{"id":321,"date":"2005-02-18T00:00:00","date_gmt":"2005-02-18T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=321"},"modified":"2005-02-18T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-18T00:00:00","slug":"china-o-sculo-do-drago","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/china-o-sculo-do-drago\/","title":{"rendered":"China: O s&eacute;culo do drag&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 18\/02\/2005 &ndash; A China supera rapidamente os Estados Unidos como principal consumidor de recursos mundiais, impulsionada por uma economia que cresce em ritmo sem precedente, afirmou o Earth Policy Institute. &quot;A China h&aacute; n&atilde;o &eacute; apenas um pa&iacute;s em desenvolvimento. &Eacute; a superpot&ecirc;ncia econ&ocirc;mica emergente que est&aacute; escrevendo a hist&oacute;ria da economia&quot;, disse o autor do informe, Lester Brown, &quot;um dos pensadores mais influentes do mundo&quot;, segundo o jornal The Washington Post. Brown, fundador do Earth Policy Institute e considerado por especialistas o guru do atual movimento ambientalista, afirmou que &quot;se o XX foi o s&eacute;culo norte-americano, este aprece ser o s&eacute;culo chin&ecirc;s&quot;.<br \/> <!--more--> <br \/> A expans&atilde;o constante do consumo e a crescente influ&ecirc;ncia do gigante asi&aacute;tico na economia norte-americana constituem, para Brown, um alerta: o r&aacute;pido crescimento do pa&iacute;s poderia levar a um uso insustent&aacute;vel dos recursos mundiais. &quot;Em outros tempos n&atilde;o teria sido poss&iacute;vel nem mesmo formula restas perguntas, mas, agora que a China ultrapassou os Estados Unidos em consumo agregado, e devido ao seu grande crescimento, pode-se ter licen&ccedil;a para pensar o que aconteceria se os chineses alcan&ccedil;assem o n&iacute;vel norte-americano de consumo por habitante&quot;, disse Brown &agrave; IPS. Isto se deve ao fato de os Estados Unidos, a principal pot&ecirc;ncia econ&ocirc;mica mundial, ter cerca de US$ 270 milh&otilde;es de habitantes, enquanto a China, o pa&iacute;s mais povoado do mundo, tem 1,3 bilh&atilde;o.<\/p>\n<p> &quot;O modelo de desenvolvimento industrial do Ocidente &#8211; o de uma economia descart&aacute;vel baseada sobre combust&iacute;veis f&oacute;sseis e o autom&oacute;vel &#8211; n&atilde;o funcionar&aacute; para a China e, portanto, n&atilde;o funcionar&aacute; para o mundo&quot;, advertiu. Por exemplo, calculou, se o uso de papel por habitante da China atingisse o n&iacute;vel que tem nos Estados Unidos, o pa&iacute;s asi&aacute;tico necessitaria mais papel do que o produzido em todo o mundo. &quot;De certo modo alcan&ccedil;ou o consumo norte-americano para muitos recursos-chave, mas, em n&iacute;vel nacional. Mas, o que acontecer se alcan&ccedil;assem o n&iacute;vel por habitante, isto &eacute;, se multiplicar o consumo por quatro (em termos absolutos) em rela&ccedil;&atilde;o ao atual?&quot;, se perguntou.<\/p>\n<p> O informe indica que a China j&aacute; consome mais do que os Estados Unidos quatro dos principais produtos b&aacute;sicos: cereais, carne, carv&atilde;o e a&ccedil;o. Os norte-americanos consomem 20,4 milh&otilde;es di&aacute;rios de barris de 159 litros de petr&oacute;leo, o quinto produto b&aacute;sico, tr&ecirc;s vezes mais que os chineses. Mas, o consumo de petr&oacute;leo nos Estados Unidos aumentou 15% desde 1994, enquanto o da China mais do que dobrou no mesmo per&iacute;odo. Atualmente, a China &eacute; o segundo consumidor deste produto, depois de superar o Jap&atilde;o. Al&eacute;m disso, o pa&iacute;s asi&aacute;tico tamb&eacute;m consome 800 milh&otilde;es de toneladas de carv&atilde;o, outro combust&iacute;vel f&oacute;ssil, que cobre quase dois ter&ccedil;os da demanda nacional de energia, segundo o informe apresentado na quarta-feira com o t&iacute;tulo China substitui os Estados Unidos como principal consumidor mundial.