{"id":3367,"date":"2007-10-15T19:22:24","date_gmt":"2007-10-15T19:22:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3367"},"modified":"2007-10-15T19:22:24","modified_gmt":"2007-10-15T19:22:24","slug":"saude-a-maior-complicacao-do-parto-e-a-desigualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/saude\/saude-a-maior-complicacao-do-parto-e-a-desigualdade\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade: A maior complica\u00e7\u00e3o do parto \u00e9 a desigualdade"},"content":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 15\/10\/2007 &ndash; Os Estados Unidos figuram no 41\u00ba lugar em uma nova an\u00e1lise sobre mortalidade materna em 171 pa\u00edses elaborada por especialistas em sa\u00fade p\u00fablica da ONU. <!--more--> Apesar de sua enorme riqueza e avan\u00e7ada tecnologia, esta na\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito atrasada em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses industrializados \u2013 e, inclusive, em rela\u00e7\u00e3o a alguns em desenvolvimnto \u2013 na hora de dar adequada aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade das mulheres durante a gravidez e o parto. O estudo, apresentado sexta-feira na sede da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, mostra que inclusive um pa\u00eds considerado \u201cem desenvolvimento\u201d pela comunidade internacional, como \u00e9 o caso da Cor\u00e9ia do Sul, est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o superior \u00e0 norte-americana nesta \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cAs mortes desnecess\u00e1rias por complica\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 gravidez e ao parto se devem ao fato de os Estados Unidos seguirem por um caminho incorreto\u201d, disse Beneva Shulte, da Women Deliver, organiza\u00e7\u00e3o com sede em Washington que defende os direitos reprodutivos das mulheres e seu acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablica deste pa\u00eds. Baseado em dados de 2005, o estudo, feito pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia e Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Popula\u00e7\u00e3o, mais o Banco Mundial, indica que uma em cada 4.800 mulheres nos Estados Unidos corre risco de morte na gravidez.<\/p>\n<p>Em contraste, entre os 10 pa\u00edses industrializados que ocupam os primeiros lugares da lista, menos de uma em cada 16.400 enfrenta situa\u00e7\u00e3o semelhante, diz o documento, intitulado \u201cMaternal Mortality in 2005\u201d. Segundo os especialistas, a raz\u00e3o \u00e9 que em muitos pa\u00edses europeus e no Jap\u00e3o no mundo industrializado, garante-se \u00e0s mulheres servi\u00e7os de sa\u00fade e planejamento familiar de boa qualidade, que minimizam seu risco de morte. Especialistas independentes e legisladores responsabilizam a atual pol\u00edtica de sa\u00fade p\u00fablica do governo norte-americano por seu p\u00e9ssimo desempenho, pois 47% dos cidad\u00e3os dos Estados Unidos n\u00e3o t\u00eam acesso a seguro sa\u00fade. A maioria deles \u00e9 de negros e outras minorias \u00e9tnicas ou religiosas.<\/p>\n<p>\u201cDevemos nos assegurar que as gr\u00e1vidas tenham cobertura. Embora tenhamos a melhor tecnologia, nem todos possuem acesso a cuidados m\u00e9dicos\u201d, disse \u00e0 IPS a congressista democrata Lois Capps, lembrando que o alcance do problema pode ser ainda pior do que aparenta. \u201cTemos que melhorar nossa coleta de dados. N\u00e3o creio que tenhamos toda a informa\u00e7\u00e3o\u201d, explicou. Especialistas da ONU que prepararam a an\u00e1lise disseram ter desenvolvido novos crit\u00e9rios para calcular a mortalidade materna, para superar a falta de dados em alguns pa\u00edses e corrigir os que est\u00e3o dispon\u00edveis e cont\u00eam erros por informarem menos casos do que os reais e classific\u00e1-los mal.<\/p>\n<p>Afirmam que essa inconsist\u00eancia nos dados sobre mortes e em sua classifica\u00e7\u00e3o cria amplas incertezas em muitos lugares, inclusive em pa\u00edses industrializados. Mas, quase com certeza, todos os c\u00e1lculos subestimam o problema. Eve Lackritz, chefe de Sa\u00fade Materna e Infantil nos Centros para o Controle das Enfermidades, identificou a \u201cdesigualdade racial\u201d como o principal fator da alta mortalidade materna dos Estados Unidos. \u201cAs mulheres negras s\u00e3o quatro vezes mais vulner\u00e1veis do que as brancas\u201d, disse Lackritz \u00e0 IPS. Segundo esta alta funcion\u00e1ria, a obesidade e hipertens\u00e3o s\u00e3o nos Estados Unidos duas importantes