{"id":33,"date":"2005-01-20T00:00:00","date_gmt":"2005-01-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=33"},"modified":"2005-01-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-20T00:00:00","slug":"o-segredo-do-modelo-nrdico-esterilizados-por-pesticidas-buscam-justia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/o-segredo-do-modelo-nrdico-esterilizados-por-pesticidas-buscam-justia\/","title":{"rendered":"O segredo do modelo n&oacute;rdico: Esterilizados por pesticidas buscam justi&ccedil;a"},"content":{"rendered":"<p>BROOKLIN, 20\/01\/2005 &ndash; A demanda interposta em outubro por milhares de trabalhadores bananeiros na Costa Rica contra companhias dos Estados Unidos &eacute; a mais recente de uma infrut&iacute;fera s&eacute;rie de den&uacute;ncias sobre o uso do nemag&oacute;n na Am&eacute;rica Central, um pesticida com potencial cancer&iacute;geno e que causa esteriliza&ccedil;&atilde;o. O pedido de indeniza&ccedil;&atilde;o foi apresentado em um tribunal de Los Angeles contra as empresas qu&iacute;micas Shell Chemical e Dow Chemical, junto com as empresas de banana Dole Food, Chiquita Brands e Fresh Del Monte. A Shell Chemical &eacute; uma filial do grupo brit&acirc;nico-holand&ecirc;s Royal Dutch\/Shell e a Fresh Del Monte &eacute; propriedade da fam&iacute;lia palestina Abu Ghazaleh. As restantes s&atilde;o norte-americanas.<br \/> <!--more--> <br \/> Conhecido pelos nomes comerciais de nemag&oacute;n e fumazone, o dibromocloropropano (DBCP) continuou sendo utilizado em planta&ccedil;&otilde;es centro-americanas de banana ap&oacute;s ter seu uso proibido nos Estados Unidos, em 1979. Esse produto &eacute; considerado respons&aacute;vel por provocar, ao ser inalado ou absorvido pela pele, esterilidade, atrofia de test&iacute;culos, abortos, altera&ccedil;&otilde;es fetais, problemas no f&iacute;gado e c&acirc;ncer, segundo a queixa apresentada pelos advogados Walter Lack e Tom Girardi, de Los Angeles. Os demandantes pedem indeniza&ccedil;&otilde;es por &quot;atos temer&aacute;rios e gratuitos&quot; e por &quot;conduta mal-intencionada e intoler&aacute;vel&quot;.<\/p>\n<p> Se os queixosos tiverem &ecirc;xito, ser&aacute; a primeira vez que se punir&aacute; companhias que continuaram a usar o nemag&oacute;n, limitado severamente j&aacute; a partir de 1977 pela Ag&ecirc;ncia de Prote&ccedil;&atilde;o Ambiental norte-americana (EPA), que comprovou que podia causar esterilidade e c&acirc;ncer. &quot;Apesar da esmagadora evid&ecirc;ncia e de demandas que somam milhares de milh&otilde;es de d&oacute;lares, nenhum tribunal norte-americano condenou nenhuma das empresas envolvidas no uso de nemag&oacute;n&quot;, disse ao Terram&eacute;rica Erica Rosenthal, do grupo de advogados sem fins lucrativos Earthjustice.<\/p>\n<p> &quot;Ningu&eacute;m discute e periculosidade do DBCP, especialmente o fato de que pode causar esterilidade masculina&quot;, afirmou Rosenthal. &quot;Seus fabricantes sabiam dos efeitos que teria desde os anos 60 e, inclusive, consideraram a possibilidade de lan&ccedil;&aacute;-lo no mercado como anticoncepcional para homens&quot;, acrescentou a advogada, que assiste trabalhadores da banana h&aacute; 14 anos. Consultado pelo Terram&eacute;rica, Lack, advogado dos queixosos, n&atilde;o quis comentar o caso e negou-se a facilitar contatos com seus clientes.