{"id":3335,"date":"2007-10-01T17:23:32","date_gmt":"2007-10-01T17:23:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3335"},"modified":"2007-10-01T17:23:32","modified_gmt":"2007-10-01T17:23:32","slug":"energia-africa-oportunidades-e-desafios-do-biocombustivel-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/africa\/energia-africa-oportunidades-e-desafios-do-biocombustivel-na-africa\/","title":{"rendered":"Energia-\u00c1frica:: Oportunidades e desafios do biocombust\u00edvel na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p>Durban, 01\/10\/2007 &ndash; O combust\u00edvel de origem vegetal permite que a \u00c1frica conte com energia alternativa e se transforme em um grande fornecedor dos mercados de pa\u00edses ricos. Mas, v\u00e1rios obst\u00e1culos se colocam nesse caminho. <!--more--> \u201cH\u00e1 muitos lugares para explorar fontes de energia limpa em um momento em que se sofre o aquecimento planet\u00e1rio\u201d, afirmou o ministro de Energia de Mo\u00e7ambique, Salvador Namburete, na Primeira Confer\u00eancia e Exposi\u00e7\u00e3o Anual de Biocombust\u00edveis da \u00c1frica, realizada na semana passada na cidade balne\u00e1ria de Durban, na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia exigiu que 10% do combust\u00edvel utilizado pelo transporte e pela ind\u00fastria em sua regi\u00e3o sejam de origem biol\u00f3gica at\u00e9 2020. O comiss\u00e1rio de Agricultura da UE declarou v\u00e1rias vezes que 20% dessa quantidade dependeriam das importa\u00e7\u00f5es. O programa \u201ctudo, menos armas\u201d, do bloco, estabelece que os produtos dos Pa\u00edses Menos Adiantados entrem livres de impostos e cotas em seu mercado. Isso favorecer\u00e1 a exporta\u00e7\u00e3o do biocombust\u00edvel africano.<\/p>\n<p>A categoria de Pa\u00edses Menos Adiantados foi criada em 1971 pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas como forma de reconhecer que os Estados mais pobres do mundo necessitavam de uma assist\u00eancia especial. As 50 na\u00e7\u00f5es mais pobres ficam, em sua maioria, na \u00c1frica. Algumas dessas na\u00e7\u00f5es t\u00eam terras adequadas para o cultivo destinado a produzir combust\u00edvel vegetal e proporcionam oportunidades para promover a importa\u00e7\u00e3o de tecnologia necess\u00e1ria aos investidores.<\/p>\n<p>Os biocombust\u00edveis africanos tamb\u00e9m t\u00eam possibilidades de entrar no mercado norte-americano gra\u00e7as \u00e0 Lei de Oportunidades e Crescimento Africano, a resposta de Washington \u00e0 iniciativa europ\u00e9ia \u201cTudo, menos armas\u201d. Al\u00e9m disso, aparecem outros mercados em pa\u00edses com economias em crescimento, como o Jap\u00e3o, e tamb\u00e9m v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es africanas se inclinam para essa fonte alternativa de energia. Mas, diante dessa variedade de oportunidades, surgem questionamentos sobre a falta de infra-estrutura deste continente para enfrentar as necessidades de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA falta de infra-estrutura nas na\u00e7\u00f5es africanas afetam as oportunidades para o uso de biocombust\u00edvel. Pode-se produzir, mas se n\u00e3o chegar ao usu\u00e1rio a um pre\u00e7o razo\u00e1vel n\u00e3o ter\u00e1 sentido\u201d, disse Vinesh Moodly, gerente de refinaria da D l Oils Africa Plc, com sede em Johnnesburgo. O Brasil, maior exportador atual de etanol, produzido a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar, tamb\u00e9m tem dificuldades de infra-estrutura. A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente pressiona a quantidade de fornecimentos destinados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m faz baixar os pre\u00e7os, pois os exportadores s\u00e3o obrigados a vender diante da falta de instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias. A Petrobras e outras companhias privadas estudam a constru\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios gasodutos dentro do Pa\u00eds para evitar a deficiente rede de transporte terrestre.