{"id":3116,"date":"2007-07-19T19:17:44","date_gmt":"2007-07-19T19:17:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3116"},"modified":"2007-07-19T19:17:44","modified_gmt":"2007-07-19T19:17:44","slug":"energia-africa-na-era-dos-biocombustiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/africa\/energia-africa-na-era-dos-biocombustiveis\/","title":{"rendered":"Energia: \u00c1frica na era dos biocombust\u00edveis"},"content":{"rendered":"<p>Paris, 19\/07\/2007 &ndash; O dinheiro obtido com petr\u00f3leo inundou nas \u00faltimas d\u00e9cadas pa\u00edses como Angola e Nig\u00e9ria. Mesmo assim, alguns observadores consideram que a crescente demanda por biocombust\u00edvel abre novas oportunidades para a \u00c1frica. <!--more--> Os combust\u00edveis alternativos aos derivados do petr\u00f3leo, g\u00e1s e carv\u00e3o &#8211; l\u00edquidos ou gases destilados da biomassa &#8211; emitem menos di\u00f3xido de carbono. A maioria dos cientistas atribui o aquecimento do planeta \u00e0s emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa como o di\u00f3xido de carbono, metano e \u00f3xido nitroso, que impedem que o calor gerado pela luz do sol na superf\u00edcie da Terra se dissipe fora da atmosfera.<\/p>\n<p>Grande parte da \u00c1frica meridional, inclu\u00eddas Angola, Mo\u00e7ambique e \u00c1frica do Sul, parece ser um bom lugar para os que buscam uma alternativa aos combust\u00edveis f\u00f3sseis. Isso n\u00e3o passou despercebido na Europa. Em \u201cEstrat\u00e9gia europ\u00e9ia de energia sustent\u00e1vel, competitiva e segura\u201d, um informe preparado em 2006, a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia afirma que \u201cA nova estrat\u00e9gia UE-\u00c1frica, que prioriza as interliga\u00e7\u00f5es de sistemas energ\u00e9ticos, tamb\u00e9m pode contribuir para diversificar as fontes de fornecimento de g\u00e1s e petr\u00f3leo para a Europa\u201d. O documento tamb\u00e9m destaca a necessidade que esse continente tem em diversificar seus recursos energ\u00e9ticos.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um mercado potencial na Europa nessa \u00e1rea\u201d, disse Teodsio Bule, do Secretariado T\u00e9cnico de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional, com sede em Maputo, capital de Mo\u00e7ambique. \u201cA \u00c1frica esta perto da UE, e este bloco est\u00e1 disposto a contar com mais biocombust\u00edveis. Queremos aproveitar o fato de a \u00c1frica ser um dos fornecedores com maiores probabilidades\u201d, explicou Bule. Mais de um quarto dos investimentos da institui\u00e7\u00e3o financeira da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, o Banco Europeu de Investimentos, na \u00c1frica subsaariana se concentra nos setores de energia, petr\u00f3leo e g\u00e1s, e chega a cerca de 600 milh\u00f5es de euros (mais de US$ 800 milh\u00f5es) desde 2000.<\/p>\n<p>Uma das cartas a favor do continente que apareceu nos \u00faltimos anos foi a cria\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Africana, segundo v\u00e1rios funcion\u00e1rios da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia. A UA \u00e9 um bloco de 53 pa\u00edses, todos os da \u00c1frica, criado em 2001 com o prop\u00f3sito de ter uma moeda \u00fanica, for\u00e7as de defesa comuns e promover os direitos humanos. A UA sucede a Organiza\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Africana, criada em 1963 e dissolvida em 2002. Mas os tempos mudaram, muitas das prolongadas guerras civis acabaram e houve elei\u00e7\u00f5es relativamente transparentes e justas em pa\u00edses como Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e Lib\u00e9ria, antes assolados pela corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA rela\u00e7\u00e3o entre os dois blocos, que era do tipo doador-benefici\u00e1rio, evolui para uma rela\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo sobre v\u00e1rios assuntos e n\u00e3o se concentra apenas em quest\u00f5es de desenvolvimento\u201d, afirmou Marie-Laure de Bergh, funcion\u00e1ria do Centro Europeu de Gest\u00e3o de Pol\u00edticas Desenvolvimento, com sede em Bruxelas. Um dos atores fundamentais do desenvolvimento de projetos de biocombust\u00edveis na \u00c1frica, segundo diversos analistas, foi o Brasil, que em muitos sentidos iniciou o processo em 1975, quando lan\u00e7ou um programa para um motor que funciona com etanol. Segundo a Uni\u00e3o de Ind\u00fastrias de Cana-de-A\u00e7\u00facar, do Estado de S\u00e3o Paulo, cerca de 56% da colheita deste ano ser\u00e3o destinados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de etanol.