{"id":3263,"date":"2007-09-05T14:27:05","date_gmt":"2007-09-05T14:27:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3263"},"modified":"2007-09-05T14:27:05","modified_gmt":"2007-09-05T14:27:05","slug":"clima-uma-utopia-modesta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/09\/mundo\/clima-uma-utopia-modesta\/","title":{"rendered":"Clima: Uma utopia modesta"},"content":{"rendered":"<p>Viena, 05\/09\/2007 &ndash; Manter o meio ambiente deste planeta tal como se encontra hoje se converteu em uma nova utopia, aparentemente modesta, no entanto, tit\u00e2nica. <!--more--> As utopias sempre inspiraram a humanidade, desde a defesa pela reconstru\u00e7\u00e3o depois das guerras do s\u00e9culo passado, o fim do colonialismo e muitas outras. Aquelas foram utopias imperiosas e grandiloq\u00fcentes, criadas pelos excessos da \u00e9poca. Mas agora h\u00e1 uma nova, a ambiental. Esta utopia voltou a brilhar na confer\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre aquecimento global realizada em Viena entre 27 e 31 de agosto, preparat\u00f3ria para a rodada global de di\u00e1logo que acontecer\u00e1 em dezembro na ilha de Bali, na Indon\u00e9sia.<\/p>\n<p>Os objetivos desta utopia soam excessivamente burocr\u00e1ticos: reduzir \u00e0 metade as emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa at\u00e9 meados deste s\u00e9culo em rela\u00e7\u00e3o aos valores de 1990, para conter o aumento da temperatura global m\u00e9dia em menos de dois graus at\u00e9 2050. De outro modo, segundo muitos cientistas, as conseq\u00fc\u00eancias ambientais, sociais e econ\u00f4micas do aquecimento transformar\u00e3o a Terra em um planeta inabit\u00e1vel. Funcion\u00e1rios governamentais, cientistas e especialistas reuniram-se no Centro Internacional de Viena para discutir como as medidas do mercado podem transformar o freio \u00e0s emiss\u00f5es de gases que causam o efeito estufa em uma ferramenta comercialmente atraente. Os representantes do mundo em desenvolvimento deixavam claro o que significa, de fato, o aquecimento global.<\/p>\n<p>\u201cA cada ano, os furac\u00f5es no Caribe ficam mais fortes, e tamb\u00e9m s\u00e3o maiores as perdas econ\u00f4micas que causam\u201d, disse \u00e0 IPS Eduardo Reyes, subdiretor da Autoridade Nacional do Meio Ambiente do Panam\u00e1. V\u00e1rios cientistas atribu\u00edram o fen\u00f4meno ao aquecimento. Reyes disse que um reflexo das catastr\u00f3ficas conseq\u00fc\u00eancias do aquecimento global \u00e9 o desajuste entre o pagamento de seguros aos prejudicados e as perdas econ\u00f4micas reais. O furac\u00e3o Katrina, que a\u00e7oitou o sudeste dos Estados Unidos em agosto de 2005, \u201cprovocou perdas econ\u00f4micas de US$ 126 bilh\u00f5es, mas os seguros pagaram apenas US$ 60 bilh\u00f5es\u201d, acrescentou. O cen\u00e1rio pode ficar mais dif\u00edcil de muitas maneiras. \u201cNo debate sobre aquecimento global, um aumento m\u00e9dio m\u00e1ximo de dois graus na temperatura mundial at\u00e9 2050 \u00e9 considerado aceit\u00e1vel e apresentado oficialmente como objetivo para impedir uma perigosa interfer\u00eancia antropog\u00eanica com o sistema clim\u00e1tico\u201d, disse Yvo de b\u00f4er, secret\u00e1rio-executivo da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (1992).<\/p>\n<p>\u201cPor\u00e9m, tais qualifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito subjetivas. Semelhante aumente nas temperaturas globais poderiam provocar um aumento do n\u00edvel do mar suficiente para fazer desaparecer alguns at\u00f3is do Pacifico sul\u201d, acrescentou. Por exemplo, Tuvalu, pequeno arquip\u00e9lago do oceano Pacifico formado por nove at\u00f3is e arrecifes, cujo ponto mais alto fica apenas cinco metros acima do n\u00edvel do mar. Pequenos Estados insulares em desenvolvimento, como Tuvalu, s\u00e3o extremamente vulner\u00e1veis ao impacto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e do aumento donivel do mar. Trata-se de 51 na\u00e7\u00f5es que, somadas, n\u00e3o chegam a produzir 1% das emiss\u00f5es mundiais de gases causadores do efeito estufa. Mas, enquanto para esses e outros Estados do Sul qualquer coisa que ocorra na frente do aquecimento global no Norte \u00e9 de uma import\u00e2ncia existencial, nas capitais europ\u00e9ias e norte-americanas as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas tendo por base o rendimento dos investimentos.