{"id":325,"date":"2005-02-18T00:00:00","date_gmt":"2005-02-18T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=325"},"modified":"2005-02-18T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-18T00:00:00","slug":"mundo-naes-unidas-na-hora-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/mundo-naes-unidas-na-hora-da-verdade\/","title":{"rendered":"Mundo: Na&ccedil;&otilde;es Unidas na hora da verdade"},"content":{"rendered":"<p>Madri, 18\/02\/2005 &ndash; O processo de reforma institucional das Na&ccedil;&otilde;es Unidas enfrenta em 2005 a hora da verdade. A reforma deve ser completada este ano, e para isso acontecer&aacute; em setembro uma reuni&atilde;o plen&aacute;ria de alto n&iacute;vel reunindo chefes de Estado e de Governo. O processo de reforma &eacute; novo, embora ocorra desde a Declara&ccedil;&atilde;o do Mil&ecirc;nio de setembro de 2000, dos atentados de 11 de setembro de 2001, do desencontro vivido na sede da organiza&ccedil;&atilde;o em raz&atilde;o da guerra do Iraque e do ressurgimento de conflitos considerados superados como na Lib&eacute;ria e no Haiti, quando adquire sua relev&acirc;ncia atual. Tudo isso passa a questionar a capacidade dos Estados em assumir, de forma coletiva e solid&aacute;ria, suas responsabilidades em mat&eacute;ria de seguran&ccedil;a, o que levou o secret&aacute;rio-geral, Kofi Annan, a relan&ccedil;ar o processo em setembro de 2003 tomando diversas iniciativas.<br \/> <!--more--> <br \/> O Grupo de Alto N&iacute;vel apresentou em dezembro passado um relat&oacute;rio onde analisa as amea&ccedil;as existente em n&iacute;vel nacional &#8211; pobreza, prolifera&ccedil;&atilde;o de armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa e irrup&ccedil;&atilde;o de importantes atores que em nada se assemelham aos cl&aacute;ssicos Estados &#8211; os instrumentos dispon&iacute;veis e as mudan&ccedil;as necess&aacute;rias para enfrent&aacute;-las com maiores garantias, sugerindo uma defini&ccedil;&atilde;o mais ampla de seguran&ccedil;a coletiva compartilhada. Esta defini&ccedil;&atilde;o acrescenta &agrave;s amea&ccedil;as tradicionais outros elementos b&aacute;sicos para a seguran&ccedil;a, como o desenvolvimento. Embora o relat&oacute;rio possa ser resumido na express&atilde;o &quot;o desenvolvimento &eacute; uma premissa para a seguran&ccedil;a&quot;, os pa&iacute;ses em desenvolvimento temem que a obsess&atilde;o pela seguran&ccedil;a acabe eclipsando a reforma ou que n&atilde;o priorize o desenvolvimento como tal mas somente por sua rela&ccedil;&atilde;o com a seguran&ccedil;a, e n&atilde;o compartilhem plenamente a equa&ccedil;&atilde;o de que &eacute; a pobreza que leva ao terrorismo.<\/p>\n<p> O documento solicita ao secret&aacute;rio-geral que sugira uma estrat&eacute;gia pr&oacute;pria de luta contra o terrorismo, define cinco crit&eacute;rios b&aacute;sicos para legitimar o uso da for&ccedil;a &#8211; guerra justa &#8211; cunha o conceito de responsabilidade dos Estados para defender as pessoas, prop&otilde;e a cria&ccedil;&atilde;o de uma comiss&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a para a consolida&ccedil;&atilde;o da paz e um fundo permanente para financi&aacute;-lo e inclusive apresenta duas propostas alternativas de reforma do Conselho de Seguran&ccedil;a. T&atilde;o importante quanto a composi&ccedil;&atilde;o desse &oacute;rg&atilde;o s&atilde;o seus m&eacute;todos de trabalho, porque a maioria dos Estados, por serem pequenos, n&atilde;o ampliar&atilde;o sua presen&ccedil;a no Conselho. Por isso exigem maiores doses de transpar&ecirc;ncia, inclus&atilde;o, presta&ccedil;&atilde;o de contas para aumentar a deteriorada credibilidade, maior rigor em sua fun&ccedil;&atilde;o legislativa e ainda uma reforma do uso do veto.