{"id":3145,"date":"2007-08-01T16:03:39","date_gmt":"2007-08-01T16:03:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3145"},"modified":"2007-08-01T16:03:39","modified_gmt":"2007-08-01T16:03:39","slug":"eua-a-reconstrucao-dos-corredores-da-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/08\/desenvolvimento\/eua-a-reconstrucao-dos-corredores-da-biodiversidade\/","title":{"rendered":"EUA: A reconstru\u00e7\u00e3o dos corredores da biodiversidade"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 01\/08\/2007 &ndash; O maior dos carn\u00edvoros e o menor dos roedores costumam perambular at\u00e9 se cansar pela Am\u00e9rica do Norte. Mas o desmatamento e a descontrolada expans\u00e3o urbana fragmentaram o subcontinente em ilhas de bio-homogeneidade. <!--more--> Hoje, estradas de oito faixas e cidades dispersas enjaularam a natureza que antes era livre, destruindo a unidade ecol\u00f3gica. Inadvertidamente, caminhoneiros e planejadores urbanos se converteram em sic\u00e1rios, incrementando a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies. Quatro ambiciosas iniciativas a cargo de uma coaliz\u00e3o conservacionista t\u00eam o objetivo de reverter estas tend\u00eancias desestabilizadoras, que impactaram a paisagem norte-americana por v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O Wildlands Project (Projeto Zonas Silvestres) pretende reconectar, restaurar e \u201crenaturalizar\u201d o continente, incentivando a cria\u00e7\u00e3o de quatro corredores de conserva\u00e7\u00e3o que liguem terras fiscais e privadas ao longo das montanhas Rochosas, dos oceanos Pacifico e Atl\u00e2ntico e atrav\u00e9s do Canad\u00e1, desde o Alasca at\u00e9 o mar de Labrador. \u201cSe n\u00e3o religarmos estas \u00e1reas protegidas antes ligadas, n\u00e3o seremos capazes de diminuir a extin\u00e7\u00e3o\u201d, disse, entrevistado para esta mat\u00e9ria, Kim Vacariu, diretor ocidental do Wildlands Project. Estes \u201ccorredores biol\u00f3gicos continentais\u201d restabelecer\u00e3o a continuidade de conserva\u00e7\u00e3o sem interrup\u00e7\u00f5es entre os parques nacionais e outras \u00e1reas protegidas em um n\u00edvel cujo \u00fanico precedente \u00e9 o estado original do continente.<\/p>\n<p>A primeira iniciativa, cujo lan\u00e7amento est\u00e1 previsto para o final de 2008, ainda n\u00e3o obteve um financiamento adequado. Trata-se do corredor Coluna do Continente, que se estende ao longo de 6.400 quil\u00f4metros, pelas Rochosas, desde o Alasca setentrional e atrav\u00e9s do norte do M\u00e9xico. \u201cAs coisas estavam em seu lugar para fazer a Coluna do Continente primeiro, pois j\u00e1 se havia feito muito para concretiz\u00e1-la\u201d, disse a este cronista Dave Foreman, co-fundador do Wildlands Project e diretor-executivo do The Rewilding Institute (Institudo de Renaturaliza\u00e7\u00e3o) a respeito dos v\u00ednculos j\u00e1 estabelecidos entre v\u00e1rios terrenos protegidos na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Foreman desenhou o conceito destes quatro mega-enlaces no verso de um envelope h\u00e1 15 anos, sem dar-se conta, na \u00e9poca, de que se esbo\u00e7o se tornaria a pedra angular dos esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da natureza na Am\u00e9rica do Norte e em todo o mundo. Michael Soul\u00e9, o outro co-fundador principal do Wildlands Project, adotou a id\u00e9ia dos corredores continentais da Austr\u00e1lia. Soul\u00e9 co-presidente o WildCountry Science Council (Conselho Cientifico Pa\u00eds Silvestre), filial australiana do WildLands Project que trabalha com organiza\u00e7\u00f5es conservacionistas e governos para estabelecer corredores.<\/p>\n<p>\u201cOs parques nacionais isolados, sem considerar sua \u00e1rea, n\u00e3o proteger\u00e3o a natureza a longo prazo, n\u00e3o apenas pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica mas tamb\u00e9m pelos efeitos de isolamento que gradualmente levar\u00e3o \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o\u201d, disse Soul\u00e9 ao ser entrevistado pela IPS. \u201cPara que as esp\u00e9cies sobrevivam deve haver possibilidade de plantas e animais se trasladarem a longas distancias\u201d, acrescentou. Para facilitar a livre circula\u00e7\u00e3o ao longo da Coluna do Continente, \u00e9 necess\u00e1rio vencer os principais obst\u00e1culos, mas notoriamente as auto-estradas norte-americanas.<\/p>\n<p>Uma solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel que os defensores da iniciativa do corredor continental exploram \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de maci\u00e7as passagens elevadas de natureza, com pelo menos 40 metros de largura, que sirvam como pontes seguras para animais e vegeta\u00e7\u00e3o. A Administra\u00e7\u00e3o Federal de Auto-Estradas dos Estados Unidos (FHWA) financiou v\u00e1rias dessas pontes, conhecidas popularmente como \u201cpassagem de bichos\u201d, em todo o pa\u00eds para proteger a natureza.<\/p>\n<p>\u201cQuando essas passagens financiadas pela FHWA s\u00e3o projetadas adequadamente e protegem o acesso de vida silvestre aos dois lados da rodovia, s\u00e3o altamente efetivos na redu\u00e7\u00e3o de mortes, conectando habitat e aumentando a seguran\u00e7a dos motoristas\u201d, explicou \u00e0 IPS Gloria Shepherd, alta funcionaria desta ag\u00eancia governamental. Embora o fato de flora e fauna passarem por cima da Coluna do Continente fosse ideal do ponto de vista conservacionista, o pre\u00e7o calculado entre US$ 5 milh\u00f5es e US$ 10 milh\u00f5es para cada uma limita a constru\u00e7\u00e3o em algumas poucas.