{"id":3399,"date":"2007-10-26T14:07:09","date_gmt":"2007-10-26T14:07:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=3399"},"modified":"2007-10-26T14:07:09","modified_gmt":"2007-10-26T14:07:09","slug":"ambiente-india-de-cacador-ilegal-a-melhor-amigo-do-tigre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2007\/10\/economia\/ambiente-india-de-cacador-ilegal-a-melhor-amigo-do-tigre\/","title":{"rendered":"Ambiente-\u00cdndia: De ca\u00e7ador ilegal a melhor amigo do tigre"},"content":{"rendered":"<p>Sunderbans, \u00cdndia, 26\/10\/2007 &ndash; \u201cCresci nesta selva\u201d, disse Anil Krishna Mistry, que passou de ca\u00e7ador ilegal a defensor da vida selvagem na regi\u00e3o dos Sanderbans, na \u00cdndia. \u201cComo muitos outros, meu pai veio de onde hoje \u00e9 Bangladesh para se dedicar \u00e0 agricultura. Cortar a floresta e matar animais era comum e n\u00e3o v\u00edamos nada de errado nisso. Hoje ajudamos a prevenir que outros ajam assim\u201d, afirmou. <!--more--> Mistry, de 40 anos, est\u00e1 na vanguarda do protecionismo da vida selvagem desde 1999. Vive nos Sunderbans, que se estendem atrav\u00e9s do sul de Bangladesh e do vizinho Estado indiano de Bengala Ocidental, no amplo delta formado pela conflu\u00eancia dos rios Ganges, Brahmaputra e Menga, que desembocam na ba\u00eda de Bengala.<\/p>\n<p>\u00c9 um delta pantanoso de 26 mil quil\u00f4metros quadrados onde centenas de pequenas ilhas est\u00e3o entrela\u00e7adas por canais de \u00e1gua. Trata-se da maior \u00e1rea de mangues do mundo e \u00e9 famosa por ser habitat natural do tigre de Bengala. Mistry foi um dos organizadores da campanha \u201cBagh Bachao\u201d (Salvem os tigres) dentro da Semana Mundial da Vida Selvagem, de 1\u00ba a 7 deste m\u00eas. Na maioria os participantes foram escolares da regi\u00e3o. Hiren Jotdar caminhou duas horas para chegar \u00e0 escola no meio da manh\u00e3. \u201cSou membro do clube de ci\u00eancias naturais\u201d, disse orgulhoso.<\/p>\n<p>O diretor, Sukumar Poira, afirma que sua escola foi a primeira a criar um clube de ci\u00eancias naturais para transmitir \u00e0s crian\u00e7as a id\u00e9ia da conserva\u00e7\u00e3o em uma \u00e1rea ecologicamente delicada. Agora j\u00e1 existem 22, onde os alunos aprendem a proteger a natureza, o valor das plantas medicinais, o uso de biofertilizantes e a import\u00e2ncia das campanhas \u201cn\u00e3o ao pl\u00e1stico\u201d. O \u201centusiasmo das pessoas para salvar os tigres \u00e9 algo que jamais havia imaginado alguns anos atr\u00e1s. A hostilidade em rela\u00e7\u00e3o a eles era tal que os funcion\u00e1rios do Departamento Florestal n\u00e3o se atreviam a falar aos alde\u00f5es sobre a import\u00e2ncia de proteg\u00ea-los\u201d, disse Neeraj Singhal, diretor da Reserva de Tigres de Sunderbans.<\/p>\n<p>A parte dos Sunderbans em territ\u00f3rio indiano tem 9.630 quil\u00f4metros quadrados. Foi inclu\u00edda pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura em sua Lista do Patrim\u00f4nio Mundial em 1987, e em 1989 esse parque foi declarado como reserva de biosfera. Em 1973, o governo indiano iniciou um projeto para enfrentar o problema da decrescente popula\u00e7\u00e3o de tigres e os Sunderbans se converteram em parte importante dessa iniciativa. Mas a ca\u00e7a ilegal destes animais n\u00e3o parou: foram relatados 38 casos em 1999, 39 em 2000, 35 em 2001 e 47 em 2002.<\/p>\n<p>Entretanto, nos Sunderbans \u2013 onde os tigres vivem nas proximidades de assentamentos humanos \u2013 n\u00e3o s\u00e3o registrados casos desde 1990. Segundo o censo de 2004, havia 271 tigres na \u00e1rea e aguarda-se os resultado do censo feito em 2006. Os conflitos entre os humanos e os animais t\u00eam uma longa hist\u00f3ria nos Sunderbans. For\u00e7ados a sobreviverem com este duro contexto, os tigres se adaptaram para beber \u00e1gua salobra e comer qualquer coisa dispon\u00edvel, inclusive caranguejos. Tamb\u00e9m pessoas: ataques a coletores de mel, lenhadores e pescadores ocorreram com freq\u00fc\u00eancia. As lendas sobre os tigres e sua adora\u00e7\u00e3o como forma de evitar os ataques s\u00e3o