{"id":3181,"date":"2007-08-08T17:34:46","date_gmt":"2007-08-08T17:34:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3181"},"modified":"2007-08-08T17:34:46","modified_gmt":"2007-08-08T17:34:46","slug":"biodiversidade-atum-de-barbatana-azul-em-perigo-no-atlantico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/08\/economia\/biodiversidade-atum-de-barbatana-azul-em-perigo-no-atlantico\/","title":{"rendered":"Biodiversidade: Atum de barbatana azul em perigo no Atl\u00e2ntico"},"content":{"rendered":"<p>Toronto, 08\/08\/2007 &ndash; A pesca indiscriminada arrasou as exist\u00eancias de atum de barbatana azul do Atl\u00e2ntico na Europa setentrional h\u00e1 50 anos, enquanto a press\u00e3o sobre o remanescente desta variedade coloca toda a esp\u00e9cie \u00e0 beira da extin\u00e7\u00e3o, alerta um estudo da Universidade T\u00e9cnica da Dinamarca. <!--more--> A cada ver\u00e3o no come\u00e7o do s\u00e9culo XX as \u00e1guas do norte da Europa, da Holanda at\u00e9 a Noruega, estavam repletas de atuns de barbatana azul, de aproximadamente tr\u00eas metros de comprimento e pesando cerca de 700 quilos, segundo registros hist\u00f3ricos de pesca. Poucos podiam capturar este peixe poderoso e de nado r\u00e1pido at\u00e9 os anos 30 e 40, quando foram projetados barcos maiores e velozes, melhor equipados para a pesca.<\/p>\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o de atum de barbatana azul entrou em colapso na d\u00e9cada de 60, e mais de 40 anos depois ainda se recuperou\u201d, disse Brian McKenzie, da Universidade T\u00e9cnica, que liderou o estudo a ser publicado pela revista Fisheries Research. \u201cO atum de barbatana azul simplesmente j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais visto nestas \u00e1guas\u201d, disse MacKenzie \u00e0 IPS. Pode-se estabelecer um claro paralelo com o mais recente colapso do outrora abundante bacalhau setentrional. Este tamb\u00e9m foi pescado at\u00e9 quase sua extin\u00e7\u00e3o do outro lado do Atl\u00e2ntico e n\u00e3o se recuperou, apesar de uma proibi\u00e7\u00e3o de sua captura em vigor h\u00e1 15 anos. \u201cTemo que o ocorrido com o atum de barbatana azul seja semelhante ao que aconteceu com o bacalhau setentrional\u201d, afirmou o pesquisador.<\/p>\n<p>Esta esp\u00e9cie de atum do Atl\u00e2ntico continua sob intensa press\u00e3o da ind\u00fastria pesqueira, que utiliza avi\u00f5es e helic\u00f3pteros de observa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o do mar Mediterr\u00e2neo. A variedade \u00e9 muito desejada pelo mercado japon\u00eas de sushi, onde uma \u00fanica unidade \u00e9 vendida por US$ 60 mil. O recorde \u00e9 de US$ 174 mil por um atum de barbatana azul de aproximadamente 200 quilos. As reservas deste peixe est\u00e3o regulamentadas pela Comiss\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o do Atum Atl\u00e2ntico (ICCAT), que fixou uma cota para 2007 de 29 mil toneladas, menor do que a do ano anterior, de 32 mil toneladas, para o Mediterr\u00e2neo e o Atl\u00e2ntico oriental.<\/p>\n<p>Bi\u00f3logos marinhos e organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas consideram que a cota da ICCAT duplica a cifra que seria sustent\u00e1vel. Al\u00e9m disso, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) disse que a pesca ilegal grassa na regi\u00e3o. E um estudo independente revelou que a captura anual real do atum rondava as 50 mil toneladas. O atum de barbatana azul \u00e9 encontrado por todo o oceano Atl\u00e2ntico, com tr\u00eas popula\u00e7\u00f5es distintas. A maior prospera no sul do Mediterr\u00e2neo, outra se encontra no Atl\u00e2ntico ocidental e a terceira no Atl\u00e2ntico sul, e muitos a consideram uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada.<\/p>\n<p>Foi o que explicou Barbara Block, bi\u00f3loga marinha da Universidade de Stanford e principal cientista do programa de Rotulagem de Predadores do Pacifico do Censo de Vida Marinha e do programa Rotule um Gigante, referente a esta esp\u00e9cie. A popula\u00e7\u00e3o de atuns do Atl\u00e2ntico ocidental que se concentra no golfo do M\u00e9xico tamb\u00e9m est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o ruim. Sofre redu\u00e7\u00e3o de 90% dos peixes em idade reprodutiva, mas apesar disso existe uma pesca comercial com cota de 2.100 toneladas para este ano. Ali \u201ch\u00e1 poucos atuns de barbatana azul suficientemente maduros para se reproduzirem\u201d, disse em uma entrevista Block, uma das mais destacadas especialistas mundiais em atum.<\/p>\n<p>Durante v\u00e1rios anos, a cientista e seus colegas colocaram etiquetas eletr\u00f4nicas nos atuns de barbatana azul para aprender mais sobre seus movimentos e \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o. Dois deles, gigantes, que foram etiquetados em \u00e1guas do norte da Irlanda em 2004, foram detectados a mais de cinco mil quil\u00f4metros desse local oito meses depois. Um viajou seis mil quil\u00f4metros para o sudoeste em 177 dias, passando para \u00e1guas cerca de 300 quil\u00f4metros a nordeste de Cuba. E o outro permaneceu no Atl\u00e2ntico oriental e se dirigiu \u00e0 costa de Portugal.