{"id":3185,"date":"2007-08-09T15:04:02","date_gmt":"2007-08-09T15:04:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3185"},"modified":"2007-08-09T15:04:02","modified_gmt":"2007-08-09T15:04:02","slug":"mulheres-america-latina-discriminacao-tripla","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/08\/america-latina\/mulheres-america-latina-discriminacao-tripla\/","title":{"rendered":"Mulheres-Am\u00e9rica Latina: Discrimina\u00e7\u00e3o tripla"},"content":{"rendered":"<p>Quito, 09\/08\/2007 &ndash; Mulheres ind\u00edgenas e negras da Am\u00e9rica Latina e do Caribe sofrem tr\u00edplice discrimina\u00e7\u00e3o por sexo, ra\u00e7a e classe social na pol\u00edtica e no trabalho, afirmaram participantes do painel \u201cCidadania e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres ind\u00edgenas e afrodescendentes\u201d, durante a X Confer\u00eancia Regional sobre a Mulher, que acontece em Quito at\u00e9 hoje. <!--more--> A dirigente ind\u00edgena guatemalteca Otilia Lux de Cot\u00ed garantiu que \u201cdesde nosso ponto de vista, a luta pelo direito \u00e0 participa\u00e7\u00e3o da mulher est\u00e1 unida \u00e0 luta pelo direito \u00e0 participa\u00e7\u00e3o do povo ind\u00edgena\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSomos discriminadas pelos Estados, pelos homens e muitas vezes pelas outras mulheres, por isso, para corrigir as desigualdades hist\u00f3ricas devemos reestruturar o Estado e construir uma sociedade igualit\u00e1ria\u201d, afirmou Cot\u00ed, ex-ministra da Cultura e dos Esportes da Guatemala. Assim, ao exigir cotas de participa\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m especificar as cotas de mulheres ind\u00edgenas e afrodescendentes, recomendou. \u201cQueremos resgatar a democracia, e para isso devemos recri\u00e1-la desde nossa vis\u00e3o. Uma democracia desde a Am\u00e9rica Latina s\u00f3 pode ser intercultural\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A dirigente afrobrasileira Maria In\u00eas Barbosa afirmou que machismo e racismo est\u00e3o na mesma base de constru\u00e7\u00e3o dos Estados nacionais da Am\u00e9rica Latina do Caribe. \u201cPara eliminar o machismo e o racismo \u00e9 preciso mudar a sociedade. Muitas vezes em f\u00f3runs internacionais mudamos as palavras para n\u00e3o mudar a sociedade. N\u00e3o podemos continuar com isso, devemos mudar a sociedade\u201d, afirmou. \u201cN\u00e3o nos enganemos, muitas vezes os documentos que surgem dessas reuni\u00f5es s\u00e3o uma coisa, mas a realidade das mulheres indignas e afrodescendentes \u00e9 outra, porque tamb\u00e9m somos as mais pobres\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A ind\u00edgena miskita nicarag\u00fcense Margarita Antonio disse que \u00e9 necess\u00e1rio que os Estados e as ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas continuem trabalhando em uma maior forma\u00e7\u00e3o das mulheres que, por sua vez, devem repassar o conhecimento adquirido a quem permanecer nas comunidades para encurtar dist\u00e2ncias que tamb\u00e9m existem entre diferentes setores da popula\u00e7\u00e3o feminina.<\/p>\n<p>Do painel, organizado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento, Fundo de Desenvolvimento das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Mulher e pela Secretaria do F\u00f3rum Permanente de Assuntos Ind\u00edgenas, foi acompanhado por mais de cem representantes de diversas organiza\u00e7\u00f5es regionais. As ind\u00edgenas presentes divulgaram o manifesto \u201cPela constru\u00e7\u00e3o de um Estado plurinacional\u201d.<\/p>\n<p>\u201cApesar dos avan\u00e7os quantitativos e qualitativos, da metade da d\u00e9cada dedicada a conseguir os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio e da Segunda D\u00e9cada dos Povos Ind\u00edgenas do Mundo, enfrentamos uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica agravada pela aplica\u00e7\u00e3o crescente de pol\u00edticas macroecon\u00f4micas que desconhecem os direitos coletivos de nossos povos\u201d, diz o documento. Tamb\u00e9m assegura que \u201co avan\u00e7o dos direitos humanos das mulheres ind\u00edgenas est\u00e1 vinculado \u00e0 luta para proteger, respeitar e exercer tanto os direitos coletivos dos povos quanto sua unidade baseada em seus territ\u00f3rios, recursos naturais, conhecimentos tradicionais coletivos e o pleno reconhecimento das institui\u00e7\u00f5es de autogoverno\u201d.