{"id":310,"date":"2005-02-15T00:00:00","date_gmt":"2005-02-15T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=310"},"modified":"2005-02-15T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-15T00:00:00","slug":"sade-trabalho-agrcola-em-condies-aberrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/sade-trabalho-agrcola-em-condies-aberrantes\/","title":{"rendered":"Sa&uacute;de: Trabalho agr&iacute;cola em condi&ccedil;&otilde;es aberrantes"},"content":{"rendered":"<p>Centenas de milhares de pessoas que trabalham nos, 15\/02\/2005 &ndash; tratos e intoxica&ccedil;&atilde;o por pesticidas, segundo den&uacute;ncias de sindicalistas.<br \/> <!--more--> <br \/> SANTIAGO &#8211; A intoxica&ccedil;&atilde;o por pesticidas, falta de contratos, trabalho infantil e maus-tratos marcam o cotidiano de centenas de milhares de trabalhadores agr&iacute;colas do Chile, segundo uma campanha local e internacional de den&uacute;ncias por parte de organiza&ccedil;&otilde;es sociais. Os denunciantes s&atilde;o a Rede de A&ccedil;&atilde;o de Pesticidas e suas Alternativas da Am&eacute;rica Latina (Rap-AL), a Associa&ccedil;&atilde;o de Mulheres Camponesas e Ind&iacute;genas (Anamuri), o Observat&oacute;rio Latino-Americano de Conflitos Ambientais (Olca) e tr&ecirc;s organiza&ccedil;&otilde;es sindicais. Segundo estas institui&ccedil;&otilde;es, nos campos chilenos trabalham como empregadas cerca de 800 mil pessoas, a metade delas em regime tempor&aacute;rio entre outubro e abril, e do total de trabalhadores nesse per&iacute;odo 250 mil s&atilde;o mulheres adultas, &agrave;s quais se somam adolescentes, meninas e meninos.<\/p>\n<p> Cerca de 60% destes empregados n&atilde;o possuem contrato de trabalho, o que permite inumer&aacute;veis abusos, entre eles o n&atilde;o-cumprimento de datas e do valor dos pagamentos prometidos verbalmente, afirmam os denunciantes. O empresariado chileno &quot;se aproveita da ignor&acirc;ncia, da falta de informa&ccedil;&atilde;o e da pouca capacidade de mobiliza&ccedil;&atilde;o da maioria dos trabalhadores agr&iacute;colas&quot;, disse ao Terram&eacute;rica a secret&aacute;ria geral da Anamuri, Alicia Mu&ntilde;oz. Os sindicalistas tamb&eacute;m denunciam jornadas extenuantes, de at&eacute; 16 horas, todas pagas com o mesmo valor, trabalho infantil encoberto, &quot;j&aacute; que muitas m&atilde;es e pais v&atilde;o com seus filhos de at&eacute; sete anos para o campo&quot;, e prolifera&ccedil;&atilde;o de &quot;enganchadores&quot;, os intermedi&aacute;rios que fornecem m&atilde;o-de-obra tempor&aacute;ria para grandes empresas agr&iacute;colas, geralmente exportadoras.<\/p>\n<p> &quot;Eles recrutam, transportam e pagam os trabalhadores, obviamente sem contrato de trabalho. Isto contribuiu para diluir as responsabilidades no momento de responder por acidentes durante o trabalho, a&ccedil;&otilde;es legais, irregularidades, abusos e danos contra os trabalhadores&quot;, afirmaram os sindicalistas em um documento entregue no dia 20 de janeiro ao diretor-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT), o chileno Juan Somavia. Nessa carta dizem que &quot;aberrantes condi&ccedil;&otilde;es&quot; trabalhistas no setor incluem locais de trabalho que n&atilde;o cumprem os requisitos b&aacute;sicos de sa&uacute;de e higiene estabelecidos nas normas vigentes, isto &eacute;, banheiros e chuveiro para os trabalhadores, &aacute;gua pot&aacute;vel, refeit&oacute;rios e creches.