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 70, quando o Brasil foi golpeado pelos elevados pre\u00e7os do petr\u00f3leo, a ditadura da \u00e9poca lan\u00e7ou um programa nacional para reduzir a depend\u00eancia do Pa\u00eds das importa\u00e7\u00f5es de \u00f3leo incentivando a constru\u00e7\u00e3o de usinas de etanol e concedendo empr\u00e9stimos a juros baixos \u00e0s empresas a\u00e7ucareiras impondo subs\u00eddios para manter baixo o pre\u00e7o do combust\u00edvel. Em meados dos anos 80, a maioria dos autom\u00f3veis novos no Brasil funcionavam com etanol e sua depend\u00eancia do petr\u00f3leo importado caiu de aproximadamente 80% no final da d\u00e9cada de 70 para 45% em 1990.<\/p>\n<p>Mas, quando o pre\u00e7o da gasolina voltou a baixar, no final dos anos 80, a demanda por etanol paralisou. A ind\u00fastria foi, em grande parte, salva no final da d\u00e9cada de 90 pela iniciativa do ent\u00e3o presidente Fernando Henrique Cardoso de por fim aos subs\u00eddios do setor a\u00e7ucareiro, dessa forma incentivando uma nova fase de competi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. Agora, a experi\u00eancia brasileira com o etanol pode servir como modelo para os biocombust\u00edveis na \u00c1frica. O Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva forjou acordos de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica em quest\u00f5es agr\u00edcolas com Angola e Mo\u00e7ambique, que t\u00eam o objetivo de impulsionar o desenvolvimento de combust\u00edveis alternativos.<\/p>\n<p>A Petrobras uniu-se \u00e0 empresa de energia italiana Eni para estudar a exporta\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edvel da \u00c1frica para a It\u00e1lia. A medida foi propiciada pela instala\u00e7\u00e3o no final de 2006 de um escrit\u00f3rio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria, dedicada \u00e0 pesquisa em agricultura e biotecnologia, em Accra, capital de Gana. A Embrapa j\u00e1 come\u00e7ou a ajuda Angola a impulsionar a ind\u00fastria de biocombust\u00edveis tendo por base a soja, e agora se volta para Mo\u00e7ambique. Mas o impulso ao combust\u00edvel alternativo na \u00c1frica na avan\u00e7a sem cr\u00edticas.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica do Sul, em meio ao incentivo para instala\u00e7\u00e3o de fabricas de etanol a partir do milho e a cria\u00e7\u00e3o de 55 mil novos postos de trabalho em \u00e1reas rurais, a ind\u00fastria recebe cr\u00edticas por contribuiu para um r\u00e1pido aumento do custo dos produtos b\u00e1sicos da popula\u00e7\u00e3o mais pobre do pa\u00eds. Os pre\u00e7os dos alimentos como milho e a\u00e7\u00facar aumentou no ano, respectivamente, 28% e 12,6%. Em uma confer\u00eancia sobre biocombust\u00edveis realizada este m\u00eas em Bruxelas a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia prop\u00f4s o objetivo de ter 10% de ve\u00edculos utilizando combust\u00edvel alternativo, at\u00e9 2020, meta que se for cumprida ser\u00e1 com base em importa\u00e7\u00f5es desde a \u00c1frica.<\/p>\n<p>\u201cAs na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento n\u00e3o podem se permitir perder este trem\u201d, afirmou nesse encontro Louis Michel, comiss\u00e1rio europeu de Desenvolvimento e Ajuda Humanit\u00e1ria. \u201cA Europa deve investir neste novo e promissor mercado e ajudar estes pa\u00edses a desenvolverem uma produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de biocombust\u00edveis, com respeito ao meio ambiente, responsabilidade social e acesso justo ao mercado\u201d, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paris, 19\/07\/2007 &ndash; O dinheiro obtido com petr\u00f3leo inundou nas \u00faltimas d\u00e9cadas pa\u00edses como Angola e Nig\u00e9ria. 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