<\/p>\n<p> Um porta-voz da Dow tampouco quis comentar as acusa&ccedil;&otilde;es, mas assegurou que essa companhia deixou de vender o DBCP depois de sua proibi&ccedil;&atilde;o, em 1979, nos Estados Unidos. Um porta-voz da Dole n&atilde;o respondeu as perguntas feitas por escrito. Outras v&iacute;timas do tem&iacute;vel pesticida na Am&eacute;rica Central tentaram ser indenizadas no passado, sem sucesso. Em 2001, o Poder Judicial da Nicar&aacute;gua ordenou que a Shell, Dole e Dow pagassem US$ 489 milh&otilde;es a 500 homens que trabalharam em planta&ccedil;&otilde;es de banana e sofreram esteriliza&ccedil;&atilde;o pelo DBCP. Essas empresas n&atilde;o acataram a decis&atilde;o e apresentaram uma contra-queixa por fraude, pedindo indeniza&ccedil;&atilde;o de US$ 17 bilh&otilde;es por danos e preju&iacute;zos. Este ano, o Poder Judicial dos Estados Unidos rejeitou uma peti&ccedil;&atilde;o no sentido de ratificar a senten&ccedil;a nicarag&uuml;ense, e pouco depois foi retirada a contra-queixa, disse Kathy Hoyt, da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental norte-americana Nicar&aacute;gua Network. <\/p>\n<p> Em geral, os ju&iacute;zes norte-americanos alegam que os tribunais de seu pa&iacute;s n&atilde;o s&atilde;o o lugar mais adequado para dirimir os casos, e 96% destes n&atilde;o voltaram a ser apresentados em outras na&ccedil;&otilde;es. A maioria dos C&oacute;digos Civis de pa&iacute;ses latino-americanos &eacute; menos conveniente para os queixosos do que os dos Estados Unidos, onde &eacute; freq&uuml;ente os advogados s&oacute; poderem cobrar seus honor&aacute;rios se ganham a causa. &quot;Um trabalhador que recebe US$ 80 por m&ecirc;s n&atilde;o pode pagar um advogado&quot;, afirmou Rosenthal. Alguns casos rejeitados nos Estados Unidos foram tratados em pa&iacute;ses onde as companhias acusadas tinham poderosa influ&ecirc;ncia ou j&aacute; n&atilde;o contavam com bens embarg&aacute;veis para execu&ccedil;&atilde;o de uma senten&ccedil;a adversa, acrescentou. <\/p>\n<p> De todo modo, em mar&ccedil;o, um tribunal nicarag&uuml;ense condenou a Shell Chemical, Dole e Standard Fruit a pagarem US$ 82,9 milh&otilde;es a 81 mulheres que contra&iacute;ram doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas pela exposi&ccedil;&atilde;o ao DBCP. O promotor-geral da Nicar&aacute;gua, Victor Talavera, disse que seu governo far&aacute; um acompanhamento dos casos levados aos tribunais norte-americanos, mas acredita que acordos extrajudiciais com as companhias s&atilde;o o &uacute;nico caminho para que os trabalhadores sejam adequadamente compensados. Um julgamento nos Estados Unidos leva anos e &eacute; muito caro, acrescentou. <\/p>\n<p> Outro grupo de trabalhadores nicarag&uuml;enses apresentou uma queixa por uso de DBCP em um tribunal de Los Angeles na &uacute;ltima primavera boreal. Segundo Steve Coates, da ong norte-americana Projeto de Educa&ccedil;&atilde;o Trabalhista nas Am&eacute;ricas, as empresas Dole e Chiquita avan&ccedil;aram nos &uacute;ltimos anos em mat&eacute;ria de condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e prote&ccedil;&atilde;o do meio ambiente. No entanto, o mesmo n&atilde;o ocorre com outras companhias, e causa preocupa&ccedil;&atilde;o o uso de outros pesticidas, ressaltou.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; colaborador do Terram&eacute;rica. <\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde. <\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BROOKLIN, 20\/01\/2005 &ndash; A demanda interposta em outubro por milhares de trabalhadores bananeiros na Costa Rica contra companhias dos Estados Unidos &eacute; a mais recente de uma infrut&iacute;fera s&eacute;rie de den&uacute;ncias sobre o uso do nemag&oacute;n na Am&eacute;rica Central, um pesticida com potencial cancer&iacute;geno e que causa esteriliza&ccedil;&atilde;o. O pedido de indeniza&ccedil;&atilde;o foi apresentado em um tribunal de Los Angeles contra as empresas qu&iacute;micas Shell Chemical e Dow Chemical, junto com as empresas de banana Dole Food, Chiquita Brands e Fresh Del Monte. A Shell Chemical &eacute; uma filial do grupo brit&acirc;nico-holand&ecirc;s Royal Dutch\/Shell e a Fresh Del Monte &eacute; propriedade da fam&iacute;lia palestina Abu Ghazaleh. 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