{"id":3361,"date":"2007-10-10T20:07:50","date_gmt":"2007-10-10T20:07:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3361"},"modified":"2007-10-10T20:07:50","modified_gmt":"2007-10-10T20:07:50","slug":"europa-desenvolvimento-mudar-caridade-por-justica-para-ter-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/desenvolvimento\/europa-desenvolvimento-mudar-caridade-por-justica-para-ter-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"Europa-Desenvolvimento: Mudar caridade por justi\u00e7a para ter desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p>Roma, 10\/10\/2007 &ndash; O Chamado Mundial contra a Pobreza (GCAP) conseguiu iniciar um processo de mudan\u00e7a no \u201csentido da percep\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia internacional \u201cdesde a caridade para a justi\u00e7a\u201d, disse uma das presidentes desta rede da sociedade civil, Sylvia Borren. <!--more--> Ela, que tamb\u00e9m preside a organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria holandesa Oxfam Novib, alerta que dentro do GCAP se reproduzem as tens\u00f5es entre o Norte rico e o Sul pobre e entre homens e mulheres, bem como outros conflitos. Mas, \u201ca chave \u00e9 trabalharmos juntos de modo pratico, nos comunicarmos e encontrar solu\u00e7\u00f5es\u201d, explica a ativista, que integra a presid\u00eancia coletiva desta rede mundial junto com Kumi Naiddoo, secret\u00e1rio-geral da Civicus, e Ana Agostino, integrante do Grupo de Trabalho Feminista do GCAP.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma s\u00edntese da longa entrevista que Borren concedeu \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>P- No \u00faltimo dia 17 de outubro, o GCAP e a Campanha do Mil\u00eanio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas bateram o recorde do Guinness de maior mobiliza\u00e7\u00e3o coordenada da hist\u00f3ria, quando 23,5 milh\u00f5es de pessoas em mais de cem pa\u00edses ficaram de p\u00e9 contra a pobreza. O presidente de Malawi, Bingu wa Mutharika, uniu-se \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es. Em Jaipur, na \u00cdndia, 38 mil fan\u00e1ticos do cricket ficaram de p\u00e9. Nas Filipinas, milhares de pessoas fizeram uma caminhada contra a pobreza. Esperam voltar a bater este recorde neste ano? R- Que 23, 5 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo tenham se colocado de p\u00e9 contra a pobreza \u00e9 um feito que ainda me entusiasma, mas me entristece que a m\u00eddia quase n\u00e3o tenha prestado aten\u00e7\u00e3o. Espero que isso seja muito diferente este ano, mas n\u00e3o poderia prever a quantidade de pessoas que participar\u00e3o. Desta vez os participantes escolher\u00e3o diferentes maneiras de pedir justi\u00e7a. Haver\u00e1 grupos que ficar\u00e3o de p\u00e9, outros ir\u00e3o cantar, e haver\u00e1 partidas de futebol nos quais se \u201csoprar\u00e1 o apito\u201d para denunciar a pobreza.<\/p>\n<p>P- A senhora escreveu a letra de uma can\u00e7\u00e3o, R\u00e9quiem pela pobreza, que ser\u00e1 interpretada por orquestras e coros infantis em v\u00e1rios pa\u00edses no dia 17 de outubro. Como acha que cantar far\u00e1 uma diferen\u00e7a? R- Esta can\u00e7\u00e3o foi extra\u00edda do mais extenso R\u00e9quiem pela pobreza, que escrevi junto com o musico Peter Maissan. A pe\u00e7a foi coreografada pela companhia de dan\u00e7a intercultural Le Grand Cru. Esperamos que seja representada em 20 pa\u00edses. Na Holanda, um coro de mais de 700 vozes o cantar\u00e1 diante do Parlamento de Haia, e tamb\u00e9m ser\u00e1 representada em Maastricht e Heerenveen. Tamb\u00e9m nos disseram que a cantar\u00e3o em 16 lugares diferentes da \u00cdndia. O R\u00e9quiem pela pobreza \u00e9 muito comovedor, e conecta a audi\u00eancia com a realidade cotidiana da pobreza em um n\u00edvel emocional. O mais importante \u00e9 que qualquer um pode cant\u00e1-lo, e ningu\u00e9m que o fa\u00e7a poder\u00e1 tirar a melodia nem a letra da cabe\u00e7a. \u00c9 uma pe\u00e7a composta para coro, dois solistas e bailarinos. Vimos gente que a contou uma e outra vez em diferentes atua\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>P- Este ano, o lema \u00e9 \u201c!Maniufeste-se!\u201d. Como planejam canalizar as opini\u00f5es e demandas do p\u00fablico? R- \u00c0s vezes, se fala e escreve sobre a pobreza com fatos e n\u00fameros: meio milh\u00e3o de mulheres morrendo no parto por ano, 80 milh\u00f5es de crian\u00e7as n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 escola e trabalham. Estes fatos se tornam abstratos. N\u00e3o \u00e9 conex\u00e3o suficiente com cada mulher, com cada crian\u00e7a a quem se rouba o futuro. Precisamos que todos entendam o profundo sofrimento que a pobreza produz e como podemos mudar esta situa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de nossa pr\u00f3pria conduta e de nossas cobran\u00e7as pol\u00edticas. Espero que as pessoas se comovam de cora\u00e7\u00e3o para que muitos mais se conectem com nossa causa, se manifestem, exijam novas pol\u00edticas comerciais e de assist\u00eancia, se convertam em consumidores justos&#8230; trata-se de reconhecer e sentir nossa humanidade comum e nossa necessidade de atuar pela justi\u00e7a.