{"id":3152,"date":"2007-08-01T18:05:13","date_gmt":"2007-08-01T18:05:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3152"},"modified":"2007-08-01T18:05:13","modified_gmt":"2007-08-01T18:05:13","slug":"agua-luta-desigual-pela-igualdade-na-africa-austral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/08\/africa\/agua-luta-desigual-pela-igualdade-na-africa-austral\/","title":{"rendered":"\u00c1gua: Luta desigual pela igualdade na \u00c1frica austral"},"content":{"rendered":"<p>Johannesburgo, 01\/08\/2007 &ndash; Os recursos h\u00eddricos s\u00e3o distribu\u00eddos de maneira desigual em todos os pa\u00edses da \u00c1frica austral, regi\u00e3o que possui alguns dos maiores lagos e rios do mundo, bem como vastos desertos. <!--more--> Por seu volume, o rio Congo, que se nasce nas terras altas da \u00c1frica oriental e flui atrav\u00e9s das selvas rumo ao sul, \u00e9 o segundo maior rio do mundo, depois do Amazonas. O lago Tanganica, um dos Grandes Lagos da \u00c1frica, cont\u00e9m o segundo maior volume de \u00e1gua doce do mundo, e o lago Victoria tem a segunda maior superf\u00edcie entre os de \u00e1gua doce. Al\u00e9m disso, cinco bacias de rios, a do Zambezi, do Congo, do Orange, do Limpopo e do Okavango, transportam \u00e1gua mais do que suficiente para garantir que todos os habitantes da regi\u00e3o a recebam.<\/p>\n<p>A bacia do rio Congo tem quase 30% das reservas de \u00e1gua doce da \u00c1frica, mas abastece apenas 10% da popula\u00e7\u00e3o do continente. Entretanto, a regi\u00e3o tamb\u00e9m abriga dois grandes desertos. O de Kalahari se expande atrav\u00e9s da \u00c1frica do Sul, Nam\u00edbia e Botswana, e o de Namib cobre a maior parte do pa\u00eds ao qual d\u00e1 nome. As freq\u00fcentes secas assolaram grandes \u00e1reas da \u00c1frica do Sul, Botswana, Zimb\u00e1bue e Malawi. Estas longos per\u00edodos sem chuva for\u00e7aram o deslocamento de agricultores para \u00e1reas marginais a fim de poderem sobreviver e deixaram os habitantes de assentamentos prec\u00e1rios urbanos vulner\u00e1veis a enfermidades.<\/p>\n<p>Esta distribui\u00e7\u00e3o manifestamente desigual levou muitos especialistas a criarem planos para melhorar o manejo dos recursos h\u00eddricos da \u00c1frica austral. Alguns j\u00e1 se transformaram em valiosos projetos, como as represas de Kariba (entre Z\u00e2mbia e Zimb\u00e1bue), Gariep (\u00c1frica do Sul) e Cahora Bassa (Mo\u00e7ambique). V\u00e1rios outros programas, como o Projeto de \u00c1guas das Terras Altas de Lesoto e a represa de Grand Ing\u00e1, no rio Congo, est\u00e3o em variadas fases de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, apesar da disponibilidade regional geral de \u00e1gua e dos substanciais esfor\u00e7os internacionais em mat\u00e9ria de assist\u00eancia para garantir seu fornecimento, ainda h\u00e1 muitos pobres em \u00e1reas rurais e urbanas sem acesso sustentado \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e ao saneamento. Dados de 2004 do Programa Conjunto de Monitora\u00e7\u00e3o do Abastecimento de \u00c1gua e Saneamento, da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade e do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) indicam que em Mo\u00e7ambique apenas 43% da popula\u00e7\u00e3o tinha acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, enquanto em Angola essa porcentagem subia para 53% e em Z\u00e2mbia chegava a 58% de seus habitantes.<\/p>\n<p>\u201cO acesso a um fornecimento melhor de \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 apenas uma necessidade fundamental e um direito humano. Tamb\u00e9m representa consider\u00e1veis benef\u00edcios sanit\u00e1rios e econ\u00f4micos para domic\u00edlios e indiv\u00edduos\u201d, diz a p\u00e1gina da Internet do programa conjunto da OMS e do Unicef. Oo par\u00e1grafo 23 da Declara\u00e7\u00e3o do Mil\u00eanio, de setembro de 2000 acordado na Assembl\u00e9ia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, diz que \u00e9 preciso \u201cdeter a explora\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel dos recursos h\u00eddricos desenvolvendo estrat\u00e9gias de manejo da \u00e1gua nos n\u00edveis regional, nacional e local, que promovam tanto um acesso equitativo quanto fornecimentos adequados\u201d.