{"id":3071,"date":"2007-07-06T12:49:42","date_gmt":"2007-07-06T12:49:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3071"},"modified":"2007-07-06T12:49:42","modified_gmt":"2007-07-06T12:49:42","slug":"africa-franca-a-imigracao-fortalece-o-comercio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/africa\/africa-franca-a-imigracao-fortalece-o-comercio\/","title":{"rendered":"\u00c1FRICA-FRAN\u00c7A:: A imigra\u00e7\u00e3o fortalece o com\u00e9rcio"},"content":{"rendered":"<p>PAR\u00cdS, 06\/07\/2007 &ndash; No Chateau Rouge, um bairro do norte do capital franc\u00eas, qualquer visitante distra\u00eddo poderia se sentir como se fosse num comboio metropolitano que o levou fora da Fran\u00e7a e acabou em Dakar ou Abidj\u00e3. <!--more--> Ouve se o som da m\u00fasica &#8220;soukous&#8221; t\u00edpica do Congo, enquanto que as mulheres vestidas no tecido de damasco e os homens nas t\u00fanicas tradicionais coloridas dan\u00e7am e tocam nos instrumentos deles num dos mercados vibrantes ao ar livre na cidade. <\/p>\n<p>Mas embora alguns franceses t\u00eam a ideia de que est\u00e3o no \u201cestrangeiro\u201d, esta imagem \u00e9 t\u00edpica da Fran\u00e7a moderna, como em qualquer postal da Torre Eiffel ou do Arco de Triunfo que os turistas ligam a este pa\u00eds. <\/p>\n<p>A Fran\u00e7a que outrora foi o colonizador de vastas tractos da \u00c1frica central e ocidental e que continua a ter uma influ\u00eancia cosider\u00e1vel na regi\u00e3o, tem recentemente afrontado o debate sobre o que \u00e9 de fato ser franc\u00eas, enquanto que os cidad\u00e3os dela viajam ao norte a busca de uma vida melhor. <\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1 uns 4,5 milh\u00f5es de imigrantes legais na Fran\u00e7a e mais de metade de um milh\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o documentados. Estima se que uns dois milh\u00f5es deles v\u00eam da \u00c1frica setentrional ou subsaariana. <\/p>\n<p>Segundo os analistas, este fen\u00f3meno crescente da emigra\u00e7\u00e3o da \u00c1frica \u00e1 Europa n\u00e3o \u00e9 algo surpreendente, dado a contra\u00e7\u00e3o dos setores tradicionais da economia deste continente como a agricultura assim como os acordos comerciais, considerados como prejudiciais por muitos, com as na\u00e7\u00f5es mais poderosas da Europa e da Am\u00e9rica do Norte. <\/p>\n<p>Quando os africanos chegam a Fran\u00e7a, trazem a cultura e os gostos culin\u00e1rios deles. A ind\u00fastria atuneira francesa, por exemplo, depende quase totalmente da \u00c1frica, particularmente da Costa de Marfim, de onde vem cerca de 35 porcento do atum enlatado importado. <\/p>\n<p>A Fran\u00e7a tamb\u00e9m importa quase 230.000 toneladas de mandi\u00f3ca, uma ra\u00edz que se usa muito na cozinha africana, a maior parte doqual vem de Madagascar e do Togo. <\/p>\n<p>Segundo um relat\u00f3rio do Instituto Nacional da Estat\u00edstica e dos Estudos Econ\u00f3micos (INSEE) da Fran\u00e7a,publicado em agosto 2006, a imigra\u00e7\u00e3o desta parte do mundo vai aumentando. <\/p>\n<p>Pelos meados de 2004, houve 570.000 nacionais da \u00c1frica subsaariana na Fran\u00e7a, 45 porcento mais de que em 1999, segundo o INSEE. <\/p>\n<p>Junto a imigra\u00e7\u00e3o, ver\u00e1 se tamb\u00e9m um aumento na demanda de produtos e bens t\u00edpicos como a alimenta\u00e7\u00e3o, a m\u00fasica e os produtos da cabelaria.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, a popula\u00e7\u00e3o da \u00c1frica subsaariana tamb\u00e9m \u00e9 a mais nova, pois apenas quatro porcento dos imigrantes da regi\u00e3o t\u00eam mais de 65 anos, em compara\u00e7\u00e3o com 54 por\u00e7ento dos que v\u00eam da It\u00e1lia, por exemplo. <\/p>\n<p>\u00c9 nos bairros como o de Chateau Rouge onde os imigrantes da \u00c1frica ocidental vivem ou ao menos se reunem para ter um sentido de comunidade. <\/p>\n<p>O aluguer cada vez mais caro em Par\u00eds obriga muitos dos rec\u00e9m chegados a viverem fora da cidade.  &#8220;As coisas sao dificeis aqui &#8220;, disse a IPS o Victor Osouno, um cabelereiro gan\u00eas de 36 a\u00f1os que vive e trabalha na Fran\u00e7a desde a idade de 11 anos, enquanto cortava o cabelo de um cliente. O grande sal\u00e3o que \u00e9 o cabelereiro dele estava cheio de homens e mulheres a espera de ser atendidos.<\/p>\n<p>Nas outras lojas como la Maison d&#39;Afrique (Casa da \u00c1frica), que vendem muitas del\u00edcias tradicionais como as beringelas, inhames, e mandi\u00f3ca, o sabor da terra m\u00e3e parece ser muito atraente. <\/p>\n<p>&#8220;Isto \u00e9 a migra\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica naqual se v\u00ea uma concentra\u00e7\u00e3o de gente nas zonas onde j\u00e1 vivem as pessoas do mesmo pa\u00eds&#8221;, indicou o Jean-Pierre Garson, o direitor da Divis\u00e3o da Migra\u00e7\u00e3o Internacional do escrit\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o da Coopera\u00e7\u00e3o e do Desenvolvimento Econ\u00f3mico (OCDE) em Par\u00eds. <\/p>\n<p>A OCDE \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o que reune 30 dos pa\u00edses ricos. <\/p>\n<p>&#8220;Quando se chega se tenta de se ligar com as pessoas que j\u00e1 se conhece e que chegaram antes de si &#8220;, explicou o Garson. Num Estudo Econ\u00f3mico da Fran\u00e7a 2007, publicado no fim de junho, a OCDE indicou que &#8220;a concentra\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da pobreza promove a reprodu\u00e7\u00e3o desta&#8221;. <\/p>\n<p>&#8220;As pessoas que vivem nas zonas pobres n\u00e3o t\u00eam o acceso as redes sociais que poderiam contribuir a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica delas. Os problemas tornam se mais complexos com a grande quantidade de imigrantes que residem nestas zonas&#8221;, acrescentou ele. <\/p>\n<p>&#8220;A comunidade fica unida e fechada&#8221;, indicou o Osouno. &#8220;Aqui a gente s\u00f3 vai cortar o cabelo a um cabelereiro africano, compra a comida nas lojas que vendem a comida africana, mas n\u00e3o \u00e9 um caso do racismo, mas \u00e9 sim porque \u00e9 mais f\u00e1cil encontrar o que se quer na comunidade dela&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PAR\u00cdS, 06\/07\/2007 &ndash; No Chateau Rouge, um bairro do norte do capital franc\u00eas, qualquer visitante distra\u00eddo poderia se sentir como se fosse num comboio metropolitano que o levou fora da Fran\u00e7a e acabou em Dakar ou Abidj\u00e3. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/africa\/africa-franca-a-imigracao-fortalece-o-comercio\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":665,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-3071","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/665"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3071"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3071\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}