causas de riscos na gravidez. \u201cDevemos ser mais responsavis. Este \u00e9 um dos nossos grandes problemas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O outro extremo do espectro mostra 10 pa\u00edses \u2013 todos eles na \u00c1frica, menos o Afeganist\u00e3o \u2013 onde a elevada fertilidade e os deficientes sistemas de sa\u00fade causam riscos extremos \u00e0s mulheres gr\u00e1vidas. Segundo os investigadores, em pa\u00edses como Chade, Mal\u00ed, Nig\u00e9ria e Som\u00e1lia, mais de uma em cada 15 mulheres t\u00eam probabilidade de morrer por causas relacionadas com a gravidez. O estudo indica que uma em cada sete mulheres no N\u00edger \u00e9 vulner\u00e1vel \u00e0 morte durante a gesta\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 an\u00e1lise chega num momento em que ativistas pelo desenvolvimento e funcion\u00e1rios da ONU avaliam os progressos mundiais no cumprimento dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio.<\/p>\n<p>Estas metas, definidas em 2000 pela Assembl\u00e9ia Geral da ONU, incluem reduzir em dois ter\u00e7os a mortalidade infantil e em tr\u00eas quartos a materna at\u00e9 2005, em rela\u00e7\u00e3o a dados de 1990. tamb\u00e9m figuram entre os objetivos reduzir pela metade o n\u00famero de pessoas que sofrem pobreza e fome; garantir educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria universal; promover a igualdade de g\u00eanero; combater a aids, mal\u00e1ria e outras doen\u00e7as; assegurar a sustentabilidade ambiental e fomentar uma associa\u00e7\u00e3o mundial para o desenvolvimento.<\/p>\n<p>Especialistas acreditam que nos \u00faltimos sete anos o mundo n\u00e3o mudou muito para milh\u00f5es de mulheres pobres em rela\u00e7\u00e3o ao seu bem-estar econ\u00f4mico e seu acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade. Na semana passada, a revista m\u00e9dica The Lancet disse que, no ritmo atual, quase n\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7as de que o mundo consiga o objetivo de reduzir em 75% a mortalidade materna. A cada ano, cerca de 20 milh\u00f5es de mulheres se submetem a abortos inseguros, o que, de acordo com a publica\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma importante causa de doen\u00e7as e mortes maternas.<\/p>\n<p>Ativistas pelos direitos reprodutivos dizem que os governos devem tomar medidas dr\u00e1sticas para reverter a situa\u00e7\u00e3o se n\u00e3o for levado a s\u00e9rio o cumprimento do objetivo relativo \u00e0 mortalidade materna. \u201cEstamos como h\u00e1 20 anos\u201d, disse Ann Starrs, da organiza\u00e7\u00e3o independente Family Care International, em uma declara\u00e7\u00e3o escrita. \u201cMeio milh\u00e3o de mulheres morrem por ano devido a complica\u00e7\u00f5es no parto\u201d, disse. Um estudo do professor Ken Hill, da Universidade de Harvard (EUA) indica que entre 1990 e 2005 as mortes maternas diminu\u00edram, mas menos de 1% ao ano.<\/p>\n<p>Hill e muitos outros pesquisadores calculam que pelo menos entre 10 milh\u00f5es e 20 milh\u00f5es de mulheres sofrem anualmente problemas devido a complica\u00e7\u00f5es no momento de dar \u00e0 luz. Os especialistas dizem que este sofrimento poderia ser facilmente evitado se os doadores internacionais contribu\u00edssem com apenas US$ 6,1 bilh\u00e3o nos pr\u00f3ximos sete anos. Entre os dias 18 a 20 deste m\u00eas, mais de 1.500 l\u00edderes mundiais se reunir\u00e3o em Londres na confer\u00eancia \u201cWomen Deliver\u201d, que se concentrar\u00e1 em criar vontade pol\u00edtica e fortalecer os sistemas de sa\u00fade para prevenir as mortes de \u201cuma mulher a cada minuto de cada dia durante a gravidez e o parto\u201d. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 15\/10\/2007 &ndash; Os Estados Unidos figuram no 41\u00ba lugar em uma nova an\u00e1lise sobre mortalidade materna em 171 pa\u00edses elaborada por especialistas em sa\u00fade p\u00fablica da ONU. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/saude\/saude-a-maior-complicacao-do-parto-e-a-desigualdade\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":87,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[14,21],"class_list":["post-3367","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-saude","tag-america-do-norte","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3367","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/87"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3367"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3367\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}