{"id":3105,"date":"2007-07-16T16:32:52","date_gmt":"2007-07-16T16:32:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3105"},"modified":"2007-07-16T16:32:52","modified_gmt":"2007-07-16T16:32:52","slug":"ambiente-ainda-as-licoes-do-katrina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/ambiente\/ambiente-ainda-as-licoes-do-katrina\/","title":{"rendered":"Ambiente: Ainda as li\u00e7\u00f5es do Katrina"},"content":{"rendered":"<p>Miami, 16\/07\/2007 &ndash; Apesar das crescentes advert\u00eancias de que as tempestades no Golfo do M\u00e9xico poderiam provocar inunda\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas na costa sudeste dos Estados Unidos, o Corpo de Engenheiros do Ex\u00e9rcito desse pa\u00eds n\u00e3o implementou um plano de conten\u00e7\u00e3o que havia sido proposto para Nova Orleans.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_3105\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/BobMcMillan_FEMAPhoto.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3105\" class=\"size-medium wp-image-3105\" title=\" - Bob McMillan\/FEMA\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/BobMcMillan_FEMAPhoto.jpg\" alt=\" - Bob McMillan\/FEMA\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3105\" class=\"wp-caption-text\"> - Bob McMillan\/FEMA<\/p><\/div>  Por esse plano seriam usadas comportas para manter o foco da tormenta longe do lago Pontchartrain, e dos canais que adentram a cidade. Uma auto-avalia\u00e7\u00e3o divulgada na semana passada pelo Corpo de Engenheiros concluiu que uma redu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria de longo prazo, um projeto dos diques defeituoso e materiais de constru\u00e7\u00e3o de m\u00e1 qualidade foram v\u00e1rios dos elementos que contribu\u00edram para o desastre.<\/p>\n<p>\u201cHouve 53 rompimentos (de diques) na Grande Nova Orleans devido ao furac\u00e3o Katrina\u201d, disse a diretora-executiva da organiza\u00e7\u00e3o de vigil\u00e2ncia cidad\u00e3 Leves.org, Sandy Rosenthal. \u201cNa base de nosso descontentamento est\u00e1 o trabalho do Corpo de Engenheiros do Ex\u00e9rcito dos Estados Unidos. Houve muitas desculpas por parte deles, mas n\u00e3o ocorreu nenhuma mudan\u00e7a nas opera\u00e7\u00f5es do dia a dia aqui\u201d, acrescentou. Somente no Estado da Lousiana morreram quase 1.600 pessoas devido ao Katrina, que inundou uma grande parte do Estado no final de agosto de 2005. Quase 900 mil pessoas ficaram sem luz em suas casas e sem seus neg\u00f3cios devido ao furac\u00e3o.<\/p>\n<p>A costa do Golfo do Mississippi tamb\u00e9m sofreu importantes perdas, com 238 pessoas mortas e 67desaparecidas. No total, a tormenta causou danos de US$ 95 bilh\u00f5es. \u00c9, de longe, o furac\u00e3o mais caro da hist\u00f3ria norte-americana, j\u00e1 que causou o dobro de d\u00f3lares em preju\u00edzos em rela\u00e7\u00e3o aos provocados pelo furac\u00e3o Andrew em 1992. A quantidade de v\u00edtimas do Katrina \u00e9 incalcul\u00e1vel. \u201cNecessitamos de diques constru\u00eddos\u201d, disse H. J. Bosworth, Jr., engenheiro civil e diretor de investiga\u00e7\u00f5es da Levees.org.<\/p>\n<p>\u201cO Corpo de Engenheiros reparou os danos, mas nada fizeram para refor\u00e7ar os pontos fracos nos diques que n\u00e3o se romperam, mas que poder\u00e3o ruir na pr\u00f3xima tempestade forte\u201d, acrescentou. O subdiretor do Centro de Furac\u00f5es da Universidade de Lousiana, Ivor van Heerden, cr\u00edtico do trabalho do Corpo de Engenheiros a respeito dos diques de Nova Orleans, compartilha da opini\u00e3o de Bosworth Jr. \u201cCada vez que podem reduzir o custo de um projeto de diques, o fazem. H\u00e1 testes geot\u00e9cnicos que podem ser feitas, analisando a fortaleza do solo antes de construir os diques\u201d, afirmou, ressaltando que isto nunca foi feito.