{"id":3137,"date":"2007-07-26T13:47:42","date_gmt":"2007-07-26T13:47:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3137"},"modified":"2007-07-26T13:47:42","modified_gmt":"2007-07-26T13:47:42","slug":"ambiente-nigeria-um-petroleiro-movido-a-lenha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/africa\/ambiente-nigeria-um-petroleiro-movido-a-lenha\/","title":{"rendered":"Ambiente: Nig\u00e9ria, um petroleiro movido a lenha"},"content":{"rendered":"<p>Lagos, 26\/07\/2007 &ndash; A Nig\u00e9ria enfrenta um paradoxo. \u00c9 o sexto produtor mundial de petr\u00f3leo, mas seus habitantes dependem da madeira para ter combust\u00edvel. <!--more--> Musa Amiebinomo, funcion\u00e1rio do Departamento de Silvicultura, disse que aproximadamente 70% da popula\u00e7\u00e3o deste pa\u00eds de mais de 140 milh\u00f5es de habitantes vivem em \u00e1reas rurais e dependem de recursos florestais, especialmente a madeira, para atender suas necessidades domesticas de energia. Isto provoca a destrui\u00e7\u00e3o das florestas, agravada pelo corte comercial ilegal.<\/p>\n<p>O informe \u201cEstado das florestas do mundo\u201d, divulgado em 2005 pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO), diz que entre 1990 e 20005 a Nig\u00e9ria perdeu 37,5% de suas \u00e1reas florestais. O ambientalista Boniface Egboka, decano da Escola de Estudos de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Universidade de Anambra, afirmou que o uso predominante de lenha como combust\u00edvel esta ligado \u00e0 crescente corrup\u00e7\u00e3o no poder.<\/p>\n<p>\u201cA Nig\u00e9ria ainda depende deste recurso, embora tenhamos g\u00e1s e petr\u00f3leo em abund\u00e2ncia, porque nossos l\u00edderes s\u00e3o fraudulentos e corruptos. N\u00e3o lhes importa o bem-estar dos habitantes e, portanto, permitem que as \u00e1rvores sejam cortadas\u201d, disse Egboka \u00e0 IPS. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o para usar lenha. Temos os recursos humanos e financeiros para levar g\u00e1s \u00e0s resid\u00eancias. Estamos desmatando toda a zona norte do pa\u00eds por causa do corte de \u00e1rvores para serem usadas com combust\u00edvel\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A primeira lei sobre uso das florestas na Nig\u00e9ria foi aprovada pelas autoridades coloniais brit\u00e2nicas em 1937. Estabeleceu um sistema de reservas florestais que admitia a explora\u00e7\u00e3o de determinadas \u00e1reas por companhias ou pessoas que tivessem licen\u00e7a para isso. Replantar erra a ferramenta prevista para evitar o desmatamento. A pol\u00edtica nacional agr\u00edcola adotada em 1988 buscou expandir o uso sustent\u00e1vel dos recursos florestais e expandir as \u00e1reas de floresta para 20% do territ\u00f3rio nacional. Segundo o informe da FAO, at\u00e9 o momento s\u00f3 foram cobertos 12,2%.<\/p>\n<p>N\u00e3o existem leis contra o corte de \u00e1rvores para combust\u00edvel salvo em \u00e1reas protegidas. O corte de palmeiras, mangueiras e \u00e1rvores de cacau est\u00e1 controlado por meio de regulamenta\u00e7\u00f5es comunais devido ao seu valor econ\u00f4mico. Mas as leis demonstraram ser impotentes para preservar as florestas da Nig\u00e9ria. \u201cH\u00e1 \u00e1reas de floresta denominadas zonas priorit\u00e1rias ou de conserva\u00e7\u00e3o natural, onde o corte est\u00e1 totalmente proibido. Mas, n\u00e3o se respeita a lei e nada acontece com que desmata ilegalmente\u201d, disse o coordenador do Centro Regional para o Sistema de Informa\u00e7\u00e3o e manejo Ambiental da Universidade de Lagos, Peter Nwilo. Inclusive, mesmo quem tem licen\u00e7a de explora\u00e7\u00e3o age ilegalmente, cortando \u00e1rvores de todos os tamanhos, incluindo as consideradas muito jovens para o corte.<\/p>\n<p>Entretanto, as autoridades que concede a permiss\u00e3o continuam renovando-as, segundo se diz, por causa dos subornos pagos pelas companhias madeireiras. O presidente da n\u00e3o-governamental Funda\u00e7\u00e3o de Conserva\u00e7\u00e3o Florestal de Nig\u00e9ria, Philip Asiodu, disse que \u201cn\u00e3o se trata de um problema de aus\u00eancia de legisla\u00e7\u00e3o adequada, pol\u00edticas ou programas, mas, simplesmente, da falta de vontade e disciplina para faz\u00ea-las cumprir por parte de uma burocracia corrupta\u201d. Os cortadores ilegais enviam a madeira ao exterior, especialmente para a \u00c1sia. Algumas das toras s\u00e3o vendidas a serrarias locais, que produzem t\u00e1buas para fabricantes de m\u00f3veis e empresas construtoras.