{"id":3378,"date":"2007-10-17T19:05:56","date_gmt":"2007-10-17T19:05:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3378"},"modified":"2007-10-17T19:05:56","modified_gmt":"2007-10-17T19:05:56","slug":"saude-mulheres-nao-devem-morrer-ao-darem-a-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/mundo\/saude-mulheres-nao-devem-morrer-ao-darem-a-luz\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade: Mulheres n\u00e3o devem morrer ao darem a luz"},"content":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 17\/10\/2007 &ndash; Neste s\u00e9culo, quando a ci\u00eancia m\u00e9dica e o poder das mulheres v\u00e3o aumentando, \u201cnenhuma deveria morrer ao dar a vida\u201d, afirmou Thoraya Ahmed Obaid, diretora-executiva do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA). <!--more--> \u201c\u00c9 inaceit\u00e1vel que uma mulher morra a cada minuto durante a gravidez e o parto quando existem maneiras provadas de impedir isso. H\u00e1 milh\u00f5es de vidas em jogo, e devemos agir agora\u201d, afirmou. Obaid ser\u00e1 participante-chave da confer\u00eancia internacional que acontecer\u00e1 de quinta-feira at\u00e9 s\u00e1bado desta semana em Londres para exigir maiores investimentos nos cuidados com a sa\u00fade de mulheres, m\u00e3es e rec\u00e9m-nascidos.<\/p>\n<p>Da confer\u00eancia participar\u00e3o mais de 1.500 pessoas, incluindo profissionais da sa\u00fade, delegados de alto n\u00edvel e ministros de 35 pa\u00edses em desenvolvimento e na\u00e7\u00f5es doadoras, ativistas pelos direitos femininos e funcion\u00e1rios da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. \u201cPressionaremos todos os envolvidos para uma a\u00e7\u00e3o unificada a fim de melhorar as vidas e a sa\u00fade de mulheres, m\u00e3es e rec\u00e9m-nascidos em todo o mundo\u201d, disse Obaid \u00e0 IPS. \u201cSabemos o que \u00e9 preciso para salvar as mulheres da morte. Tr\u00eas interven\u00e7\u00f5es simples: assistentes de parto qualificados, aten\u00e7\u00e3o obst\u00e9trica de emerg\u00eancia e planejamento familiar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>J\u00e9ssica Neuwirth, presidente da organiza\u00e7\u00e3o Equality Now (Igualdade agora), que defende os direitos femininos e tem sede em Nova Yorque, disse que \u201ca enorme disparidade na mortalidade materna\u201d entre pa\u00edses com diferentes n\u00edveis de desenvolvimento \u201cd\u00e1 uma dimens\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 perda de vida durante o parto\u201d. Estas mortes podem ser prevenidas, e o fato de os governos n\u00e3o conseguirem isso \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o do direito da mulher \u00e0 vida, o mais fundamental dos direitos humanos, acrescentou. \u201cOs governos devem ser responsabilizados por sua mortal inani\u00e7\u00e3o na hora de abordar a mortalidade materna\u201d, disse Neuwirth \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>June Zeitlin, diretora-executiva da n\u00e3o-governamental Organiza\u00e7\u00e3o das Mulheres para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Wedo), disse que os escassos avan\u00e7os em mat\u00e9ria de mortalidade materna \u00e9 outro sinal do abismo entre a ret\u00f3rica e a realidade em mat\u00e9ria de igualdade de g\u00eanero. Embora os governos e a ONU assumam muitos compromissos pela igualdade de g\u00eanero, entre eles os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio, n\u00e3o os ap\u00f3iam efetivamente com vontade pol\u00edtica ou com os recursos necess\u00e1rios para conseguir este objetivo, ressaltou.<\/p>\n<p>\u201cO fato de tantos pa\u00edses fracassarem na hora de cumprir seja o objetivo sobre reduzir a pobreza ou a respeito da mortalidade materna \u00e9, em parte, resultado de n\u00e3o levar em conta a necessidade de abordar a igualdade de g\u00eanero\u201d, disse Zeitlin \u00e0 IPS. A persistente discrimina\u00e7\u00e3o e as desigualdades que enfrentam as mulheres est\u00e3o intrinsecamente relacionadas com sua falta de recursos e dificultam sua capacidade de ter acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade. \u201cReduzir a mortalidade materna e a pobreza (em outras palavras, uma s\u00f3lida pol\u00edtica para o desenvolvimento) requer um investimento substancial para diminuir a desigualdade de