{"id":3118,"date":"2007-07-19T19:31:50","date_gmt":"2007-07-19T19:31:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3118"},"modified":"2007-07-19T19:31:50","modified_gmt":"2007-07-19T19:31:50","slug":"america-latina-venezuela-compra-submarinos-russos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/america-latina\/america-latina-venezuela-compra-submarinos-russos\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina: Venezuela compra submarinos russos"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, 19\/07\/2007 &ndash; O an\u00fancio de que a Venezuela comprar\u00e1 da R\u00fassia cinco submarinos fez disparar alarmes de armamentismo convencional em um pa\u00eds que adota como doutrina de defesa a guerra assim\u00e9trica, ou de \u201ctodo o povo\u201d. <!--more--> Os submarinos custar\u00e3o mais de US$ 1 bilh\u00e3o, aos quais se somam os US$ 3 bilh\u00f5es que o governo de Hugo Ch\u00e1vez destinou nos \u00faltimos dois anos para a compra tamb\u00e9m de armas russas. Al\u00e9m disso, adquiriu tr\u00eas radares da China e nesta semana foi informada a importa\u00e7\u00e3o de avi\u00f5es militares de transporte.<\/p>\n<p>Os sistemas de armas incluem 24 ca\u00e7a-bombardeios Sukhoi-30, 55 helic\u00f3pteros Mi-17 e Mi-35, 100 mil fuzis AK-103 e uma f\u00e1brica desses Kalashnikov e suas muni\u00e7\u00f5es. V\u00e1rias das aeronaves j\u00e1 sobrevoam territ\u00f3rio venezuelano. \u201cOs Estados Unidos nos amea\u00e7am constantemente. Temos de defender nossa revolu\u00e7\u00e3o\u201d, disse no final de junho durante visita a Moscou o presidehte Hugo Ch\u00e1vez, que mant\u00e9m um aberto enfrentamento pol\u00edtico com Washington. Ch\u00e1vez acusa os norte-americanos de negarem reposi\u00e7\u00e3o de armamento e pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o para os ca\u00e7as F-16 que a Venezuela comprou h\u00e1 um quarto de s\u00e9culo, bem com para os avi\u00f5es de transporte H\u00e9rcules C-130, tamb\u00e9m fabricados nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A ag\u00eancia russa Interfax informou sobre a venda dos submarinos movidos a diesel da classe Varshvyanka, conhecidos no Ocidente como Kilo 636, para opera\u00e7\u00f5es anti-naves e equipados com seis tubos torpedeiros, 18 torpedos, 24 minas e oito m\u00edsseis superf\u00edcie-ar. Uma vers\u00e3o melhorada, o submarino Amur 677, \u00e9 mais silencioso e possui sistemas de lan\u00e7amento vertical, para atingir alvos localizados a centenas de quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>\u201cPor que submarinos?\u201d, perguntou Ch\u00e1vez, dirigindo-se aos seus cr\u00edticos. \u201cPorque temos mar, para ajudar a proteger os campos de produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica em mar aberto e porque o imp\u00e9rio norte-americano tem planos de agress\u00e3o e fez tentativas desse tipo h\u00e1 anos, quando um porta-avi\u00f5es entrou em \u00e1guas territoriais da Venezuela\u201d. Por sua vez, Rocio San Miguel, presidente da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Controle Cidad\u00e3o para a Seguran\u00e7a e Defesa, entende que os submarinos \u201cn\u00e3o atendem \u00e0s necessidades de vigil\u00e2ncia mar\u00edtima da Venezuela, que s\u00e3o de superf\u00edcie e de natureza aduaneira, ambiental, fiscal, sanit\u00e1ria e de luta contra o narcotr\u00e1fico\u201d.<\/p>\n<p>A compra dos submarinos \u201c\u00e9 ruim para os vizinhos e pode alterar a geopol\u00edtica no Caribe\u201d, come\u00e7ando pela vizinha Col\u00f4mbia, que tem pendente com a Caracas a delimita\u00e7\u00e3o de suas \u00e1reas marinhas e submarinas junto \u00e0 fronteira norte, envolvendo \u00e1guas do mar do Caribe e do Golfo da Venezuela, disse San Miguel \u00e0 IPS. Durante d\u00e9cadas, as academias militares destes dois pa\u00edses inclu\u00edram em seus jogos de guerra hip\u00f3teses de conflito entre ambos.