acordo com o informe das Na\u00e7\u00f5es Unidas, a redu\u00e7\u00e3o da pobreza no mundo em desenvolvimento foi de 31,6% para 19,9%, em m\u00e9dia, entre 1990 e 2004, isto he, 11,7 pontos percentuais. Embora Am\u00e9rica Latina e Caribe tenham menos pobres do que as outras regi\u00f5es, aqui a redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de pessoas em tal situa\u00e7\u00e3o foi de apenas 1,6 ponto. O primeiro dos ODMs, definidos em 2000 pela Assembl\u00e9ia Geral da ONU na presen\u00e7a de muitos dos chefes de Estado e de governo dos 189 pa\u00edses ent\u00e3o integrantes do f\u00f3rum mundial, \u00e9 reduzir \u00e0 metade, at\u00e9 2015 e em rela\u00e7\u00e3o a 1990, a porcentagem da popula\u00e7\u00e3o que sofre fome e pobreza.<\/p>\n<p>Entre as metas figuram garantir, tamb\u00e9m at\u00e9 2015, educa\u00e7\u00e3o universal para meninos e meninas; reduzir pela metade a popula\u00e7\u00e3o sem \u00e1gua pot\u00e1vel nem meios para custe\u00e1-la; promover a igualdade de g\u00eanero; reduzir a mortalidade infantil e melhorar a sa\u00fade materna; combater o HIV\/aids, a mal\u00e1ria e outras doen\u00e7as; garantir a sustentabilidade ambiental e fomentar uma associa\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento.<\/p>\n<p>Quanto ao acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, entre 1990 e 2005 a Am\u00e9rica Latina e o Caribe conseguiram aumentar a cobertura de 897% para 97%, em enquanto o emprego feminino n\u00e3o-agr\u00edcola passou de 37% para 42% no mesmo per\u00edodo. O informe indica que a popula\u00e7\u00e3o feminina da regi\u00e3o tamb\u00e9m conseguiu progressos na representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, pois a propor\u00e7\u00e3o de mulheres nos parlamentos aumentou at\u00e9 20% em 20097, em compara\u00e7\u00e3o com 12% em 1990.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, o informe diz que todos os pa\u00edses da regi\u00e3o conseguiram not\u00e1veis avan\u00e7os na redu\u00e7\u00e3o da mortalidade infantil, de 54 mortes em cada mil nascidos vivos em 1991 para 31 por mil em 2005. Al\u00e9m disso, menciona as melhorias nos cuidados com a maternidade, com 89% dos partos na regi\u00e3o atendidos por pessoal de sa\u00fade qualificado. Um aspecto negativo \u00e9 que em alguns pa\u00edses pobres, especialmente na Am\u00e9rica Central, a qualidade dos servi\u00e7os de maternidade continua sendo deficiente. Ao se referir \u00e0 situa\u00e7\u00e3o regional, os documentos da ONU aplaudem a situa\u00e7\u00e3o latino-americana, mas, advertem que tamb\u00e9m h\u00e1 um lento e marginal ritmo de erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e que \u201ca diferen\u00e7a de renda continua sendo maior entre todos os pa\u00edses em desenvolvimento\u201d.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o ocorre apesar de o produto interno bruto regional ter crescido entre 2002 e 2006 a um ritmo m\u00e9dio de 4% ao ano, e assim continuar\u00e1 ao fim de 2007, segundo um estudo da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal). Na regi\u00e3o permanecem em situa\u00e7\u00e3o de pobreza 205 milh\u00f5es de pessoas, enquanto os indigentes somam 79 milh\u00f5es, afirma est\u00e1 ag\u00eancia da ONU. Para medir a pobreza de forma mais efetiva, a maioria dos governos da regi\u00e3o atualizaram suas formas de avalia\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do par\u00e2metro de renda de um d\u00f3lar por dia e implementaram programas especiais para baixar esses \u00edndices, mas, n\u00e3o tiveram o efeito esperado.<\/p>\n<p>No M\u00e9xico, por exemplo, est\u00e1 em marcha h\u00e1 cinco anos o \u201cOportunidades\u201d, um programa de assist\u00eancia social que entrega recursos e ajuda nutricional e de sa\u00fade a 25 milh\u00f5es de pobres a um custo global de US$ 9,5 milh\u00f5es di\u00e1rios. T\u00eam acesso a esse plano somente as fam\u00edlias que mant\u00eam seus filhos nas escolas e as m\u00e3es recorrem a programas de sa\u00fade junto com seus filhos. Apesar deste programa, a propor\u00e7\u00e3o de pessoas que se encontram em pobreza extrema, que inclui os que n\u00e3o podem nem mesmo cobrir suas necessidades de alimenta\u00e7\u00e3o b\u00e1sicas porque recebem menos de US$ 1,6 por dia na \u00e1rea rural e at\u00e9 US$ 2,2 nas zonas urbanas, caiu de 20,3% em 2002 para 17,3% em 2004, mas, aumentou para 18,2% no ano passado.