{"id":3113,"date":"2007-07-19T19:09:08","date_gmt":"2007-07-19T19:09:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3113"},"modified":"2007-07-19T19:09:08","modified_gmt":"2007-07-19T19:09:08","slug":"iraque-os-enterros-em-valas-comuns","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/direitos-humanos\/iraque-os-enterros-em-valas-comuns\/","title":{"rendered":"Iraque: Os enterros em valas comuns"},"content":{"rendered":"<p>Baquba, Iraque, 19\/07\/2007 &ndash; O maior necrot\u00e9rio da oriental prov\u00edncia iraquiana de Diyala est\u00e1 com sua capacidade esgotada. Seus funcion\u00e1rios contaram que tiveram de cavar fossas comuns para colocar os corpos. <!--more--> Cada vez aparecem mais cad\u00e1veres de v\u00edtimas da viol\u00eancia di\u00e1ria nesta cidade, capital de Diyala, cerca de 50 quil\u00f4metros a nordeste de Bagd\u00e1. \u201cO necrot\u00e9rio recebe, em m\u00e9dia, quatro ou cinco corpos todos os dias\u201d, disse \u00e0 IPS Nima Jima\u2019a, que trabalha nessa depend\u00eancia.\u201dMuitos outros s\u00e3o jogados em terrenos ou rios. \u00c0s vezes, acontece de seus pr\u00f3prios assassinos os enterrarem. A quantidade de mortos que recebemos \u00e9 apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o de todos os que existem\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>As ambul\u00e2ncias, que voltaram a circular ap\u00f3s v\u00e1rias semanas de proibi\u00e7\u00e3o, come\u00e7aram a recolher corpos ca\u00eddos nos \u00faltimos combates. Mas, tamb\u00e9m encontraram cr\u00e2nios e outros ossos, provas de matan\u00e7as ocorridas h\u00e1 muito tempo. O manejo dos restos \u00e9 dif\u00edcil. Como toda a cidade, o necrot\u00e9rio sofre cont\u00ednuos cortes de energia el\u00e9trica. H\u00e1 duas semanas pararam dois de seus refrigeradores. O mau cheiro devido \u00e0 decomposi\u00e7\u00e3o dos corpos afeta os transeuntes a cem metros de dist\u00e2ncia. Funcion\u00e1rios do local disseram \u00e0 IPS que um comandante do ex\u00e9rcito dos Estados Unidos lhes ordenou h\u00e1 pouco que todos os corpos sejam enterrados em tr\u00eas dias.<\/p>\n<p>\u201cNo domingo retiramos 30 cad\u00e1veres do refrigerador, colocamos um nome em cada um e os pusemos em sacos pl\u00e1sticos fornecidos por soldados norte-americanos. Pedimos \u00e0s fam\u00edlias que olhassem os corpos. Depois foram enterrados todos juntos\u201d, contou Kareem al-Rubaee \u00e0 IPS. Especula-se que agora ser\u00e1 necess\u00e1rio fazer enterros coletivos a cada 15 ou 20 dias para manter intacta a capacidade do refrigerador, acrescentou. As fam\u00edlias costumam ter dificuldades para identificar e recolher os corpos, segundo funcion\u00e1rios do necrot\u00e9rio, porque a maioria dos cad\u00e1veres nunca chega ao necrot\u00e9rio para serem contados ou identificados.<\/p>\n<p>Muitas v\u00edtimas que morreram devido \u00e0s incurs\u00f5es a\u00e9reas dos Estados Unidos ficaram sepultadas sob os escombros de suas casas durante v\u00e1rios dias, \u00e0s vezes at\u00e9 por semanas, segundo v\u00e1rios vizinhos. A opera\u00e7\u00e3o militar nesta cidade visava os l\u00edderes da rede terrorista Al Qaeda, mas especula-se que estes fugiram antes do in\u00edcio da ofensiva. Os moradores se sentem alvo das matan\u00e7as de todas as fac\u00e7\u00f5es iraquianas que lutam entre si. Organiza\u00e7\u00f5es terroristas estrangeiras, que dizem seguir o modelo da Al Qaeda, seq\u00fcestram pessoas das quais n\u00e3o se tem mais not\u00edcia. C\u00e9lulas da Al Qaeda matam suas v\u00edtimas e jogam seus corpos em lugares especialmente escolhidos, que chamam de \u201czona de execu\u00e7\u00e3o\u201d, como forma de intimida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ve\u00edculos policiais e ambul\u00e2ncias recolhem os cad\u00e1veres desses locais e os levam para o necrot\u00e9rio. Baquba n\u00e3o estava preparada para essa quantidade de mortos, e s\u00f3 tem um pequeno dep\u00f3sito de cad\u00e1veres e recursos limitados para realizar os procedimentos necess\u00e1rios. \u201cQuando chegam os corpos, fazemos pelo menos duas fotos de \u00e2ngulos diferentes\u201d, disse \u00e0 IPS Mohammed Abid, do necrot\u00e9rio. \u201cEm geral, chegam sem nenhuma identifica\u00e7\u00e3o. \u00c9 um problema para as fam\u00edlias, para as quais as fotografias n\u00e3o bastam porque os rostos costumam estar deformados por torturas ou disparos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os refrigeradores o necrot\u00e9rio est\u00e3o cheios e os trabalhadores conhecem historias terr\u00edveis das tentativas para chegar aos corpos a fim de identific\u00e1-los. \u201cA foto do meu irm\u00e3o est\u00e1 no computador, mas n\u00e3o pudemos chegar at\u00e9 o corpo porque estava com outra fam\u00edlia\u201d, disse \u00e0 IPS Naser Sattar, um professor de 52 anos. \u201cPensavam que era seu filho porque estava deformado. Me aproximei dessa fam\u00edlia e recuperei meu irm\u00e3o para enterr\u00e1-lo em seguida\u201d, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Baquba, Iraque, 19\/07\/2007 &ndash; O maior necrot\u00e9rio da oriental prov\u00edncia iraquiana de Diyala est\u00e1 com sua capacidade esgotada. 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