<\/p>\n<p>O general da reserva Fernando Ochoa, ministro da defesa quando em 1992 Ch\u00e1vez liderou um cruento e falido golpe, disse que, \u201cdevido \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o de seu prest\u00edgio e ao fato de ningu\u00e9m acreditar na invas\u00e3o gringa, Ch\u00e1vez precisa recuperar popularidade \u00e0 la Galtieri, criando tens\u00e3o com um pa\u00eds vizinho\u201d. Em 1982, o ent\u00e3o ditador argentino Leopoldo Galtieri ordenou a ocupa\u00e7\u00e3o militar das ilhas Malvinas, para deter a acelerada deteriora\u00e7\u00e3o do regime imposto em 1976, com o resultado de uma guerra com a Gr\u00e3-Bretanha e a conseq\u00fcente derrota diante da segunda maior for\u00e7a mar\u00edtima do mundo.<\/p>\n<p>Segundo Ochoa, isso explica o fato de \u201cter comprado material b\u00e9lico pesado, embora seja contradit\u00f3rio com a teoria da guerra assim\u00e9trica, que demanda material leve em lugar de submarinos ou avi\u00f5es de alta tecnologia para uma guerra regular na regi\u00e3o\u201d. A prepara\u00e7\u00e3o \u201cde todo o povo\u201d para tarefas de defesa levou Ch\u00e1vez, h\u00e1 dois anos, a criar a Reserva, com dezenas de milhares de civis como quinto componente das For\u00e7as Armadas, junto com Ex\u00e9rcito, Marinha, Aeron\u00e1utica e Guarda Nacional, que \u00e9 uma for\u00e7a militar com atribui\u00e7\u00f5es de pol\u00edcia.<\/p>\n<p>O at\u00e9 agora comandante dessa Reserva, general Gustavo Rangel, assumiu ontem como ministro da Defesa, \u201co que impulsionar\u00e1 a nova doutrina de seguran\u00e7a, de uni\u00e3o c\u00edvico-militar e guerra de resist\u00eancia\u201d, afirmou o coronel da reserva H\u00e9ctor Herrera, do grupo pr\u00f3-oficialista Frente C\u00edvico-Militar Bolivariano. Rangel substitui o general Isa\u00edas Baduel, art\u00edfice da devolu\u00e7\u00e3o do governo a Ch\u00e1vez em abril de 2002, quando um golpe de Estado c\u00edvico-militar o tirou do poder por dois dias, e que passa \u00e0 reserva com outros generais, como Alberto Muller, coordenador do Estado Maior Presidencial.<\/p>\n<p>A imprensa informou que Baduel liderou dentro dos altos comandos a corrente \u201cprofissional\u201d dos quadros militares com compra de armamento convencional, enquanto Muller, seguindo o discurso de Ch\u00e1vez, defendeu a \u201cguerra de todo o povo\u201d. H\u00e1 \u201cpress\u00f5es nos comandos militares a respeito da mudan\u00e7a que possa significar o novo modelo de defesa, porque isso acaba com uma s\u00e9rie de privil\u00e9gios. Minha posi\u00e7\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria a profissionalizar a For\u00e7a Armada\u2019, disse o esquerdista Muller, que em 2005 foi chamado novamente \u00e0s fileiras pelo mandat\u00e1rio, apesar de j\u00e1 ter 70 anos de idade e 20 na reserva. A For\u00e7a Armada venezuelana \u201cdeve apontar para a defesa de todo o povo, para a guerra de resist\u00eancia que faz o povo diante do invasor estrangeiro\u201d, ressaltou Muller.<\/p>\n<p>O especialista pol\u00edtico Alberto Garrido disse \u00e0 IPS que, \u201cembora Ch\u00e1vez compartilha com Muller o julgamento de que o choque final com os Estados Unidos \u00e9 assim\u00e9trico, a imprescind\u00edvel situa\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica regional e a realidade militar racional o obrigam a ser cuidadoso\u201d. O esquema do presidente seria \u201cprepara\u00e7\u00e3o para uma guerra combinada, convencional e assim\u00e9trica. A convencional n\u00e3o pode funcionar eficazmente contra os Estados Unidos, mas, tem validade diante de vizinhos, algo esbo\u00e7ado por Baduel quando formulou (h\u00e1 um ano) a hip\u00f3tese de guerra em raz\u00e3o de conflitos em pa\u00edses fronteiri\u00e7os\u201d, segundo Garrido.