g\u00eanero agora\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio, definidos em 2000 pela Assembl\u00e9ia Geral, incluem reduzir pela metade a propor\u00e7\u00e3o de pessoas que sofrem pobreza e fome (em rela\u00e7\u00e3o a 1990); garantir a educa\u00e7\u00e3o primaria universal; promover a igualdade de g\u00eanero; reduzir a mortalidade infantil e a materna; combater a aids, malaria e outras doen\u00e7as; assegurar a sustentabilidade ambiental e fomentar uma associa\u00e7\u00e3o mundial para o desenvolvimento, tudo isto at\u00e9 2015. Mas, sua implementa\u00e7\u00e3o se viu frustrada principalmente pela falta de recursos e de vontade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A confer\u00eancia das mulheres em Londres, inditulada \u201cWomen Deliver\u201d, ter\u00e1 o seguinte lema: \u201cInvista em mulheres: d\u00e1 resultado\u201d. O Unfpa alertou na semana passada que a mortalidade materna do mundo (mortes em cada cem mil nascimentos vivos) diminui muito lentamente para que seja cumprido o quinto Objetivo do Mil\u00eanio, que pretende melhorar a sa\u00fade materna e impedir que as mulheres morram durante a gravidez ou no parto. Embora para conseguir esse objetivo seja necess\u00e1ria uma queda de 5,5% na mortalidade materna at\u00e9 2015 em rela\u00e7\u00e3o aos valores de 1990, as \u00faltimas estat\u00edsticas divulgadas conjuntamente pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia, e o Banco Mundial mostram uma queda anual abaixo de 1%.<\/p>\n<p>Em 2005, cerca de 536 mil mulheres morreram por causas ligadas \u00e0 maternidade, em compara\u00e7\u00e3o com as 576 mil mortas em 1990. Noventa e nove por cento destas mortes ocorreram em pa\u00edses em desenvolvimento. A probabilidade de uma menina de 15 anos morrer de uma complica\u00e7\u00e3o relacionada com a gravidez e o parto durante sua vida \u00e9 mais alta na \u00c1frica: uma em 26. Nas regi\u00f5es industrializadas \u00e9 de uma em 7.300. Dos 171 pa\u00edses e territ\u00f3rios estudados, N\u00edger ocupa o posto de maior risco de vida, um em sete.<\/p>\n<p>Onze pa\u00edses apresentaram quase 65% das mortes maternas do mundo em 2005. A \u00cdndia teve a maior quantidade (117 mil), seguida de Nig\u00e9ria (59 mil), Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (32 mil) e do Afeganist\u00e3o (26 mil), segundo as \u00faltimas estat\u00edsticas divulgadas pela ONU. A meio caminho do calend\u00e1rio para o cumprimento das Metas do Mil\u00eanio, \u201c\u00e9 tempo de acelerar os investimentos em sa\u00fade e direitos femininos. \u00c9 tempo de os governos fazerem da sa\u00fade reprodutiva uma prioridade\u201d, disse Obaid.<\/p>\n<p>Segundo o Unfpa, \u00e9 necess\u00e1rio um investimento adicional anual estimado entre US$ 5,5 bilh\u00f5es e US$ 6,1 bilh\u00f5es at\u00e9 2015, tanto de fontes internas quanto internacionais, para cumprir o objetivo de melhorar a sa\u00fade materna. Tamb\u00e9m se precisar\u00e1 de financiamento adicional para conseguir a meta de acesso universal \u00e0 sa\u00fade reprodutiva, contida no quinto objetivo. Estes investimentos tamb\u00e9m reduzir\u00e3o a mortalidade infantil, ajudar\u00e3o a reduzir a carga da malaria e minimizar\u00e3o o HIV\/aids atrav\u00e9s de seu efeito sobre a preven\u00e7\u00e3o do v\u00edrus HIV (causador da aids) e a preven\u00e7\u00e3o de gravidez n\u00e3o desejada entre portadoras deste v\u00edrus, segundo o Unfpa.<\/p>\n<p>(Envolverde\/ IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 17\/10\/2007 &ndash; Neste s\u00e9culo, quando a ci\u00eancia m\u00e9dica e o poder das mulheres v\u00e3o aumentando, \u201cnenhuma deveria morrer ao dar a vida\u201d, afirmou Thoraya Ahmed Obaid, diretora-executiva do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA). <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/mundo\/saude-mulheres-nao-devem-morrer-ao-darem-a-luz\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,6,5,4,7],"tags":[21],"class_list":["post-3378","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","category-mundo","category-saude","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3378","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3378"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3378\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}