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica se constr\u00f3i um gasoduto de 450 quil\u00f4metros, unindo Maputo \u00e0 \u00c1frica do Sul, informou Namburete, bem como v\u00e1rios dep\u00f3sitos para armazenar o combust\u00edvel em Beira, a segunda maior cidade de Mo\u00e7ambique, regi\u00e3o onde se localiza grande parte da produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edvel. Por\u00e9m, a maioria dos pa\u00edses produtores deste continente, em termos dos custos de produ\u00e7\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar, milho ou mandioca, n\u00e3o tem sa\u00edda para o mar, nem infra-estrutura que permita seu transporte e explora\u00e7\u00e3o, e tampouco investimentos previstos para imediatamente, como em Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p>\u201cOutra quest\u00e3o \u00e9 como supervisionar o processo de concess\u00e3o de terras para garantir que campo seja utilizado para os fins para os quais foi destinado. Contamos com 36 milh\u00f5es de hectares de terras cultiv\u00e1veis e, at\u00e9 h\u00e1 dois anos, somente cinco milh\u00f5es eram trabalhados\u201d, disse Namburete. \u201cDesde ent\u00e3o, recebemos pedidos para produzir biocombust\u00edvel em cinco milh\u00f5es de hectares. O desafio e ter um bom processo de destina\u00e7\u00e3o e assegurar que a terra realmente seja usada para esse prop\u00f3sito\u201d, acrescentou. \u201cAl\u00e9m disso, temos de encontrar a forma de garantir um equil\u00edbrio adequado entre os cultivos destinados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edvel e de alimentos\u201d. Os 36 milh\u00f5es de hectares de terras cultiv\u00e1veis de Mo\u00e7ambique podem ser destinados aos cultivos para fabricar biocombust\u00edveis \u201csem colocar em risco a produ\u00e7\u00e3o alimentar\u201d. <\/p>\n<p>No entanto, em outros 41 milh\u00f5es de hectares de terras n\u00e3o t\u00e3o boas pode-se plantar jatrofa (Pinh\u00e3o Manso), uma \u00e1rvore cujas sementes cont\u00eam um \u00f3leo n\u00e3o-comest\u00edvel capaz de ser transformado em biocombust\u00edvel. A pol\u00eamica sobre planta\u00e7\u00f5es destinadas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o ou \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edvel \u00e9 muito importante na \u00c1frica, onde deveras condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, instabilidade social e mau uso da terra deixam milh\u00f5es de pessoas com fome. <\/p>\n<p>Quando se impulsiona um projeto de biocombust\u00edvel \u00e9 fundamental garantir que na regi\u00e3o em quest\u00e3o n\u00e3o haja car\u00eancia de alimentos, segundo Justin Vermaak, diretor-executivo da Versus Company Group, com sede em Durban. \u201cPensa-se em produzir biocombust\u00edvel no Zimb\u00e1bue? Imposs\u00edvel. \u00c9 preciso impulsionar esse tipo de projeto onde n\u00e3o ocorra esse tipo de competi\u00e7\u00e3o\u201d, explicou. Mais de um em cada tr\u00eas zimbabuenses n\u00e3o tem alimento suficiente, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO). O pa\u00eds sofreu numerosa secas nos \u00faltimos anos, embora a crise alimentar seja atribu\u00edda em sua maior parte \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica desse pa\u00eds da \u00c1frica austral.<\/p>\n<p>Os combust\u00edveis de origem vegetal n\u00e3o impulsionaram novos cultivos no mundo, somente desviaram a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola existente, segundo Vermaak. \u2018S\u00f3 o que se conseguiu \u00e9 a falta de abastecimento. N\u00e3o houve novas iniciativas de desenvolvimento, apenas apareceu um novo consumidor para o mesmo produto, adicionando estresse ao mesmo sistema\u201d, ressaltou. V\u00e1rias na\u00e7\u00f5es africanas incentivam pol\u00edticas para favorecer a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis e impulsionar as empresas privadas e estatais, e outras criam mercados locais.<\/p>\n<p>Pa\u00edses pequenos como Ruanda que al\u00e9m de n\u00e3o terem sa\u00edda para o mar tamb\u00e9m sofrem os altos custos do petr\u00f3leo no mercado internacional, se voltam para a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edvel a fim de atender o mercado local. \u201cQuem produz biocombust\u00edvel na \u00c1frica guarda bem a informa\u00e7\u00e3o porque pensa que qualquer dado significa uma vantagem comercial. \u00c9 uma estupidez. Compartilhar ser\u00e1 melhor para todos\u201d, afirmou Vermaak.<\/p>\n<p> (Envolverde\/ IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durban, 01\/10\/2007 &ndash; O combust\u00edvel de origem vegetal permite que a \u00c1frica conte com energia alternativa e se transforme em um grande fornecedor dos mercados de pa\u00edses ricos. 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