{"id":3355,"date":"2007-10-09T19:21:01","date_gmt":"2007-10-09T19:21:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3355"},"modified":"2007-10-09T19:21:01","modified_gmt":"2007-10-09T19:21:01","slug":"energia-capim-elefante-novo-campeao-em-biomassa-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/america-latina\/energia-capim-elefante-novo-campeao-em-biomassa-no-brasil\/","title":{"rendered":"Energia: Capim elefante, novo campe\u00e3o em biomassa no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 09\/10\/2007 &ndash; A cana-de-a\u00e7\u00facar pouco a pouco perde sua lideran\u00e7a em efici\u00eancia energ\u00e9tica. Estudos do Centro de Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) apontam o capim elefante como uma esp\u00e9cie de potencial imensamente superior. <!--more--> Sua biomassa seca pode gerar 25 unidades de energia para cada uma de origem f\u00f3ssil consumida em sua produ\u00e7\u00e3o. Por sua vez, a cana, convertida em etanol, alcan\u00e7a uma rela\u00e7\u00e3o de apenas nove por uma. Mas esses dois l\u00edderes em balan\u00e7o energ\u00e9tico enfrentam desafios e caminhos distintos antes que possam competir, por exemplo, em gera\u00e7\u00e3o de eletricidade.<\/p>\n<p>O capim elefante, cujo nome cient\u00edfico \u00e9 Pennisetum pupureum, s\u00f3 recentemente despertou o interesse dos grandes consumidores e empres\u00e1rios de energia, ap\u00f3s d\u00e9cadas de pesquisa cient\u00edfica. Trata-se de uma gram\u00ednea semelhante \u00e0 cana, trazida da \u00c1frica h\u00e1 pelo menos um s\u00e9culo e usada como alimento para o gado. O interesse energ\u00e9tico por est\u00e1 esp\u00e9cie foi despertado por sua alta produtividade. Enquanto o eucalipto, \u00e1rvore mais no Brasil para produzir celulose e carv\u00e3o vegetal, fornece 7,5 toneladas de biomassa seca por hectare ao ano, em m\u00e9dia, e at\u00e9 20 toneladas nas melhores condi\u00e7\u00f5es, o capim alcan\u00e7a de 30 a 40 toneladas, afirmou \u00e0 IPS o t\u00e9cnico Vicente Mazzarella, que estuda esta esp\u00e9cie desde 1991 no Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas (IPT), do governo do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o eucalipto necessita de sete anos para atingir um tamanho conveniente para o corte, enquanto o capim oferece duas a quatro colheitas anuais, devido ao seu r\u00e1pido crescimento. E sua produtividade pode ser ampliada, j\u00e1 que se trata de uma esp\u00e9cie pouco estudada e sem melhoramento gen\u00e9tico. Tem cerca de 200 variedades e demora identificar as que se desenvolvem melhor nas diferentes condi\u00e7\u00f5es de clima e solo, disse Mazzarella. A Embrapa Agrobiologia identificou, ap\u00f3s 10 anos de estudos, tr\u00eas variedades interessantes para fins energ\u00e9ticos, por sua boa produtividade sem fertiliza\u00e7\u00e3o nitrogenada. A pesquisa nessa caso busca o capim menos nutritivo poss\u00edvel, o oposto do que se fez tradicionalmente com a inten\u00e7\u00e3o de alimentar o gado.<\/p>\n<p>\u00c9 que a presen\u00e7a de muitos nutrientes, como sais minerais, gera cinzas que podem danificar os fornos sider\u00fargicos, explicou \u00e0 IPS Bruno Alves, agr\u00f4nomo que participa da equipe de pesquisa do capim elefante na Embrapa Agrobiologia, liderado por Segundo Urquiaga. Por essa raz\u00e3o os testes foram feitos com variedades que podem crescer m solos pobres, procurando usar o m\u00ednimo de fertilizantes, mas sem sacrificar a produtividade de biomassa. O balan\u00e7o energ\u00e9tico da gram\u00ednea pode melhorar com a fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de nitrog\u00eanio dispon\u00edvel no ar, \u00e1rea em que o centro agrobiologico da Embrapa acumulou muito conhecimento nas \u00faltimas d\u00e9cadas, inoculando bact\u00e9rias em leguminosas e na cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>A fixa\u00e7\u00e3o limita-se ao nitrog\u00eanio que a planta precisa, eliminando-s o risco do excesso, explicou Alves, lembrando que esse fertilizante \u00e9 o que mais exige energia f\u00f3ssil em sua produ\u00e7\u00e3o. Eliminando sua aplica\u00e7\u00e3o nas planta\u00e7\u00f5es evita-se a emiss\u00e3o de gases causadores do efeito estufa. Mas, o capim elefante tamb\u00e9m apresenta dificuldades. \u201cGosta de muita \u00e1gua\u201d, por isso deve-se estudar sua toler\u00e2ncia \u00e0s longas estiagens do cerrado, onde ficam as maiores extens\u00f5es de terras dispon\u00edveis para o cultivo, e se mant\u00e9m a produtividade com menos umidade, reconheceu Alves. Secar e compactar sua biomassa s\u00e3o outros desafios, admitiu Mazzarella.