{"id":3183,"date":"2007-08-09T14:50:27","date_gmt":"2007-08-09T14:50:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3183"},"modified":"2007-08-09T14:50:27","modified_gmt":"2007-08-09T14:50:27","slug":"energia-a-dependencia-hungara-do-gas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/08\/ambiente\/energia-a-dependencia-hungara-do-gas\/","title":{"rendered":"Energia: A depend\u00eancia h\u00fangara do g\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p>Budapeste, 09\/08\/2007 &ndash; A Hungria, uma das na\u00e7\u00f5es da Europa que mais dependem do g\u00e1s, se ver\u00e1 submetida ao fornecimento da R\u00fassia no futuro imediato. A possibilidade de contar com fontes de energia alternativa \u00e9 um sonho distante. A depend\u00eancia energ\u00e9tica se tornou um assunto pol\u00eamico nos \u00faltimos meses entre pol\u00edticos e jornalistas. <!--more--> Dirigentes da oposi\u00e7\u00e3o de direita alertam que a excessiva depend\u00eancia do g\u00e1s russo \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional porque Moscou costuma usar seu fornecimento como ferramenta coercitiva de pol\u00edtica externa.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios do governo socialista da Hungria se mostram confiantes de que o pre\u00e7o do g\u00e1s manter\u00e1 um valor competitivo a m\u00e9dio prazo e n\u00e3o consideram negativo depender da R\u00fassia. Mas, inclinam-se por manter rela\u00e7\u00f5es de amizade com Moscou como a melhor forma de garantir o fornecimento. A posi\u00e7\u00e3o adotada por Budapeste \u00e9 semelhante \u00e0 da Alemanha, Fran\u00e7a e It\u00e1lia, mas parece exc\u00eantrica no contexto p\u00f3s-socialista onde as queixas hist\u00f3ricas tensionam as rela\u00e7\u00f5es com Moscou. \u201cA proximidade com a R\u00fassia \u00e9 motivo de ataques ao primeiro-ministro, Ferenc Gyurcsany, pelo passado socialista da Hungria e porque sua agrupa\u00e7\u00e3o \u00e9 tribut\u00e1ria do Partido Comunista H\u00fangaro\u201d, disse \u00e0 IPS Attila Gyulai, do Instituto de Capital Pol\u00edtico.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas entre os dois pa\u00edses est\u00e3o em seu melhor momento desde a mudan\u00e7a de regime em 1989. O fato foi destacado por funcion\u00e1rios dos dois pa\u00edses e confirmado pelas estat\u00edsticas. As exporta\u00e7\u00f5es para a R\u00fassia aumentaram 70% entre 2005 e 2006. O consumo de g\u00e1s natural \u00e9 de 15 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos ao ano, por isso esse combust\u00edvel representa 40% da matriz energ\u00e9tica h\u00fangara, uma das propor\u00e7\u00f5es mais altas da Europa, junto com a da Holanda. A Hungria importa da R\u00fassia 85% do g\u00e1s natural que consome. O governo promoveu e subsidiou essa fonte de energia na d\u00e9cada de 90.<\/p>\n<p>Este pa\u00eds de 10 milh\u00f5es de habitantes se tornou muito dependente do g\u00e1s por seu baixo pre\u00e7o. Atualmente, 90% dos lares dependem do g\u00e1s para a calefa\u00e7\u00e3o. \u201cDepender de uma s\u00f3 fonte de energia \u00e9 perigoso por raz\u00f5es de seguran\u00e7a\u201d, disse \u00e0 IPS Judit Barta, diretora do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica GKI, com sede em Budapeste. \u201cDemorar\u00e1 25 anos para que a Hungria reduza a depend\u00eancia de maneira significativa\u201d, acrescentou. Mas o regime comunista da Hungria tomou uma decis\u00e3o respons\u00e1vel quando decidiu nos anos 70 passar gradualmente do carv\u00e3o para o g\u00e1s, reconheceu a especialista. Budapeste estuda alternativas para reduzir sua vulnerabilidade energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>As autoridades constroem gasodutos que atravessam o pa\u00eds e dep\u00f3sitos para guardar o g\u00e1s. Isso lhes dar\u00e1 uma melhor capacidade negociadora frente a Gazprom, a gigante companhia russa do setor. Mas a capacidade dos dep\u00f3sitos atuais apenas chega para ag\u00fcentar um duro inverno. Com a constru\u00e7\u00e3o de mais infra-estrutura, a Hungria ser\u00e1 menos vulner\u00e1vel aos poss\u00edveis cortes de energia e a transtornos causados pelas disputas de pre\u00e7os entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia. Este pa\u00eds poder\u00e1, inclusive, exportar o excedente. As autoridades sonham com um enorme deposito para que a Hungria se converta em um grande centro energ\u00e9tico regional. A posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, as condi\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas e o volume do mercado local lhe d\u00e3o consider\u00e1veis vantagens competitivas na Europa central.