algo comum entre os moradores, sejam hindus ou mu\u00e7ulmanos. Na medida em que aument\u00e1ramos assentamentos humanos, os conflitos se transformaram em confronto aberto. Mas as tarefas de persuas\u00e3o do pessoal do escrit\u00f3rio florestal detiveram a ca\u00e7a, a ponto de quando um tigre ter rondado uma aldeia em julho os moradores chamarem os guardas para que o salvassem. \u201cNenhum tigre foi ca\u00e7ado desde 1990\u201d, afirma Pradeep Vyas, diretor da Reserva de Biosfera dos Sunderbans. \u201cEste ano, mais de cem animais \u2013 javalis, cervos axis e outras esp\u00e9cies \u2013 foram resgatados com ajuda dos moradores. Se considerarmos que aqui as pessoas s\u00e3o, em geral, pobre e n\u00e3o-vegetariana, n\u00e3o \u00e9 pouca coisa\u201d, acrescentou. As campanhas de informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m levaram ao uso de dardos tranq\u00fcilizantes para capturar os tigres que amea\u00e7avam alguma comunidade, soltos mais tarde.<\/p>\n<p>Mistry \u00e9 um dos encarregados desse trabalho. O projeto dos Sunderbans \u00e9 considerado um bom exemplo de conserva\u00e7\u00e3o. Um estudo do Instituto da Vida Selvagem da \u00cdndia qualificou a reserva como a \u201cmelhor manejada\u201d do pa\u00eds. Uma r\u00edgida supervis\u00e3o das atividades humanas contribui para os bons resultados. O mel \u00e9 coletado em uma \u00e1rea demarcada, cortar madeira est\u00e1 totalmente proibido e a pesca \u00e9 permitida em \u201czonas tamp\u00e3o\u201d. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos tamb\u00e9m foram registrados mensalmente os avistamentos de tigres, sobre os quais antes n\u00e3o havia informa\u00e7\u00e3o na maioria dos casos.<\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis pelo projeto entenderam que deviam envolver os moradores para que houvesse \u00eaxito. Foram formados comit\u00eas nas aldeias. \u201cAs crian\u00e7as que integram os clubes de ci\u00eancias naturais dizem aos pa\u00eds para n\u00e3o matarem os cervos, porque os tigres n\u00e3o ter\u00e3o comida e atacar\u00e3o as pessoas. Creio firmemente que s\u00e3o as crian\u00e7as que transmitir\u00e3o a id\u00e9ia da conserva\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Belinda Wright, diretora-executiva da n\u00e3o-governamental Sociedade de Prote\u00e7\u00e3o da Vida Selvagem da \u00cdndia (WPSI).<\/p>\n<p>Esta organiza\u00e7\u00e3o ap\u00f3ia as atividades da Sociedade de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e Vida Selvagem de Bali, da qual Mistry \u00e9 o principal oficial no terreno. Desenvolve v\u00e1rias atividades, com ajudar as meninas com poucos recursos a continuarem os estudos e administrar uma biblioteca para estudantes pobres. Tamb\u00e9m dirige um complexo tur\u00edstico com seis cabanas, que gera cerca de cem empregos diretos e indiretos para os moradores. Pintu Mirdha, que trabalha na cozinha, admite que antes tamb\u00e9m era ca\u00e7ador ilegal.<\/p>\n<p>O lugar \u00e9 popular entre os turistas e est\u00e1 lotado durante todo o ano, diz Shakti R. Banerjee, da WPSI, um ex-oficial do ex\u00e9rcito e um dos principais incentivadores do complexo tur\u00edstico. \u201cUma tarde, sentado diante do rio, pensei: por que n\u00e3o envolver os que ca\u00e7am devido \u00e0 sua pobreza em atividades conservacionistas para dar-lhes uma forma alternativa de ganhar a vida?\u201d, contou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> * Este artigo \u00e9 parte de uma s\u00e9rie sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel produzida em conjunto pela IPS (Inter Press Service) e IFEJ (siglas em ingl\u00eas de Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas Ambientais).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sunderbans, \u00cdndia, 26\/10\/2007 &ndash; \u201cCresci nesta selva\u201d, disse Anil Krishna Mistry, que passou de ca\u00e7ador ilegal a defensor da vida selvagem na regi\u00e3o dos Sanderbans, na \u00cdndia. \u201cComo muitos outros, meu pai veio de onde hoje \u00e9 Bangladesh para se dedicar \u00e0 agricultura. 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