<\/p>\n<p>\u201cEstes dados proporcionam novas evid\u00eancias de que ocorre uma mistura nas \u00e1guas setentrionais do Atl\u00e2ntico oriental e complementam dados anteriores que mostram que as reservas de atum de barbatana azul do Atl\u00e2ntico, do ocidente e do oriente, se misturam em ricos terrenos de abastecimento de alimentos do Atl\u00e2ntico central\u201d, explicou Block. Isso significa que os ca\u00e7adores japoneses e europeus de atum dessa esp\u00e9cie em \u00e1guas da Irlanda e outras partes do Atl\u00e2ntico norte provavelmente estejam capturando a rara variedade do Atl\u00e2ntico ocidental e contando-a como se fosse do Atl\u00e2ntico oriental.<\/p>\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o do Atl\u00e2ntico ocidental pode desaparecer a menos que as cotas sejam drasticamente reduzidas no leste\u201d, disse a cientista. Como se pode ganhar milh\u00f5es de d\u00f3lares ca\u00e7ando atum, h\u00e1 uma \u201cmentalidade de febre do ouro\u201d onde \u201cningu\u00e9m quer seguir regras\u201d, incluindo n\u00e3o pescar em \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, afirmou. Al\u00e9m disso, como a reprodu\u00e7\u00e3o sup\u00f5e um momento de grande estresse para o atum, mesmo o fechamento dessas zonas para impedir a pesca, tal como se fez no golfo do M\u00e9xico, poderia n\u00e3o ser suficiente, segundo outros novos dados que Block e seus colegas publicar\u00e3o na revista Marine Biology.<\/p>\n<p>Vinte e oito atuns de barbatana azul do Atl\u00e2ntico receberam sofisticadas etiquetas especiais que registraram sua localiza\u00e7\u00e3o, profundidade, temperatura da \u00e1gua, n\u00edvel de luz e temperatura abdominal. Os pesquisadores descobriram que uma maioria deles \u2013 alguns com at\u00e9 300 quilos \u2013 gravitaram at\u00e9 as quentes \u00e1guas pr\u00f3ximas do estreito da Fl\u00f3rida e a parte ocidental do golfo do M\u00e9xico para se reproduzirem. Durante este estudo foram obtidas medidas fisiol\u00f3gicas reais no momento do namoro e do acasalamento do atum.<\/p>\n<p>Block enfatizou que estes peixes n\u00e3o s\u00e3o muito sens\u00edveis a qualquer press\u00e3o, por isso e para impedir que o atum seja capturado de maneira incidental, toda a pesca deveria ser proibida perto de suas \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o durante a temporada em que esta ocorre. Mas parece improv\u00e1vel que isso aconte\u00e7a. Em uma reuni\u00e3o da ICCAT realizada em julho foram adotadas pouqu\u00edssimas medidas em mat\u00e9ria de pesca ilegal, segundo a WWF. A frota \u2013 descomunal e bem financiada \u2013 de embarca\u00e7\u00f5es destinadas \u00e0 pesca do atum facilmente pode capturar 50 mil toneladas no Mediterr\u00e2neo e no Atl\u00e2ntico oriental, apesar de a cota permitir apenas 29 mil toneladas.<\/p>\n<p>\u201cEste fracasso da ICCAT em contratar as partes para fazer o certo \u00e9 efetivamente um est\u00edmulo \u00e0 pesca ilegal, j\u00e1 que a capacidade ultrapassa de longe a cota\u201d, disse Sergi Tudela, do WWF, que participou da reuni\u00e3o como observador oficial. \u201cAgora, a \u00fanica maneira de garantir uma redu\u00e7\u00e3o nos esfor\u00e7os de pesca e facilitar uma recupera\u00e7\u00e3o real das reservas \u00e9 impor uma proibi\u00e7\u00e3o durante o m\u00eas de julho, quando acontece a maioria das capturas\u201d, afirmou Tudela em uma declara\u00e7\u00e3o escrita.<\/p>\n<p>Quando os atuns de barbatana azul come\u00e7aram a desaparecer de \u00e1guas do norte da Europa, nos anos 60, houve certa preocupa\u00e7\u00e3o, mas nada foi feito, e pouco depois era muito tarde, disse MacKenzie. \u201cHoje, poucos sabem que os mares em volta da Europa setentrional outrora estiveram cheios destes peixes enormes e majestosos. Agora est\u00e3o acesas as luzes de advert\u00eancia para os atuns de barbatana azul que existem no resto do mundo\u201d, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toronto, 08\/08\/2007 &ndash; A pesca indiscriminada arrasou as exist\u00eancias de atum de barbatana azul do Atl\u00e2ntico na Europa setentrional h\u00e1 50 anos, enquanto a press\u00e3o sobre o remanescente desta variedade coloca toda a esp\u00e9cie \u00e0 beira da extin\u00e7\u00e3o, alerta um estudo da Universidade T\u00e9cnica da Dinamarca. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/08\/economia\/biodiversidade-atum-de-barbatana-azul-em-perigo-no-atlantico\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[18],"class_list":["post-3181","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3181"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3181\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}