<\/p>\n<p>\u201cAlgu\u00e9m tem de estar seguro de que v\u00e3o funcionar, pois s\u00e3o uma esp\u00e9cie de \u00faltimo recurso\u201d, disse Kurt Menke, co-presidente da Tijeras Canyon Safe Passage Coalition. Sua organiza\u00e7\u00e3o de volunt\u00e1rios no Novo M\u00e9xico retirou escombros de passagens inferiores, como aquedutos e leitos de rios, em lugar de criar novas pontes para dar aos animais liberdade de passarem sob as auto-pistas de maneira segura. \u201cEste assunto da conex\u00e3o \u00e9 vital para manter a biodiversidade, especialmente com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, disse Menke.<\/p>\n<p>Um desejo de proteger a natureza dos florescentes impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica foi uma for\u00e7a condutora por tr\u00e1s da iniciativa dos corredores continentais desde seu in\u00edcio, quando foi criado o Wildlands Project, em 1991. \u201cEmbora estejamos h\u00e1 anos falando sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e como as esp\u00e9cies precisariam de capacidade de resposta diante de seus efeitos, o atual fervor nacional a respeito nos ajuda a descrever o tipo de trabalho que estamos fazendo. Estes corredores poderiam ser vistos como rotas para que os animais evitem a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, disse Vacariu.<\/p>\n<p>Soul\u00e9 advertiu que a excessiva \u00eanfase na quest\u00e3o, na realidade, poderia voltar-se contra os esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 um perigo real em cada um que sobe no carro clim\u00e1tico e se esquece da destrui\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o do habitat. A menos que continuemos trabalhando duramente nestes e em outros problemas, vamos perder natureza de toda maneira\u201d, afirmou. O apoio \u00e0 iniciativa da Coluna do Continente ficou mais forte nos \u00faltimos anos, na medida em que a id\u00e9ia de megav\u00ednculos se torna mais amplamente aceita em c\u00edrculos dedicados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o. Mas, ainda enfrenta uma oposi\u00e7\u00e3o significativa.<\/p>\n<p>\u201cHouve um apoio surpreendente. Tamb\u00e9m \u00e9 realmente interessante o fato de alguns o virem como um tipo de mal que se apodera dos Estados Unidos\u201d, disse Foreman. \u201cO problema internacional-chave \u00e9 a idiota muralha fronteiri\u00e7a (proposta pelos Estados Unidos e pelo M\u00e9xico), e digo isso como ativista pela estabilidade da popula\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou. No contexto de um projeto de lei assinado pelo presidente George W. Bush em 2006, est\u00e1 prevista a instala\u00e7\u00e3o de 1.126 quil\u00f4metros de barreira em 3.380 quil\u00f4metros de fronteira que separam Estados Unidos do M\u00e9xico, para dissuadir os mexicanos de migrarem para o Norte.<\/p>\n<p>Muitos conservacionistas contr\u00e1rios \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o ilegal ainda defendem fronteiras abertas que promovam a biodiversidade, o que permitira aos jaguares (os grandes carn\u00edvores mais comuns de se ver perto desta fronteira) a liberdade de circular internacionalmente. Continua sendo incerto se os governo slocais e nacionais apoiar\u00e3o este grau de liberdade internacional para a vida silvestre. Vacariu disse que, como o Wildlands Project ainda est\u00e1 em processo de planejamento estrat\u00e9gico, a maioria das entidades governamentais sabem pouco e nada sobre a proposta. \u201cN\u00e3o queremos falar com s\u00f3cios futuros at\u00e9 termos tudo organizado\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Junto com as iniciativas que atualmente s\u00e3o desenvolvidas na Am\u00e9rica do Norte e na Austr\u00e1lia, not\u00e1veis esfor\u00e7os de v\u00ednculos de conserva\u00e7\u00e3o est\u00e3o em curso na \u00c1frica e Europa. A id\u00e9ia das liga\u00e7\u00f5es de natureza \u201cse imp\u00f5e porque os ecologistas se deram conta de que n\u00e3o podem proteger a natureza em ilhas\u201d, disse Soul\u00e9.<\/p>\n<p>A internacional Peace Parks Foundation (Funda\u00e7\u00e3o Parques da Paz), criada em Botswana, Mo\u00e7ambique e \u00c1frica do Sul, tentar\u00e1 minimizar os efeitos desestabilizadores do meio ambiente associados com a maioria das fronteiras pol\u00edticas criando reservas transfronteiri\u00e7as. Na Rom\u00eania s\u00e3o desenvolvidos esfor\u00e7os de conex\u00e3o para proteger os montes C\u00e1rpatos. \u201cO tempo \u00e9 primordial para come\u00e7ar a trabalhar no lugar e avan\u00e7ar para a prote\u00e7\u00e3o destas conex\u00f5es-chave de vida silvestre. Perdemos esp\u00e9cies todos os dias. Esta \u00e9 realmente uma situa\u00e7\u00e3o urgente\u201d, ressaltou Vacariu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>(*) Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel produzida em conjunto pela IPS (Inter Press Service) e IFEJ (siglas em ingl\u00eas de Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 01\/08\/2007 &ndash; O maior dos carn\u00edvoros e o menor dos roedores costumam perambular at\u00e9 se cansar pela Am\u00e9rica do Norte. 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