<\/p>\n<p>O capim elefante verde cont\u00e9m 80% de \u00e1gua e n\u00e3o seca no meio ambiente, como o eucalipto, porque se for amontoado pode apodrecer. Sua secagem exige que seja cortado em pedacinhos e algum tipo de energia. Al\u00e9m disso, a compacta\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel para a armazenagem e o transporte, diante do grande volume do pasto seco. Por essas raz\u00f5es, a ind\u00fastria de cer\u00e2mica aparece como o setor inicial que impulsionar\u00e1 o novo insumo energ\u00e9tico. Suas fabricas medias demandam menos de 100 hectares cultivados nas proximidades, dispensando o transporte e compacta\u00e7\u00e3o, e podem usar o capim diretamente em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 lenha ou ao g\u00e1s natural. Outras atividades que apenas precisam de calor ou vapor tamb\u00e9m poder\u00e3o aderir a essa alternativa em breve.<\/p>\n<p>Entretanto, uma empresa m\u00e9dia de eletricidade, Sykue Bioenergia, adiantou o processo e contratou a constru\u00e7\u00e3o da primeira central termel\u00e9trica que ser\u00e1 alimentada com capim elefante. A usina ser\u00e1 erguida em S\u00e3o Desid\u00e9rio, no interior da Bahia, segundo informou em julho a Dedini, a empresa industrial mais conhecida por produzir centrais a\u00e7ucareiras e destilarias de \u00e1lcool. A central da Sykue custar\u00e1 R$ 80 milh\u00f5es e dever\u00e1 iniciar suas opera\u00e7\u00f5es em dezembro de 2008. Sua capacidade ser\u00e1 de 30 megawatts e se abastecer\u00e1 de capim elefante cultivado em quatro mil hectares. A companhia pensa em fazer 10 dessas centrais e obter cr\u00e9ditos de carbono.<\/p>\n<p>Produzir carv\u00e3o a partir do capim elefante, para substituir o coque mineral ou o carv\u00e3o vegetal tradicional, feito da madeira, ainda exigir\u00e1 muita pesquisa. Mas a press\u00e3o ambiental e a amea\u00e7a de d\u00e9ficit energ\u00e9tico no Brasil podem reduzir o tempo de seu desenvolvimento, estimulando investimentos de grandes empresas sider\u00fargicas e energ\u00e9ticas. A demanda potencial para essa alternativa de energia \u00e9 imensa, segundo Mazzarella, que apontou cinco grandes mercados. Al\u00e9m da siderurgia interessada em um novo carv\u00e3o vegetal que n\u00e3o cause desmatamento, est\u00e3o o grupo de grandes consumidores de energia, como as ind\u00fastrias de alum\u00ednio, qu\u00edmica e de cimento, al\u00e9m das distribuidoras de eletricidade.<\/p>\n<p>Para estes \u00faltimos setores, a energia de biomassa representa uma economia-chave, porque se trata de suprir o consumo nas horas de maior demanda, o que mais encarece seus gastos. Para a minera\u00e7\u00e3o, que importa carv\u00e3o para transformar o ferro em pellets, especialmente para exporta\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m seria uma solu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e ambiental. Al\u00e9m disso, na Europa est\u00e1 em franca expans\u00e3o o consumo de biomassa seca e compactada, na forma de pequenos peda\u00e7os, por exemplo. Considerado a s\u00e9rio, pode abrir, para o Brasil, exporta\u00e7\u00f5es compar\u00e1vel \u00e0 do etanol, disse Mazzarella.<\/p>\n<p>(Envolverde\/ IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 09\/10\/2007 &ndash; A cana-de-a\u00e7\u00facar pouco a pouco perde sua lideran\u00e7a em efici\u00eancia energ\u00e9tica. 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