<\/p>\n<p>A guerra assimetria ou sem restri\u00e7\u00f5es, segundo os te\u00f3ricos chineses Qiao Lyang e Wang Xiangsui, pressup\u00f5e a utiliza\u00e7\u00e3o de qualquer tipo de luta diante de uma pot\u00eancia esmagadoramente superior em for\u00e7a, tecnologia ou influ\u00eancia diplom\u00e1tica, combinando a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e militares e envolvendo a popula\u00e7\u00e3o civil.San Miguel recordou que a Venezuela \u00e9 signat\u00e1ria dos Conv\u00eanios de Genebra de 1949 e seus protocolos adicionais de 1977, que protegem a popula\u00e7\u00e3o civil e vedam seu emprego em a\u00e7\u00f5es b\u00e9licas, \u201cpois se assumem o papel de combatentes pode-se usar a for\u00e7a letal contra eles\u201d.<\/p>\n<p>A anunciada compra de submarinos n\u00e3o despertou maiores repercuss\u00f5es no resto da Am\u00e9rica. Washington se absteve de incluir o assunto quando, ainda com Ch\u00e1vez na R\u00fassia, o presidente desse pa\u00eds, Vladimir Putin, visitou seu colega George W. Bush em sua resid\u00eancia de ver\u00e3o. At\u00e9 deixar seu cargo h\u00e1 duas semanas, o embaixador de Washington em Caracas, William Brownfield, repetiu com freq\u00fc\u00eancia em suas declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que \u201cos Estados Unidos n\u00e3o invadiram nunca a Venezuela, n\u00e3o a est\u00e1 invadindo e jamais a invadir\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>A Col\u00f4mbia n\u00e3o fez nenhuma declara\u00e7\u00e3o sobre o assunto. Um pacto entre os presidentes Ch\u00e1vez e seu colega \u00c1lvaro Uribe mant\u00e9m longe dos microfones diversos temas sens\u00edveis. Diplomatas europeus e latino-americanos em Caracas reconhecem em particular que um crescimento do armamento venezuelano deve levar a Col\u00f4mbia a f\u00f3rmulas de equil\u00edbrio. Segundo Ochoa, a hip\u00f3tese de um conflito com a Col\u00f4mbia exige a neutralidade dos Estados Unidos, \u201csem a qual uma aventura seria irresponsabilidade inaceit\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>No Brasil, o almirante Julio Soares de Moura, comandante da Marinha, descartou qualquer preocupa\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o diria que h\u00e1 uma corrida armamentista na Venezuela, creio que \u00e9 um reequipamento ou renova\u00e7\u00e3o de arsenal. N\u00e3o me parece que representam algum risco. Brasil e Venezuela mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es cordiais\u201d, disse Moura. San Miguel insistiu em que a Venezuela carece de um \u201clivro branco\u201d que defina as amea\u00e7as \u00e0 sua seguran\u00e7a e a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de defesa nacional. \u201cParece que o presidente se expressa e os demais atuam. N\u00e3o h\u00e1 quem lhe diga n\u00e3o\u201d. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, 19\/07\/2007 &ndash; O an\u00fancio de que a Venezuela comprar\u00e1 da R\u00fassia cinco submarinos fez disparar alarmes de armamentismo convencional em um pa\u00eds que adota como doutrina de defesa a guerra assim\u00e9trica, ou de \u201ctodo o povo\u201d. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/america-latina\/america-latina-venezuela-compra-submarinos-russos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":90,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,11],"tags":[],"class_list":["post-3118","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/90"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3118"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3118\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}