{"id":3123,"date":"2007-07-24T15:15:25","date_gmt":"2007-07-24T15:15:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3123"},"modified":"2007-07-24T15:15:25","modified_gmt":"2007-07-24T15:15:25","slug":"terrorismo-o-risco-esta-no-paquistao-nao-no-iraque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/mundo\/terrorismo-o-risco-esta-no-paquistao-nao-no-iraque\/","title":{"rendered":"Terrorismo: O risco est\u00e1 no Paquist\u00e3o, n\u00e3o no Iraque"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 24\/07\/2007 &ndash; A \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias de intelig\u00eancia dos Estados Unidos sobre a amea\u00e7a da rede terrorista Al Qaeda renova as d\u00favidas sobre a invas\u00e3o do Iraque em 2003. Al\u00e9m disso, chama a aten\u00e7\u00e3o para o dia-a-dia mais conflitivo no Paquist\u00e3o. <!--more--> Uma vers\u00e3o n\u00e3o classificada de duas paginas da \u00faltima Estimativa Nacional de Intelig\u00eancia (NIE), elaborada em consenso pelas 16 ag\u00eancias do setor para ser entregue ao presidente George W. Bush, foi divulgada na capital norte-americana na ter\u00e7a-feira.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise indica que a Al Qaeda se recuperou ap\u00f3s sua expuls\u00e3o do Afeganist\u00e3o em 2001, ao reconstituir sua organiza\u00e7\u00e3o central e alguns de seus campos de treinamento. Isto cria uma atmosfera de \u201camea\u00e7a intensificada\u201d para os Estados Unidos, segundo a avalia\u00e7\u00e3o. De acordo com o estudo, o ressurgir do grupo foi poss\u00edvel, basicamente, devido aos \u201cparaisos seguros\u201d aos quais teve acesso em \u00e1reas tribais do oeste paquistan\u00eas. Outro motivo \u00e9 sua associa\u00e7\u00e3o com a Al Qaeda no Iraque, a qual ajudou a \u201cenergizar a comunidade sunita extremista, arrecadar fundos e recrutar e doutrinar\u201d novos membros. Estas conclus\u00f5es foram imediatamente acolhidas pelos cr\u00edticos da pol\u00edtica de Bush, especialmente os l\u00edderes do opositor Partido Democrata no Congresso.<\/p>\n<p>Estes cr\u00edticos argumentam h\u00e1 muito tempo que a invas\u00e3o do Iraque n\u00e3o s\u00f3 desviou recursos e aten\u00e7\u00e3o do Afeganist\u00e3o e Paquist\u00e3o como, tamb\u00e9m, funcionou como ferramenta extraordinariamente efetiva de recrutamento para a Al Qaeda e outros grupos terroristas. \u201cO Iraque \u00e9 importante porque se converteu em uma causa c\u00e9lebre. A Al Qaeda nesse pa\u00eds e sua organiza\u00e7\u00e3o central exploram a imagem dos Estados Unidos como pot\u00eancia ocupante de terra mu\u00e7ulmana\u201d, disse um especialista em Oriente M\u00e9dio e analista aposentado da Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA), Paul Pillar, em uma an\u00e1lise publicada pelo jornal The Washington Post.<\/p>\n<p>A NIE \u00e9 a primeira avalia\u00e7\u00e3o sobre a amea\u00e7a potencial da Al Qaeda contra os Estados Unidos desde os ataques de 11 de setembro de 2001 que deixaram tr\u00eas mil mortos em Nova Yorque e Washington. O estudo reavivou um velho debate sobre a afirma\u00e7\u00e3o do governo a respeito de o Iraque constituir \u201ca principal frente de batalha na guerra contra o terrorismo\u201d, curiosamente, o pr\u00f3prio Bush baseou esta certeza em um coment\u00e1rio semelhante feito pelo l\u00edder dessa organiza\u00e7\u00e3o, Osama bin Laden. Especialistas em contra-terrorismo, particularmente nas ag\u00eancias de intelig\u00eancia, questionam essa tese.