{"id":309,"date":"2005-02-15T00:00:00","date_gmt":"2005-02-15T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=309"},"modified":"2005-02-15T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-15T00:00:00","slug":"sade-mortalidade-materna-atinge-cada-vez-mais-adolescentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/sade-mortalidade-materna-atinge-cada-vez-mais-adolescentes\/","title":{"rendered":"Sa&uacute;de: Mortalidade materna atinge cada vez mais adolescentes"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 15\/02\/2005 &ndash; Um ter&ccedil;o das mortes maternas registradas oficialmente na Argentina se deve a conseq&uuml;&ecirc;ncias em raz&atilde;o de abortos, cuja quantidade aumentou muito desde 2000, especialmente entre menores de 20 anos e, inclusive, entre meninas com idades entre 10 e 14 anos. &quot;Desde 2000 s&atilde;o registradas mortes maternas em menores de 15 anos&quot;, disse &agrave; IPS a diretora da Funda&ccedil;&atilde;o de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher (Feim), Mabel Bianco. Das 78 mil hospitaliza&ccedil;&otilde;es registradas em 2000 nos hospitais p&uacute;blicos, 11.015 corresponderam a jovens entre 15 e 19 anos, e 550 a meninas de 10 a 14 anos. &quot;Em muitos desses casos, a gravidez foi produto de viola&ccedil;&atilde;o, abuso sexual ou incesto, que tamb&eacute;m est&atilde;o aumentando&quot;, destacou Bianco.<br \/> <!--more--> <br \/> As mulheres de 10 a 24 anos representam 27% da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. O grupo de 10 a 19 anos inclui 6,7 milh&otilde;es (18% do total) e o de 20 a 24 anos 3,3 milh&otilde;es. A inicia&ccedil;&atilde;o sexual cada vez mais cedo, junto com a insufici&ecirc;ncia dos programas de educa&ccedil;&atilde;o sexual, preven&ccedil;&atilde;o e cuidados com os adolescentes, se associou nos &uacute;ltimos cinco anos com um aumento da gravidez e da maternidade entre adolescentes, especialmente em menores de 15 anos. A Argentina registrou em 2003 uma mortalidade materna de 44 para cada cem mil nascidos vivos. Nesse ano, 304 mulheres morreram por causas obst&eacute;tricas, devido &agrave; gravidez, &agrave; interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez, do parto ou de puerperio, informou &agrave; IPS o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Aborto, infec&ccedil;&atilde;o e hemorragia s&atilde;o h&aacute; d&eacute;cadas as principais causas de morte materna no pa&iacute;s.<\/p>\n<p> Segundo Bianco, nos &uacute;ltimos 20 anos a mortalidade materna n&atilde;o teve varia&ccedil;&otilde;es importantes, o que permite supor que houve pouco avan&ccedil;o nas a&ccedil;&otilde;es preventivas para reduzi-la. Mas, essa escassa varia&ccedil;&atilde;o chama a aten&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que a maioria da popula&ccedil;&atilde;o tem acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, que s&atilde;o bons e contam com profissionais capacitados, comentou. Segundo estudos da Feim e do Cons&oacute;rcio de Direitos Reprodutivos e Sexuais, que re&uacute;ne organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais, h&aacute; um importante sub-registro oficial da mortalidade materna, que seria de 38,5% a 100% maior, j&aacute; que muitas mortes causadas por aborto induzido s&atilde;o registradas como conseq&uuml;&ecirc;ncia de problema cardiorespirat&oacute;rio, choque c&eacute;ptico ou anemia aguda, sem informar se a falecida estava gr&aacute;vida ou em puerperio.