{"id":3157,"date":"2007-08-02T16:29:42","date_gmt":"2007-08-02T16:29:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3157"},"modified":"2007-08-02T16:29:42","modified_gmt":"2007-08-02T16:29:42","slug":"eua-india-como-aprendi-a-amar-a-bomba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/08\/mundo\/eua-india-como-aprendi-a-amar-a-bomba\/","title":{"rendered":"EUA-\u00cdndia: Como aprendi a amar a bomba"},"content":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 02\/08\/2007 &ndash; O acordo de coopera\u00e7\u00e3o nuclear entre Estados Unidos e \u00cdndia fez disparar coment\u00e1rios negativos de ativistas pela paz, especialistas em desarmamento e opositores ao uso dessa tecnologia para produzir energia. <!--more--> \u201cO pacto estrat\u00e9gico entre Washington e Nova D\u00e9lhi pode gerar uma corrida armamentista entre \u00cdndia, Paquist\u00e3o e tamb\u00e9m China\u201d, disse \u00e0 IPS o diretor-executivo do Comit\u00ea de Advogados sobre Pol\u00edtica Nuclear de Nova York, John Burroughs. O acordo tamb\u00e9m afeta as perspectivas de avan\u00e7ar no campo do desarmamento e da n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o de armas at\u00f4micas, acrescentou.<\/p>\n<p>O subsecret\u00e1rio-geral encarregado de assuntos de desarmamento da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Jayantha Dhanapala, disse que o pacto \u201ctem o perigoso potencial de iniciar uma corrida nuclear entre China, \u00cdndia e Paquist\u00e3o de desastrosas conseq\u00fc\u00eancias para a paz e o desenvolvimento econ\u00f4mico da \u00c1sia\u201d. O governo indiano, por outro lado, disse que o acordo n\u00e3o desestabilizaria a regi\u00e3o nem desataria uma corrida armamentista. Segundo o assessor de Seguran\u00e7a Nacional da \u00cdndia, N. K. Narayanan, tampouco haver\u00e1 um \u201cpacto g\u00eameo\u201d entre China e Paquist\u00e3o. \u201cEste acordo n\u00e3o \u00e9 uma desculpa para aumentar nossa capacidade estrat\u00e9gica\u201d, disse Narayanan \u00e0 imprensa em Nova D\u00e9lhi. Os Estados Unidos e a \u00cdndia chegaram a um entendimento para compartilhar tecnologia e combust\u00edveis para centrais nucleares.<\/p>\n<p>A na\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica jamais assinou o Tratado de N\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares (TNP) e possui seu pr\u00f3prio arsenal at\u00f4mico. Zia Mian, da Escola Woodrow Wilson de Assuntos P\u00fablicos e Internacionais da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, disse \u00e0 IPS que Washington encontra no pacto benef\u00edcios estrat\u00e9gicos e econ\u00f4micos. O governo norte-americano procura contrapor-se \u00e0 crescente influ\u00eancia da China ao selar um tratado com um pa\u00eds que historicamente esteve em maus termos com o regime de Pequim, segundo Mian, entre outros analistas de pol\u00edtica internacional. \u201cPor\u00e9m, a popula\u00e7\u00e3o da \u00cdndia e do Paquist\u00e3o pagar\u00e1 o pre\u00e7o, pois o acordo vai desatar uma corrida armamentista at\u00f4mica entre esses dois pa\u00edses\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O tratado permite a Nova D\u00e9lhi aumentar sua capacidade de produzir materiais que podem ser usados para a fabrica\u00e7\u00e3o de armas at\u00f4micas. O Paquist\u00e3o j\u00e1 anunciou que far\u00e1 tudo ao seu alcance para n\u00e3o ficar para tr\u00e1s. \u00cdndia e Paquist\u00e3o, que ao longo de suas vidas independentes se enfrentaram em v\u00e1rias guerras, fizeram em 1998 seus primeiros testes declarados com armas nucleares, cada um a seu tempo e com poucos dias de diferen\u00e7a. Ambos pa\u00edses, os mais povoados da \u00c1sia meridional, se constitu\u00edram em 1947, com a retirada das autoridades coloniais brit\u00e2nicas da regi\u00e3o. A maioria da popula\u00e7\u00e3o indiana professa a religi\u00e3o hindu e os paquistaneses a mu\u00e7ulmana.