{"id":3385,"date":"2007-10-19T18:30:14","date_gmt":"2007-10-19T18:30:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3385"},"modified":"2007-10-19T18:30:14","modified_gmt":"2007-10-19T18:30:14","slug":"economia-a-nova-maneira-eco-eficiente-de-ser-das-empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/america-latina\/economia-a-nova-maneira-eco-eficiente-de-ser-das-empresas\/","title":{"rendered":"Economia: A nova maneira eco-eficiente de ser das empresas"},"content":{"rendered":"<p>Belo Horizonte, 19\/10\/2007 &ndash; Uma empresa oferece servi\u00e7o de reflorestamento para \u00e1reas afetadas por eros\u00e3o, outra assessora f\u00e1bricas para neutralizar suas emiss\u00f5es de carbono e uma terceira contrata um laborat\u00f3rio ambiental para avaliar danos ecol\u00f3gicos. <!--more--> \u00c9 a nova gera\u00e7\u00e3o que valoriza a maneira \u201ceco-eficiente de ser\u201d. Estas companhias exibem seus produtos na Feira de Tecnologias S\u00f3cio-ambientais, que funciona desde ter\u00e7a-feira (16) at\u00e9 s\u00e1bado (20) em Belo Horizonte, paralelamente \u00e0 VII Confer\u00eancia Latino-americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social, organizada pela consultoria Ecolatina para combater a mudan\u00e7a clim\u00e1tica na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ronaldo Gusm\u00e3o, coordenador da confer\u00eancia Ecolatina, explicou \u00e0 IPS que quando a iniciativa surgiu em 1998, seguindo as sugest\u00f5es da Eco-92 ou C\u00fapula da Terra. \u201ca quest\u00e3o ambiental passava mais pelos governantes e pela milit\u00e2ncia ecol\u00f3gica\u201d, enquanto a sociedade e o setor privado pareciam ap\u00e1ticos. \u201cNessa \u00e9poca, falar a um empres\u00e1rio sobre responsabilidade ambiental ou social era uma m\u00e1 palavra\u201d, recordou. Hoje, por\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o e muito diferente. Depois de uma d\u00e9cada em que os empres\u00e1rios \u201ccome\u00e7aram a reagir apenas para cumprir as legisla\u00e7\u00f5es ambientais\u201d, que entraram em vigor nesses anos, se deram conta de que a sociedade tamb\u00e9m come\u00e7ava a exigir-lhes respostas em sentido de preserva\u00e7\u00e3o. \u201cAntes, as empresas tinham licen\u00e7a ambiental, mas n\u00e3o da sociedade\u201d, sintetizou.<\/p>\n<p>Nessa conscientiza\u00e7\u00e3o incidiram outros fatores, segundo o coordenador da Ecolatina, que, al\u00e9m da feira, oferece cursos, semin\u00e1rios e oficinas para empresas sobre os desafios e oportunidades do desenvolvimento sustent\u00e1vel para pequenas e m\u00e9dias companhias, bem como ensino de administra\u00e7\u00e3o de recursos ambientais. Entre outros, Gusm\u00e3o mencionou o \u201cInforme Nichoas Stern\u201d, deste economista brit\u00e2nico que em janeiro antecipou que as empresas do novo mundo de mudan\u00e7a clim\u00e1tica enfrentar\u00e3o normas ambientais cada vez mais r\u00edgidas, a necessidade de utilizar tecnologias para reduzir a emiss\u00e3o de gases causadores do efeito estufa e as modifica\u00e7\u00f5es nos h\u00e1bitos de consumo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m haver\u00e1 maior conscientiza\u00e7\u00e3o por parte do consumidor, que gerar\u00e1 respostas dos governos, como a decis\u00e3o da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de implementar \u2013 como nos Estados Unidos \u2013 informa\u00e7\u00e3o para mostrar ao consumidor quais tipos e marcas de carros emitem menos gases t\u00f3xicos. Em S\u00e3o Paulo, maior cidade do Brasil, j\u00e1 h\u00e1 um ve\u00edculo para cada pessoa. \u201cAs companhias est\u00e3o mudando seus modelos\u201d, destacou Gusm\u00e3o. Assim como no passado a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial rompeu o modelo de produzir mais, hoje o novo paradigma \u00e9 contra a revolu\u00e7\u00e3o industrial\u201d, sintetizou o coordenador da Ecolatina.