<\/p>\n<p>A \u00faltima estimativa de intelig\u00eancia ap\u00f3ia claramente esse cepticismo, ao enfatizar que os grupos da Al Qaeda presentes no Paquist\u00e3o, junto com sua estendida rede de filiados e membros opeacionais, continuam sendo \u201ca amea\u00e7a mais seria\u201d para os Estados Unidos em seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio. O governo Bush pressiona h\u00e1 muito tempo o presidente paquistan\u00eas, Pervez Musharraf, para que ataque bases da organiza\u00e7\u00e3o nas zonas tribais do pa\u00eds, na fronteira com o Afeganist\u00e3o. O ex\u00e9rcito do Paquist\u00e3o o fez, com certo grau de sucesso, entre final de 2001 e 2004, quando capturou ou matou importantes chefes da Al Qaeda, algumas vezes com ajuda da intelig\u00eancia dos Estados Unidos e de seus m\u00edsseis Predator.<\/p>\n<p>Entretanto, depois de uma s\u00e9rie de enfrentamentos com mil\u00edcias da organiza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica Talib\u00e3, que controlou a maior parte do territ\u00f3rio afeg\u00e3o entre 1996 e 2001, as tropas paquistanesas se retiraram dessas \u00e1reas nos \u00faltimos 18 meses. Isso foi feito depois de o governo prometer a chefes tribais expulsar rebeldes estrangeiros e prevenir e infiltra\u00e7\u00e3o de membros do Talib\u00e3 a partir do Afeganist\u00e3o. De fato, a retirada do ex\u00e9rcito deixou a zona sob controle dos talib\u00e3s paquistaneses, que n\u00e3o s\u00f3 proporcionaram \u00e0 Al Qaeda um abrigo seguro para reconstruir sua capacidade operacional mas, tamb\u00e9m, come\u00e7aram a exercer agressivamente sua influ\u00eancia sobre territ\u00f3rios vizinhos e o pr\u00f3prio Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Na semana passada, o sangrento desenlace do prolongado sitio do ex\u00e9rcito \u00e0 Mesquita Vermelha, em Islamabad, capital do Paquist\u00e3o, deu lugar ao rompimento dos acordos de paz em Waziristao, e a uma s\u00e9rie de ataques e atentados suicidas com bombas. Musharraf, incentivado por Washington para enfrentar os combatentes que controlavam a mesquita, respondeu com um novo deslocamento de tropas nas \u00e1reas tribais. \u201cAlguma a\u00e7\u00e3o militar \u00e9 necess\u00e1ria e provavelmente dever\u00e1 ser tomada\u201d, disse o subsecret\u00e1rio de Estado para o Centro e sul da \u00c1sia, Richard Boucher.<\/p>\n<p>Boucher tamb\u00e9m afirmou que Washington espera conceder quase a totalidade dos US$ 350 milh\u00f5es pedidos por Musharraf para treinar, equipar e enviar for\u00e7as paquistanesas para as \u00e1reas tribais. Os planos incluem a cria\u00e7\u00e3o de um corpo de guarda da fronteira, que se somaria aos esfor\u00e7os para reafirmar o controle do governo central. Washington j\u00e1 comprometeu a entrega de US$ 750 milh\u00f5es, em cinco anos, para promover o desenvolvimento das \u00e1reas tribais. A ajuda total, por\u00e9m, representa menos do que os Estados Unidos gastam em quatro dias com seu esfor\u00e7o militar no Iraque. Boucher acrescentou que a decis\u00e3o de Musharraf de atacar a mesquita \u201cimplicou ultrapassar uma linha. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 retorno\u201d.