{"id":3369,"date":"2007-10-15T19:33:10","date_gmt":"2007-10-15T19:33:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3369"},"modified":"2007-10-15T19:33:10","modified_gmt":"2007-10-15T19:33:10","slug":"biocombustiveis-o-risco-do-modelo-exportador-de-materias-primas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/america-latina\/biocombustiveis-o-risco-do-modelo-exportador-de-materias-primas\/","title":{"rendered":"Biocombust\u00edveis: O risco do modelo exportador de mat\u00e9rias primas"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 15\/10\/2007 &ndash; O temor de que o boom do etanol e do biodiesel perpetue os pa\u00edses em desenvolvimento como simples exportadores de mat\u00e9rias-primas foi um ponto destacado na segunda Feira Internacional de Agroenergia, Biocombust\u00edveis e Energias Renov\u00e1veis (Enerbio), realizada na semana passada em Bras\u00edlia. <!--more--> Durante tr\u00eas dias, mais de 18 mil pessoas e 130 expositores participaram dos cinco encontros que compunham a Enerbio: tr\u00eas conferencias internacionais, sobre biocombust\u00edveis, energia e transporte; o Semin\u00e1rio de fomento a Microprodutores de Etanol e Biodiesel, e a feira propriamente dita. Estiveram presentes delega\u00e7\u00f5es de 50 paises, 12 deles africanos.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o de que pa\u00edses como o Brasil tenham um papel de simples fornecedores de mat\u00e9ria-prima para a ind\u00fastria de biocombust\u00edveis dos Estados Unidos e da Europa se deve \u00e0 crescente participa\u00e7\u00e3o de investidores estrangeiros no setor dos combust\u00edveis destilados de cultivos, disse \u00e0 IPS o presidente da Enerbio, Ronaldo Knack, em um balan\u00e7o das conferencias. Os investimentos estrangeiros, que representaram apenas 6% na agricultura energ\u00e9tica brasileira no ano passado, duplicaram em 2007, ressaltou. O risco \u00e9 que com esse poder consigam determinar a divis\u00e3o do mercado. O Brasil j\u00e1 exporta mais soja em gr\u00e3o do que seus derivados de maior valor agregado, com \u00f3leo e farelo, situa\u00e7\u00e3o que pode se repetir com o biodiesel refinado a partir dessa oleaginosa.<\/p>\n<p>Outros dois enfoques que obtiveram consenso indicam que o governo brasileiro, contrariando o discurso do Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, n\u00e3o est\u00e1 apoiando os pequenos produtores de oleaginosas destinadas ao biodiesel e tampouco adotou uma pol\u00edtica a favor das fontes renov\u00e1veis de energia, segundo Knack. O \u00f3leo de r\u00edcino, cuja produ\u00e7\u00e3o o governo diz estimular na agricultura familiar do Nordeste pobre, tem no mercado internacional pre\u00e7o quatro vezes maior do que o obtido para ser transformado em biodiesel nacional, acrescentou. Por outro lado, os planos oficiais d\u00e3o prioridade \u00e0s grandes centrais hidrel\u00e9tricas e nucleares em lugar das energias e\u00f3lica, solar e de biomassa, ressaltou Knack.<\/p>\n<p>Os pain\u00e9is, semin\u00e1rios, f\u00f3runs e encontros que reuniram especialistas, empres\u00e1rios, investidores e interessados desenharam um panorama dos biocombust\u00edveis no mundo. O Brasil continuar\u00e1 atraindo investimentos neste setor por suas extensas terras dispon\u00edveis, clima favor\u00e1vel e baixos custos de produ\u00e7\u00e3o, afirmou Roel Collier, do grupo brit\u00e2nico Clean Energy. A demanda por etanol seguir\u00e1 em franca expans\u00e3o, tanto no mercado interno quanto no externo, gra\u00e7as aos autom\u00f3veis equipados com motores flex, que funcionam com gasolina e \u00e1lcool.