<\/p>\n<p>Como exemplo, Gusm\u00e3o citou os comit\u00eas de recursos h\u00eddricos, formados por comunidades ribeirinhas e as empresas para defesa de cursos de rios em conjunto com representantes de governos estaduais ou municipais. Diante de um determinado problema ambiental do rio, como a contamina\u00e7\u00e3o causada pelos res\u00edduos despejados por uma f\u00e1brica, pela seca ou a presen\u00e7a de lixo domestico jogado pelas pessoas, o comit\u00ea se re\u00fane, estabelece um plano de a\u00e7\u00e3o e o executa com os recursos obtidos por seu \u00f3rg\u00e3o gesto. Somente em Minas Gerais existem 32 comit\u00eas deste tipo.<\/p>\n<p>\u201cAs empresas come\u00e7aram a perceber que a \u00e1gua \u00e9 um bem que utilizam e que come\u00e7a a escassear\u201d, disse Gusm\u00e3o. Ele contou o caso da cervejaria Kaiser, que integra o Comit\u00ea do Rio Piracicaba, em S\u00e3o Paulo, porque est\u00e1 consciente de que, se o rio secar ou for contaminado, acabar\u00e1 a mat\u00e9ria-prima com que trabalha, que \u00e9 a \u00e1gua. uma pr\u00e1tica cada vez mais comum e que o Servi\u00e7o Brasileiro de Assist\u00eancia \u00e0 Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) come\u00e7a a estimular entre seus associados. Em entrevista a IPS, Paulo Alvim, gerente de meio ambiente do Sebrae, afirmou que as empresas \u201cpercebem que precisam transformar em oportunidade o que antes era um problema\u201d (a legisla\u00e7\u00e3o ambiental).<\/p>\n<p>Do ponto de vista empresarial, Alvim disse que o diferencial ecol\u00f3gico, hoje de responsabilidade social, \u201ccome\u00e7a a ser uma estrat\u00e9gia de marketing interessante\u201d, porque \u201ca demanda ambiental de parte dos consumidores \u00e9 cada vez maior\u201d. Com exemplo desse \u201cdiferencial de marketing\u201d, que prop\u00f5e \u00e0s pequenas e m\u00e9dias empresas, mencionou o caso de um restaurante que hoje se preocupa em mostrar como funciona sua cozinha, que n\u00e3o deixa lixo na porta e oferece um sop\u00e3o a uma comunidade carente pr\u00f3xima com os alimentos excedentes do dia.<\/p>\n<p>\u201cA imagem \u00e9 uma das estrat\u00e9gias de inser\u00e7\u00e3o no mercado\u201d, disse Alvim, destacando que se houvesse maiores incentivos referentes a impostos por parte do governo ou de est\u00edmulo ao cr\u00e9dito para esses fins \u201co salto seria ainda maior para criar uma produ\u00e7\u00e3o e um consumo sustent\u00e1veis\u201d. Uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente que se expressa no n\u00famero de empresas de servi\u00e7os e tecnologias ambientais, cujo n\u00famero este ano chegou 79 stands na Ecolatina. Companhias como o laborat\u00f3rio paulista Ecolabor que, como explicou \u00e0 IPS seu porta-voz, Luiz Augusto S. J\u00fanior, se especializa em analisar \u00e1gua, solos e res\u00edduos para empresas ou consumidores que solicitam seu trabalho.<\/p>\n<p>A Ecolabor, que diz ter aumentado sua carteira de clientes a partir do aumento das exig\u00eancias ambientais por parte do governo do Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, citou o caso de uma empresa do Par\u00e1 que os contratou porque os pescadores reclamavam que seus dejetos estavam matando os peixes. O laborat\u00f3rio detectou que na realidade a contamina\u00e7\u00e3o do rio era causada por um tipo de bambu que os pescadores retorciam na \u00e1gua e que soltava toxinas. \u201cDescoberto o problema, a empresa e os pescadores resolveram seu problema\u201d, disse J\u00fanior.