{"id":3068,"date":"2007-07-05T16:55:50","date_gmt":"2007-07-05T16:55:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3068"},"modified":"2007-07-05T16:55:50","modified_gmt":"2007-07-05T16:55:50","slug":"desenvolvimento-brasil-e-ue-fazem-uma-associacao-estrategica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/america-latina\/desenvolvimento-brasil-e-ue-fazem-uma-associacao-estrategica\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento: Brasil e UE fazem uma associa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 05\/07\/2007 &ndash; A mesa de negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o precisou de tradutores. Tudo foi acertado em portugu\u00eas na c\u00fapula entre o Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, o primeiro-ministro de Portugal, Jos\u00e9 S\u00f3crates Pinto de Sousa, e o presidente da Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia, Jos\u00e9 Manuel Dur\u00e3o Barroso. <!--more--> Na segunda fila, dirigentes e especialistas da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia acompanhavam com fones de ouvido a tradu\u00e7\u00e3o do que S\u00f3crates, presidente do Conselho da eu, e Barroso, que encabe\u00e7a o \u00f3rg\u00e3o executivo comunit\u00e1rio, acertavam com o chefe de Estado do maior pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Ao encerrar o encontro, o Presidente Lula recordou que \u201cas rela\u00e7\u00f5es do Brasil com a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia existem h\u00e1 muito tempo, mas as rela\u00e7\u00f5es com Portugal s\u00e3o muito mais antigas, quando o Brasil ainda n\u00e3o era um pa\u00eds, mas um espa\u00e7o, e, coincid\u00eancia ou n\u00e3o, foi necess\u00e1rio que um portugu\u00eas presidisse a Comiss\u00e3o e Portugal o Conselho para que finalmente Brasil e UE chegassem a uma associa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica\u201d. S\u00f3crates e Lula anunciaram que o acordo assinado inclui a a\u00e7\u00e3o em f\u00f3runs mundiais para impulsionar a reforma dos principais \u00f3rg\u00e3os da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, porque, segundo o presidente brasileiro, \u201co mundo de hoje \u00e9 totalmente diferente do existente na de\u00b4cada de 40, quando a ONU foi fundada\u201d.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas aspectos fundamentais do acordo foram a aposta no multilateralismo efetivo, refor\u00e7ando as organiza\u00e7\u00f5es internacionais, uma resposta \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas mediante o uso de biocombust\u00edveis e o com\u00e9rcio mundial, no qual \u201cnem Brasil nem Uni\u00e3o Europ\u00e9ia desejam triunfar nas negocia\u00e7\u00f5es. O que desejamos \u00e9 justi\u00e7a e equil\u00edbrio\u201d, explicou S\u00f3crates. Depois do fracasso da reuni\u00e3o entre Brasil eu, Estados Unidos e \u00cdndia (o Grupo dos Quatro) do dia 21 de junho em Potsdam, na Alemanha, para destravar a Rodada de Doha da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio, Bras\u00edlia v\u00ea nesta associa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com o bloco uma possibilidade de aproximar posi\u00e7\u00f5es na delicada quest\u00e3o do protecionismo agr\u00edcola europeu e norte-americano.<\/p>\n<p>O Presidente Lula encabe\u00e7ou as reivindica\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses em desenvolvimento, pedindo \u00e0 UE e aos Estados Unidos redu\u00e7\u00f5es significativas nas subven\u00e7\u00f5es aos seus agricultores, ao mesmo tempo em que Washington e Bruxelas tentam fazer com que Brasil, \u00cdndia e outros pa\u00edses em desenvolvimento abram os mercados aos seus produtos industriais e servi\u00e7os. Apesar das dificuldades, o mandat\u00e1rio brasileiro se mostrou otimista sobre a Rodada de Doha, pois os governos dos pa\u00edses industrializados mais tarde poder\u00e3o se arrepender por n\u00e3o ajudar agora os pobres. \u201cSou um homem de esperan\u00e7a, mas nem sempre os acordos s\u00e3o f\u00e1ceis\u201d, disse Lula. Al\u00e9m disso, as duas partes se comprometeram a perseverar nas negocia\u00e7\u00f5es para conseguir a associa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica entre a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e o Mercosul (formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e a Venezuela em processo de ades\u00e3o), que j\u00e1 tem uma d\u00e9cada de tentativas sem sucesso.<\/p>\n<p>A primeira c\u00fapula Brasil-Uni\u00e3o Europ\u00e9ia que concluiu na tarde de ontem em Lisboa cumpriu uma das grandes apostas de S\u00f3crates para sua presid\u00eancia comunit\u00e1ria. A participa\u00e7\u00e3o de destacados l\u00edderes europeus no jantar em homenagem ao Presidente Lula oferecido pelo seu colega de Portugal, An\u00edbal Cavaco Silva, demonstra que est\u00e1 iniciativa \u00e9 dos 27 pa\u00edses do bloco. Entre os presentes estavam o presidente da Fran\u00e7a, Nicolas Sarkozy, principal guardi\u00e3o da protecionista Pol\u00edtica Agr\u00e1ria Comum europ\u00e9ia; o primeiro-ministro da Espanha, Jos\u00e9 Lu\u00eds Rodr\u00edguez Zapatero, e os primeiros-ministros Romando Prodi, da It\u00e1lia, e Janez Jansa, da Eslov\u00eania, que ser\u00e1 o pr\u00f3ximo presidente da UE.