<\/p>\n<p>Van Heerden deu seu testemunho escrito ao Comit\u00ea de Meio Ambiente e Obras P\u00fablicas do Senado norte-americano, um dos numerosos comit\u00eas que lideraram as cinco investiga\u00e7\u00f5es sobre as falhas em diques e muros de conten\u00e7\u00e3o. \u201cA maioria das inunda\u00e7\u00f5es de Nova Orleans se deveram \u00e0 insensatez humana. A sociedade deve uma desculpa aos que perderam suas vidas e \u00e0s aproximadamente cem mil fam\u00edlias que perderam tudo o que tinham. E tamb\u00e9m \u00e9 preciso construir casas e compensar os empregos perdidos\u201d, afirmou Van Heerden ao Congresso dos EUA.<\/p>\n<p>\u201cA primeira coisa que aprendemos com o Katrina foi sobre nossas respostas em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. \u00c9 preciso ter um plano em caso de rompimento de um dique\u201d, afirmou o porta-voz do Corpo de Engenheiros, Vic Harris. \u201cAprendemos com o Katrina que n\u00e3o t\u00ednhamos um adequado equipamento de comunica\u00e7\u00f5es para manter contato com as ag\u00eancias locais e estatais. E tamb\u00e9m aprendemos que necessitamos de treinamento antes de uma grande tempestade, tais como testar nossos equipamentos\u201d, afirmou, acrescentando que os trabalhos nos diques est\u00e3o em curso.<\/p>\n<p>Um engenheiro de Nova Orleans que concorda que o sistema de diques agora \u00e9 mais duradouro, \u201cmas ainda precisa de melhorias\u201d, \u00e9 Carlton Dufrechou, diretor da n\u00e3o-governamental Funda\u00e7\u00e3o para a Bacia do Lago Pontchartrain, que tem 50 mil membros. \u201cEm geral, minha opini\u00e3o \u00e9 que o sistema de diques \u00e9 melhor do que em 29 de agosto de 2005 (quando o Katrina arrasou a cidade e boa parte do Estado). Na realidade, o sistema est\u00e1 em muito melhor forma do que antes do furac\u00e3o. Creio que os novos muros de conten\u00e7\u00e3o (obra do Corpo de Engenheiros) que foram constru\u00eddos no lago Pontchartrain s\u00e3o a parte mais significativa de todo o processo de reconstru\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Dufrechou, que trabalhou para o Corpo de Engenheiros entre 1986 e 1992, foi consultado sobre a afirma\u00e7\u00e3o de Van Heerden, que aparece no informe da semana passada, dizendo que essa divis\u00e3o militar tentou simplificar os projetos de diques. \u201cAs pautas federais (para projetos do Corpo de Engenheiros), pelo menos quando eu estava na ativa, tentam obter os maiores benef\u00edcios para a prote\u00e7\u00e3o contra inunda\u00e7\u00f5es com o menor custo\u201d, afirmou. Funcin\u00e1rios estatais destacaram que as duas raz\u00f5es principais para a alta propor\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas logo depois do rompimento dos diques \u2013 m\u00e1s comunica\u00e7\u00f5es e transporte inadequado para evacua\u00e7\u00e3o \u2013 agora foram abordados.<\/p>\n<p>\u201cOs cidad\u00e3os que usam mensagens de texto (por telefone celular) logo ter\u00e3o a capacidade de estar em contato com todas estas pessoas para alert\u00e1-las sobre a imin\u00eancia de uma tempestade. Para os que n\u00e3o possuem esse servi\u00e7o, especialmente moradores dos nossos distritos mais pobres, agora temos mais volunt\u00e1rios para evacu\u00e1-los\u201d, disse John Forrest Ales, porta-voz da governadora de Louisiana, Kathleen Blanco. \u201cCriamos mais rotas de evacua\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Mark Smith, porta-voz do Escrit\u00f3rio de Seguran\u00e7a Interna e Prepara\u00e7\u00e3o para a Emerg\u00eancia de Lousiana.