{"id":3067,"date":"2007-07-05T16:53:01","date_gmt":"2007-07-05T16:53:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3067"},"modified":"2007-07-05T16:53:01","modified_gmt":"2007-07-05T16:53:01","slug":"mundo-presidencia-de-bush-em-fase-terminal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/politica\/mundo-presidencia-de-bush-em-fase-terminal\/","title":{"rendered":"Mundo: Presid\u00eancia de Bush em fase terminal"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 05\/07\/2007 &ndash; O presidente George W. Bush deve, por momentos, ter olhado com inveja seu colega russo, Vladimir Putin, durante a c\u00fapula que os reuniu na resid\u00eancia de ver\u00e3o junto ao mar que seu pai tem em Kennebunkport, no estado do Maine. <!--more--> A boa imagem que Putin desfruta na R\u00fassia lhe garante uma grande influ\u00eancia pol\u00edtica durante os nove meses que restam de seu mandato. N\u00e3o \u00e9 o caso do mandat\u00e1rio norte-americano, cuja popularidade atingiu o ponto mais baixo, segundo pesquisas divulgadas na \u00faltima semana, e cuja influ\u00eancia inclusive dentro de seu pr\u00f3prio Partido Republicano parece diminuir \u00e0 velocidade da luz.<\/p>\n<p>Isto ficou evidente, com efeito devastador, quando na semana passada 37 dos 49 senadores republicanos abandonaram a lealdade partid\u00e1ria e ignoraram os desejos do presidente em uma vota\u00e7\u00e3o-chave. Em conseq\u00fc\u00eancia, os planos de Bush para implementar uma profunda reforma migrat\u00f3ria nos restantes 18 meses de seu mandato parecem condenados ao fracasso. A vota\u00e7\u00e3o marcou a derrota do projeto mais importante, e, talvez, o mais simples, dos quatro que Bush identificou como suas prioridades em n\u00edvel nacional para seu segundo mandato.<\/p>\n<p>Os outros se referiam a reforma da assist\u00eancia social, redu\u00e7\u00f5es de impostos e legisla\u00e7\u00e3o destinada a desalentar as demandas coletivas, casos judiciais em que grande n\u00famero de pessoas com uma queixa comum iniciam um processo em conjunto contra uma empresa ou o Estado. Segundo o jornal The Washington Posto, Bush agora est\u00e1 \u201cpraticamente zero a quatro\u201d. Mas, a derrota de seu projeto de lei sobre a imigra\u00e7\u00e3o foi apenas um de uma s\u00e9rie de epis\u00f3dios que na \u00faltima semana minaram a for\u00e7a pol\u00edtica residual que o mandat\u00e1rio podia desfrutar antes da chegada do ver\u00e3o ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na semana passada come\u00e7ou com uma declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia, e total frustra\u00e7\u00e3o, de dois senadores republicanos importantes: Richard Lugar, ex-presidente da influente Comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, e George Voinovich. Ambos se distanciaram da decis\u00e3o presidencial de manter sua atual pol\u00edtica para o Iraque at\u00e9 depois do pr\u00f3ximo outono boreal (primavera no Sul). Um discurso de Lugar no Senado, calorosamente apoiado pelo ex-presidente da Comiss\u00e3o de Defesa John Warner, enviou uma mensagem clara.<\/p>\n<p>Bush, seus comandantes militares e os diplomatas em Bagd\u00e1 n\u00e3o t\u00eam mais do que 75 dias (at\u00e9 meados de setembro) para produzir uma mudan\u00e7a total em sua pol\u00edtica a respeito do Iraque ou enfrentar uma irresist\u00edvel press\u00e3o pol\u00edtica no Congresso para come\u00e7ar a retirar as tropas desse pa\u00eds, no in\u00edcio de 2008, no m\u00e1ximo. Em seguida, Lugar comparou esse discurso com seu rompimento com o ex-presidente Ronald Reagan (1981-1989) quando este vetou em 1980, uma lei contra o apartheid, o regime de segrega\u00e7\u00e3o racial institucionalizada que vigorou na \u00c1frica do Sul em preju\u00edzo da maioria negra at\u00e9 1994. Lugar teve papel fundamental na decis\u00e3o do Congresso de deixar sem efeito o veto presid\u00eancia, \u00fanica vez em que isso ocorreu durante os oito anos de Reagan na Casa Branca.<\/p>\n<p>Na \u00faltima sexta-feira, a semana terminou com o fim do per\u00edodo de cinco anos no qual Bush desfrutou do chamado \u201cfast-track\u201d (via r\u00e1pida) para aprova\u00e7\u00e3o de tratados comerciais com outros pa\u00edses. Por este mecanismo, os legisladores podem aprovar ou rejeitar os acordos, mas n\u00e3o emend\u00e1-los. Os l\u00edderes do opositor Partido Democrata na C\u00e2mara de Representantes aproveitaram a ocasi\u00e3o para reclamar a rejei\u00e7\u00e3o de dois acordos comerciais pendentes, um com a Col\u00f4mbia e outro com a cor\u00e9ia do Sul. A renova\u00e7\u00e3o do \u201cfast-track\u201d era outra prioridade do governo Bush que agora parece ter escorrido ralo abaixo.