{"id":329,"date":"2005-02-21T00:00:00","date_gmt":"2005-02-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=329"},"modified":"2005-02-21T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-21T00:00:00","slug":"desarmamento-o-efeito-domin-da-armas-nucleares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/desarmamento-o-efeito-domin-da-armas-nucleares\/","title":{"rendered":"Desarmamento: O efeito domin&oacute; da armas nucleares"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 21\/02\/2005 &ndash; Enquanto exige que Cor&eacute;ia do Norte e Ir&atilde; renunciem &agrave; posse de armas at&ocirc;micas, os Estados Unidos gastam US$ 40 bilh&otilde;es por ano em seu arsenal nuclear e investem no desenvolvimento de uma nova gera&ccedil;&atilde;o de mortais artefatos. Estes esfor&ccedil;os incluem, segundo informou este m&ecirc;s o jornal The Nova York Times, um or&ccedil;amento relativamente modesto de US$ 9 milh&otilde;es para pagar o sal&aacute;rio dos engenheiros de tr&ecirc;s laborat&oacute;rios de armas nucleares do pa&iacute;s, em Los Alamos, Livermore e Sandia. A meta &eacute; produzir novos prot&oacute;tipos de ogivas nucleares e m&iacute;sseis na pr&oacute;xima d&eacute;cada.<br \/> <!--more--> <br \/> Segundo a Funda&ccedil;&atilde;o Legal dos Estados Ocidentais, organiza&ccedil;&atilde;o dedicada ao desarmamento, os gastos em armas nucleares dos Estados Unidos aumentaram 84% desde 1995, at&eacute; chegar aos US$ 40 bilh&otilde;es. Com desse or&ccedil;amento cuida-se da manuten&ccedil;&atilde;o de aproximadamente 10 mil m&iacute;sseis nucleares, dos quais dois mil est&atilde;o em estado de alerta m&aacute;ximo. Alguns especialistas consideram que o Programa Confi&aacute;vel de Substitui&ccedil;&atilde;o de Ogivas, aprovado em novembro pelo Congresso, marca uma perturbadora evolu&ccedil;&atilde;o desde a pol&iacute;tica de &quot;manejo de reservas&quot; instaurada pelo ex-presidente Bill Clinton (1993-2001), pelo qual os laborat&oacute;rios se concentravam em manter a seguran&ccedil;a do arsenal existente.<\/p>\n<p> Os Estados Unidos ratificaram em 1996 o Tratado para a Proibi&ccedil;&atilde;o Total de Testes Nucleares, que permite os testes simulados por computador e subterr&acirc;neos de pequeno poder. Nos &uacute;ltimos anos, as autoridades autorizaram 21 provas mil p&eacute;s abaixo de superf&iacute;cies des&eacute;rticas. &quot;O programa de manejo de reservas, hoje dotado de US$ 7 bilh&otilde;es ao ano, levou ao desenvolvimento das bombas rompe-bunker e bombas nucleares menores&quot;, disse &agrave; IPS Alicia Slater, presidente do Centro de A&ccedil;&atilde;o sobre Recursos Globais para o Meio Ambiente.<\/p>\n<p> &quot;A lacuna no Tratado permitiu que estes programas avan&ccedil;assem, e foram a raz&atilde;o apresentada pela &Iacute;ndia para desenvolver e testar seu arsenal, logo seguida pelo Paquist&atilde;o&quot;, recordou Slater. &quot;Gastamos mais de US$ 3 bilh&otilde;es em nosso arsenal nuclear. O desperd&iacute;cio de um tesouro intelectual e econ&ocirc;mico tem sido enorme, e agora vemos o amargo fruto que deram esses programas: prolifera&ccedil;&atilde;o nuclear na &Iacute;ndia, no Paquist&atilde;o, na Cor&eacute;ia do Norte e no Ir&atilde;&quot;, acrescentou. China, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha e R&uacute;ssia, at&eacute; 1988 as &uacute;nicas pot&ecirc;ncias nucleares declaradas, assinaram em 1970 o Tratado de N&atilde;o-Prolifera&ccedil;&atilde;o pelo qual se comprometeram a n&atilde;o usar esse tipo de arma contra pa&iacute;ses que n&atilde;o tentassem adquiri-las.<\/p>\n<p> Esse tratado ser&aacute; revisado em maio na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, ocasi&atilde;o em que os prefeitos de Hiroxima e Nagasaki, cidades atingidas por bombas at&ocirc;micas em 1945, aproveitar&atilde;o para exigir o in&iacute;cio imediato de negocia&ccedil;&otilde;es para eliminar completamente os arsenais. Em 2005 completa 60 anos dos bombardeios dos Estados Unidos contra essas cidades, que mataram cerca de 210 mil pessoas. Foi a &uacute;nica ocasi&atilde;o na hist&oacute;ria em que bombas at&ocirc;micas foram empregadas em um contexto b&eacute;lico. Mais de uma d&eacute;cada depois do fim da Guerra Fria, Estados Unidos e R&uacute;ssia mant&ecirc;m, cada um, cerca de 10 mil armas nucleares t&aacute;ticas estrat&eacute;gicas, o que soma 95% do arsenal mundial at&ocirc;mico.