<\/p>\n<p> O segundo informe fundamental &eacute; o apresentado por Jeffrey Sachs, referente ao cumprimento das Metas de Desenvolvimento da Declara&ccedil;&atilde;o do Mil&ecirc;nio, no qual afirma que ainda &eacute; poss&iacute;vel atingir os objetivos do Consenso de Monterrey, embora todos os pa&iacute;ses tenham de fazer muito mais. A respeito das na&ccedil;&otilde;es desenvolvidas, bastaria que suas ajudas alcan&ccedil;assem em 2015, com objetivo intermedi&aacute;rio, 0,54% do PIB (lembram do 0,7?), ao mesmo tempo em que os pa&iacute;ses em desenvolvimento devem reorientar suas pol&iacute;ticas dom&eacute;sticas para a luta contra a pobreza e o bom governo e mobilizar mais recursos. Este informe demanda maior coer&ecirc;ncia de todas as pol&iacute;ticas de coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento, maior continuidade e compromisso. Os pa&iacute;ses em desenvolvimento agrupados no G-77 j&aacute; anunciaram que, apesar de compartilharem boa parte do mesmo, n&atilde;o concordam com seus apelos &agrave; condicionalidade das pol&iacute;ticas que sugere.<\/p>\n<p> O processo de reforma afeta todo o sistema e n&atilde;o somente a composi&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a. A Assembl&eacute;ia Geral deve recuperar vitalidade e se converter no verdadeiro &oacute;rg&atilde;o de representa&ccedil;&atilde;o da sociedade mundial. O Conselho Econ&ocirc;mico e Social (Ecosoc) enfrenta o desafio de ser o coordenador das a&ccedil;&otilde;es das institui&ccedil;&otilde;es de Bretton Woods (Banco Mundial e Fundo Monet&aacute;rio Internacional) num contexto global em que o objetivo principal &eacute; o desenvolvimento. Claro que para isso, &eacute; fundamental resolver antes a quest&atilde;o de como se deve financiar o desenvolvimento para alcan&ccedil;ar os objetivos do Consenso de Monterrey, sem esquecer a conclus&atilde;o da Rodada de Doha e a quest&atilde;o da d&iacute;vida externa.<\/p>\n<p> A reforma tamb&eacute;m enfrenta quest&otilde;es como a imigra&ccedil;&atilde;o ou a insatisfa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil que n&atilde;o valorizou de maneira muito positiva o Informe do Painel Cardoso sobre a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil nos trabalhos das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Outra quest&atilde;o importante se refere &agrave; Comiss&atilde;o de Direitos Humanos, que deve recuperar legitimidade e se reunir com maior freq&uuml;&ecirc;ncia, e a de quando se converter&aacute; a democracia em um dos objetivos das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, cuja Carta reconhece os direitos humanos ou o desenvolvimento, mas n&atilde;o a democracia. Este &eacute; o contexto em que Annan prepara o relat&oacute;rio que apresentar&aacute; e mar&ccedil;o e no qual sem d&uacute;vida delimitar&aacute; tantas quest&otilde;es abertas. Enquanto isso, todos os pa&iacute;ses e grupos de pa&iacute;ses devem ir aproximando suas posi&ccedil;&otilde;es paulatinamente, sem fechar-se para nada. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> * Juan Moscoso del Prado &eacute; deputado do Partido Socialista Oper&aacute;rio Espanhol (PSOE) e membro da Comiss&atilde;o de Assuntos Exteriores do Congresso. <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madri, 18\/02\/2005 &ndash; O processo de reforma institucional das Na&ccedil;&otilde;es Unidas enfrenta em 2005 a hora da verdade. A reforma deve ser completada este ano, e para isso acontecer&aacute; em setembro uma reuni&atilde;o plen&aacute;ria de alto n&iacute;vel reunindo chefes de Estado e de Governo. O processo de reforma &eacute; novo, embora ocorra desde a Declara&ccedil;&atilde;o do Mil&ecirc;nio de setembro de 2000, dos atentados de 11 de setembro de 2001, do desencontro vivido na sede da organiza&ccedil;&atilde;o em raz&atilde;o da guerra do Iraque e do ressurgimento de conflitos considerados superados como na Lib&eacute;ria e no Haiti, quando adquire sua relev&acirc;ncia atual. Tudo isso passa a questionar a capacidade dos Estados em assumir, de forma coletiva e solid&aacute;ria, suas responsabilidades em mat&eacute;ria de seguran&ccedil;a, o que levou o secret&aacute;rio-geral, Kofi Annan, a relan&ccedil;ar o processo em setembro de 2003 tomando diversas iniciativas.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/mundo-naes-unidas-na-hora-da-verdade\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":335,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-325","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/335"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=325"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}