<\/p>\n<p>O establishment nuclear entre as duas na\u00e7\u00f5es ser\u00e1 mais poderoso, drenar\u00e1 recursos da \u00e1rea de desenvolvimento social\u201d para dedic\u00e1-los \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o de seus arsenais \u201c e aumentar\u00e1 o perigo de um confronto at\u00f4mico no Sudeste da \u00c1sia\u201d, disse Mian. O subsecret\u00e1rio de Estado norte-americano, Nicholas Burns, que esteve \u00e0 frente das negocia\u00e7\u00f5es, negou que o acordo com a \u00cdndia seja um exemplo de duplo discurso em seu governo, que prop\u00f5e castigar o Ir\u00e3 por manter seu programa de desenvolvimento nuclear. \u201cEste entendimento envia uma mensagem a regimes renegados, como o de Teer\u00e3, de que caso se comportem com responsabilidade n\u00e3o ser\u00e3o punidos\u201d, disse Burns \u00e0 imprensa na semana passada.<\/p>\n<p>Para o governo de George W. Bush, o programa nuclear iraniano esconde ambi\u00e7\u00f5es armamentistas. Al\u00e9m de \u00cdndia, Israel e Paquist\u00e3o se negarem a assinar o TNP, Teer\u00e3, \u00e9 seu signat\u00e1rio. O pacto entre Washington e Nova D\u00e9lhi, chamado \u201cAcordo 123\u201d, permitir\u00e1 \u00e0 \u00cdndia instalar uma nova usina de enriquecimento de ur\u00e2nio com fins civis, fundamentalmente utilizando reatores e assessoramento procedentes dos Estados Unidos. Mas o pr\u00f3prio presidente Bush havia assinalado em 2004 que \u201cpa\u00edses que procuram empregar a energia nuclear com fins pac\u00edficos\u201d n\u00e3o precisam aumentar sua \u201ccapacidade de enriquecimento e processamento\u201d de material at\u00f4mico.<\/p>\n<p>\u201cOs detalhes do Acordo 123 permanecem envoltos em mist\u00e9rio\u201d, disse Dhanapala \u00e0 IPS. \u201cMas segundo se soube, trata-se de um cru exemplo de realpolitik que pisoteia os princ\u00edpios da n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o ignorando totalmente o TNP\u201d. Al\u00e9m disso, disse que se envia \u201cum mau sinal \u00e0 imensa maioria dos signat\u00e1rios do tratado que se at\u00eam fielmente \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es do TNP\u201d. Na semana passada, Burns declarou \u00e0 imprensa que o acordo com a \u00cdndia incentivaria outros pa\u00edses a desenvolverem armas nucleares fora do contexto do TNP. Quando se negociou o tratado de n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o, recordou Burroughs, a \u00cdndia disse claramente que n\u00e3o aceitaria um mundo dividido entre os que t\u00eam armas nucleares e os que n\u00e3o e, em conseq\u00fc\u00eancia, se negou a assin\u00e1-lo.<\/p>\n<p>\u201cO problema do pacto entre Washington e Nova D\u00e9lhi n\u00e3o \u00e9 reconhecer que a \u00cdndia tem um arsenal at\u00f4mico\u201d, acrescentou Burroughs. \u201cO ruim \u00e9 que nem \u00cdndia nem Estados Unidos d\u00e3o mostras de trabalhar para eliminar seus arsenais junto com outros Estados que possuem esse tipo de arma\u201d. O tratado n\u00e3o exige da \u00cdndia suspender a produ\u00e7\u00e3o de material nuclear pr\u00f3prio para fabrica\u00e7\u00e3o de bombas, nem que deixe de constru\u00ed-las com os componentes que j\u00e1 tem armazenado. \u201cEm suma, deus-se \u00e0 Nova D\u00e9lhi o certificado de membro do clube dos possuidores de armas at\u00f4micas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mian ressaltou que o pacto Washington-Nova D\u00e9lhi \u00e9 uma clara viola\u00e7\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o 1.172, aprovada pela unanimidade do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU no dia 6 de junho de 1998, depois das detona\u00e7\u00f5es at\u00f4micas realizadas por \u00cdndia e Paquist\u00e3o. Esta resolu\u00e7\u00e3o exigia das duas pot\u00eancias da \u00c1sia meridional \u201cdeter imediatamente os programas de desenvolvimento de armas nucleares\u201d. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 02\/08\/2007 &ndash; O acordo de coopera\u00e7\u00e3o nuclear entre Estados Unidos e \u00cdndia fez disparar coment\u00e1rios negativos de ativistas pela paz, especialistas em desarmamento e opositores ao uso dessa tecnologia para produzir energia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/08\/mundo\/eua-india-como-aprendi-a-amar-a-bomba\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,9,4],"tags":[14,17],"class_list":["post-3157","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-energia","category-globalizacao","category-mundo","tag-america-do-norte","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3157","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3157"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3157\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}