<\/p>\n<p>O desmatamento \u00e9 especialmente grave nas zonas central e setentrional do pa\u00eds, o que provocou a eros\u00e3o e a desertifica\u00e7\u00e3o do solo. Foi amplamente informado que por esta raz\u00e3o perde-se 350 mil hectares por ano. Qual \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o? Um anteprojeto governamental, \u201cVis\u00e3o 2010\u201d, contendo metas de desenvolvimento a serem alcan\u00e7adas nesse prazo, sugere medidas entre as quais est\u00e3o a proibi\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es, incentivos para o investimento privado, maior participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria no manejo das florestas e o fomento para reflorestamento de esp\u00e9cies que d\u00eaem frutos, resinas ou outros bens de valor econ\u00f4mico para as comunidades.<\/p>\n<p>Este anteprojeto tamb\u00e9m prop\u00f5e a promo\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento de outras fontes de energia que substituam a madeira, com a solar e a e\u00f3lica, bem como o uso de g\u00e1s e carv\u00e3o. Em 1999, as autoridades iniciaram planos para fornecer g\u00e1s natural para uso comercial e domestico, mas at\u00e9 o momento apenas um punhado de \u00e1reas industriais nesta capital foram beneficiadas com esta medida. \u201cEstamos procurando fazer levar g\u00e1s \u00e0s industrias. Os usu\u00e1rios residenciais ser\u00e3o atendidos mais tarde, porque temos de planejar a rede de conex\u00e3o. A maioria das zonas residenciais de Lagos n\u00e3o esta bem planejada, por isso fornecer g\u00e1s para uso domestico \u00e9 um pouco complicado\u201d, disse um funcion\u00e1rio da companhia Gaslink de g\u00e1s.<\/p>\n<p>Isto significa que aqueles que desejam usar g\u00e1s em suas casas est\u00e3o obrigados a comprar botij\u00f5es que custam cerca de US$ 21 para uso em seus fog\u00f5es \u00e0 g\u00e1s, que podem ser comprados por pre\u00e7os entre US$ 80 e US$ 165, fora do alcance de muitos. Segundo o Informe de Desenvolvimento Humano 2006, do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento, 70,8% dos nigerianos vivem com menos de um d\u00f3lar por dia e 92,4% com menos de dois d\u00f3lares ao dia. \u201cN\u00e3o lembro quando usei pela \u00faltima vez meu fog\u00e3o \u00e0 g\u00e1s. Ainda tenho dois botij\u00f5es, \u00e0 espera do dia em que o g\u00e1s ser\u00e1 mais barato\u201d, disse \u00e0 IPS a professora Caroline Akande, que vive em um sub\u00farbio desta cidade. \u201cAgora uso um fog\u00e3o que funciona com querosene e outro el\u00e9trico, quando h\u00e1 eletricidade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 falta de medidas efetivas para preservar os recursos florestais da Nig\u00e9ria, muitas \u00e1reas do pa\u00eds podem experimentar o que j\u00e1 viveu a aldeia de Ogori, na prov\u00edncia central de Kogi. \u201cNos anos 60 \u00edamos \u00e0 floresta que rodeava nossa vila para apanhar carac\u00f3is ou colocar armadilhas para roedores e outros animais\u201d, disse \u00e0 IPS o professor John Atere. \u201cMas, n\u00e3o h\u00e1 mais floresta. Os carac\u00f3is e outros animais silvestres desapareceram\u201d, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lagos, 26\/07\/2007 &ndash; A Nig\u00e9ria enfrenta um paradoxo. \u00c9 o sexto produtor mundial de petr\u00f3leo, mas seus habitantes dependem da madeira para ter combust\u00edvel. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/07\/africa\/ambiente-nigeria-um-petroleiro-movido-a-lenha\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":206,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,5],"tags":[],"class_list":["post-3137","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3137","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/206"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3137"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3137\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3137"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3137"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3137"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}