{"id":3308,"date":"2007-09-20T18:18:36","date_gmt":"2007-09-20T18:18:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3308"},"modified":"2007-09-20T18:18:36","modified_gmt":"2007-09-20T18:18:36","slug":"dd-hh-camboya-camboja-prende-o-numero-dois-do-khmer-vermelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/09\/mundo\/dd-hh-camboya-camboja-prende-o-numero-dois-do-khmer-vermelho\/","title":{"rendered":"DD-HH CAMBOYA: Camboja prende o n\u00famero dois do Khmer Vermelho"},"content":{"rendered":"<p>Bangcoc, 20\/09\/2007 &ndash; A pol\u00edcia do Camboja prendeu ontem Nuon Chea, o sobrevivente de maior hierarquia do regime genocida do Khmer Vermelho, que matou um em cada quatro habitantes desse pa\u00eds na d\u00e9cada de 70. Chea foi o n\u00famero dois no governo comunista de Pol Pot, ao qual \u00e9 atribu\u00edda a morte, entre 1975 e 1979, de 1,7 milh\u00e3o de pessoas, quase um quarto da popula\u00e7\u00e3o do Camboja na \u00e9poca. <!--more--> A imprensa informou que a pol\u00edcia e membros do tribunal especial criado para julgar os l\u00edderes do Khmer Vermelho prenderam Nuon Chea em sua casa na remota localidade de Pailin, perto da fronteira com a Tail\u00e2ndia. Ele foi levado de helic\u00f3ptero para Phnom Penh.<\/p>\n<p>Durante anos Pailin foi um reduto do Khmer Vermelho, que ali instalou seu quartel-general na selva. A chefe de assuntos p\u00fablicos do tribunal criado sob ausp\u00edcio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Helen Jarvis, informou que Chea \u201cfoi preso por ordem do tribunal\u201d e que permanecer\u00e1 detido \u201cap\u00f3s uma primeira audi\u00eancia com os juizes\u201d. Para cidad\u00e3os cambojanos com Youk Chhang, a pris\u00e3o de Chea, de 82 anos, \u00e9 um ponto de inflex\u00e3o na luta de seu pa\u00eds para que os l\u00edderes do Khmer Vermelho sejam julgados pelos crimes brutais que cometeram. Tamb\u00e9m joga por terra a cren\u00e7a, compartilhada por muitos cambojanos ao longo dos \u00faltimos anos, de que os respons\u00e1veis pela matan\u00e7a ficariam impunes.<\/p>\n<p>\u201cA express\u00e3o no rosto dos habitantes de Phnom Penh revela o que sentem. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio\u201d, disse \u00e0 IPS por telefone Chhang, que, embora tenha conseguido sobreviver ao regime do Khmer Vermelho, perdeu membros de sua fam\u00edlia durante o reinado de terror. \u201cAs pessoas nas ruas est\u00e3o sorrindo porque ningu\u00e9m acreditava que esta pris\u00e3o pudesse acontecer\u201d, acrescentou. A deten\u00e7\u00e3o de Nuon chen, que tamb\u00e9m era conhecido como \u201cIrm\u00e3o N\u00famero Dois\u201d, significa um grande impulso para o tribunal especial. \u201cIsto convencer\u00e1 as pessoas de que realmente funciona. Ajudar\u00e1 a restaurar a confian\u00e7a no sistema legal do pa\u00eds\u201d, disse Chhang.<\/p>\n<p>Poucos sabem tanto quanto Chhang sobre as atrocidades do Khmer Vermelho, que devem ser expostas em um tribunal. Ele \u00e9 diretor do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o do Camboja, \u00f3rg\u00e3o independente que dedicou anos a investigar os crimes. Em julho de 2006, entregou ao tribunal informa\u00e7\u00f5es sobre 20 mil valas comuns, 189 prisioneiros e testemunhos de 30 mil v\u00edtimas. At\u00e9 o momento de sua pris\u00e3o, Chea desfrutava da liberdade gra\u00e7as \u00e0 anistia decretada em 1998 pelo governo do primeiro-ministro Hun Sem, um ex-l\u00edder do Khmer Vermelho, que ainda permanece na equipe de governo.<\/p>\n<p>O \u201cIrm\u00e3o N\u00famero Dois\u201d reiteradas vezes proclamou sua inoc\u00eancia. Em julho, em entrevista \u00e0 ag\u00eancia de not\u00edcias France-Presse, afirmou que n\u00e3o esteve \u201cenvolvido no assassinato de pessoas e que n\u00e3o sabe \u201cquem foi o respons\u00e1vel\u201d. As investiga\u00e7\u00f5es indicam o contr\u00e1rio. Nuon Chea foi apontado como uma figura-chave que deu as ordens para o extermino de dezenas de milhares de seus compatriotas, enquanto o Khmer Vermelho, de ideologia mo\u00edsta extremista, tentava instaurar sua utopia agr\u00e1ria no Camboja. H\u00e1 pouco mais de um m\u00eas aconteceu a pris\u00e3o de outra figura de destaque do regime, Kaing Khek Eav, tamb\u00e9m conhecido como \u201cDuch\u201d, que esteve \u00e0 frente do centro de interrogat\u00f3rio toul Sleng, em Phnom Penh, onde morreram 14 mil pessoas acusadas de trai\u00e7\u00e3o e apenas 12 conseguiram sobreviver.<\/p>\n<p>Agora, muitos se perguntam quando outros l\u00edderes do Khmer Vermelho que est\u00e3o em liberdade ser\u00e3o levados perante a justi\u00e7a. Entre eles se encontram o ex-chefe de Estado Khieu Samphan, que vive em Pailin, e o ex-chanceler Ieng Sary. O l\u00edder do Khmer Vermelho, Pol Pot, morreu em 1998, enquanto T\u00e1 Mok, conhecido como \u201cO Carniceiro\u201d, faleceu em julho de 2006. foi nomeado chefe do ex\u00e9rcito em 1977 e tomou parte do deslocamento for\u00e7ado dos habitantes das cidades, inclu\u00edda a capital, onde cerca de dois milh\u00f5es de pessoas foram levadas para trabalhar no campo. O Khmer Vermelho cometeu massacre com execu\u00e7\u00f5es em massa nos acampamentos de trabalhos for\u00e7ados ou pela fome generalizada.<\/p>\n<p>Embora Pol Pot e seus seguidores tenham sido derrubados do poder em 1979 ap\u00f3s a invas\u00e3o do pa\u00eds pelo Vietn\u00e3, demorou quase 20 anos para come\u00e7arem as discuss\u00f5es formais a cria\u00e7\u00e3o de um tribunal de crimes de guerra. As conversa\u00e7\u00f5es entre a ONU e Phnom Penh tiveram in\u00edcio em 1997, mas foi preciso vencer muitos obst\u00e1culos criados pelas freq\u00fcentes mudan\u00e7as de atitude do governo de Hun Sem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangcoc, 20\/09\/2007 &ndash; A pol\u00edcia do Camboja prendeu ontem Nuon Chea, o sobrevivente de maior hierarquia do regime genocida do Khmer Vermelho, que matou um em cada quatro habitantes desse pa\u00eds na d\u00e9cada de 70. 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