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso tamb\u00e9m da Oksigeno, empresa de Minas Gerais que assessora companhias para neutralizar suas emiss\u00f5es de carbono. Feito o diagnostico, \u201cquando n\u00e3o h\u00e1 maneira de reduzir esse emiss\u00e3o, se prop\u00f5e \u00e0 empresa reflorestar para compensar esse impacto negativo\u201d, disse \u00e0 IPS Itamar Melgaco, da Oksigeno. A Deflor \u00e9 outra companhia especializada nestes novos servi\u00e7os ambientais. Luciana de Oliveira Matos, sua consultora ambiental, explica que tem uma enorme carteira de clientes, como grandes companhias de minera\u00e7\u00e3o, que os contratam para reflorestar \u00e1reas de extra\u00e7\u00e3o afetadas pela eros\u00e3o.<\/p>\n<p>O servi\u00e7o de recupera\u00e7\u00e3o de florestas da Deflor inclui diagnostico, o cultivo de esp\u00e9cies e a utiliza\u00e7\u00e3o de uma tecnologia especial: fibras naturais de coco e vime que ajudam na tarefa de reflorestamento retendo umidade, evitando desmoronamento de terra pela eros\u00e3o e fornecendo suplementos nutritivos \u00e0 terra. Trata-se da expans\u00e3o de servi\u00e7os ambientais \u00e0s pequenas e m\u00e9dias empresas, que j\u00e1 come\u00e7avam antecipar grandes ind\u00fastrias como a FIAT, tamb\u00e9m com um stand na feira da Ecolatina. Entre outros servi\u00e7os ambientais, a esta montadora, com sede em Betim (MG), tem um centro de pesquisa tecnol\u00f3gica ambiental que permite servi\u00e7os como a reciclagem de 93% de seus res\u00edduos e que elabora atualmente o prot\u00f3tipo de um autom\u00f3vel \u201ccarboneutro\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOportunidades e desafios do desenvolvimento sustent\u00e1vel para as micro e pequenas empresas\u201d, tema do semin\u00e1rio da Ecolatina coordenado por Beatriz Bulh\u00f5es, diretora do Centro Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Cebds). Entre 1999 e 2004, as empresas assistidas pelo Cebds investiram R$ 6,3 milh\u00f5es em melhorias de instala\u00e7\u00f5es com fins ambientais e tiveram uma redu\u00e7\u00e3o de gastos de R$ 23,6 milh\u00f5es, destacou Bulh\u00f5es. Um princ\u00edpio que o Cebds chama de \u201ceco-efici\u00eancia\u201d baseado no conceito de \u201cproduzir mais e melhor com menos\u201d. E que, al\u00e9m dos benef\u00edcios considerados intang\u00edveis, como a reputa\u00e7\u00e3o, a marca, a \u00e9tica e a transpar\u00eancia empresarial, produz muitos outros que s\u00e3o concretos.<\/p>\n<p>(Envolverde\/ IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Belo Horizonte, 19\/10\/2007 &ndash; Uma empresa oferece servi\u00e7o de reflorestamento para \u00e1reas afetadas por eros\u00e3o, outra assessora f\u00e1bricas para neutralizar suas emiss\u00f5es de carbono e uma terceira contrata um laborat\u00f3rio ambiental para avaliar danos ecol\u00f3gicos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/america-latina\/economia-a-nova-maneira-eco-eficiente-de-ser-das-empresas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-3385","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3385","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3385"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3385\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}