<\/p>\n<p>Lawrence Mccleary, encarregado de Informa\u00e7\u00e3o P\u00fablica da pol\u00edtica estadual de Lousiana, disse \u00e0 IPS que o fato de os equipamentos de comunica\u00e7\u00e3o serem incompat\u00edveis entre diferentes opera\u00e7\u00f5es de resgate foi \u201cum grande problema\u201d. Por isso, \u201co que fizemos foi ir utilizar um sistema de 700 megahertz para que todos n\u00f3s pud\u00e9ssemos nos comunicar com os demais. Desde o Katrina houve grandes saltos na compatibilidade das comunica\u00e7\u00f5es em Lousiana\u201d, assegurou. Os cientistas tamb\u00e9m notam que h\u00e1 melhor compreens\u00e3o da Corrente de Loope, um fluxo quente que vai no sentido hor\u00e1rio que se estende para o norte do Golfo do M\u00e9xico e une-se \u00e0 Corrente de Yucat\u00e1n e \u00e0 Corrente da Fl\u00f3rida.<\/p>\n<p>Em alguns pontos apresenta profundidade de 150 metros e alimenta \u201cos furac\u00f5es, que deixam as tormentas mais fortes\u201d, explicou Nan Walker, ocean\u00f3grafo e instrutor da Universidade do Estado de Lousiana. Tanto o furac\u00e3o Katrina quanto o Rita aumentaram muito em for\u00e7a quando passaram sobre as \u00e1guas quentes da Corrente de Loop. \u201cPenso que \u00e9 por causa do Katrina que os cientistas e o p\u00fablico est\u00e3o mais conscientes sobre a Corrente de Loop e a intensifica\u00e7\u00e3o dos furac\u00f5es devido a ela. Agora, h\u00e1 10 modelos diferentes de furac\u00f5es que s\u00e3o usados por centros de estudo desse fen\u00f4meno para rastre\u00e1-los\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica tamb\u00e9m \u00e9 um fator no surgimento de tempestades extremamente poderosas, de categoria cinco, como o Katrina. \u201cO impacto do aquecimento global sobre os furac\u00f5es \u00e9 um tema complexo. N\u00e3o temos uma resposta confi\u00e1vel para o efeito do aquecimento global sobre o n\u00famero de furac\u00f5es, j\u00e1 que existem efeitos que operam nas duas dire\u00e7\u00f5es\u201d, afirmou James Hansen, do Instituto Goddard de Estudos Cient\u00edficos da Administra\u00e7\u00e3o Nacional de Aeron\u00e1utica e Espa\u00e7o (Nasa) dos Estados Unidos, ao ser entrevistado por correio eletr\u00f4nico. Entretanto, acrescentou que, \u201ccom o aquecimento global, h\u00e1 potencial para se ter furac\u00f5es mais fortes e, portanto, mais prejudiciais. Esse resultado \u00e9 quase certo\u201d, ressaltou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>* Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel produzida em conjunto pela IPS (Inter Press Service) e IFEJ (siglas em ingl\u00eas de Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miami, 16\/07\/2007 &ndash; Apesar das crescentes advert\u00eancias de que as tempestades no Golfo do M\u00e9xico poderiam provocar inunda\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas na costa sudeste dos Estados Unidos, o Corpo de Engenheiros do Ex\u00e9rcito desse pa\u00eds n\u00e3o implementou um plano de conten\u00e7\u00e3o que havia sido proposto para Nova Orleans. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/ambiente\/ambiente-ainda-as-licoes-do-katrina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1476,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[14],"class_list":["post-3105","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1476"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3105"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3105\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}