{"id":330,"date":"2005-02-21T00:00:00","date_gmt":"2005-02-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=330"},"modified":"2005-02-21T00:00:00","modified_gmt":"2005-02-21T00:00:00","slug":"desarmamento-compromissos-de-kioto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/02\/mundo\/desarmamento-compromissos-de-kioto\/","title":{"rendered":"Desarmamento: Compromissos de Kioto"},"content":{"rendered":"<p>A Espanha &eacute; o pa&iacute;s que mais aumentou, 21\/02\/2005 &ndash; se que v&aacute;rias empresas recorrer&atilde;o a projetos na Am&eacute;rica Latina para cumprirem suas cotas de emiss&atilde;o. A el&eacute;trica Endesa j&aacute; anunciou que investir&aacute; US$ 3,2 bilh&otilde;es na regi&atilde;o.<br \/> <!--more--> <br \/> MADRI, 19 fev &#8211; A Espanha dever&aacute; se empenhar bastante para cumprir as obriga&ccedil;&otilde;es emanadas do Protocolo de Kyoto sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, e ainda assim poder&aacute; fracassar. Suas emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa aumentaram 40% desde 1990 e sua temperatura m&eacute;dia aumentou 1,5 grau em 30 anos. A entrada em vigor do Protocolo no dia 16 de fevereiro marca a hora da verdade para o pa&iacute;s, reconheceu a ministra de Meio Ambiente, Cristina Narbona, que qualificou de &quot;astron&ocirc;mica&quot; a fatura paga pela Espanha pela crescente depend&ecirc;ncia do petr&oacute;leo. O acordo que obriga 35 pa&iacute;ses industriais, estabelece que em 2012 eles dever&atilde;o ter reduzido suas emiss&otilde;es de gases que esquentam a atmosfera em 5,2% com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s emiss&otilde;es de 1990.<\/p>\n<p> A Uni&atilde;o Europ&eacute;ia estabeleceu redu&ccedil;&otilde;es para a maioria de seus membros, comprometendo-se a reduzir em conjunto 8% de suas emiss&otilde;es. Mas Portugal e Espanha, pelo seu grau de desenvolvimento relativo dentro do bloco, foram autorizados a um aumento de 27% e 15% at&eacute; 2012, respectivamente. No final de 2004, a Espanha havia multiplicado por quase tr&ecirc;s esse aumento, o maior dentro da UE, que no total reduziu suas emiss&otilde;es em 3,5% desde 1990. Mas o incremento espanhol tamb&eacute;m &eacute; superior ao de outros grandes pa&iacute;ses industrializados: segundo dados de 2003 das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, o Canad&aacute; registrou aumento nas emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa de 20%, Austr&aacute;lia 18%, Jap&atilde;o 11% e Estados Unidos, o maior emissor mundial, teve incremento de 14%<\/p>\n<p> Narbona pediu realismo, j&aacute; que na Espanha &quot;n&atilde;o houve nenhuma preocupa&ccedil;&atilde;o por parte dos sucessivos governos quanto &agrave; redu&ccedil;&atilde;o dessas emiss&otilde;es&quot;, numa refer&ecirc;ncia ao per&iacute;odo em que o conservador Partido Popular esteve no poder (1996-2004). As autoridades espanholas anunciaram a entrada em vigor, no dia 14 de fevereiro, do Plano Nacional de Destina&ccedil;&atilde;o de Emiss&otilde;es que estabelece at&eacute; 2007 cotas das principais ind&uacute;strias do pa&iacute;s. O plano permite a cerca de 957 empresas emitir um total de 513,6 milh&otilde;es de toneladas de di&oacute;xido de carbono (CO2, o principal g&aacute;s causador do efeito estufa). As cotas maiores foram dadas ao setor el&eacute;trico (256,2 milh&otilde;es de toneladas) e ao de cimento (82,6 milh&otilde;es).