<\/p>\n<p>Para implementar a Declara\u00e7\u00e3o do Mil\u00eanio, a ONU elaborou os oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio, que no primeiro cap\u00edtulo os governos do mundo se comprometeram a reduzir significativamente a extrema pobreza at\u00e9 2015. O s\u00e9timo objetivo, que busca garantir a sustentabilidade ambiental, inclui a meta de reduzir pela metade, em rela\u00e7\u00e3o aos indicadores de 1990, a propor\u00e7\u00e3o de pessoas sem acesso sustent\u00e1vel \u00e0 \u00e1gua segura para beber e ao saneamento b\u00e1sico. Embora a comunidade internacional em geral pare\u00e7a estar a caminho de cumprir esta meta, a \u00c1frica subsaariana est\u00e1 atrasada.<\/p>\n<p>Segundo a atualiza\u00e7\u00e3o de 2007 do informe das Na\u00e7\u00f5es Unidas intitulado \u201c\u00c1frica e os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio\u201d, 63% dos habitantes desta regi\u00e3o careciam de acesso a instala\u00e7\u00f5es de saneamento b\u00e1sico em 2004, por exemplo, apenas abaixo dos 68% registrados em 1990. Projetar este lento ritmo de avan\u00e7o para o futuro deixa poucas d\u00favidas de que a maior parte da \u00c1frica n\u00e3o conseguir\u00e1 atingir o s\u00e9timo objetivo at\u00e9 2015. As autoridades nacionais e locais respons\u00e1veis pelo manejo da \u00e1gua na \u00c1frica austral s\u00e3o lentas em bombear \u00e1gua para as \u00e1reas rurais mais freq\u00fcentemente afetadas pelas secas.<\/p>\n<p>Estas \u00e1reas costumam sofrer escassez de \u00e1gua porque em alguns casos n\u00e3o foram constru\u00eddas represas. Embora em outros as represas e os encanamentos existentes n\u00e3o sejam mantidos de forma apropriada. Pobres m\u00e9todos agr\u00edcolas exacerbaram a escassez de \u00e1gua, degradando o solo e abrindo a porta para uma eros\u00e3o que reduz a capacidade da terra de reter os volumes de \u00e1gua das chuvas. Em lugar de a \u00e1gua ficar armazenada no solo, flui atrav\u00e9s de canais de eros\u00e3o para o rio mais pr\u00f3ximo, colocando em risco a sustentabilidade do setor agr\u00edcola que alimenta a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O r\u00e1pido crescimento demogr\u00e1fico e a urbaniza\u00e7\u00e3o pressionam as autoridades h\u00eddricas das \u00e1reas urbanas. Em muitos assentamentos pobres, dezenas, e \u00e0s vezes centenas, de pessoas compartilham uma \u00fanica fonte de \u00e1gua. A falta de infra-estrutura de saneamento significa que os efluentes permane\u00e7am expostos entre os casebres, criando um ambiente prop\u00edcio para as bact\u00e9rias. Mais positivamente, os l\u00edderes da Comunidade de Desenvolvimento da \u00c1frica Austral parecem conscientes da import\u00e2ncia de usar melhor os recursos h\u00eddricos existentes. A maioria dos pa\u00edses da regi\u00e3o dedicou substanciais recursos \u00e0s suas autoridades h\u00eddricas nacionais, e trabalham juntos com ag\u00eancias doadoras para melhorar o fornecimento de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Foram criadas comiss\u00f5es para as quatro maiores bacias hidrogr\u00e1ficas na \u00c1frica austral e o uso de todos os principais rios \u00e9 regido por comiss\u00f5es multilaterais. A Comunidade de Desenvolvimento da \u00c1frica Austral tem a seu lado o fato de a maioria de seus rios e lagos estarem relativamente limpos e sem contamina\u00e7\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com as vias fluviais do mundo industrializado e de outros pa\u00edses emergentes do sudeste da \u00c1sia. Mas resta muito a ser feito para garantir que este estado relativamente original persista a m\u00e9dio e longo prazos. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Johannesburgo, 01\/08\/2007 &ndash; Os recursos h\u00eddricos s\u00e3o distribu\u00eddos de maneira desigual em todos os pa\u00edses da \u00c1frica austral, regi\u00e3o que possui alguns dos maiores lagos e rios do mundo, bem como vastos desertos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/08\/africa\/agua-luta-desigual-pela-igualdade-na-africa-austral\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1506,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8],"tags":[],"class_list":["post-3152","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1506"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3152"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3152\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}