{"id":3069,"date":"2007-07-05T16:59:05","date_gmt":"2007-07-05T16:59:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3069"},"modified":"2007-07-05T16:59:05","modified_gmt":"2007-07-05T16:59:05","slug":"ambiente-etanol-de-celulose-limpo-mas-incerto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/mundo\/ambiente-etanol-de-celulose-limpo-mas-incerto\/","title":{"rendered":"Ambiente: Etanol de celulose, limpo, mas incerto"},"content":{"rendered":"<p>Toronto, 05\/07\/2007 &ndash; Enquanto os biocombust\u00edveis s\u00e3o acusados de aumentar o pre\u00e7o dos alimentos e oferecer limitados benef\u00edcios ambientais, diversas personalidades se alinham atr\u00e1s do etanol de celulose, um biocombust\u00edvel de segunda gera\u00e7\u00e3o. <!--more--> Entre essas figuras est\u00e3o o ex-vice-presidnete dos Estados Unidos Al Gore e o fundador da Microsoft, Bill Gates. O grande benef\u00edcio do etanol elaborado a partir da celulose \u00e9 que praticamente qualquer elemento vegetal \u2013 talos de gr\u00e3os, serragem, lascas de madeira, plantas nativas perenes crescidas em terras marginais aos cultivos \u2013 poderia converter-se em \u201couro verde\u201d, um combust\u00edvel com baixa emiss\u00e3o de poluentes para o setor do transporte.<\/p>\n<p>\u201cO uso do etanol de celulose reduziria em 88% as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gasolina\u201d, disse Bruce Dale, engenheiro qu\u00edmico do Laborat\u00f3rio de Pesquisas sobre a Convers\u00e3o de Biomassa da Universidade do Estado de Michigan. Dale acaba de publicar na revista Science uma an\u00e1lise comparando v\u00e1rios combust\u00edveis com base em suas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono por quil\u00f4metros. \u201cNeste ponto, qualquer forma de etanol \u00e9 muito superior \u00e0 gasolina\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Segundo seus c\u00e1lculos, a celulose poderia satisfazer o pantagru\u00e9lico apetite dos Estados Unidos (200 bilh\u00f5es de gal\u00f5es, cerca de 758 bilh\u00f5es de litros) em mat\u00e9ria de combust\u00edvel l\u00edquido sem pressionar a alta dos pre\u00e7os dos alimentos, porque usar\u00e1 produtos n\u00e3o alimentares cultivados em terras \u00e0 parte. Mas, Dale tamb\u00e9m alertou que a revolu\u00e7\u00e3o do ouro verde teria de ser cuidadosamente desenvolvida para evitar erros tais como produzir no sudeste da \u00c1sia biodiesel de \u00f3leo de palma, rotulado como \u201cdiesel de desmatamento\u201d por ativistas ambientais.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, os subs\u00eddios europeus para o biodiesel incentivaram um enorme auge na planta\u00e7\u00e3o de palmas oleaginosas na Indon\u00e9sia e Mal\u00e1sia. As florestas foram cortadas e os p\u00e2ntanos de turba drenados para plantar centenas de milhares de hectares. O desmatamento e a drenagem emitem muito mais carbono do que se poderia economizar utilizando biodiesel, afirmam v\u00e1rios estudos. \u201cOs biocombust\u00edveis para o transporte s\u00e3o o enfoque totalmente equivocado\u201d, disse Andrew Boswell, da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental brit\u00e2nica Biofuelwatch.<\/p>\n<p>Vastas monoculturas de palma de \u00f3leo, soja, cana-de-a\u00e7\u00facar e milho para biocombust\u00edveis resultam em perdas maci\u00e7as de biodiversidade e meios de subsist\u00eancia rural, com impacto s\u00e9rio na \u00e1gua no solo e na seguran\u00e7a alimentar, afirmou Boswell \u00e0 IPS. A Biofuelwatch e mais de 150 grupos da sociedade civil exortaram a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia a abandonar seus objetivos quanto ao uso de biocombust\u00edveis. Um informe da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre energia apresentado em maio coincidiu com essas conclus\u00f5es e assinalou que os biocombust\u00edveis s\u00e3o mais efetivos quando usados para obter calor e eletricidade, e n\u00e3o tanto para o transporte.<\/p>\n<p>Boswell tampouco v\u00ea a celulose como uma melhora importante na \u00e1rea de combust\u00edvel para transporte. Converter a biomassa em combust\u00edvel significa menos biomassa para o solo, o que \u00e9 crucial para manter a fertilidade do solo. Os cultivos e as usinas de processamento de celulose tamb\u00e9m requerem enormes quantidades de \u00e1gua. H\u00e1, ainda, quest\u00f5es de biosseguran\u00e7a, j\u00e1 que o processo de celulose utiliza como mat\u00e9rias-primas enzimas geneticamente modificadas e cultivos geneticamente modificados, destacou o especialista. \u201cO etanol de celulose \u00e9, simplesmente, o pr\u00f3ximo grande gerador de dinheiro para as corpora\u00e7\u00f5es agroqu\u00edmicas e biotecnol\u00f3gicas\u201d, afirmou Boswell.<\/p>\n<p>Apesar de grandes empresas com Dow Chemical, Monsanto, Exxon e Royal Dutch Shell, entre muitas outras, certamente estarem envolvidas, nem uma \u00fanica usina de celulose come\u00e7ou a produzir, apesar de 50 anos de pesquisas. \u201c\u00c9 muito mais dif\u00edcil e complexo obter etanol a partir da celulose\u201d, disse John Ferrell, co-diretor do Escrit\u00f3rio Nacional de Coordena\u00e7\u00e3o de Biomassa dentro do Departamento de Energia dos Estados Unidos. A semente de milho em sua maior parte \u00e9 composta por amido e \u00e1gua, que s\u00e3o f\u00e1ceis de decompor em a\u00e7\u00facar e come\u00e7ar o processo de fermenta\u00e7\u00e3o que produz o etanol, disse Ferrell em uma entrevista.