<\/p>\n<p>O presidente do Paquist\u00e3o enfrenta um acrescente oposi\u00e7\u00e3o interna por parte dos partidos pol\u00edticos seculares. O governo Bush de fato tem esperan\u00e7a de que Musharraf e os militares levem a luta \u00e0s \u00e1reas tribais para, dessa forma, causar o maior dano poss\u00edvel \u00e0 estrutura da Al Qaeda. \u201cVeremos o desbaratamento de grupos extremistas ligados \u00e0 Al Qaeda e tamb\u00e9m outros de car\u00e1ter local, que realizam ataques atrav\u00e9s da fronteira no Afeganist\u00e3o\u201d, afirmou na televis\u00e3o outro ex-agente da CIA, Robert Grenier.<\/p>\n<p>Entretanto, uma a\u00e7\u00e3o mais agressiva acarretaria s\u00e9rios riscos para Musharraf que, segundo se soube, foi for\u00e7ado a sair das regi\u00f5es de fronteira por press\u00e3o dos comandantes militares. \u201cEst\u00e3o muito preocupados com a possibilidade de desatar uma guerra civil mais generalizada entre os pasthuns\u201d paquistaneses, disse Anatol Lieven, especialista no sul da \u00c1sia do centro de estudos Funda\u00e7\u00e3o Nova Am\u00e9rica. A etnia pasthun (patana) \u00e9 majorit\u00e1ria no Afeganist\u00e3o e na fronteira paquistanesa. Entre seus membros predomina o Isl\u00e3 sunita.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos pasthuns vive no Paquist\u00e3o, n\u00e3o no Afeganist\u00e3o, mas est\u00e3o muito identificados com os que ficam do outro lado da fronteira. E este grupo tamb\u00e9m \u00e9 o que mais homens fornece, de maneira desproporcional, ao ex\u00e9rcito paquistan\u00eas\u201d, disse Lieven. Um especialista do Centro Nixon, de Washington, Al\u00e9xis Debat, concorda com essa preocupa\u00e7\u00e3o. \u201cExiste uma grande tens\u00e3o entre os pashtuns e os punj\u00e1is\u201d, de ascend\u00eancia indo-ariana, afirmou. \u201cSe os patshuns, os punj\u00e1is, est\u00e3o felizes e se os dois grupos come\u00e7arem a se matar entre si as conseq\u00fc\u00eancias podem ser muito serias\u201d, disse \u00e0 IPS. \u201cVejo isso como uma amea\u00e7a, inclusive no curto prazo, de que o Paquist\u00e3o simplesmente se desintegre\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Outro problema, segundo Debat, \u00e9 que o ex\u00e9rcito \u201ccarece da capacidade para combater os insurgentes nas \u00e1reas tribais. As poucas opera\u00e7\u00f5es feitas n\u00e3o tiveram sucesso e, simplesmente, jogaram a toalha\u201d. Se o ex\u00e9rcito do Paquist\u00e3o \u00e9 realmente incapaz de iniciar opera\u00e7\u00f5es ofensivas, ou n\u00e3o deseja faz\u00ea-lo, pode aumentar a press\u00e3o nos Estados Unidos para que intervenham diretamente, al\u00e9m das opera\u00e7\u00f5es encobertas de intelig\u00eancia e sua hoje limitada coopera\u00e7\u00e3o com miss\u00f5es especiais. A maioria dos analistas se diz contra esse curso de a\u00e7\u00e3o. \u201cCausar\u00e1 dist\u00farbios no Paquist\u00e3o e no mundo \u00e1rabe e levar\u00e1, com toda certeza, a um n\u00edvel maior de insurg\u00eancia contra as for\u00e7as dos Estados Unidos\u201d, alertou Seth Jones, especialista no sul da \u00c1sia do centro de estudos RAND Institute. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 24\/07\/2007 &ndash; A \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias de intelig\u00eancia dos Estados Unidos sobre a amea\u00e7a da rede terrorista Al Qaeda renova as d\u00favidas sobre a invas\u00e3o do Iraque em 2003. 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