{"id":3397,"date":"2007-10-24T19:51:31","date_gmt":"2007-10-24T19:51:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3397"},"modified":"2007-10-24T19:51:31","modified_gmt":"2007-10-24T19:51:31","slug":"mundo-energia-a-esperanca-dos-biocombustiveis-vira-fumaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/mundo\/mundo-energia-a-esperanca-dos-biocombustiveis-vira-fumaca\/","title":{"rendered":"Mundo &#8211; Energia: A esperan\u00e7a dos biocombust\u00edveis vira fuma\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Toronto, 24\/10\/2007 &ndash; Novos estudos revelam que os milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares investidos nos Estados Unidos e na Europa para promover os biocombust\u00edveis s\u00e3o uma forma de subsidiar corpora\u00e7\u00f5es agroindustriais, em lugar de uma resposta efetiva contra o aquecimento global. <!--more--> N\u00e3o s\u00f3 a maioria dos m\u00e9todos para produzir combust\u00edveis destilando certos vegetais pouco ajudam a reduzir as emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa, respons\u00e1veis pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica, segundo a maioria dos cientistas, como colher as mat\u00e9rias-primas necess\u00e1rias requer grande quantidade de \u00e1gua, al\u00e9m de fomentar ouso de pesticidas e provocar desmatamento em pa\u00edses tropicais, dizem esses relat\u00f3rios.<\/p>\n<p>O auge dos biocombust\u00edveis, impulsionado por milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares em subs\u00eddios governamentais, provocar\u00e1 aumento entre 30% e 40% at\u00e9 2020 no pre\u00e7o dos alimentos, segundo o n\u00e3o-governamental Instituto de Pesquisa de Pol\u00edticas Alimentares, com sede em Washington. O milho, a cana-de-a\u00e7\u00facar, a soja e a palma s\u00e3o os principais cultivos dos quais se extrai etanol ou biodiesel. \u201cResumidamente, usar comida para produzir combust\u00edveis \u00e9 uma id\u00e9ia est\u00fapida\u201d, disse \u00e0 IPS Ronald Steenblik, diretor de pesquisas do Global Subsidies Initiative, do Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, com sede em Genebra. \u201c\u00c9 outra forma de subsidiar as grandes corpora\u00e7\u00f5es agroindustriais e constitui uma manobra para desviar a aten\u00e7\u00e3o do problema real, que \u00e9 reduzir as emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Dois novos estudos, dos quais Steenblik \u00e9 co-autor, destacam que produzir combust\u00edvel a partir do milho, da soja ou da cana-de-a\u00e7\u00facar \u00e9 incrivelmente caro. Sua an\u00e1lise diz que o apoio governamental atingiu em 2006 US$ 11 bilh\u00f5es ao ano para os pa\u00edses que integram a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), que re\u00fane entre seus membros todos os pa\u00edses industriais. Mais de 90% desses subs\u00eddios corresponderam aos Estados Unidos e \u00e0 Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, e, segundo o informe, provavelmente chegar\u00e3o este ano aos US$ 13 bilh\u00f5es ou US$ 15 bilh\u00f5es. \u201cAumentam na medida em que a ind\u00fastria se expande\u201d, disse Steenblik.<\/p>\n<p>Seria preciso gastar mais de US$ 100 bilh\u00f5es por ano para alcan\u00e7ar uma propor\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edvel equivalente a 25% ou 30% das necessidades do transporte. E esse valor em subs\u00eddios teria de ser mantido, j\u00e1 que a ind\u00fastria depende deles, acrescentou. Esse investimento teria sentido se fosse obtida uma redu\u00e7\u00e3o importante nas emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa, mas Steenblik calcula que para produzir a quantidade de etanol necess\u00e1ria para reduzir o equivalente a uma tonelada de di\u00f3xido de carbono sejam bastos entre US$ 2.980 e US$ 6.240, segundo o tipo de programa de incentivos aplicado.<\/p>\n<p>V\u00e1rios estudos demonstram que o impacto ambiental de produzir milho, transport\u00e1-lo e convert\u00ea-lo em etanol se traduz em uma pequena redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases que provocam o efeito estufa em compara\u00e7\u00e3o com os combust\u00edveis f\u00f3sseis. E em alguns casos os resultados podem ser ainda mais desanimadores. O biodiesel obtido a partir da colza e o etanol de milho podem provocar 70% e 50% mais emiss\u00f5es, respectivamente, do que os combust\u00edveis f\u00f3sseis, de acordo com um trabalho publicado em setembro pelo ganhador do pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica, Paul Crutzen, da Universidade de Edimburgo, junto com seu colega Keith Smith.<\/p>\n<p>Esses pesquisadores determinaram que a destila\u00e7\u00e3o desses vegetais libera mais que o dobro do que se supunha at\u00e9 o momento de oxido nitroso, um forte g\u00e1s causador do efeito estufa, devido ao uso de fertilizantes que cont\u00eam nitrog\u00eanio. Cerca de 80% do biocombust\u00edvel da Europa prov\u00e9m da colza, enquanto nos Estados Unidos se usa fundamentalmente o milho para fabricar etanol. \u201cProvavelmente, n\u00e3o oferece nenhum beneficio e,de fato,est\u00e3o piorando a situa\u00e7\u00e3o\u201d, disse Smith em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 imprensa.