<\/p>\n<p> Seja como for, certo aumento da taxa desde 2002 se deve &aacute; incorpora&ccedil;&atilde;o nos registros estat&iacute;sticos de uma nova categoria, a &quot;morte materna tardia&quot;, para &oacute;bitos por causas obst&eacute;tricas diretas ou indiretas no per&iacute;odo que come&ccedil;a 42 dias depois do fim da gravidez e termina ao final de um ano, explicou Bianco. Segundo revelam pesquisas mais recentes do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, as causas da mortalidade materna s&atilde;o obst&eacute;tricas diretas em 54% dos casos, aborto em 31% e obst&eacute;tricas indiretas em 15%. Bianco destacou que nos &uacute;ltimos cinco anos houve um consider&aacute;vel aumento das interna&ccedil;&otilde;es por complica&ccedil;&otilde;es causadas pelo aborto, e explicou que n&atilde;o h&aacute; registros dos atendimentos sem interna&ccedil;&atilde;o pelo mesmo motivo.<\/p>\n<p> O aborto &eacute; crime na Argentina. Por isso, &eacute; comum as mulheres interromperem sua gravidez de forma volunt&aacute;ria, por isso n&atilde;o procuram os servi&ccedil;os p&uacute;blicos de sa&uacute;de. A viola&ccedil;&atilde;o e a possibilidade de riscos graves para a sa&uacute;de materna est&atilde;o contemplados como exce&ccedil;&atilde;o para a penaliza&ccedil;&atilde;o no C&oacute;digo Penal desde 1921, mas, em geral, as autoridades n&atilde;o aplicam este crit&eacute;rio de forma autom&aacute;tica. &quot;A crise jogou amplos setores da popula&ccedil;&atilde;o na pobreza e na indig&ecirc;ncia, e o desempregou ou subemprego tiveram entre suas conseq&uuml;&ecirc;ncias mais nefastas o fato de excluir muitas pessoas da cobertura do servi&ccedil;o social de sa&uacute;de, que teve caracter&iacute;sticas universais quando na Argentina existia o pleno emprego&quot;, disse Bianco. Em uma pesquisa feita pela Feim, quase um ter&ccedil;o das mulheres em situa&ccedil;&atilde;o de pobreza que foram consultadas n&atilde;o tinham cobertura m&eacute;dica, entre elas a maioria entre 20 e 29 anos, a faixa et&aacute;ria de maior fecundidade.<\/p>\n<p> A mortalidade materna na Argentina &eacute; baixa em compara&ccedil;&atilde;o com as de alguns pa&iacute;ses da regi&atilde;o, como a Bol&iacute;via, que registra 230 em cada cem mil nascidos vivos, e Paraguai, com 182,1, mas, no Chile, &eacute; de 16,7 para cada cem mil nascidos vivos, ou seja, 25 vezes menor do que na Argentina, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-americana de Sa&uacute;de. Em rela&ccedil;&atilde;o a pa&iacute;ses industrializados as diferen&ccedil;as s&atilde;o muito maiores. No Canad&aacute;, a taxa &eacute; de 7,8 e nos Estados Unidos de 9,9 para cada cem mil nascidos vivos. Na Argentina s&atilde;o registradas 20 vezes mais mortes por abortos do que em pa&iacute;ses onde a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez &eacute; legal. Por outro lado, e em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; m&eacute;dia dos pa&iacute;ses industrializados, na Argentina h&aacute; 16 vezes mais mortes maternas por infec&ccedil;&otilde;es n&atilde;o relacionadas com abortos, tr&ecirc;s vezes mais por hipertens&atilde;o e embolias, e 2,5 vezes mais relacionadas com o uso da anestesia.<\/p>\n<p> &quot;A mortalidade materna &eacute; um indicador eloq&uuml;ente da falta de defesa das mulheres quando est&atilde;o em seu per&iacute;odo reprodutivo&quot;, afirmou Bianco, para quem &quot;a morte em algum momento da gravidez, do parto ou do puerperio fala de um importante abandono, j&aacute; que se trata de um processo natural que em condi&ccedil;&otilde;es de decis&atilde;o aut&ocirc;noma, preven&ccedil;&atilde;o e qualidade de cuidados n&atilde;o teria de ser inclu&iacute;do nas estat&iacute;sticas de risco, morbidade ou morte.