<\/p>\n<p>\u201cSejam quais forem os objetivos em mat\u00e9ria de aquecimento global e redu\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es dos gases que provocam o efeito estufa, o que necessitamos s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es de menor custo\u201d, disse \u00e0 IPS Bill Kyte, assessor de desenvolvimento sustent\u00e1vel e mudan\u00e7a clim\u00e1tica da empresa fornecedora de eletricidade europ\u00e9ia EON. Ao mesmo tempo, Kyte alerta que a retic\u00eancia dos pol\u00edticos do mundo industrializado em estabelecer o contexto dentro do qual se decidir\u00e3o os investimentos em novas tecnologias aumentar\u00e1 as dificuldades para enfrentar o aquecimento, Kyte se referiu especificamente \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n<p>\u201cCerca de 1,5 bilh\u00e3o de pessoas no mundo em desenvolvimento n\u00e3o t\u00eam eletricidade. Precisamos, naturalmente, de uma nova matriz energ\u00e9tica que inclua desde fontes renov\u00e1veis at\u00e9 energia nuclear, que \u00e9 livre de carbono, para alcan\u00e7ar os objetivos de reduzir \u00e0 metade as emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa at\u00e9 2050 e para atender a demanda mundial\u201d, afirmou Kyte. Decis\u00f5es de investimentos err\u00f4neas do ponto de vista ambiental, tais como centrais de produ\u00e7\u00e3o de eletricidade \u00e0 carv\u00e3o, \u201ccriar\u00e3o nova tecnologia num per\u00edodo de 30 a 40 anos\u201d, e, no entanto, tamb\u00e9m criar\u00e3o \u201cnovas fontes de emiss\u00f5es\u201d, acrescentou. A utopia \u00e9 criar um novo setor energ\u00e9tico livre de carbono que possa satisfazer imediatamente as necessidades de crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Kyte explicou que j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis praticamente todas as tecnologias necess\u00e1rias para reduzir pela metade as emiss\u00f5es, e que n\u00e3o h\u00e1 tempo para desenvolver outras. \u201cAs novas inven\u00e7\u00f5es precisam de muito tempo para tornarem-se vi\u00e1veis, e n\u00f3s estamos ficando sem recursos naturais e humanos, tais como engenheiros, a\u00e7o e a pr\u00f3pria energia para conceb\u00ea-las\u201d, enfatizou. Os cientistas estimaram que, sem mudan\u00e7as fundamentais na pol\u00edtica ambiental mundial, as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono duplicar\u00e3o at\u00e9 2050, isto representa um aumento substancial do aquecimento.<\/p>\n<p>Para evitar esta situa\u00e7\u00e3o, \u201ctemos de evitar emitir os sete a oito bilh\u00f5es de toneladas equivalentes durante os pr\u00f3ximos 50 anos. Esta \u00e9 uma tarefa tit\u00e2nica\u201d, alertou Kyte. \u201cPor exemplo, para evitar a emiss\u00e3o de um bilh\u00e3o de toneladas de carbono, o mundo ter\u00e1 de duplicar a atual gera\u00e7\u00e3o de energia nuclear de 700 gigawatts ou multiplicar por 700 a atual capacidade de energia solar, ou, ainda, multiplicar por sete os atuais cultivos mundiais para produzir biocombust\u00edveis\u201d, concluiu o especialista. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viena, 05\/09\/2007 &ndash; Manter o meio ambiente deste planeta tal como se encontra hoje se converteu em uma nova utopia, aparentemente modesta, no entanto, tit\u00e2nica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/09\/mundo\/clima-uma-utopia-modesta\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,10,4,11],"tags":[],"class_list":["post-3263","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-energia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3263","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3263"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3263\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}