<\/p>\n<p>Com se esses contratempos n\u00e3o fossem suficientes, o jornal The Washington Post publicou uma s\u00e9rie de artigos de investiga\u00e7\u00e3o sem precedente sobre o papel desempenhado pelo vice-presidente, Dick Cheney. Nela retrata o presidente como o jovem \u201cdelfim\u201d de Cheney, que desempenha um papel semelhante ao do cardeal Richelieu no s\u00e9culo XVII na Fran\u00e7a. O Cardeal Richelieu (1585-1642) foi a figura pol\u00edtica e religiosa mais poderosa da Fran\u00e7a. Entre outros cargos, foi primeiro-ministro do rei Luis XIII, que o nomeou para esse cargo em 1624. Richelieu sempre foi o poder por tr\u00e1s do trono.<\/p>\n<p>Os conhecedores dos segredos do poder em Washington tinham essa impress\u00e3o h\u00e1 muito tempo, mas os detalhes operacionais dessa rela\u00e7\u00e3o at\u00e9 agora eram nebulosos. David Broder, veterano colunista pol\u00edtico do the Washington Post e um dos mais prestigiados nos Estados Unidos por d\u00e9cadas, disse que os artigos revelam um vice-presidente \u201cque usa a ampla autoridade que lhe confere um presidente complacente para torcer o processo de tomada de decis\u00f5es para seus pr\u00f3prios fins, freq\u00fcentemente passando por cima da vontade de outros membros do gabinete e funcion\u00e1rios do Executivo\u201d.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie de artigos, que abastecem de novos gr\u00e3os os moinhos dos comediantes e apresentadores de programas noturnos de televis\u00e3o, n\u00e3o tem outro efeito que n\u00e3o afundar ainda mais a posi\u00e7\u00e3o de Bush. A imagem do presidente, nas \u00faltimas pesquisas de opini\u00e3o, caiu ao n\u00edvel mais baixo de sua hist\u00f3ria e seus n\u00edveis de popularidade est\u00e3o se aproximando dos registrados pelo ex-presidente Richard Nixon (1969-1974) \u00e0s v\u00e9speras de sua ren\u00fancia por causa do esc\u00e2ndalo de espionagem no edif\u00edcio Watergate, onde funcionava a sede do Partido Democrata em Washington.<\/p>\n<p>Os artigos coincidiram com a insistente atitude de Cheney, motivo de piada generalizada, de argumentar que ele n\u00e3o deve se ater a certas regras sobre informa\u00e7\u00e3o secreta j\u00e1 que \u2013 argumentou \u2013 como presidente do Senado (posi\u00e7\u00e3o que ocupa por ser vice-presidente) n\u00e3o faz parte do Executivo. Isto s\u00f3 fez aumentar o n\u00edvel de piadas que t\u00eam o governo como alvo. A popularidade de Cheney tamb\u00e9m chegou ao fundo. Em uma pesquisa da rede CBS de televis\u00e3o feita na semana passada, apenas 28% dos entrevistados aprovaram a maneira como se conduz no cargo.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de 2006 sua popularidade era de 36% e havia chegado a 56% em agosto de 2002, m\u00eas em que lan\u00e7ou sua campanha para conseguir apoio para a invas\u00e3o do Iraque. A mesma pesquisa da CBS indica que apenas 27% dos entrevistados t\u00eam uma opini\u00e3o positiva sobre Bush, apenas um ponto percentual acima de seu pior n\u00edvel, registrado na semana anterior em uma pesquisa da revista Newsweek. A rede Fox News de televis\u00e3o, cujas medi\u00e7\u00f5es em geral mostram n\u00fameros mais favor\u00e1veis do que as demais, tamb\u00e9m apresentou o n\u00edvel mais baixo at\u00e9 o momento, com apenas 31% de aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A popularidade de Bush caiu abaixo de 50% na maioria das pesquisas, entre sua reelei\u00e7\u00e3o, em novembro de 2004, e o in\u00edcio de seu segundo mandato dois meses mais tarde. Desde ent\u00e3o nunca se recuperou. Trata-se, segundo o The Washington Post, de \u201ca mais prolongada rejei\u00e7\u00e3o por parte do povo norte-americano\u201d a um presidente na hist\u00f3ria moderna do pa\u00eds. Embora o veemente recha\u00e7o da direita republicana ao projeto de lei de imigra\u00e7\u00e3o de Bush ajude a explicar sua queda nas pesquisas, o Iraque continua sendo o fator mais importante para explic\u00e1-la.<\/p>\n<p>Na pesquisa da CBS, 23% disseram concordar com sua maneira de lidar com a guerra no Iraque, enquanto 70% dos consultados expressaram seu descontentamento, entre eles um ter\u00e7o que se identificou com republicano. Ainda mais: uma enorme maioria (77%) respondeu que via \u201calgo ruim\u201d (30%) ou \u201cmuito ruim\u201d (47%). Quarenta por cento dos entrevistados disseram que as tropas devem retiradas, enquanto 26% afirmaram que seu n\u00famero deve ser reduzido. Uma pesquisa da rede CNN apresentou n\u00fameros semelhantes.<\/p>\n<p>Faltando 16 meses para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais, os republicanos que t\u00eam cargos eletivos coincidem cada vez mais que a dobradinha busCheney se converteu em uma s\u00e9ria amea\u00e7a para suas aspira\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Na medida em que a vota\u00e7\u00e3o se aproxima, a press\u00e3o para romper lan\u00e7as com a Casa Branca \u2013 a menos que haja uma grande mudan\u00e7a no Iraque \u2013 ficar\u00e1 irresist\u00edvel. Tal como ocorreu na semana passada com o projeto de lei sobre imigra\u00e7\u00e3o. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 05\/07\/2007 &ndash; O presidente George W. 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