<\/p>\n<p>Em janeiro, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fixou uma meta de produ\u00e7\u00e3o de 132 bilh\u00f5es de litros de biocombustivies at\u00e9 2017, mais de cinco vezes o n\u00edvel atual. Esta meta deixaria v\u00e1rias vias fluviais desse pa\u00eds contaminadas e provocaria grave escassez de \u00e1gua em v\u00e1rias regi\u00f5es, alertou a Academia Nacional de Ci\u00eancias dos EUA. O uso adicional de fertilizantes contribuir\u00e1 para a expans\u00e3o de plantas aqu\u00e1ticas que produzem \u201czonas mortas\u201d com as existentes no Golfo do M\u00e9xico, diz o informe.<\/p>\n<p>Advert\u00eancias similares foram feitas pelo Instituto Internacional para Manejo da \u00c1gua no Sri Lanka a respeito do crescente interesse de China e \u00cdndia nos biocombust\u00edveis. Recomendou-se aos dois pa\u00edses que investissem na chamada segunda gera\u00e7\u00e3o de tecnologia para este tipo de combust\u00edvel, que se baseia na celulose e n\u00e3o poder\u00e1 ser comercializado por v\u00e1rios anos. \u2018Os subs\u00eddios para o etanol apontam mais a garantir os votos dos poderosos grupos de press\u00e3o agr\u00edcolas do que em obter benef\u00edcios ambientais\u201d, disse Walter Hook, diretor-exeuctivo do n\u00e3o-governamental Instituto para Pol\u00edticas do Transporte e o Desenvolvimento, com sede em Nova Yorque.<\/p>\n<p>Programas mais simples e baratos, com a imposi\u00e7\u00e3o de uma taxa para quem dirige ve\u00edculos na zona central das cidades ou o programa aplicado em Paris para fomentar o uso da bicicleta reduzem as emiss\u00f5es de forma imediata e com um custo muito baixo, disse Hook em uma entrevista. Essa iniciativa foi colocada em pr\u00e1tica em julho na capital francesa, com a oferta de milhares de bicicletas alugadas a um pre\u00e7o baixo (os primeiros 30 minutos s\u00e3o gratuitos). Milh\u00f5es de viagens foram feitas nos primeiros 17 dias. \u201c\u00c9 assombroso. Todas as cidades deveriam pensar em fazer algo assim\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Uma ag\u00eancia de publicidade fornece as bicicletas gratuitamente, administra o sistema e retorna para a cidade todo o lucro, al\u00e9m de US$ 4,3 milh\u00f5es por ano em troca do controle exclusivo de todas as telas de publicidade na via p\u00fablica. O especialista em transporte canadense Todd Alexander Litman demonstrou que os combust\u00edveis mais eficientes e menos contaminantes t\u00eam como resultado o fato de as pessoas usarem mais os autom\u00f3veis. \u201cOcorrem mais congestionamentos de tr\u00e2nsito, mais acidentes, aumenta o custo do estacionamento e deixa sem op\u00e7\u00f5es quem n\u00e3o tem carro\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Litman prop\u00f5e alternativas para reduzir o tr\u00e1fego entre 30% e 50% que incluem transformar as \u00e1reas urbanas em zonas mais pr\u00f3prias para pedestres e a cria\u00e7\u00e3o de ciclovias. Nenhuma delas exige a produ\u00e7\u00e3o de mais biocombust\u00edveis. \u201cSubsidi\u00e1-los \u00e9 uma bobagem\u201d, disse \u00e0 IPS. J\u00e1 o relator especial da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, Jean Ziegler, enfatizou que incrementar a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis ser\u00e1 \u201cum desastre total\u201d para as pessoas que sofrem fome.<\/p>\n<p>\u201cExiste o s\u00e9rio risco de criar uma batalha entre combust\u00edvel e alimento que deixar\u00e1 os pobres e famintos das na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento \u00e0 merc\u00ea dos r\u00e1pidos aumentos no pre\u00e7o da comida, da terra ou da \u00e1gua\u201d, afirmou Ziegler ao falar em agosto na Assembl\u00e9ia Geral da ONU. Na pr\u00f3xima quinta-feira, Ziegles vai pedir \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas que adote uma proibi\u00e7\u00e3o por cinco anos da convers\u00e3o de terras com o objetivo de dedic\u00e1-las \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis.<\/p>\n<p>Apesar destas evidencias, os governos continuar\u00e3o dedicando milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares para fomentar sua produ\u00e7\u00e3o, afirmam alguns. \u201cRaramente se deixa de lado um subsidio. Esperamos que os pa\u00edses cheguem a um acordo nos pr\u00f3ximos anos\u201d, disse Steenblik.(IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>(Envolverde\/ IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toronto, 24\/10\/2007 &ndash; Novos estudos revelam que os milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares investidos nos Estados Unidos e na Europa para promover os biocombust\u00edveis s\u00e3o uma forma de subsidiar corpora\u00e7\u00f5es agroindustriais, em lugar de uma resposta efetiva contra o aquecimento global. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/mundo\/mundo-energia-a-esperanca-dos-biocombustiveis-vira-fumaca\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,4],"tags":[],"class_list":["post-3397","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-energia","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3397","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3397"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3397\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}