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia mantinha este tipo de c\u00fapula com Estados Unidos, R\u00fassia, Jap\u00e3o, Canad\u00e1, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul. Agora une-se ao grupo o imenso pa\u00eds sul-americano, quinta \u00e1rea geogr\u00e1fica do mundo, com 8,5 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados e 188 milh\u00f5es de habitantes, com produto interno bruto de US$ 1,7 bilh\u00e3o, n\u00fameros que colocam o Brasil como a nova economia mundial. O primeiro-ministro portugu\u00eas disse que a falta de uma c\u00fapula com o Brasil, \u201cpa\u00eds l\u00edder das economias emergentes\u201d, se devia ao fato de que \u201cexistiu uma lacuna na pol\u00edtica externa da UE e quem estava em melhores condi\u00e7\u00f5es de corrigir este erro era Portugal\u201d.<\/p>\n<p>Agora que o acordo est\u00e1 assinado, todos aplaudem, mas para a diplomacia portuguesa a meta implicou uma longa marcha de nove meses. Primeiro, teve de convencer seus pares da UE e depois o pr\u00f3prio Itamaraty, liderado por Celso Amorim, disse \u00e0 IPS a analista Teresa Sousa, uma das mais destacadas especialistas portuguesas em pol\u00edtica comunit\u00e1ria. Os argumentos usados pelo governante de Portugal acabaram convencendo os mais reticentes europeus sobre a oportunidade da c\u00fapula, no momento em que o Brasil assume uma atitude critica diante das negocia\u00e7\u00f5es de Doha para a liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio mundial.<\/p>\n<p>S\u00f3crates e seu chanceler, Lu\u00eds Amado, argumentaram que n\u00e3o era coerente a UE manter associa\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas com R\u00fassia, \u00cdndia e China, tr\u00eas dos quatro grandes pa\u00edses emergentes que est\u00e3o determinando a geopol\u00edtica mundial, excluindo o quarto, o Brasil, disse Sousa. S\u00f3crates contou com o decidido apoio da chanceler alem\u00e3, Angela Merkel, cuja atitude foi determinante durante a precedente presid\u00eancia comunit\u00e1ria, avalizada pelo peso pol\u00edtico e diplom\u00e1tico da Alemanha.<\/p>\n<p>\u201cA Europa tem de apoiar uma grande democracia que conta com peso e influ\u00eancia para n\u00e3o deixar que o p\u00eandulo da balan\u00e7a latino-americana se incline para o lado de Hugo Ch\u00e1vez\u201d (presidente da Venezuela), disse Sousa. Na frente brasileira, a tarefa empreendida pelos portugueses n\u00e3o foi mais f\u00e1cil. Foi necess\u00e1rio esclarecer as d\u00favidas e convencer o Itamaraty de que n\u00e3o se tratava de uma iniciativa de Lisboa, isolada do restante da UE, que aparece no momento em que o Presidente Lula desenvolve rela\u00e7\u00f5es pragm\u00e1ticas com os Estados Unidos, apesar das diferen\u00e7as de fundo entre Bras\u00edlia e Washington.<\/p>\n<p>A Portugal cabe mediar como \u201cum pequeno pa\u00eds europeu que usa sua hist\u00f3ria global para alcan\u00e7ar um papel importante no mundo globalizado, no qual o Brasil ser\u00e1 uma das grandes pot\u00eancias, um dos cinco pa\u00edses mais poderosos do mundo em 2050\u201d, afirmou ontem um editorial do Di\u00e1rio de Not\u00edcias, de Lisboa. Outro aspecto relevante foi o crescente papel desempenhado pelos biocombust\u00edveis na batalha contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica que amea\u00e7a o planeta.<\/p>\n<p>Est\u00e1 fonte energ\u00e9tica, usada em 40 pa\u00edses, tem no Brasil a base de uma ampla experi\u00eancia, ao contar com 336 f\u00e1bricas de \u00e1lcool de cana-de-a\u00e7\u00facar que produzem 130 milh\u00f5es de litros, e dever\u00e1 aumentar o n\u00famero de usinas para 409 at\u00e9 o final de 2013. Entretanto, o uso destes combust\u00edveis ainda est\u00e1 engatinhando na UE, que no momento se limita a planejar o consumo de modestos 10% de etanol at\u00e9 2020, quase todo dedicado ao transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p>A coopera\u00e7\u00e3o neste campo foi especialmente atraente para os l\u00edderes do bloco depois do Conselho Europeu de mar\u00e7o \u00faltimo, quando foi aprovada uma diretriz de Dur\u00e3o Barroso sobre pol\u00edtica energ\u00e9tica obrigando os Estados-membros a usarem, at\u00e9 2020, 20% da energia a partir de fontes renov\u00e1veis. O risco maior para a presid\u00eancia portuguesa da UE \u2013 segundo todos os observadores \u2013 \u00e9 que o di\u00e1logo estrat\u00e9gico iniciado ontem n\u00e3o se concretize em assuntos vitais e acabe reduzido a um ret\u00f3rico debate sobre Doha, os subs\u00eddios agr\u00edcolas e a abertura para o Sul dos mercados do Norte. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 05\/07\/2007 &ndash; A mesa de negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o precisou de tradutores. 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