&quot; As mortes s&atilde;o mais comuns entre as mulheres de baixa renda e as que vivem em prov&iacute;ncias pobres. A mortalidade materna na capital federal &eacute; de 14 para cada cem mil nascidos vivos, menos de um ter&ccedil;o da m&eacute;dia nacional, e na prov&iacute;ncia de Buenos Aires &eacute; de 32. J&aacute; nas prov&iacute;ncias mais pobres do nordeste e noroeste da Argentina, as taxas se multiplicam por dois, tr&ecirc;s ou mais, com 109 em Jujuy, 111 em La Rioja e 166 para cada cem mil nascidos vivos em Formosa.<\/p>\n<p> A pol&iacute;tica de sa&uacute;de sexual e reprodutiva &eacute; chave na an&aacute;lise do problema no pa&iacute;s, que conta desde 2002 com uma lei nacional sobre o assunto, cuja instrumenta&ccedil;&atilde;o ainda enfrenta obst&aacute;culos em algumas prov&iacute;ncias. Essa lei originou o Programa Nacional de Sa&uacute;de Sexual e Procria&ccedil;&atilde;o Respons&aacute;vel, pelo qual o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de compra e distribui anticoncepcionais em todas as prov&iacute;ncias. Mas, Bianco afirmou que &quot;o grau de instrumenta&ccedil;&atilde;o &eacute; muito diferente nos diversos distritos, j&aacute; que em alguns casos sua aplica&ccedil;&atilde;o &eacute; parcial e em outros h&aacute; total resist&ecirc;ncia&quot;. Em algumas prov&iacute;ncias ainda n&atilde;o chegam anticoncepcionais orais nem preservativos aos centros de sa&uacute;de, ou n&atilde;o se aceita o uso de dispositivo intra-uterino.<\/p>\n<p> O Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de tampouco compra produtos destinados &aacute; anticoncep&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia, com a p&iacute;lula do dia seguinte. &quot;Somente na capital federal, na prov&iacute;ncia de Mendoza e na cidade de Ros&aacute;rio, cerca de 200 quil&ocirc;metros a noroeste de Buenos &Aacute;ries, h&aacute; esse tipo de produtos nos centros de sa&uacute;de. &quot;Reduzir a morbidade e a mortalidade maternas &eacute; um objetivo expresso, mas, na realidade, nem sempre buscado&quot;, afirmou Bianco. Em sua opini&atilde;o, &quot;a persist&ecirc;ncia de uma mortalidade materna relativamente alta expressa tanto os problemas da qualidade dos cuidados durante a gesta&ccedil;&atilde;o, o parto e o puerperio, quanto o peso do aborto inseguro e clandestino, ao qual as mulheres recorrerem para evitar gravidez n&atilde;o planejada que n&atilde;o se pode controlar, por falta ou limita&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de reprodutiva e planejamento familiar&quot;, afirmou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 15\/02\/2005 &ndash; Um ter&ccedil;o das mortes maternas registradas oficialmente na Argentina se deve a conseq&uuml;&ecirc;ncias em raz&atilde;o de abortos, cuja quantidade aumentou muito desde 2000, especialmente entre menores de 20 anos e, inclusive, entre meninas com idades entre 10 e 14 anos. &quot;Desde 2000 s&atilde;o registradas mortes maternas em menores de 15 anos&quot;, disse &agrave; IPS a diretora da Funda&ccedil;&atilde;o de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher (Feim), Mabel Bianco. Das 78 mil hospitaliza&ccedil;&otilde;es registradas em 2000 nos hospitais p&uacute;blicos, 11.015 corresponderam a jovens entre 15 e 19 anos, e 550 a meninas de 10 a 14 anos. &quot;Em muitos desses casos, a gravidez foi produto de viola&ccedil;&atilde;o, abuso sexual ou incesto, que tamb&eacute;m est&atilde;o aumentando&quot;, destacou Bianco.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/sade-mortalidade-materna-atinge-cada-vez-mais-adolescentes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1862,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-309","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1862"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=309"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}