<\/p>\n<p> A China vem a seguir com 400 armas, de Fran&ccedil;a 350, Israel 200, Gr&atilde;-Bretanha 185, &Iacute;ndia com pelo menos 60 e Paquist&atilde;o com at&eacute; 48, segundo o Centro para a Informa&ccedil;&atilde;o de Defesa, com sede em Washington. A Ag&ecirc;ncia Central de Intelig&ecirc;ncia (CIA) calculou que a Cor&eacute;ia do Norte possui duas armas nucleares a v&aacute;rios anos. Cerca de 480 m&iacute;sseis com ogivas nucleares ainda se encontram em bases a&eacute;reas dos Estados Unidos na Europa, quase o dobro do que se acreditava haver, assegurou em seu &uacute;ltimo relat&oacute;rio o n&atilde;o-governamental Conselho de Defesa dos Recursos Naturais. A maioria desses m&iacute;sseis aponta para R&uacute;ssia, Ir&atilde; e S&iacute;ria, de acordo com especialistas do Conselho, ainda que Moscou tenha retirado todas suas armas t&aacute;ticas dos pa&iacute;ses ex-comunistas depois do colapso da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica em 1991.<\/p>\n<p> Os Estados Unidos tamb&eacute;m retiraram milhares de armas nucleares t&aacute;ticas da Europa ocidental, mas, deixaram, pelo menos 480, conforme o &uacute;ltimo relat&oacute;rio do Conselho. Os Estados Unidos s&atilde;o o &uacute;nico pa&iacute;s que mant&eacute;m esse tipo de armamento fora de seu pr&oacute;prio territ&oacute;rio. Todos os pa&iacute;ses da Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan) que t&ecirc;m em seu territ&oacute;rio m&iacute;sseis nucleares norte-americanos votaram a favor de uma resolu&ccedil;&atilde;o da ONU que exige a &quot;redu&ccedil;&atilde;o das armas nucleares n&atilde;o estrat&eacute;gicas&quot;. &quot;Ningu&eacute;m consegue dar uma boa explica&ccedil;&atilde;o de como as armas na Europa contribuem para a dissuas&atilde;o (do uso do arsenal nuclear) de uma maneira que n&atilde;o conseguem os sistemas de armas nucleares de longo alcance&quot;, disse o autor do relat&oacute;rio, Hans Kristensen.<\/p>\n<p> &quot;Na Otan circula um argumento institucional: que as armas contribuem com o v&iacute;nculo entre Europa e Estados Unidos. Mas, realmente, &eacute; apenas um remanescente da Guerra Fria&quot;, afirmou Kristensen em uma entrevista. O relat&oacute;rio revela pela primeira vez quantas bombas nucleares Washington poderia fornecer a aliados da Otan que n&atilde;o possuem essas armas, na eventualidade de uma guerra: seriam 180, com destino &agrave; Alemanha, B&eacute;lgica, Holanda, It&aacute;lia e Turquia. Estes acordos, conhecidos por solicita&ccedil;&otilde;es com base na norte-americana Lei de Liberdade de Informa&ccedil;&atilde;o, publica&ccedil;&otilde;es militares, fotografias tiradas por sat&eacute;lites comerciais e outras fontes, violariam o Tratado de N&atilde;o-Prolifera&ccedil;&atilde;o, pois este conv&ecirc;nio pro&iacute;be uma pot&ecirc;ncia nuclear facilitar essas armas a um pa&iacute;s que n&atilde;o as possui.<\/p>\n<p> Um porta-voz do Departamento de Estado disse &aacute; IPS que essas armas s&atilde;o mantidas na Europa de acordo com os princ&iacute;pios contidos no Conceito Estrat&eacute;gico da Otan. Os Estados Unidos continuam desenvolvendo minibombas e rompe-bunker, armas que, segundo o governo, s&atilde;o mais adequadas para conflitos de pequena escala ou contra terroristas, e causam menos danos em raz&atilde;o da pot&ecirc;ncia das explos&otilde;es ou pela radia&ccedil;&atilde;o. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 21\/02\/2005 &ndash; Enquanto exige que Cor&eacute;ia do Norte e Ir&atilde; renunciem &agrave; posse de armas at&ocirc;micas, os Estados Unidos gastam US$ 40 bilh&otilde;es por ano em seu arsenal nuclear e investem no desenvolvimento de uma nova gera&ccedil;&atilde;o de mortais artefatos. Estes esfor&ccedil;os incluem, segundo informou este m&ecirc;s o jornal The Nova York Times, um or&ccedil;amento relativamente modesto de US$ 9 milh&otilde;es para pagar o sal&aacute;rio dos engenheiros de tr&ecirc;s laborat&oacute;rios de armas nucleares do pa&iacute;s, em Los Alamos, Livermore e Sandia. A meta &eacute; produzir novos prot&oacute;tipos de ogivas nucleares e m&iacute;sseis na pr&oacute;xima d&eacute;cada.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/desarmamento-o-efeito-domin-da-armas-nucleares\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1499,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-329","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1499"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=329"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/329\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}