<\/p>\n<p> As companhias que excederem esses limites dever&atilde;o apelar para algum dos mecanismos de flexibilidade do Protocolo de Kyoto, que permitem aos pa&iacute;ses industrializados comercializar entre si direitos de emiss&otilde;es de carbono ou investir em projetos limpos no Sul, ganhando certificados de redu&ccedil;&atilde;o e tempo para reduzir a contamina&ccedil;&atilde;o em casa. Aproveitando o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) de Kyoto, a companhia energ&eacute;tica Endesa investir&aacute; cerca de dois milh&otilde;es e meio de euros (US$ 3,2 bilh&otilde;es) na amplia&ccedil;&atilde;o de seis centrais hidrel&eacute;tricas na Am&eacute;rica Latina, para compensar os gases produzidos em suas centrais t&eacute;rmicas na Espanha. As usinas s&atilde;o a brasileira Fortaleza; Sombrilla, na Col&ocirc;mbia; Callahuanca, Santa Rosa e Ventanilla no Peru, e Palmucho, no Chile.<\/p>\n<p> Os trabalhos na Calalhuanca come&ccedil;ar&atilde;o este m&ecirc;s, e a empresa estima que conseguir&aacute; compensar nos pr&oacute;ximos 20 anos algo em torno de 400 mil toneladas anuais de di&oacute;xido de carbono. A Espanha tamb&eacute;m incorporou as normas da UE para participar do mercado de direitos de emiss&atilde;o, em vigor desde janeiro, e anuncia que revisar&aacute; seu plano energ&eacute;tico para promover o uso eficiente de energia e as fontes limpas. Os funcion&aacute;rios est&atilde;o otimistas. &quot;Somos o pa&iacute;s do mundo que mais nova pot&ecirc;ncia (energia e&oacute;lica) colocou em servi&ccedil;o em 2004, acima dos mil megawatts&quot;, disse Arturo Gonzalo Aizpiri, secret&aacute;rio-geral para a Preven&ccedil;&atilde;o da Contamina&ccedil;&atilde;o e a Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica do Minist&eacute;rio do Meio Ambiente.<\/p>\n<p> As autoridades incentivar&atilde;o outros meios de transporte p&uacute;blico e desestimular&atilde;o o uso do autom&oacute;vel para dist&acirc;ncias curtas, pois 30% das emiss&otilde;es nacionais correspondem ao transporte. Al&eacute;m disso, anuncia-se uma grande campanha dirigida aos cidad&atilde;os, diante da evid&ecirc;ncia de um crescimento exarcebado do consumo de energia, que aumentou 15% desde janeiro de 2004. Os espanh&oacute;is t&ecirc;m muitas raz&otilde;es para se preocupar com a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. Segundo dados de um estudo encomendado pelo Minist&eacute;rio do Meio Ambiente, do qual participaram 400 cientistas, a temperatura m&eacute;dia aumentou na Espanha em mais de 1,5 grau nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas. A quantidade de dias de neve diminuiu em 41%. Durante os anos 90, o n&iacute;vel do mar aumentou quatro mil&iacute;metros por ano, caiu a contribui&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica das grandes bacias e se intensificaram as tempestades e as ondas de calor.<\/p>\n<p> A mudan&ccedil;a clim&aacute;tica afetar&aacute; negativamente v&aacute;rios setores, incluindo o turismo, principal motor da economia espanhola, advertiu o cientista Jos&eacute; Mar&iacute;a Baldasano Recio. Mas enquanto as autoridades apostam tudo em Kyoto, o Greenpeace\/Espanha e Engenharia Sem Fronteiras questionam os instrumentos de flexibilidade do Protocolo, em particular o MDL. Essas organiza&ccedil;&otilde;es ecologistas recordaram que 78% da ajuda ao desenvolvimento foram dedicados a financiar projetos energ&eacute;ticos contaminantes nos pa&iacute;ses pobres. Al&eacute;m disso, reclamam que os recursos para financiar iniciativas do MDL n&atilde;o sejam consideradas ajuda ao desenvolvimento. &quot;Os MDL est&atilde;o previstos para cumprir Kyoto, e a ajuda ao desenvolvimento deve ser para erradicar a pobreza nos pa&iacute;ses mais desfavorecidos&quot;, disse ao Terram&eacute;rica o diretor de Estudos da Engenharia Sem Fronteiras, Eduardo S&aacute;nchez.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Espanha &eacute; o pa&iacute;s que mais aumentou, 21\/02\/2005 &ndash; se que v&aacute;rias empresas recorrer&atilde;o a projetos na Am&eacute;rica Latina para cumprirem suas cotas de emiss&atilde;o. 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