<\/p>\n<p>Na Venezuela, segundo proje\u00e7\u00f5es do Instituto Nacional de Estat\u00edsticas, no fechamento do segundo semestre do ano passado 30,4% dos 6,3 milh\u00f5es de lares do pa\u00eds est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, 9,1% deles em situa\u00e7\u00e3o de pobreza extrema. Essas porcentagens eram de 34,9% e 9,3%, respectivamente, em 1990, segundo o instituto. Para reduzir a pobreza, que se pondera ao medir renda e custo da cesta de alimentos, este pa\u00eds lan\u00e7ou o programa \u201cMiss\u00f5es\u201d. O economista Luis Espa\u00f1a, condutor do projeto de pesquisa \u201cPobreza\u201d, da Universidade Cat\u00f3lica Andr\u00e9s Bello, disse \u00e0 IPS que a Venezuela pode proclamar que reduziu a pobreza, mas, adverte que isso aconteceu dentro de \u201cuma bolha inflada por elevadas e repentinas renda com petr\u00f3leo que s\u00e3o gastos com m\u00e3os alheias\u201d. Caso estas rendas diminuam ou n\u00e3o atendam \u00e0s expectativas, \u201cse reduzir\u00e1 novamente a renda nos lares e voltaremos aos mesmos n\u00fameros estruturais de pobreza\u201d, advertiu Espa\u00f1a.<\/p>\n<p>Na Nicar\u00e1gua, o \u00faltimo informe sobre os ODMs, divulgado em janeiro pela ONU, indica que em 2006 a porcentagem de pessoas em extrema pobreza era de 14,9%, 4,5 pontos percentuais a menos do que em 1990. O n\u00edvel atual est\u00e1 ainda muito longe da meta pautada para 2015: baixar a pobreza extrema para 9,7%. Esses n\u00fameros contrastam com uma pesquisa do soci\u00f3logo \u00d3scar Vargas, para quem, apesar dos m\u00faltiplos programas de combate \u00e0 pobreza aplicados na Nicar\u00e1gua nos \u00faltimos 16 anos, o n\u00famero de pobres em lugar de baixar aumentou.<\/p>\n<p>\u201cEntre 1990 e 2006, mais de dois milh\u00f5es de pessoas se incorporaram \u00e0 pobreza. Oitenta e dois por cento da popula\u00e7\u00e3o, ou 4,2 milh\u00f5es de pessoas, vivem abaixo da linha da pobreza, e destes, 2,1 milh\u00f5es de nicarag\u00fcenses sobrevivem na indig\u00eancia\u201d, afirma Vargas. O especialista ap\u00f3ia seus n\u00fameros em um cruzamento de vari\u00e1veis como sal\u00e1rio m\u00ednimo (US$ 60 por m\u00eas), o custo da cesta b\u00e1sica (cerca de US$ 100), dados de desemprego aberto (45% da popula\u00e7\u00e3o) e um estudo do Banco Mundial segundo o qual os 10% mais ricos dos lares (510 mil pessoas) recebem renda equivalente ao recebido por 4,2 milh\u00f5es de nicarag\u00fcenses.<\/p>\n<p>Na Argentina, os pesquisadores usam como representa\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o nacional o que ocorreu na Grande Buenos Aires, a populosa periferia da capital, entre 1990 e 2006, onde a porcentagem dos mais pobres ou indigentes caiu nesse per\u00edodo de 12,5% para 8% da popula\u00e7\u00e3o. Laura Goldberg, pesquisadora do Centro Interdisciplinar para o Estudo de Pol\u00edticas P\u00fablicas, recordou que somente em 2002 come\u00e7aram na Argentina os planos em grande escala contra a pobreza. Segundo explicou \u00e0 IPS, \u201ch\u00e1 uma varia\u00e7\u00e3o muito pequena dos \u00edndices de pobreza com e sem planos\u201d, o que, a seu ver, ressalta que os planos foram ineficazes \u201cem lares grandes\u201d e que tiveram \u201cum impacto marginal\u201d para reduzir a indig\u00eancia.<\/p>\n<p>Em El Salvador, o governo exibe com \u00eaxito as estat\u00edsticas sobre redu\u00e7\u00e3o da pobreza, mas especialistas as colocam em d\u00favida. Um informe da ONU divulgado em junho mostra que em 1991 havia 31,5% dos lares em situa\u00e7\u00e3o de pobreza e 28,2% em pobreza extrema. O estudo afirma que em 2005 os lares pobres salvadorenhos diminu\u00edram para 22,8% e os indigentes para 12,3%. Mas, Mario Paniagua, diretor-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Intersetorial para o Desenvolvimento Econ\u00f4micos e o Progresso Social, afirma que a pobreza n\u00e3o apenas n\u00e3o diminuiu como teria aumentado. A seu ver, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor oficial, junto com os dados sobre remessas de dinheiro por imigrantes salvadorenhos, diferem da realidade e oferecem um panorama enganoso. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>* Com as colabora\u00e7\u00f5es de Marcela Valente na Argentina, Humberto M\u00e1rquez na Venezuela e Jos\u00e9 Ad\u00e1n Silva na Nicar\u00e1gua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mexico, 04\/07\/2007 &ndash; Na m\u00e9dia estat\u00edstica sobre o avan\u00e7o rumo aos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio, a Am\u00e9rica Latina est\u00e1 na dianteira no Sul. 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