<\/p>\n<p>P- Comenta-se que neste ano a campanha \u00e9 mais pol\u00edtica. Em que sentido? R- Me convenci de que os l\u00edderes pol\u00edticos necessitam que, em nossa qualidade de eleitores, sejamos extremamente claros em nossas demandas. De outro modo, promessas com os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio ser\u00e3o feitas, mas n\u00e3o cumpridas. A Uni\u00e3o e a Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia falam muito sobre a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza, mas suas previs\u00f5es de investimento para isso at\u00e9 2013 mostram uma queda significativa do dinheiro que ser\u00e1 destinado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, luta contra a aids, e n\u00e3o haver\u00e1 quase dinheiro para empregar em justi\u00e7a de g\u00eanero, para apoiar meninas e mulheres. Portanto, precisamos explicar aos cidad\u00e3os de todo mundo o quanto s\u00e3o injustas as regras do com\u00e9rcio mundial, que v\u00e3o contra os agricultores e produtores do Sul em desenvolvimento, mas tamb\u00e9m contra os do Norte, em particular contra pequenas empresas que, com grande freq\u00fc\u00eancia, s\u00e3o dirigidas por mulheres. Necessitamos defender que a produ\u00e7\u00e3o e o tr\u00e1fico de armas reduzem nossa seguran\u00e7a. Precisamos demonstrar como a ajuda ainda est\u00e1 atada a condi\u00e7\u00f5es que favorecem os pa\u00edses ricos. Conhecemos todos os fatos e n\u00fameros para expor estas injusti\u00e7as, que literalmente matam em todo o mundo nossas meninas e mulheres, que carregam nas costas as injusti\u00e7as mais pesadas. Antes de estabelecer qualquer pol\u00edtica em n\u00edvel local, nacional e mundial, pode e deve ser avaliado seu impacto sobre as mulheres. E esse ser\u00e1 um indicador seguro sobre o potencial de uma pol\u00edtica para levarmos a um mundo justo e sem pobreza. Nesse sentido, o GCAP \u00e9, e deve ser, muito pol\u00edtico. Mas, trata-se de povos, n\u00e3o de partidos.<\/p>\n<p>P- Pode mencionar efeitos espec\u00edficos da campanha do ano passado? R- O movimento GCAP \u00e9 uma ampla coaliz\u00e3o de muitas organiza\u00e7\u00f5es civis, grupos comunit\u00e1rios, movimentos religiosos, sociais e sindicais. \u00c9 jovem, tem poucos anos de vida, e deixou sua marca, por exemplo ao pressionar o Grupo dos Oito (pa\u00edses mais poderosos do mundo) para que assumam compromissos concretos sobre a ajuda a \u00c1frica. O GCAP est\u00e1 mudando o sentido da percep\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia da caridade para a justi\u00e7a. Exp\u00f5e a uma audi\u00eancia muito mais ampla de cidad\u00e3os de todo o mundo que a pobreza \u00e9 uma quest\u00e3o de privil\u00e9gios e de explora\u00e7\u00e3o, de despojar as pessoas de seus direitos e suas vidas.<\/p>\n<p>P- A campanha come\u00e7ou em 2005. Depois do enorme esfor\u00e7o que esta alian\u00e7a mundial fez para mobilizar massas em todo o mundo, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 sinais de cansa\u00e7o? R- Os movimentos e as redes sociais se esfor\u00e7am muito para ser organizarem, mas estou assombrada com a energia que as coaliz\u00f5es do GCAP em n\u00edvel nacional conseguiram gerar. Por isto estou t\u00e3o convencida de que este amplo movimento da sociedade civil mundial poder\u00e1 comover pol\u00edticos e empres\u00e1rios como ningu\u00e9m mais. Dentro do movimento teremos de enfrentar e solucionar todas as tens\u00f5es presentes em qualquer rela\u00e7\u00e3o desigual de poder: homens\/mulheres, Norte\/Sul, diferen\u00e7as de classe, ra\u00e7a, idade, religi\u00e3o, de educa\u00e7\u00e3o, capacidades especiais, orienta\u00e7\u00e3o social&#8230; n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as que n\u00e3o existam dentro do GCAP. A chave \u00e9 trabalharmos juntos de modo pr\u00e1tico, nos comunicarmos e encontrar solu\u00e7\u00f5es. Nos demos conta de que podemos ir mais al\u00e9m dos estere\u00f3tipos e das posturas ideol\u00f3gicas. Isso nem sempre \u00e9 f\u00e1cil, mas minha experi\u00eancia no GCAP indica que podemos faz\u00ea-lo. O que podemos alcan\u00e7ar na pr\u00e1tica? As metas do mil\u00eanio, naturalmente, al\u00e9m de justi\u00e7a de g\u00eanero, direitos humanos, cuidado com o meio ambiente&#8230; mas, n\u00e3o queremos reduzir pobreza pela metade, queremos erradic\u00e1-la. (Envolverde\/ IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roma, 10\/10\/2007 &ndash; O Chamado Mundial contra a Pobreza (GCAP) conseguiu iniciar um processo de mudan\u00e7a no \u201csentido da percep\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia internacional \u201cdesde a caridade para a justi\u00e7a\u201d, disse uma das presidentes desta rede da sociedade civil, Sylvia Borren. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/desenvolvimento\/europa-desenvolvimento-mudar-caridade-por-justica-para-ter-desenvolvimento\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":287,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[18],"class_list":["post-3361","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3361","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/287"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3361"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3361\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}