<\/p>\n<p>No Brasil, esses ve\u00edculos j\u00e1 dominam 90% da produ\u00e7\u00e3o nacional. No ano passado foram fabricados dois milh\u00f5es de unidades. Nos Estados Unidos j\u00e1 chegaram a seis milh\u00f5es. Al\u00e9m disso, multiplicam-se os pa\u00edses que, como Austr\u00e1lia, China, Jap\u00e3o e alguns europeus, misturam de 3% a 10% de etanol na gasolina. O com\u00e9rcio internacional do combust\u00edvel alternativo, entretanto, segue restrito devido \u00e0s elevadas tarifas e \u00e0s exig\u00eancias de certificados que assegurem uma produ\u00e7\u00e3o ambientalmente s\u00e3 e que respeito os direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Todos em Bras\u00edlia aprovaram as certifica\u00e7\u00f5es, e as tarifas pouco preocupam, porque cedo ou tarde os pa\u00edses ricos (EUA, Jap\u00e3o e os europeus) ter\u00e3o de abrir seus mercados aos biocombust\u00edveis, disse Knack. Mas, n\u00e3o faltaram queixas pela \u201ccontradi\u00e7\u00e3o\u201d que representa o protecionismo contra o etanol, enquanto se deixa livre a importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, que contamina muito mais. \u00c9 o biodiesel que apresenta iniciativas mais novas, porque se trata de um mercado em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto o Rio de Janeiro se orgulha de j\u00e1 contar com uma frota de \u00f4nibus funcionando com uma mistura de 5% de biodiesel, reduzindo a contamina\u00e7\u00e3o com a fuma\u00e7a negra em 10%, Bras\u00edlia iniciou um projeto de reaproveitamento do \u00f3leo vegetal de cozinha. A empresa Eco Bras\u00edlia Diesel j\u00e1 recolhe o \u00f3leo usado em 1.280 empresas comerciais para a produ\u00e7\u00e3o de 50 mil litros de biodiesel por dia a partir de janeiro pr\u00f3ximo, capacidade que poder\u00e1 chegar a at\u00e9 200 mil litros.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Brasileira de Biodiesel (Ubrabio), que re\u00fane 24 empresas produtoras desse combust\u00edvel e de equipamentos necess\u00e1rios para a nova ind\u00fastria, afirma que o Brasil disp\u00f5e de mat\u00e9ria-prima e capacidade produtiva para garantir o consumo nacional. Em janeiro entrar\u00e1 em vigor a lei que imp\u00f5e a mistura de 2% de biodiesel ao combust\u00edvel obtido a partir do petr\u00f3leo, compondo o chamado B2. Para cumprir esse primeiro passo, o Brasil s\u00f3 precisa consumir 12% dos 24 milh\u00f5es de toneladas de soja que exporta anualmente, destacou o presidente da Ubrabio, Odacir Klein. O Pa\u00eds j\u00e1 tem capacidade para o B5, assegurou. Esta mescla de 5% est\u00e1 prevista para 2013, mas o governo pretende antecip\u00e1-la em tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>O programa nacional do biodiesel estimula a produ\u00e7\u00e3o de oleaginosas na agricultura familiar atrav\u00e9s do selo Combust\u00edvel social, que libera de impostos a ind\u00fastria dedicada a promover a pequena produ\u00e7\u00e3o, gerando renda e emprego. Mas as cooperativas de produtores se queixam da legisla\u00e7\u00e3o que, segundo dizem, n\u00e3o estimula o desenvolvimento do cooperativismo no refino do biodiesel. A imposi\u00e7\u00e3o de determinadas normas t\u00e9cnicas favorece a grande ind\u00fastria, dificultando aos grupos de produtores de oleaginosas acesso \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Enerbio deste ano comprovou seu sucesso, segundo Knack, n\u00e3o apenas pela ampla participa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pelo interesse e o acordo de lev\u00e1-la \u00e0 \u00c1frica e \u00e0 Europa. No pr\u00f3ximo ano tamb\u00e9m ser\u00e1 realizada em Mo\u00e7ambique e Portugal. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 15\/10\/2007 &ndash; O temor de que o boom do etanol e do biodiesel perpetue os pa\u00edses em desenvolvimento como simples exportadores de mat\u00e9rias-primas foi um ponto destacado na segunda Feira Internacional de Agroenergia, Biocombust\u00edveis e Energias Renov\u00e1veis (Enerbio), realizada na semana passada em Bras\u00edlia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/america-latina\/biocombustiveis-o-risco-do-modelo-exportador-de-materias-primas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10],"tags":[],"class_list":["post-3369","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3369","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3369"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3369\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}