<\/p>\n<p> Na carta tamb&eacute;m s&atilde;o apresentados n&uacute;meros do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, segundo os quais, de janeiro a novembro de 2004, foram notificados 565 casos de intoxica&ccedil;&atilde;o aguda por pesticidas, com saldo de dois mortos, o que n&atilde;o acontecia desde 2000. Entre novembro e dezembro do mesmo ano, os casos triplicaram em rela&ccedil;&atilde;o a 2003. A carta destaca que muitos desses agrot&oacute;xicos est&atilde;o na categoria dos &quot;extremamente perigosos&quot; e &quot;altamente perigosos&quot;, de acordo com a classifica&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de, com comprovados efeitos a m&eacute;dio e longo prazos na sa&uacute;de das pessoas, incluindo particular propens&atilde;o ao c&acirc;ncer, danos neurol&oacute;gicos e altera&ccedil;&otilde;es no aparelho reprodutor. &quot;Depois de passarmos pelos organismos nacionais correspondentes, sem conseguir que mudassem o panorama, recorremos &agrave; OIT para que estes fatos sejam conhecidos internacionalmente e assim evitar que voltemos &agrave; escravid&atilde;o&quot;, afirmou Mu&ntilde;oz.<\/p>\n<p> Os denunciantes solicitaram &agrave; OIT que &quot;fomente e apresente perante o Estado chileno normas e pr&aacute;ticas no trabalho agr&iacute;cola baseadas na Justi&ccedil;a social e nos direitos humanos e trabalhistas internacionalmente reconhecidos&quot;. Segundo Mu&ntilde;oz, Somavia mostrou-se surpreso com as den&uacute;ncias e prop&ocirc;s conversar com o governo do Chile, mas n&atilde;o se comprometeu com nada espec&iacute;fico. Por sua vez, o chefe de gabinete da Dire&ccedil;&atilde;o do Trabalho, Cristi&aacute;n Alviz, disse ao Terram&eacute;rica que as den&uacute;ncias lhe &quot;chamam poderosamente a aten&ccedil;&atilde;o&quot;, pois, &quot;junto com transporte e com&eacute;rcio, o trabalho agr&iacute;cola &eacute; o setor mais fiscalizado por n&oacute;s&quot;.<\/p>\n<p> &quot;Durante a temporada agr&iacute;cola 2003-2004, atendemos den&uacute;ncias envolvendo 90 mil trabalhadores e esperamos ampliar a cobertura para cem mil este ano&quot;, acrescentou Alviz, afirmando ser imposs&iacute;vel fiscalizar cada unidade produtiva. &quot;A Dire&ccedil;&atilde;o do Trabalho tem muito boas inten&ccedil;&otilde;es, mas n&atilde;o d&aacute; conta. S&atilde;o necess&aacute;rios mais recursos para fiscalizar mais, porque as leis existentes para proteger os trabalhadores n&atilde;o s&atilde;o cumpridas&quot;, acrescentou &agrave; imprensa local, Maria Helena Rosas, coordenadora regional do Rap -AL.. Segundo Mu&ntilde;oz, uma comiss&atilde;o criada em 2002 para tratar destes assuntos, que conta com representantes do governo, dos empres&aacute;rios e dos trabalhadores, n&atilde;o conseguiu acabar com a grande viola&ccedil;&atilde;o de direitos trabalhistas. &quot;Me guio pelas palavras do pr&oacute;prio presidente Lagos, que disse na minha presen&ccedil;a que n&atilde;o podemos andar para a frente e para o alto &agrave;s custas do sacrif&iacute;cio de nossos trabalhadores&quot;, concluiu. <\/p>\n<p> * A autora &eacute; colaboradora do Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Centenas de milhares de pessoas que trabalham nos, 15\/02\/2005 &ndash; tratos e intoxica&ccedil;&atilde;o por pesticidas, segundo den&uacute;ncias de sindicalistas.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/sade-trabalho-agrcola-em-condies-aberrantes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-310","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/310","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=310"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/310\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=310"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=310"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=310"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}