<\/p>\n<p>\u201cReconhecemos a import\u00e2ncia dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio como ferramenta para avan\u00e7ar em estrat\u00e9gias para o desenvolvimento sustent\u00e1vel e os direitos humanos das mulheres apesar de as metas utilizadas para medir seus avan\u00e7os n\u00e3o incorporarem indicadores de pertin\u00eancia cultural\u201d, afirma o manifesto divulgado ontem. Os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio foram adotados em 2000 pelos pa\u00edses-membros da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas como uma plataforma para reduzir a pobreza e a desigualdade em todo o mundo, melhorar a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o e a igualdade de g\u00eanero, combater a contamina\u00e7\u00e3o e adotar um modelo de desenvolvimento sustent\u00e1vel e um regime de com\u00e9rcio internacional mais justo. O prazo para atingir essas metas vence em 2015.<\/p>\n<p>O documento das mulheres nativas recomenda aos Estados que \u201cadotem imediatamente a Declara\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas da ONU, aprovada pelo Conselho de Direitos Humanos em junho de 2006, como plataforma b\u00e1sica para o desenvolvimento e a participa\u00e7\u00e3o eq\u00fcitativa das mulheres ind\u00edgenas\u201d. Segundo um estudo do Instituto Internacional de Pesquisas e Capacita\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Promo\u00e7\u00e3o da Mulher (UM-Instraw), outro dos organizadores do painel, as ind\u00edgenas experimentam o acesso aos recursos e a espa\u00e7os de maneira diferente dos homens e das mulheres que n\u00e3o s\u00e3o ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cElas, que representam quase 60% dos 50 milh\u00f5es de pessoas ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, tamb\u00e9m enfrentam uma tr\u00edplice discrimina\u00e7\u00e3o por sua condi\u00e7\u00e3o de mulher, ind\u00edgena e pobre\u201d, afirma a pesquisa. Esta edi\u00e7\u00e3o est\u00e1 dedicada a abordar a contribui\u00e7\u00e3o das mulheres para a economia e a prote\u00e7\u00e3o social, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho n\u00e3o remunerado, e a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a igualdade de g\u00eanero. Nessa mat\u00e9ria, \u201cal\u00e9m das reformas dos sistemas eleitorais, \u00e9 preciso modificar numerosos aspectos a cultura pol\u00edtica que provocam tend\u00eancias discriminat\u00f3rias, como o acesso desigual ao financiamento, a influ\u00eancia desigual das redes sociais e o uso injusto do tempo que exige das mulheres centrar sua aten\u00e7\u00e3o nos trabalhos reprodutivos\u201d, afirma um estudo apresentado ter\u00e7a-feira pela Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal).<\/p>\n<p>\u201cO surgimento de lideran\u00e7as femininas na regi\u00e3o, o comportamento eleitoral crescente aut\u00f4nomo das mulheres e o voto feminino a favor das mulheres constituem parte do novo cen\u00e1rio democr\u00e1tico\u201d, diz o documento \u201cA contribui\u00e7\u00e3o das mulheres para a igualdade na Am\u00e9rica Latina e no Caribe\u201d. Acrescenta que \u201ca paridade \u00e9 um dos s\u00edmbolos das novas democracias, que se apresenta como um recurso \u00e9tico para fortalecer a legitimidade das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas\u201d. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quito, 09\/08\/2007 &ndash; Mulheres ind\u00edgenas e negras da Am\u00e9rica Latina e do Caribe sofrem tr\u00edplice discrimina\u00e7\u00e3o por sexo, ra\u00e7a e classe social na pol\u00edtica e no trabalho, afirmaram participantes do painel \u201cCidadania e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres ind\u00edgenas e afrodescendentes\u201d, durante a X Confer\u00eancia Regional sobre a Mulher, que acontece em Quito at\u00e9 hoje. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/08\/america-latina\/mulheres-america-latina-discriminacao-tripla\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":590,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6],"tags":[],"class_list":["post-3185","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3185","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/590"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3185"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3185\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}