<\/p>\n<p>A celulose \u00e9 a parte estrutural de uma planta e cont\u00e9m muito mais que amido e \u00e1gua, como, por exemplo, a lignina. As bact\u00e9rias geneticamente modificadas que produzem enzimas especiais podem separar alguns dos materiais, mas n\u00e3o todos, por isso h\u00e1 v\u00e1rios passos no processo, maiores tempos de fermenta\u00e7\u00e3o e mais insumos de energia. \u201c\u00c9 um processo mais caro, enquanto a produ\u00e7\u00e3o de etanol a partir do milho \u00e9 uma tecnologia provada e que apresenta benef\u00edcios\u201d, disse Ferrell.<\/p>\n<p>A primeira usina mundial de mostra pr\u00e9-comercial de celulose est\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o h\u00e1 v\u00e1rios anos em Ottawa, no Canad\u00e1. Financiada em grande parte pelo governo canadense e pela Royal Dutch Shell, a usina de Iogen Energy Corp. Usa trigo, aveia e cevada para elaborar cem mil litros de etanol por ano. A Iogen trabalhou pesquisou durante quase 25 anos, e est\u00e1 para construir uma usina de produ\u00e7\u00e3o em grande escala no Estado norte-americano de Iowa, gra\u00e7as a US$ 80 milh\u00f5es procedentes do Departamento de Energia dos Estados Unidos, como parte de um programa especial do governo no valor de US$ 385 milh\u00f5es para dar o pontap\u00e9 inicial desta ind\u00fastria nascente.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 ter de quatro a seis usinas de celulose, pequenas, mas de escala comercial, operando at\u00e9 2010, disse Ferrell. Como os pre\u00e7os do petr\u00f3leo s\u00e3o elevados, os bancos e outros investidores est\u00e3o ansiosos para financiar usinas de etanol elaborado a partir do milho, mas, mantendo-se afastados da celulose at\u00e9 que fique demonstrada sua efic\u00e1cia. Da\u00ed a necessidade de subs\u00eddios do governo, destacou. \u201c\u00c9 dif\u00edcil captar o atual estado da tecnologia porque est\u00e1 nas m\u00e3os de empresas privadas\u201d, afirmou Elizabeth Marshall, economista do Instituto para os Recursos Mundiais que estuda a ind\u00fastria.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muita fuma\u00e7a e segredos na ind\u00fastria. Todos se esfor\u00e7am para ganhar dinheiro\u201d, disse Marsahll em uma entrevista. Assim, empresas como a Iogen s\u00e3o herm\u00e9ticas e rejeitam os pedidos de entrevistas feitos pela IPS. E os desafios t\u00e9cnicos permanecem, acrescentou. A bact\u00e9ria que produz enzimas especiais \u00e9 exigente quanto ao que come, e a maioria das opera\u00e7\u00f5es requerem um alimento especializado e uniforme, com trigo, e nada mais. \u201cEntretanto, se funciona o balan\u00e7o de energia para a celulose \u00e9 muito melhor do que o etanol de cereais, que usa muita energia somente para cultivar, por exemplo, milho\u201d, afirmou a especialista.<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os do milho registram altas hist\u00f3ricas nos Estados Unidos por causa da crescente demanda de etanol. Segundo o \u00faltimo informe sobre Perspectivas de Alimenta\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO), os projetos globais de importa\u00e7\u00e3o de alimentos est\u00e3o aumentando, em parte devido ao incremento da demanda de biocombust\u00edveis. A celulose competir, ou n\u00e3o, com os cultivos de alimentos pela terra e \u00e1gua depende da evolu\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria. Marshall pesquisa as v\u00e1rias implica\u00e7\u00f5es de um poss\u00edvel futuro com uma importante ind\u00fastria de celulose.<\/p>\n<p>Mas, onde e como crescer\u00e3o os grandes volumes de biomassa? Como ser\u00e3o transportados e armazenados? Quanta biomassa pode ser eliminada sem produzir impactos negativos no solo? Como afetar\u00e1 a ind\u00fastria os pre\u00e7os dos alimentos? Uma an\u00e1lise integral da ind\u00fastria \u00e9 necess\u00e1ria para garantir que gere os prometidos benef\u00edcios ambientais e minimize os impactos nos pre\u00e7os dos alimentos, afirmou Marshall. \u201cSer\u00e1 necess\u00e1ria uma legisla\u00e7\u00e3o protetora para garantir esses benef\u00edcios e impactos\u201d, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>(Este artigo \u00e9 o primeiro de uma s\u00e9rie de tr\u00eas sobre o etanol de celulose e o impacto dos subs\u00eddios)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toronto, 05\/07\/2007 &ndash; Enquanto os biocombust\u00edveis s\u00e3o acusados de aumentar o pre\u00e7o dos alimentos e oferecer limitados benef\u00edcios ambientais, diversas personalidades se alinham atr\u00e1s do etanol de celulose, um biocombust\u00edvel de segunda gera\u00e7\u00e3o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/mundo\/ambiente-etanol-de-celulose-limpo-mas-incerto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,10,4,11],"tags":[],"class_list":["post-3069","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3069"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3069\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}