<\/p>\n<p>Mas apenas ser\u00e3o constru\u00eddos pequenos dep\u00f3sitos com capacidade para tr\u00eas bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos porque a Gazprom teme que uma for\u00e7a menos afim e mais conservadora assuma o poder. A maior capacidade das tubula\u00e7\u00f5es dar\u00e1 \u00e0 Hungria a possibilidade de suas importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es serem mais flex\u00edveis. Isso melhorar\u00e1 a seguran\u00e7a energ\u00e9tica e permitir\u00e1 benef\u00edcios econ\u00f4micos tang\u00edveis em mat\u00e9ria de pagamentos por tr\u00e2nsito. Budapeste tamb\u00e9m se inclina pelo g\u00e1s natural liquefeito, um processo que permite seu transporte fora da r\u00edgida rede de tubula\u00e7\u00f5es, que diminuiria a depend\u00eancia deste pa\u00eds de uma \u00fanica fonte.<\/p>\n<p>A tecnologia que permite deixar o g\u00e1s liquido continua sendo cara, pois h\u00e1 muitos pa\u00edses interessados nos ainda escassos recursos dispon\u00edveis. No momento, o pre\u00e7o n\u00e3o o faria atraente entre os consumidores. Entretanto, Budapeste ter\u00e1 que reduzir a depend\u00eancia energ\u00e9tica promovendo um consumo com menos desperd\u00edcio, disse Barta. A gera\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica de eletricidade absorve 32% de g\u00e1s. Essa propor\u00e7\u00e3o ser\u00e1 ainda maior na medida em que o consumo el\u00e9trico aumentar com as melhores condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>Se a Hungria n\u00e3o passar para outras formas de energia, ser\u00e1 preciso equilibrar a situa\u00e7\u00e3o melhorando a infra-estrutura e o isolamento t\u00e9rmico, segundo Barta. Com em v\u00e1rios lugares da Europa, a Hungria vive um \u201crenascimento da quest\u00e3o nuclear\u201d. O parlamento apoiou planos de longo prazo para ampliar a \u00fanica central do pa\u00eds, que fica em Paks, no condado de Baranya. A eletricidade que gera \u00e9 a mais barata do pa\u00eds. A energia nuclear n\u00e3o apresenta nenhum risco, segundo a opini\u00e3o p\u00fablica deste pa\u00eds. Mas sua amplia\u00e7\u00e3o vai demorar entre uma e duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A possibilidade de contar com fontes de energia alternativa e mais limpas n\u00e3o \u00e9 animadora. A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia pediu aos seus membros que as fontes renov\u00e1veis representem 20% da produ\u00e7\u00e3o total at\u00e9 2020. Mas a plan\u00edcie e a posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica deste pa\u00eds fazem com que as energias hidrel\u00e9trica e e\u00f3lica n\u00e3o sejam vi\u00e1veis. \u201cO objetivo ser\u00e1 alcan\u00e7ado apenas parcialmente. N\u00e3o podemos custear o investimento em fontes de energia renov\u00e1veis porque os consumidores n\u00e3o teriam como pagar por elas\u201d, disse Barta \u00e0 IPS. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Budapeste, 09\/08\/2007 &ndash; A Hungria, uma das na\u00e7\u00f5es da Europa que mais dependem do g\u00e1s, se ver\u00e1 submetida ao fornecimento da R\u00fassia no futuro imediato. A possibilidade de contar com fontes de energia alternativa \u00e9 um sonho distante. A depend\u00eancia energ\u00e9tica se tornou um assunto pol\u00eamico nos \u00faltimos meses entre pol\u00edticos e jornalistas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/08\/ambiente\/energia-a-dependencia-hungara-do-gas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":218,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,10],"tags":[18],"class_list":["post-3183","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-energia","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3183","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/218"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3183"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3183\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}