<\/p>\n<p> &quot;Com tal uso de carv&atilde;o, muito mais do que o dos Estados Unidos, e com o consumo de petr&oacute;leo e g&aacute;s natural crescendo rapidamente, &eacute; apenas quest&atilde;o de tempo para a China se converter no principal emissor de di&oacute;xido de carbono&quot;, segundo o estudo. &quot;O mundo poderia em pouco tempo dois grandes perturbadores do clima&quot;, acrescenta. O di&oacute;xido de carbono &eacute; o principal dos gases causadores do efeito estufa e que s&atilde;o, segundo a maioria dos cientistas, a causa do atual ciclo de aquecimento do planeta. Este g&aacute;s &eacute; jogado na atmosfera pelos processos industriais e de transporte que apelam para a queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis. Os Estados Unidos s&atilde;o os principais emissores, com 25% do total mundial.<\/p>\n<p> A China consome 382 milh&otilde;es de toneladas anuais de cereais e os Estados Unidos 278 milh&otilde;es. O pa&iacute;s asi&aacute;tico &eacute; o principal consumidor de arroz e trigo, enquanto os norte-americanos est&atilde;o &aacute; frente no consumo de milho. Por outro lado, a China tem apenas 24 milh&otilde;es de ve&iacute;culos a motor, pouco mais de um d&eacute;cimo dos 226 milh&otilde;es dos Estados Unidos. Mas, as vendas duplicaram nos &uacute;ltimos dois anos. Hoje, a China importa grandes quantidades de cereais, soja, mineral de ferro, alum&iacute;nio, cobre, platina, fosfato, pot&aacute;ssio, petr&oacute;leo e g&aacute;s natural, produtos florestais para madeira e papel e o algod&atilde;o necess&aacute;rio para manter sua pujante ind&uacute;stria t&ecirc;xtil e de indument&aacute;ria.<\/p>\n<p> Estas importa&ccedil;&otilde;es maci&ccedil;as colocaram a China no centro dos mercados de mat&eacute;rias-primas. Seu enorme apetite por estes produtos elevaram seus pre&ccedil;os e tamb&eacute;m os do transporte atrav&eacute;s de navios cargueiros. Tamb&eacute;m aumenta o uso de a&ccedil;o, indicador-chave do desenvolvimento industrial. Hoje, utiliza mais que o dobro dos Estados Unidos, com expans&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o de casas, pr&eacute;dios de escrit&oacute;rios e industriais. Os Estados Unidos ainda t&ecirc;m a dianteira em termos de consumo por habitante, fundamentalmente devido &agrave; diferen&ccedil;a na renda per capita: US$ 4,3 mil anuais dos chineses contra US$ 38 mil dos norte-americanos.<\/p>\n<p> O informe tamb&eacute;m indica que os Estados Unidos se tornaram fortemente dependentes do capital chin&ecirc;s para financiar sua enorme e crescente d&iacute;vida p&uacute;blica. Se Pequim desviasse seu super&aacute;vit para qualquer outro mercado que n&atilde;o o norte-americano &#8211; tanto em investimentos internos como no desenvolvimento da explora&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo, g&aacute;s e minerais em outras na&ccedil;&otilde;es &#8211; a economia dos EUA estaria em problemas, segundo o estudo. A poupan&ccedil;a pessoal e familiar da China atingiu n&iacute;veis sem precedentes e seu grande super&aacute;vit no com&eacute;rcio com os Estados Unidos s&atilde;o apenas duas das manifesta&ccedil;&otilde;es mais vis&iacute;veis da fortaleza econ&ocirc;mica do pa&iacute;s. As compras da China e do Jap&atilde;o de b&ocirc;nus do tesouro norte-americano &eacute; que t&ecirc;m permitido a esse pa&iacute;s enxugar o maior d&eacute;ficit fiscal de sua hist&oacute;ria. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 18\/02\/2005 &ndash; A China supera rapidamente os Estados Unidos como principal consumidor de recursos mundiais, impulsionada por uma economia que cresce em ritmo sem precedente, afirmou o Earth Policy Institute. &quot;A China h&aacute; n&atilde;o &eacute; apenas um pa&iacute;s em desenvolvimento. &Eacute; a superpot&ecirc;ncia econ&ocirc;mica emergente que est&aacute; escrevendo a hist&oacute;ria da economia&quot;, disse o autor do informe, Lester Brown, &quot;um dos pensadores mais influentes do mundo&quot;, segundo o jornal The Washington Post. 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